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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Qual obra convenceu você de que o anarquismo é a melhor opção política?

Nenhuma em particular. Aliás eu me tornei anarquista antes de ler qualquer obra sobre anarquismo. Foi uma conclusão minha a partir de minhas reflexões sobre o modo como a humanidade se estabelece politicamente. Do mesmo modo que me tornei comunista sem ter lido nenhuma obra de nenhum autor comunista e sim por pensar como deve ser a melhor maneira da humanidade se estabelecer economicamente. Depois é que eu procurei se alguém já havia tido essas ideias. Da mesma forma que minhas concepções sociais libertárias. Já meu ateísmo adveio de meus estudos de religiões, de evolução, de neurociências, de história e de cosmologia, dos quais eu concluí que a suposição da interveniência de algo que seria um deus nisso tudo é completamente dispensável. Penso que qualquer um que refletir sobre filosofia política e filosofia econômica (não sobre política e economia e não por estudar essas filosofias, mas pensar nelas), se for uma pessoa sensata e comprometida com o bem do mundo, concluirá pela grande superioridade da anarquia e do comunismo sobre os demais sistemas políticos e econômicos. E concluirá pela superioridade do libertarismo sobre o conservadorismo e o tradicionalismo. Do mesmo modo que repudiará qualquer dogmatismo, mesmo um dogmatismo comunista ou um dogmatismo anarquista.

terça-feira, 30 de julho de 2019

4- Anarquismo, pra que? https://ask.fm/wolfedler/answers/145172041757 , "em uma anarquia todos são competentes, lúcidos e responsáveis, a escolha sempre recairá em quem tenha capacidade para exercer a coordenação. Simples assim". Se for assim, com toda esta boa vontade o Capitalismo fica perfeito.

Não fica não. Porque o capitalismo tem uma perversidade intrínseca que é a de considerar que o capital esteja nas mãos de alguns e não de todos. E que alguns aufiram rendimentos pelo aluguel de sua força de trabalho. Isso é uma espécie de escravidão. O socialismo de estado também padece do mesmo defeito, já que apenas substitui o patrão privado pelo patrão estatal. Só o comunismo é que abole o patrão, fazendo com que todos sejam os donos dos empreendimentos em que trabalhem e aufiram lucros e não salários, por não serem empregados de ninguém, nem do governo, mas sócios. O comunismo, que é um sistema econômico e não político, porém, só fica bom quando se dá no bojo do sistema político anárquico, isto é, em que não haja governo. E isso, certamente, requer que todos sejam conscientes, responsáveis, dedicados e desprendidos. Tal situação é condição prévia para se haver o anarco-comunismo. Daí que seu atingimento levará muito tempo. Não dá certo, como já comentei muito, estabelecer o anarco-comunismo por meio de uma revolução. Tem que ser por evolução.

"...esse tipo de coisa, num mundo anárquico, são feitos pelo estabelecimento de comissões "ad hoc" para planejá-los, executá-los e gerí-los". Pode explicar melhor como se "toca" esta música sem a presença de um maestro? Acho isto muito importante para o esclarecimento da competência do anarquismo.

Mas alguém vai ser o maestro. Um maestro que se escolhe dentre os componentes da comissão. Que pode, inclusive e preferencialmente, não ser uma pessoa, mas um grupo que coordene e supervisione os trabalhos. Isso acontece, até mesmo, em governos, como é o caso da Suiça, que não tem presidente e nem primeiro ministro.

3- Anarquismo não funciona. Como seria tratado no anarquismo um surto tal como a febre amarela, não fossem as instituições governamentais dirigidas por um ministério da saúde. Governos podem ser bons, desde que façam aquilo que deva ser feito, e este aspecto só depende das pessoas e não do sistema.

Todos os empreendimentos que envolvam grandes extensões geográficas e muitas pessoas, como campanhas de saúde, construção e manutenção de estradas, ferrovias, usinas elétricas e esse tipo de coisa, num mundo anárquico, são feitos pelo estabelecimento de comissões "ad hoc" para planejá-los, executá-los e gerí-los. Sem problema nenhum. Não é preciso haver governo para isso.

