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quarta-feira, 24 de abril de 2019
https://goo.gl/GXtETH Quanta frescura! Por que a "ciência" não coloca, como ****HIPÓTESE****, o homossexualismo (e não homossexualidade) como uma falha genética? Ou, sei lá, um problema no desenvolvimento embrionário? Resposta: porque a ideologia, infelizmente, também afetou a "ciência". #RIPCIENCIA
Acontece que a homossexualidade (e não "homossexualismo"), de fato, não é doença nem falha genética nenhuma. É uma orientação nata perfeitamente normal. Há casos de homossexualismo também, que consiste em uma escolha consciente de envolvimento sexual com pessoas do mesmo sexo biológico sem que se tenha a orientação natural nesse sentido. Mas também não é nenhuma doença e sim uma opção diversa da orientação, perfeitamente legítima. Isso não é nenhuma ideologização da ciência. É, simplesmente, ciência. Ideologia é, justamente, a concepção de que homossexualidade seja doença ou que o homossexualismo seja um comportamento pervertido. Absolutamente, não é. Da mesma forma que existe a assexualidade e o assexualismo, sendo a primeira a falta de desejo sexual por qualquer pessoa, de que sexo seja e a segunda a opção por não se ter relacionamentos sexuais, mesmo que se tenha o desejo natural, por uma escolha consciente, como o celibato dos sacerdotes e religiosas (quando, de fato, o cumprem).
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Sobre a incompatibilidade entre a ciência e a filosofia.
Agora estou me lembrando do que dissera antanho. Filosofia e Ciência são formas distintas de abordar a realidade e, em geral, se dedicam a aspectos disjuntos dela. Todavia há casos, historicamente, em que ambas se debruçaram sobre um mesmo tema. Como ocorreu com o sistema planetário. A questão se deveu a um equivoco de interpretação de que o tema fosse filosófico, quando é científico. Então filósofos fizeram proposições e, sobre elas, construíram, cientificamente, consequências que, até, se mostraram de acordo com os fatos, como o Sistema Ptolomaico. O próprio Copérnico propôs o seu filosoficamente e tirou consequências científicas que também se mostraram de acordo com os fatos, se se procedessem correções análogas às do sistema de Ptolomeu. Somente depois que Newton colocou o tema sob uma égide completamente científica e Kepler, apontou as correções observacionais que a teoria de Newton permitia encampar, é que o tema deixou de ser, definitivamente, filosófico. Nesses casos, quando houver discrepância entre a concepção filosófica e a científica, a científica tem que ser adotada, pois a ciência tem critérios seguros de verificação da validade de suas proposições, enquanto a filosofia baseia-se inteiramente no raciocínio, que pode ser falho. Isso não significa, em absoluto, que se deva abandonar a filosofia, inclusive porque, vários temas, não são passíveis de verificação empírica, ficando fora do escopo da ciência. Então é só a Filosofia que pode considerá-los. Mas ela também tem que submeter suas proposições a um crivo de testes lógicos para validá-los. A própria definição dos critérios de validação da ciência, é filosófica.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
A ciência é cética?
Não. Ceticismo é uma característica, não de um ramo de conhecimentos, mas sim da atitude de uma pessoa em relação ao conhecimento. É preciso ser cético para se fazer ciência, pois o ceticismo é a postura de se duvidar do que se sabe para, justamente, procurar garantir cada vez mais a validade desse conhecimento. É o oposto do dogmatismo, característico das religiões, pelo qual o conhecimento é tido como certo e garantido, não passível de dúvida. Em ciência nunca se tem certeza de que se saiba algo de forma definitiva e acabada. O que se pode dizer é que, perante os dados disponíveis até o momento, tal ou qual explicação seja a correta. Há casos, inclusive, que nem isso se dispõe. É o que se dá, por exemplo, na psicologia, na sociologia e na economia, em que há várias "escolas de pensamento", conflitantes, que fazem propostas divergentes de explicação dos fatos abordados por essas ciências. Por outro lado, as religiões apresentam suas explicações como definitivas a serem aceitas sem questionamento. Todavia há várias religiões que apresentam explicações divergentes sobre o mesmo fato. Qual é a certa? Claro que a fé não pode ser garantia de veracidade de nada, pois há pessoas que possuem fé completa e sincera em assertivas contraditórias. Como a verdade tem que ser única, não se pode alcançá-la pela fé. Daí a incompatibilidade irremovível entre as ciências e as religiões.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
http://ask.fm/wolfedler/answers/136330793245 Há muitos que pensem que "ciencia" é de origem cristã no meio academico/cientifico ou é mais entre leigos? O Japão, por exemplo, tem muitos cientistas xintoistas e budistas. E na origem a ciencia veio pelos gregos pagãos e ateus, chineses, islamicos, etc
