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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sua família era ateia? Todos? 16/02/2016

Não. Somente nas gerações recentes é que surgiram ateus como eu e alguns primos. De modo geral, contudo, sempre foram de esquerda e alguns anarquistas.

professor o senhor vem de uma familia rica ? se sim, teve alguma regalia para chegar onde o senhor chegou ? 16/02/2016

Minha família, aqui no Brasil, é de Classe Média. Todos foram e são funcionários públicos, militares, advogados, médicos, engenheiros, professores. Nenhum empresário, nenhum fazendeiro. As mulheres, em geral, sempre trabalharam, desde os anos 30 do século passado. Minha família, dos quatro lados, nunca foi de gente tradicional e conservadora. Todos eram liberais e progressistas. Sempre intelectuais. Só um que foi político, Rui Barbosa, primo do pai da minha mãe. E os médicos eram pesquisadores da cura de doenças. O pai da minha mãe, baiano, era da Marinha de Guerra brasileira e pesquisava a cura da Beriberi no Rio da Prata. O irmão mais velho dela era do Exército Brasileiro e pesquisava a cura da Tuberculose no Sanatório da Raiz da Serra da Agulhas Negras. O pai da mãe do meu pai era adido comercial do Consulado de Portugal em Belo Horizonte. O pai do meu pai veio como imigrante da Áustria, onde era professor de Russo e Checo na Universidade de Viena, em 1906, para não ser preso por ser anarquista. Aqui se tornou professor do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. O Pai da mãe da minha mãe era o Capitão da Capitania dos Portos da entrada da Lagoa dos Patos, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Emj Portugal, a mãe da mãe do meu pai era uma fidalga de certas posses e o pai dela tinha uma quinta em Braga. Na Áustria, o pai do pai do meu pai também era professor universitário, de Química e era da baixa nobreza. Ele foi professor do Arquiduque Francisco Ferdinando, cujo assassinato, em Serajevo, desencadeou a primeira guerra mundial.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Você sempre diz que seus ídolos/exemplos são seus pais. Assim, se o seu pai tivesse desenvolvido as "habilidades" do Chico Xavier e, adquirisse a mesma fama, você continuaria chamando de encenador, fingidor, mentirosos aqueles que se denominam "Médiuns" ? 17/01/2016

Claro. Mas, nesse caso, ele não seria o meu ídolo, porque ele seria um enganador.

Por que eles seguiram o pensamento da mãe e não o seu? Ela era mais dominante e influente na relação?Não serem ateus é compreensível. Mas outras convicções suas como o anarquismo e etc poderiam ter de algum modo integrado a mentalidade dos seus filhos. Vc não era nem um pouco persuasivo?O que houve? 16/01/2016

Minhas convicções ateístas vêm dos meus 20 a 25 anos. As anarquistas são mais recentes e as poliamoristas mais ainda. Então na maior parte do tempo em que meus filhos ainda moravam comigo, eu era um esquerdista democrata, mas ainda não considerava que a situação ideal para o mundo é a ausência de governo. Por outro lado, mesmo que eu sempre faça meu proselitismo ateísta e anarquista, algo que eu respeito muito é a liberdade de escolha das pessoas em concordarem ou discordarem de mim, sem que eu tenha nenhum antagonismo por não concordarem. Meu filho, por exemplo, com quem eu converso muito sobre anarquismo, não concorda de forma nenhuma e defendo seus pontos de vista, contestando os meus. Nem por isso eu deixo de ter afeição e respeito por ele. Tenho amigos que são pastores protestantes e a gente conversa sobre ateísmo com toda a tranquilidade. Não vejo problema nenhum em que minha família não concorde comigo nesses aspectos porque, antes de tudo, como anarquista, eu sou completamente anti-autoritário e jamais pretendi impor meus pontos de vista a respeito do que quer que seja a ninguém.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Seus filhos sao poliamoristas que nem voce?anarquistas? 16/01/2016

Não. Nem poliamoristas, nem anarquistas, nem ateus. Eles seguiram o pensamento da mãe. Mas são libertários e sem nenhum preconceito em relação a quem tenha essas opiniões. Quanto ao poliamorismo que defendo, não o pratico em termos de relacionamentos plurais. Mas admito que seja lícito praticá-lo, sem o menor problema.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

https://ask.fm/wolfedler/answers/133580772893 Lembro de ter lido que na juventude você já foi apoiador da TFP e era conservador. Seu pai também o fora? Havia discordância? Supunho que tenha sido meio solitário ser anarquista e comunista num Brasil ainda extremamente reacionário. 31/12/2015