Porque o anarquismo resiste em aceitar a hierarquia? Afinal, ninguém nasce sabendo. Sempre será preciso aprender com alguém, na teoria e na prática. Essa necessidade é suprida de forma hierárquica. O professor está ao menos um nível acima do aluno. Este degrau é benéfico. Sempre foi.

Haver níveis de entendimento é normal e é para ser reconhecido pela coletividade. O que não se aceita é que a ocupação de posições de coordenação seja feita em razão de alguém ter uma superioridade econômica sobre o resto. As coordenações têm que ser uma escolha de todos, com base nas competências de cada um. Isso é que é orgânico. E as pessoas têm que acatar as orientações dos coordenadores porque sabe que são sábias. Se forem patentemente equivocadas, não é para serem acatadas e, então, a pessoa que deu a orientação equivocada tem que ser admoestada e, se for o caso, substituída na coordenação. Hierarquia imposta é inadmissível. Absolutamente não é benéfica.

Você disse: "em uma sociedade anarquista não existem carros particulares, só transporte coletivo..." Bicicletas, motocicletas, carros esportivos, barcos, drones, seriam proibidos? Todo mundo gosta disto. Não gostam é de corrupção, violência, miséria etc, mazelas que podem ser sanadas no capitalismo.

Nada é proibido em uma anarquia. Só que as pessoas não vão precisar e nem querer ter veículos particulares. O transporte coletivo atende a todos. Para emergências existem garages coletivas com carros à disposição de quem precisar. Do mesmo modo que existem bicicletas estacionadas em vários lugares para as pessoas pegarem e se locomoverem. Note que tudo é comum. Não há residências particulares e sim coletivas. Maridos e mulheres também são compartilhados. O problema do capitalismo, mesmo que não apresente mazela nenhuma dessas, é a sua concepção, intrinsecamente má, de que a humanidade seja separada em detentores de capital e trabalhadores assalariados. Isso é perverso e inaceitável. O trabalho é um capital. O capital tem que ser distribuído por todos na sociedade. Até que se consiga abolir o dinheiro do mundo, quem tem que ser dono dos empreendimentos são os que nele trabalham. Os administradores, diretores, superintendentes, gerentes, chefes ou o que seja, também são trabalhadores. Todos têm que ser sócios e todo que for sócio também tem que trabalhar. Não necessariamente na planta da fábrica. Mas também pode ser sócio de outras empresas. O que não é admissível é o trabalho assalariado. Isso tem que ser extinto. Não haver proletário nenhum. E a gestão dos empreendimentos ser coletivizada por meio de assembleias dos trabalhadores (incluindo os intelectuais). Como os sovietes no começo da Revolução Russa, traída por Lênin e os bolchevistas, que implantaram a ditadura e o socialismo de estado, pior do que o capitalismo privado, que é péssimo.

2- Anarquismo não funciona. Como seria feito no anarquismo um atendimento hospitalar como aquele queé feito no gigante Hospital das Clínicas de São Paulo, se não adotarmos regras, leis, procedimentos pré estabelecidos e hierarquia?

O fato de não haver governo não significa que não haja coordenação. As pessoas que trabalhem em algum lugar, estabelecem essas coordenações e elas coordenam os esforços. Só que isso não é algo imposto de cima para baixo. Como em uma anarquia todos são competentes, lúcidos e responsáveis, a escolha sempre recairá em quem tenha capacidade para exercer a coordenação. Simples assim. Sem mando e nem obediência. Mas note o que digo sempre: Isso só é possível DEPOIS que a humanidade estiver altamente civilizada. O esforço que tem que ser feito é, justamente, para capacitar TODAS as pessoas, por meio da educação. Anarquia é um sistema para uma coletividade altamente virtuosa, altamente competente, altamente responsável, altamente desprendida, altamente diligente. E isso é que tem que haver na humanidade inteira, sem a menor exceção. Claro que não há como se estabelecer anarquia em nenhum lugar por enquanto. O atingimento da anarquia se dará por evolução, ao longo de muitas gerações, o que demandará séculos ou, até, milênios. Mas é preciso começar já, os esforços nesse sentido, para que a humanidade tire o proveito nesse futuro.

sábado, 27 de julho de 2019

Anarquismo não funciona. Como seria o trânsito numa cidade como São Paulo (que funciona relativamente bem), se não houverem leis e regras muito claras e pré estabelecidas, e profissionais competentes e bem definidos segundo uma hierarquia para decidir sobre todas as situações pertinentes. Explique.

