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quarta-feira, 31 de julho de 2019
O que você pensa a respeito da morte?
Algo, por enquanto, inevitável, contudo sem problema nenhum. Morrer é como dormir. Só que não se acorda mais.
A Internet anda cheia de puritanos e moralistas que no fim, são péssimas pessoas que se fazem de boas, chega a ser inacreditável. Como lida com essas situações? Quando vê uma notícia falando de determinada minoria e cheia de comentários retrógrados, ignora ou entra em debate?
Depende. Cada caso é um caso. Às vezes ignoro, às vezes debato, conforme meu julgamento a respeito da oportunidade ou não de debater.
"Então os impostos, pagos mais pelos ricos do que pelos pobres" Parei aqui. Você vive no mundo da lua!
Claro que é. Os ricos pagam, cada um, uma fração menor de seus rendimentos do que os pobres. Mas o valor pago por cada rico é muito maior do que o valor pago por cada pobre. Imposto é uma forma de distribuição indireta de renda. Porque os pobres usam mais os serviços públicos do que os ricos. E é assim que tem que ser mesmo. Inclusive seria melhor que a alíquota dos impostos fosse uma função contínua da renda e não por faixas, Pode-se usar uma função do tipo arcotangente, que se presta de forma excelente para isso.
https://ask.fm/wolfedler/answers/145455167005 O que te convenceu de que esse 'mundo' é realmente possível?
A observação de que esse é o desejo da maioria das pessoas e de que a maioria das pessoas é capaz de assumir os condicionantes para que tal mundo aconteça, isto é, serem altruístas e virtuosas. Portanto a constatação que, pela educação, com um aprimoramento gradual disso, geração após geração, se conseguirá obter uma população maciçamente predominante de pessoas virtuosas e dispostas a se empenhar na obtenção desse mundo ideal. Suponhamos que a cada geração, o processo educacional consiga converter em virtuosas, um sétimo das pessoas que não o sejam e que, atualmente, três sétimos das pessoas não o sejam. Então, depois de uma geração, esse total será reduzido para seis sétimos de três sétimos, isto é, dezoito quarenta e nove avos. Depois de duas gerações, para seis sétimos de dezoito quarenta e nove avos, isto é, cento e oito trezentos e quarenta e três avos. Depois de três gerações para seiscentos e quarenta e oito dois mil quatrocentos e um avos. Depois de quatro gerações, isto é, apenas um século, chegará a a cento e cinquenta e oito seiscentos e oitenta e três avos, ou seja, a população terá setenta e sete por cento de pessoas virtuosas. Ao fim de dois séculos, isto chegará a oitenta e seis por cento. Ao fim de três séculos a noventa e três por cento.
O tempo todo tem artistas negros acusando artistas caucasianos de "apropriação cultural". Um assunto polêmico, qual a sua visão a respeito?
Minha opinião é que isso que se chama de "apropiação cultural" é apropriação mesmo mas é algo perfeitamente aceitável e legítimo.Do mesmo modo que negros se apropriaram de costumes caucasianos, como vestimentas e vários outros. Bem como chineses, japoneses, indianos e outros povos se vestem à moda ocidental. Ou os índios. Isso não é problema nenhum. Como não é problema usar fantasia de índio, de árabe, de esquimó ou do que for. Cultura não é algo de propriedade privada de nenhum povo. É do mundo. Tudo o que se cria em alguma cultura pode ser usado por qualquer um. Essa globalização é que permite o progresso do mundo. Se tudo o que fosse desenvolvido por alguma cultura só pudesse ser usado por seus membros o mundo estaria muito atrasado. Principalmente se tudo que os europeus e seus descendentes nas Américas inventaram e criaram só pudesse ser usado por eles.
Toda vez quando leio "Economia de Doação" eu começo a rir, não sei o porquê.
É porque você considera que o ser humano seja intrinsecamente incapaz de ser altruísta. A Economia de Doação existe em tribos primitivas, bem como de compartilhamento total, inclusive de maridos e mulheres. Mas ela também pode ocorrer em sociedades e culturas sofisticadamente civilizadas. O que ela requer é que as pessoas sejam altruístas e virtuosas. E isso é algo possível de ser alcançado pelo processo educativo ao longo de várias gerações.
Sobre os médicos cubanos no Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=gm4rmyrcpNE Concorda com Bolsonaro?
Sim, concordo. Sou a favor da importação de médicos, pois há escassez deles em áreas em que os brasileiros não se interessam em trabalhar. Mas não nas condições em que os médicos cubanos vieram. Sem a revalidação do diploma, sem poder trazer a família e com essa expatriação de quatro quintos do salário.
"Os intelectuais se acham o máximo. Acham que de dentro da sua sala ou escritório de trabalho compreenderam tudo, que sabem como a sociedade deveria funcionar, etc." O que acha desta frase?