Ciência não possui religião nenhuma. O que acontece é que a maior parte do conhecimento científico disponível foi desenvolvida por cientistas ocidentais, especialmente nos últimos três séculos e o ocidente é predominantemente cristão. Portanto é normal que a maior parte dos cientistas históricos seja cristão. É claro que houve desenvolvimento científico em nações pagãs, judaicas, islâmicas, hinduístas, budistas, xintoístas, zoroastristas e de outras religiões e vários cientistas dessas nações eram adeptos de suas religiões. Mas nem todos e em conjunto, comparativamente com os ocidentais, eles são minoria. O importante é considerar que, essencialmente, o fazer científico é totalmente desvinculado de qualquer que seja a concepção religiosa que o cientista possua. Em verdade, para fazer ciência de verdade, o cientista tem que se desligar de suas concepções religiosas, pois, na grande maioria das vezes, as conclusões científicas são opostas às concepções religiosas a respeito da realidade do mundo em todos os seus aspectos.
Muitos pastores usam as igrejas para ganhar muito dinheiro. Já os empresários, usam a "ciência". Antigamente a "ciência" era usada para criar armas poderosas, hoje é para comprovar a eficiência de produtos de grandes empresas. A ciência genuína, que realmente busca a verdade, está desaparecendo!
Apesar de haver muito desenvolvimento científico ligado a resultados econômicos, ainda há muito também ligado, simplesmente, ao crescimento do conhecimento sobre o mundo, quer natural, quer social. As pesquisas de ponta em cosmologia e física de partículas, por exemplo, não objetivam nenhum retorno financeiro, mas apenas satisfazer a curiosidade sobre o funcionamento do mundo. Da mesma forma, por exemplo, pesquisas antropológicas. Outras visam o controle, por exemplo, do tempo meteorológico. Essas pesquisas são financiadas por organismos estatais, pois as empresas privadas não se interessam por conhecimentos sem utilidade econômica (se bem que o controle do tempo afeta a produtividade agrícola, por exemplo). Todavia, mesmo as pesquisas que visam algum lucro, buscam a verdade, pois nenhum resultado falso será capaz de produzir algum lucro.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Mas professor, eu entendo isso como uma total falta de controle sob suas decisões, uma vez que a inconsciência sempre antecede a consciência. Não sabemos a decisão que virá para nossa consciência e não podemos alterá-la nem depois que temos conhecimento dela. Onde isso não é determinismo? 16/02/2016
O fato de se estar raciocinando inconscientemente não significa que não se está fazendo reflexões, ponderações, julgamentos. Isso tudo o cérebro faz para apresentar a decisão que tomou. Que é a decisão "pessoal", mesmo que não seja tomada conscientemente. É preciso entender que "você" é a sua mente e não a sua consciência. O que a sue mente resolve, inconscientemente, é "você" que está resolvendo. Não há determinismo nenhum nisso. O pensamento inconsciente é totalmente livre. Você pode alterar suas decisões antes de chegar ao final numa interação entre seu inconsciente e seu consciente, até que tome a decisão final, que vem do inconsciente e é comunicada à consciência.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Professor, o processamento da decisão não é feito inteiramente de forma inconsciente. A decisão é informada à consciência, não "totalmente pronta", mas como uma forma de, a grosso modo, checagem, dando à consciência a "palavra final". 16/02/2016
Nem sempre. A maior parte das decisões é inconsciente mesmo. Isso já foi testado experimentalmente. Quanto a decisão se torna consciente, o cérebro, antes, já providenciou o desencadeamento das ações que concretizem a decisão. O importante, no caso, é que, mesmo inconsciente, a decisão é pessoal e não determinista. Daí a existência do livre arbítrio. A consciência é, meramente, uma forma de percepção interna do cérebro em relação a seu próprio funcionamento. Mas uma mínima parte do processamento cerebral é tornada consciente. A maior parte se faz inconscientemente e fica assim mesmo.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Professor, tenho uma pergunta mas ela é um pouco complexa e extensa, ela é basicamente sobre ateísmo e consciência, salvei nesse site como alguns usuários que seguem o fazem. Gostaria de sua opinião. http://en.textsave.org/3cRb 15/02/2016