Funciona porque em uma sociedade anarquista não existem carros particulares, só transporte coletivo (podem haver alguns para emergências, disponíveis em garagens comunitárias). Então esses veículos coletivos, tipo bondes, seguiriam regras estabelecidas pelos trabalhadores que cuidassem do funcionamento do sistema. Como, na anarquia, também ninguém pretende fazer nada errado, o consenso vai ser obtido sem hierarquia nenhuma. Por essas e por outras é que a anarquia não pode ser implementada de chofre, agora e sim ser atingida ao fim de uma longa evolução civilizatória da humanidade. Ao longo desse tempo, tudo iria se modificando gradativamente até chegar a esse ideal. Tornar o mundo anárquico, hoje, não dá certo mesmo. Mas é preciso ir, paulatinamente, acabando com esse sistema perverso de mando e obediência, de pretensão de levar vantagem, de ser egoísta e não colaborar com o bem geral. Para isso o importante é que a educação priorize esses aspectos em relação à aquisição de conhecimentos e ao desenvolvimento de habilidades.

Existe diferença de significado nos termos "anarquismo" e "anarquia"? Ou são sinônimos?

Anarquismo é a concepção e o movimento para que se instaure a anarquia no mundo. Anarquia é a situação real de ocorrência da proposta do anarquismo na sociedade.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Como ser anarquista no século XXI?

Sendo uma pessoa que divulga essa ideia e procura convencer o máximo de pessoas de sua justeza e propriedade. Se for o caso, candidatando-se a cargos políticos nos quais possa propor leis que levem, gradualmente, ao estabelecimento da anarquia, com a progressiva retirada do estado da sociedade. Note que a anarquia só vai ser uma boa coisa se for uma concepção política unida à concepção econômica comunista. Não como se diz que o comunismo seja, isto é, uma economia estatizada, mas, pelo contrário, completamente desestatizada e com a participação de todos os trabalhadores na posse e gestão dos empreendimentos econômicos, ou seja, com a abolição do emprego assalariado.

Concordo integralmente com o Leinadv. Não acho q o anarquismo seja o melhor, porém impraticável. Discordo de sua concepção e da prática, n pq o "ser humano é malvado e egoísta". Mas sim pq é algo insustentável. Msm q n goste, estude mais economia, administração e relações de trabalho q perceberá.

Discordo de você e do Leinadv. Anarco-comunismo é perfeitamente sustentável. O estudo que se faz de economia e administração é baseado no que acontece e já aconteceu. Não considera possibilidades ainda não experimentadas.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Sobre o ideal anarquista, por quê não prospera como o capitalismo, comunismo e outros? A época áurea do Anarquismo já não teria passado e perdeu a chance de se difundir no mundo?

É que o anarquismo do século dezenove pecou por um problema que o inviabilizaria totalmente, que foi o de pretender ser implantado por uma revolução. Isso não é compatível com a anarquia. A anarquia tem que ser atingida por evolução e não por revolução. Em uma revolução os vencedores têm que conter os vencidos com o uso da força e isso é totalmente contrário á anarquia. Portanto não se pode atingir nunca a anarquia por meio de uma revolução. Sobre o comunismo, ele também ainda não ocorreu em lugar nenhum. O que ocorreu na União Soviética e seus satélites não foi comunismo. Porque lá as pessoas eram todas empregadas do estado, que era o único patrão. Isso não é comunismo, de modo nenhum. No comunismo não há patrão nem empregados. Todos são sócios. Todos são proprietários de tudo. Tudo é de todos e nada é de ninguém. Tal situação econômica, inclusive, é extremamente propicia de ser acompanhada com a situação política da anarquia. Ou seja, o verdadeiro comunismo deve ser anárquico. Sem governo e nem estado. Portanto sem ditadura. E nem democracia, pois não há "cracia". É a "acracia". Tais concepções ainda estão para serem instauradas no mundo. Para isso é que me bato e promovo a difusão dessas ideias, a fim de que, cada vez mais, pessoas se imbuam delas e, assim, possam vir a ser estabelecidas em menor tempo de que alguns milênios. Acompanhadas, também, do libertarianismo social, que nunca pode ser confundido com libertinagem nenhuma, pois é uma situação de extrema ordem e responsabilidade, uma vez que não imposta e sim assumida espontaneamente. Sem fronteiras, sem propriedade, sem dinheiro, sem exércitos, sem polícia, sem advogados, sem juízes, sem prisões, por total falta de necessidade de que isso exista.