Verdadeira. Realmente os intelectuais têm uma compreensão maior da realidade porque se debruçam para examiná-la. Mas não apenas teoricamente. Também fazem levantamentos sociais. Sua vantagem está em que detêm uma visão compreensiva da realidade que as pessoas do povo não possuem. Por isso é que os intelectuais é que propõem os grandes projetos sociais que modificam, para melhor, a vida das pessoas. Os empresários, os militares, os religiosos, e outros segmentos, inclusive da elite, vêm o mundo através das lentes de sua situação. Só os intelectuais é que têm uma abertura de mente suficiente para abarcar tudo. O mundo seria extremamente cruel se não fosse o trabalho dos intelectuais, dos filósofos ou seja, dos que pensaram a sociedade e acharam soluções para suas mazelas. O mesmo se pode dizer dos cientistas. Eles acham isso mesmo e estão cheios de razão de assim acharem. Sou um intelectual e me orgulho muito de o ser, pois vejo que, assim sendo, posso dar uma grande contribuição para o bem do mundo, difundindo ideias. São as ideias que dão início às mudanças. Claro que é preciso haver as pessoas de ação. Mas nenhuma ação leva a algum lugar se não for fundamentada em ideias.
Não há problemas em um sujeito qualquer entrar na sua casa, beber na sua caneca, comer os petiscos da sua geladeira, sujar a sua cama com barro, fazer uma festinha sem sua permissão na sua propriedade, e coisas do gênero ? Afinal, você é comunista e comunista é contra a propriedade privada.
Você não entende. Considerar que não se deva ter propriedade não é achar que se possa fazer uso indiscriminado do que seja dos outros. Comunismo requer um elevadíssimo grau de civilização e de virtude de todo mundo. Um imenso respeito pelas outras pessoas. Por isso é que comunismo, bem como anarquia, não podem ser implantados por nenhuma revolução e sim por evolução civilizatória da humanidade. Como na atual sociedade existe propriedade, ela tem que ser respeitada. O que se deve é, voluntariamente, compartilhar o máximo possível o que se possui com todos. Mas sempre dentro de um espírito de respeito. Anarquia, absolutamente, não é bagunça. Pelo contrário, é o suprassumo da ordem, porque é uma ordem assumida espontaneamente sem imposição e sem constrangimento. É uma sociedade sem polícia porque ninguém comete crime nenhum porque não quer. Não precisa de polícia, não precisa de advogados, pois todo mundo é honesto, não precisa de juízes. Isso é que é civilização. Todo mundo virtuoso, educado, solícito, generoso, cortês, gentil, diligente, prestativo, solidário. Do mesmo modo que muito culto e instruído. E mais: elegante, refinado. Assim é que o mundo tem que ser e será.
Você foi criado sem religião ou abandonou sua fé ao longo da vida?
Não. Eu fui criado como católico. Na adolescência e juventude eu era um católico fiel e piedoso e queria ser santo. Tanto que me aprofundei no estudo da doutrina católica. E quando eu me aprofundo no estudo de algo eu me aprofundo mesmo. Como também sempre adorei estudar, especialmente o que não era dado na escola, estudava evolução, neurociências, cosmologia, história (nos livros de nível superior do meu pai, desde que estava no ginásio), filosofia e outras religiões e com isso, fui concluindo pela impropriedade de qualquer fé, de modo que entre meus dezenove e vinte e três anos, mais ou menos, me tornei ateu. Desde então só venho reforçando minha incredulidade na existência de qualquer tipo de realidade sobrenatural.
Qual obra convenceu você de que o anarquismo é a melhor opção política?
Nenhuma em particular. Aliás eu me tornei anarquista antes de ler qualquer obra sobre anarquismo. Foi uma conclusão minha a partir de minhas reflexões sobre o modo como a humanidade se estabelece politicamente. Do mesmo modo que me tornei comunista sem ter lido nenhuma obra de nenhum autor comunista e sim por pensar como deve ser a melhor maneira da humanidade se estabelecer economicamente. Depois é que eu procurei se alguém já havia tido essas ideias. Da mesma forma que minhas concepções sociais libertárias. Já meu ateísmo adveio de meus estudos de religiões, de evolução, de neurociências, de história e de cosmologia, dos quais eu concluí que a suposição da interveniência de algo que seria um deus nisso tudo é completamente dispensável. Penso que qualquer um que refletir sobre filosofia política e filosofia econômica (não sobre política e economia e não por estudar essas filosofias, mas pensar nelas), se for uma pessoa sensata e comprometida com o bem do mundo, concluirá pela grande superioridade da anarquia e do comunismo sobre os demais sistemas políticos e econômicos. E concluirá pela superioridade do libertarismo sobre o conservadorismo e o tradicionalismo. Do mesmo modo que repudiará qualquer dogmatismo, mesmo um dogmatismo comunista ou um dogmatismo anarquista.