O que nós somos nem é uma entidade cuja mente é determinada puramente por ocorrências incontroláveis, nem uma entidade possuidora de uma alma de outra natureza que interaja com o organismo físico e proceda as decisões. A proposta das cordas está em aberto e, para mim, não é correta. A concepção de Harris da inexistência do livre arbítrio, para mim, não é correta. Somo seres puramente biológicos mesmo (isto é, físicos) que funcionam de acordo com o que as leis naturais descrevem. Nada de alma. Mas essas leis não são determinísticas. Elas abrem espaço para que, dentro da mente da pessoa, escolhas sejam feitas e decisões tomadas. Mesmo que não sejam escolhas feitas pela consciência e só depois de feitas levadas à consciência, as escolhas são da pessoa, porque o que a pessoa é, é a sua mente.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Você acha que o ser humano já é perfeitamente capaz de criar um substituto não-poluente do combustível fóssil e só não o faz porque o comércio do petróleo é oque enriquece a economia das grandes potencias? 07/02/2016
Não só é capaz, como já criou, o hidrogênio. Só que, por enquanto, ainda sai mais caro do que a gasolina e o álcool. Outra alternativa é o veículo elétrico. Sem dúvida a pressão econômica da indústria do petróleo é grande, mas é preciso que se deixe o resto que ainda há de petróleo para a petroquímica, onde ele é insubstituível. Isso é uma questão de conscientização, mas o capitalismo só vê o lucro. Em suma, os capitalistas são mesmo BURROS. Se se desistir do transporte individual (exceto bicicletas) e se optar por transporte coletivo elétrico, a economia de petróleo será imensa. Mormente se as usinas elétricas forem nucleares, que são muito preferíveis do que todas.
Professor, achas que tem alguma coisa à qual não seria saudável para consciência ter conhecimento? 05/02/2016
Não. Absolutamente nada. Tudo deve ser objeto de conhecimento. O que não significa que venha a ser objeto de adesão. Mas, mesmo para se opor e combater qualquer ideia, é preciso entendê-la muito bem. Por isso é que, em geral, os ateus entendem mais de religião do que os crentes. E Marx entendia muito mais de capitalismo do que muitos capitalistas. E note que sou um comunista não marxista.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Comente o seguinte raciocínio: Não é possível provar que após a morte "não existe nada", pois o nada, simplesmente, "não está lá". 03/01/2016
Para começar "nada" não é um substantivo e sim um pronome. Portanto não existe "o nada". Não existir nada significa que não existe coisa alguma. Quando se diz que após a morte não existe nada, o que se está dizendo é que, após a morte a mente e a consciência deixam de existir, não havendo nada que as substitua. Note que a mente e a consciência não são seres, não são coisas, são ocorrências, são estados de funcionamento do cérebro e seus anexos. Não são entidades substanciais, São, digamos, como uma música. Ela não é a partitura e nem a gravação em um disco. A música é a ocorrência dos sons estarem sendo emitidos. A mente também é a ocorrência do cérebro estar funcionando (mesmo inconscientemente). E a consciência é um aspecto da mente, como um tipo de percepção de seu próprio funcionamento. Da mesma forma que a memória é um aspecto da mente. Esses aspectos advém do funcionamento neuronal, sináptico, glial, nervoso, dos órgãos sensoriais e, inclusive, endócrino. Uma vez que a morte determina a parada de funcionamento de todo esse aparato que dá suporte à mente, ela deixa de existir e, com ela, a consciência. Se bem que a consciência pode ser interrompida sem a morte e sem a parada de funcionamento da mente, o que ocorre no sono profundo, no desmaio e no coma.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Não consigo ver a desigualdade social como algo normal e natural, comecei ler sobre sociedade, meu modo de ver o mundo mudou, é natural isso? 23/01/2016
Claro. Que bom que você começou a tomar consciência desse fato. Tomara que todo mundo siga o seu exemplo para que possamos consertar o mundo.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Um menor de 17, 16 anos que comete crimes tem consciência do que está fazendo? 16/12/2015
A não ser que seja uma pessoa mentalmente incapaz, claro que tem plena consciência de estar cometendo um crime. Isso já se dá, inclusive, com idade menor ainda. Talvez entre 11 e 12 anos.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Professor, sendo o universo regido pela causalidade, até mesmo em seu nível mais elementar (ainda que se mostre probabilístico), logo a consciência possui também uma natureza? Não se limitando as influências do meio, no entanto, considerando o dedo que a própria nutrição têm para as redes neurais. 10/12/2015
O Universo não é regido pela causalidade. Ele é inteiramente probabilístico em seu nível mais profundo. A causalidade e o determinismo são aspectos que aparecem em decorrência da concentração da probabilidade nos casos de eventos ocorridos com número imenso de participantes elementares. É o que se vê no mundo macroscópico, acessível aos sentidos humanos.