Anarcocapitalismo = Plutocracia, Anarcocomunismo = opressão do coletivo sobre o indivíduo. Não consigo conceber a existência de uma justiça privada, bem como uma sociedade feita de anjos que trabalham com o máximo de esforço em prol da sociedade. Viva a Democracia e o Capitalismo!!! HAHA

Anarcocomunismo não é opressão do coletivo sobre o indivíduo, porque se trata de um sistema estabelecido por consenso de todos. Com plena liberdade. Não é imposto. É algo que se atinge por evolução. E essa evolução será alcançada quando a sociedade for composta de anjos sim. Isso é que é que se tem que perseguir com afinco, por meio do processo educativo. A transformação de todos em pessoas decentes, honestas, justas, diligentes, generosas, colaborativas, solidárias, virtuosas, enfim. Santos sem religião. Isso inteiramente dentro de um sistema de democracia, de preferência direta, isto é, sem representação, sem política, sem governo, sem estado, sem fronteiras. E quanto ao capitalismo, se ele for entendido como um sistema que estabeleça duas categorias de pessoas, os detentores do capital e os trabalhadores assalariados, ele é abjeto. Mas se for estruturado de modo a fazer de todos capitalistas, isto é, sem trabalhador assalariado nenhum, então é o que deve acontecer.

Professor, pelo que li das suas respostas sobre a organização de uma sociedade anarco-comunista, parece-me que você ainda entende a teoria do valor-trabalho como algo válido, quando na verdade ela é uma simplificação grosseira da realidade e já foi refutada (por Bohm- Bawerk).

Absolutamente não defendo o valor de algo em função do trabalho envidado para sua produção. E nem de outros fatores, como a raridade, a oferta e a demanda ou o que seja. O que eu defendo é a abolição do valor econômico de tudo. Ou seja, a substituição da economia monetária e da economia de escambo, seja como for que o valor dos bens e dos serviços seja estabelecido, por uma economia de doação, ou seja, que todos doem uns aos outros o produto de seu trabalho e que os bens não pertençam, particularmente, a ninguém, mas sejam compartilhados por todos. Sem que se atribuam valor a eles. Nessa economia não existe moeda e nem propriedade. Assim é que uma sociedade evoluída civilizatoriamente tem que ser. "De cada um conforme a sua capacidade, a cada um conforme a sua necessidade". Essa é a grande diferença entre o anarco-comunismo e o anarco-coletivismo, que é baseado em trocas.

Professor, a anarquia pela propagação/persuasão é mais difícil de ser alcançada do que pela revolução/imposição. Ambas são difíceis. Mas você concorda que o método da propagação é o mais difícil? É possível conciliar os dois métodos?

O fato de ser difícil não é uma impossibilidade. Depois o método revolucionário tem dois problemas graves. O primeiro é o cometimento de injustiças, que não se justificam em razão de objetivo nenhum, bem como de sofrimentos a inocentes. O segundo é que, uma vez vencida a revolução, os revolucionários precisam usar a força para conter os vencidos e isso é totalmente contra os princípios anárquicos. O que se pode fazer, como propõe o Berkman, é uma revolução por meio de greves pacíficas, mas que inviabilizem o capitalismo e a arquia. Todavia elas também prejudicam a população em geral, que, então se priva dos produtos e serviços que os grevistas deixam de propiciar. Já que uma greve eficaz tem que ser total e extremamente longa, o que trará, inclusive, fome e mortes por não atendimento médico.