Grande professor Ernesto von Rückert! o nosso Joseph Stalin brasileiro! viva! viva! viva lá revolucion!
Rejeito peremptoriamente tal comparação. Stálin foi um crápula, uma pessoa execrável, tão pérfido quanto Hitler. Um traidor do comunismo, ao lado de Lênin e todos os bolchevistas. Sou comunista com grande orgulho, mas verdadeiramente comunista. Um anarco-comunista. Libertário. Não um socialista estatista como esses. Não a favor de ditaduras como eles. Não um chefe de estado opressor e policialesco como o que eles chefiaram. Isso é abominável. Esquerdistas estatistas e autocratas são o "lado mau" da esquerda.
Sim, mas o mundo não é assim, então você precisa de dinheiro. Ou vai dizer que quando você precisa pagar uma conta no banco você chega lá e faz esse dircurso todo para não precisar pagar? Rs
Mas o dinheiro que eu tenho é suficiente. Não preciso de mais. Posso fazer vídeos de divulgação científica, filosófica, artística e cultural de graça.
A renda do youtube iria para a biblioteca, meu caro, pense mais amplamente..
Exatamente por isso é que prefiro não auferir lucro com vídeo nenhum. Porque estarei dando exemplo e difundindo meus ideais anarquistas de não haver dinheiro no mundo e tudo ser de graça.
Porém, o youtube ganhará muito dinheiro às custas dos seus vídeos, caso obtenha muitas visualizações. Nada mais correto do que uma parte do dinheiro gerado ir para você, mesmo não sendo essa a intenção principal.
Sou a favor da extinção do dinheiro do mundo. Para mim tudo deve ser de graça. Como ainda não obtenho tudo de graça, concordo em ganhar algum dinheiro. Mas o que eu já ganho é suficiente. Não quero mais.
Youtube da dinheiro também, não tem tempo pra ele?
Quando eu tiver tempo, não vou usá-lo para ter alguma renda, mas para disseminar conhecimento e para polemizar. De graça.
O que você ganha criando polêmica?
Eu, nada. Mas o mundo, muito. Porque polêmica é importante para as pessoas se conscientizarem de que, cada assunto, pode ter várias formas de ser interpretado e encarado e é preciso conhecer todas (ou, pelo menos, várias), para se fazer a escolha de qual aderir. E, justamente, polemizando, são apresentados as características de cada aspecto e os argumentos que as defendem. Saber isso é ótimo. Por exemplo, religião. É preciso que se conheçam as diferentes propostas, suas doutrinas, suas práticas, suas organizações e tudo o mais de modo que se possa optar, conscientemente, por qual delas aderir ou nenhuma e não apenas acatar a que seja adotada pelo entorno familiar e social em que se está inserido. Do mesmo modo as ideologias políticas, econômicas e sociais e tudo o mais. Até as interpretações da mecânica quântica, as teorias sobre a origem do Universo e o surgimento da vida, bem como o surgimento dos idiomas etc.
Prove tudo o que diz!
Nem tudo o que digo possui prova. Muito é o que eu "acho". Nem por isso deixo de dizer e penso que todos têm pleno direito de o fazer. Mas não coloco como algo incontestável. Tudo o que eu digo é para ser examinado, criticado e contestado, se for o caso. Mas é ótimo que seja dito, justamente para provocar polêmica. Jamais tenho certeza do que digo. Mas tudo o que eu digo é aquilo de que estou plenamente convencido. A não ser que eu diga que não sei.
Interpretação de muitos mundos?
Para mim não é correta. Essa é uma interpretação quântica que não pode ser confundida com a interpretação cosmológica de universos paralelos, também incorreta, no meu entender. A interpretação de muitos mundos foi aventada para dar uma interpretação à característica probabilística da mecânica quântica. No meu entendimento, as possibilidades que não venham a ocorrer ao se fazer uma medida, com o colapso da função de onda, simplesmente ficam goradas e não acontecem em lugar nenhum. Muitos cientistas, como Bohm e o próprio Einstein, não aceitavam que a natureza não fosse determinista e nem causal, mas casual. Isso é uma questão de preconceito deles.
Você luta para fazer o que gostaou se conforma apenas com o que faz?
Eu faço o que gosto. Portanto me conformo com o que faço, pois já é o que gosto. Felizmente, em toda minha vida, sempre trabalhei fazendo o que gosto. E nunca tive que solicitar um trabalho. Todos me foram oferecidos. Sempre fui convidado, mesmo no caso de funções que exerci por aprovação em concursos. Uma vez que sempre fui um aluno de desempenho acadêmico elevado, meus professores consideravam que eu desejaria ser professor também e, mesmo antes de me graduar, já estava lecionando e era isso mesmo que eu queria. Também atuei e agora atuo, em administração escolar, o que não gosto tanto quanto lecionar, mas também gosto. Não gosto de administração financeira e nem de pessoal. Mas com isso eu não mexo.
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