Quanto à natureza da consciência, de fato ela a possui, e isso é objeto de intensas, extensas e profundas pesquisas da neurociência nos dias atuais. Ainda não se tem a resposta definitiva, mas parece que o caminho seja o indicado pelo António Damásio, exposto em seus livros de divulgação, que compensa serem lidos. A explicação é bem complexa e não cabe nesta resposta. Mas adianto que a natureza da consciência é de ordem física, constituindo-se de uma ocorrência e não de uma estrutura. Claro que essa ocorrência se dá com uma estrutura, que é uma estrutura biológica. Ou seja, a consciência é anatomo-fisiológica, como a digestão, a circulação, a excreção e outras funções orgânicas. Só que extremamente mais complexa.
Quanto à natureza da consciência, de fato ela a possui, e isso é objeto de intensas, extensas e profundas pesquisas da neurociência nos dias atuais. Ainda não se tem a resposta definitiva, mas parece que o caminho seja o indicado pelo António Damásio, exposto em seus livros de divulgação, que compensa serem lidos. A explicação é bem complexa e não cabe nesta resposta. Mas adianto que a natureza da consciência é de ordem física, constituindo-se de uma ocorrência e não de uma estrutura. Claro que essa ocorrência se dá com uma estrutura, que é uma estrutura biológica. Ou seja, a consciência é anatomo-fisiológica, como a digestão, a circulação, a excreção e outras funções orgânicas. Só que extremamente mais complexa.
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Em relação a pergunta do tairson,Percebi que a incausualidade quantica sustenta sua crença do livre arbitrio.O problema que ou o senhor maluco ou ou tem um Qi de 30;De onde que do acaso e fortuidade se tiraria o livre arbitrio?Uma vez que não é o "eu" que toma a decisao,não é voce que a toma.Estude 01/12/2015
A incausalidade e o indeterminismo quânticos é que possibilitam a existência do livre arbítrio sim. Se eles não existissem, o mundo seria completamente determinista, e não é. Isso é um fato. A existência do livre arbítrio também. Se a realidade fosse determinista, aí é que nenhum "eu" tomaria decisão nenhuma. Mesmo que não se conheça, em pormenores, o processo que leva um organismo possuidor de mente a tomar decisão e, mesmo que decisões sejam tomadas de forma inconsciente, quem as toma é o organismo e, portanto, seu "eu". Note que o "eu" não é o mesmo que a consciência. O "eu" também engloba o processamento mental inconsciente que, aliás, é majoritário.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
A consciência possui alguma natureza? Digo, se a mesma for inerente a causalidade (seja por parte da interação com o meio ou da própria nutrição), então como se dá a capacidade do ser humano fazer escolhas? Somos escravos dos impulsos (/conexões) nervosos e da causalidade? 28/11/2015
A consciência é uma função da mente, que é uma ocorrência, isto é, o resultado de uma estrutura extremamente complexa de células neurais, EM FUNCIONAMENTO. Como um fenômeno anatômico-fisiológico do organismo, ela se reduz (mas não de forma simplesmente linear) a fenômenos bioquímicos, que, por sua vez, se reduzem a fenômenos físicos. E os fenômenos físicos ocorrem, em grande parte, de modo indeterminístico e, mesmo, incausal. Esse indeterminismo e essa fortuidade essenciais do comportamento inerente da realidade física em seu âmago mais profundo se estendem, de forma probabilística e estatística, num raciocínio reducionista invertido, aos eventos de ordem superior na estratificação da realidade. Assim, de modo diverso do que muitos consideram, a liberdade de escolha (dito livre-arbítrio) se apresenta aos seres vivos dotados de mente (mesmo uma formiga). Em última análise, o livre arbítrio é uma decorrência do indeterminismo quântico que se dá nos fenômenos no nível das partículas elementares. A concepção determinista newtoniana e laplaceana, não prevalecem, não sendo válida a famosa declaração de Laplace:
« Une intelligence qui, à un instant donné, connaîtrait toutes les forces dont la nature est animée, la position respective des êtres qui la composent, si d’ailleurs elle était assez vaste pour soumettre ces données à l’analyse, embrasserait dans la même formule les mouvements des plus grands corps de l’univers, et ceux du plus léger atome. Rien ne serait incertain pour elle, et l’avenir comme le passé seraient présents à ses yeux. »