Ainda sobre anarquismo, há uma corrente grande de anarquistas que defendem a revolução e não a evolução. Qual livro ou autor devo ler para entender mais sobre esse tema? Kropotkin?

Lei o livro ABC of Anarchism, do Alexander Berkman. Ele mostra em que consiste o anarquismo e que a revolução para se atingi-lo não é uma revolução cruenta. Todavia acho que mesmo assim, seja preferível, até mesmo por sua eficácia, um atingimento da acracia por evolução. Essa é uma proposta minha. Você não achará em autor nenhum. Os anarquistas revolucionários prestam um grande desserviço à causa anarquista, por mostrá-la como algo repugnante. Tolstoi, com seu anarquismo cristão, tem ideias semelhantes, mas peca por ser cristão. Qualquer religião é um mal que precisa ser superado, da mesma forma, por evolução.

Comunismo e anarquia.

Quero esclarecer que o comunismo e a anarquia que sempre proponho como a situação respectivamente econômica e política ideais para a humanidade não podem, de modo nenhum, serem impostos ou alcançados por meio de revoluções cruentas e com a supressão da democracia. Têm que ser atingidos por ser a vontade das pessoas que reconhecem neles o sumo bem do mundo e, portanto, optam por que assim o sejam de modo livre e esclarecido. E, novamente, esclarecendo que anarquia não significa bagunça nenhuma. Pelo contrário, é o suprassumo da ordem, da responsabilidade, do comprometimento, da paz, da justiça. Exatamente porque seja do modo que as pessoas querem que seja, espontaneamente, sem nenhuma coação.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Você acha que o anarquismo deveria ser ensinado nas escolas?

Sim. Não só anarquismo como todos os sistemas políticos e econômicos, bem como todas as religiões e o ateísmo. Isso é muito importante para que a juventude tenha conhecimento e possa tomar posição esclarecida a favor ou contra cada um deles e cada uma delas. Antigamente havia a disciplina "Educação Moral e Cívica" que abordava esses temas mas que, infelizmente, foi extinta. Só o que não se pode é apresentar todas as possibilidades com uma opção prévia favorável a alguma e contra outras. O bom é apresentar todas de modo isento e, depois, provocar o debate para que os estudantes defendam e ataquem umas e outras.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O que acha do Anarquismo verde?

Muito bom, desde que não seja levado de forma intransigente e agressiva. Anarquia é algo que tem que ser proposto por meio de convencimento racional, apelando, é claro, para o sentimento das pessoas. Tanto o movimento anarquista quanto o movimento ecológico têm que pautar suas ações não pela força ou pela má educação e sim pela qualidade intrínseca de seus valores, que precisam ser introjetados na mente das pessoas de modo que elas o vivam em seu cotidiano e, com isso, mudem o mundo.

Desde quando é anarquista?

Me tornei gradativamente ateu, comunista e anarquista entre meus dezenove e vinte e quatro anos de idade. Note bem que meu comunismo não é a concepção que vigeu na União Soviética e seus satélites, mas sim o verdadeiro comunismo, no qual todos os trabalhadores são patrões e ninguém é empregado, nem do governo. Idealmente nesse comunismo não existe dinheiro e nem propriedade, de nada. Nem de maridos, mulheres ou filhos. Juntando com o anarquismo, também não existe estado, governo, fronteiras, militares, policiais, políticos, advogados, juízes, contadores, bancários, empresários, comerciantes, fazendeiros. Nada é de ninguém e tudo é de todo mundo. Como nas tribos indígenas. Só que com uma sofisticação cultural e tecnológica extremas. Todos trabalham de graça, uns pelos outros. Por doações, sem trocas. Sem preguiça e sem cobiça. Sem crime, sem desonestidade, sem maldade. Com plenitude de colaboração, solidariedade, compartilhamento, justiça, bondade, honestidade, lealdade, alegria e felicidade. Um paraíso na Terra. E, faltou falar, sem religiões, mesmo que se possa crer em deuses. Aliás, se pode tudo, exceto fazer o mal.

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