« Une intelligence qui, à un instant donné, connaîtrait toutes les forces dont la nature est animée, la position respective des êtres qui la composent, si d’ailleurs elle était assez vaste pour soumettre ces données à l’analyse, embrasserait dans la même formule les mouvements des plus grands corps de l’univers, et ceux du plus léger atome. Rien ne serait incertain pour elle, et l’avenir comme le passé seraient présents à ses yeux. »
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Li no seu Ask sobre disciplina consciente, um dos valores que se espera de um militar. Dentro disto temos a hierarquia e disciplina, que são os pilares das forças armadas. Qual seu pensamento sobre como funciona a cadeia hierárquica do exército? 28/10/2015
Disciplina consciente não é um valor militar e sim um valor humano. Uma virtude a ser cultivada por toda pessoa, sendo, inclusive, um dos fundamentos da moral, na concepção kantiana, por ele denominada de imperativo categórico. Mas isso não tem nada a ver com hierarquia. Em um sistema social inteiramente anárquico continua a existir a necessidade da disciplina consciente. A estrutura militar de disciplina, em verdade, passa por cima dessa noção, pois considera que a disciplina seja determinada pela obediência (como também ocorre com as religiões) às determinações dos superiores hierárquicos, mesmo que contrarie a consciência. Isso eu não concordo e, assim, não concordo com a filosofia militar de obediência hierárquica. Aliás, hierarquia é algo que considero que não precisa existir na sociedade. As pessoas apenas têm funções diferentes. O que a disciplina tem que fazer é levar as pessoas a, conscientemente, agirem de acordo com o que seja adequado para cada circunstância, tendo a liberdade de não acatar determinações que contrariem sua consciência.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Mas professor, o que seria então, uma tomada de decisão deliberada, uma vez que a decisão é tomada inconscientemente? Qual é, afinal de contas, a relevância da consciência e do pensar "deliberado"? 25/10/2015
Consciente e inconsciente não são partes independentes da mente. A mente é um todo e tudo funciona em conjunto. Uma deliberação será dita consciente se, em sua formulação, a consciência estiver participando, isto é, se se está tendo conhecimento dos pensamentos que são carreados. Todavia, em paralelo, sempre há pensamentos se processando inconscientemente e que, de miúdo a miúdo, são levados à consciência e passam a integrar o processo de que se está tendo consciência. Outras vezes o processo pode ser completamente elaborado de forma inconsciente e, só no final, sua conclusão ser levada à consciência. O importante é saber que o que é feito inconscientemente também é feito pela pessoa e não por outra entidade. Então também é da responsabilidade dela. É uma decisão dela. O "eu" de cada um, inclui sua parte inconsciente.
Professor, existência do livre-arbítrio, não seria real apenas quando temos a percepção consciente de nossas decisões? A decisão é tomada incoscientemente, ou seja, fora da percepção consciente, assim sendo, não havendo liberdade? 22/10/2015
Não. De modo nenhum. Uma decisão inconsciente é tão livre e tão própria da pessoa em questão quanto uma decisão consciente. A consciência é uma das funções mentais. Tudo o que a mente processa é algo que a pessoa está processando e o está fazendo, especialmente no modo inconsciente, de modo completamente livre. É, justamente, o raciocínio inconsciente, que aflora à consciência como sendo uma "intuição", que mais caracteristicamente revela a personalidade e o caráter próprios da pessoa. Em verdade, praticamente todas as decisões que se toma são tomadas inconscientemente e, então, comunicadas à consciência. O processamento inconsciente é que é o principal e o verdadeiro processamento mental da pessoa.
terça-feira, 7 de junho de 2016
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2246408 O que acha deste texto do Jocax a respeito a consciência? 12/10/2015
Muito plausível. Gostei da abordagem dele, como, em geral, gosto do que ele escreve. Penso que seja mais ou menos assim mesmo.
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