Meu pai e minha mãe sempre foram pessoas liberais e respeitavam minhas convicções mesmo não concordando. Eles não concordavam com a TFP, que era anti-socialista e anti-comunista. Mas eles também eram anti-socialistas. Eles gostavam é do anarco-comunismo, que é muito diferente do socialismo estatizante e ditatorial. Mas eu estava numa época (entre 15 e 19 anos) de busca do significado da vida, inclusive político, ideológico, religioso. Então fiquei cativado pelo caráter hierático da TFP, pois minhas concepções de estilo sempre foram muito formais e sacrais. Meu pai também era uma pessoa que só andava de terno e gravata, mesmo com suas ideias completamente libertárias. Aprendi com ele e com minha mãe um estilo de ser, de certo modo, aristocrático, encapsulando uma mentalidade libertária. Rompi com a TFP especialmente com relação à questão da fé, pois ela sempre foi fundamentada na fé católica e, como eu era um estudioso muito dedicado de religião, filosofia, história, cosmologia, neurociências e vários outros assuntos, concluí pela total improcedência da fé, qualquer que seja ela. Quanto ao anarco-comunismo, fui cada vez mais me convencendo que, para o bem do mundo, é a única alternativa aceitável. Mas nunca fui rejeitado por minhas convicções por dois motivos. Primeiro porque sempre soube defendê-las com muita propriedade e sempre de modo extremamente elegante e cortês. Segundo porque sempre fui uma pessoa extremamente prestativa, generosa e solidária para com todo mundo. Minha mãe e meu pai faziam muitas obras filantrópicas (ou de caridade, se quiserem, só que desvinculadas de qualquer aspecto religioso) e eu os ajudava em tudo. Isso fazia com que as pessoas me respeitassem, porque muitos que se diziam esquerdistas, em verdade eram uns aproveitadores, preguiçosos, que queriam pegar para si o que os outros obtiam com seu trabalho e não queriam nada com a dureza. Esse tipo de esquerdista eu abomino.

Ernesto, como você foi apresentado ao movimento anarquista? 31/12/2015

Meu pai já era um admirador do anarquismo e o pai dele, inclusive, teve que fugir da Áustria para o Brasil, em 1906, para não ser preso por ser anarquista e a favor da libertação da Hungria e da Tchecoslováquia do Império Austríaco, bem como da Proclamação da República na Áustria. E olhe que o pai dele era da nobreza austríaca. Esse meu avô era professor de Russo e Tcheco na Universidade de Viena e, além dessas línguas e do alemão, falava inglês, francês, espanhol, italiano e português. Por causa dele é que uso o pseudônimo de Wolfedler, pois o nome dele era Wolfgang Anton Ferdinand Ernst Ginzel Edler von Rückert. Eis uma foto dele:



quinta-feira, 18 de agosto de 2016

http://goo.gl/xkV9bI Isso se chama estrutura familiar, caráter e personalidade! Para o esquerdismo atual, tudo que é contra os bons valores e costumes tem que ser incentivado! 20/12/2015

A menina está inteiramente certa ao não atender aos apelos para ser mais sensual na idade que tem. Mas isso não é contrário a nenhuma concepção genuinamente esquerdista. A esquerda genuína não é hostil aos valores éticos. Não é niilista. O anarquismo também não é contra a família. O que ele é, é contra a concepção patriarcal de família e a favor de uma concepção aberta de família, que aceite as relações homoafetivas como perfeitamente normais no seio da família, bem como os relacionamentos plurívocos do mesmo modo. Dentro de uma concepção de família como um núcleo social de pessoas que se querem bem, isto é, se amem mesmo, que se apoiam em todos os aspectos da vida, que batalham juntas para conquistar o que for de melhor possível para o grupo. Valores equivocados e retrógrados têm que ser defenestrados mesmo. Mas não a noção de valor em si. O que é preciso é afirmar os valores positivos, inclusivos, tolerantes, generosos, pacíficos e não valores mesquinhos, intolerantes, implicantes, excludentes, negativos, egoístas, ciumentos, possessivos, gananciosos, invejosos, desonestos, cruéis, preconceituosos. Bem como libertinos, devassos, promíscuos. A esquerda genuína é uma concepção do bem, de tudo o que seja nobre, elevado, altruísta, virtuoso.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Seus filhos têm como ideal melhorar o mundo, erradicar a ignorância, egoísmo..., assim como você? 22/11/2015

Infelizmente, não. Mesmo tento visto, a vida toda, o idealismo e o desprendimento material do pai, a influência pragmatista da mãe foi mais forte. Certamente que são pessoas íntegras, escrupulosamente honestas e extremamente bondosas. Também são pessoas cultas, gentis e conscientes. Mas não a ponto de colocar como missão de sua vida a erradicação da ignorância. Eu mesmo não fui sempre assim, mas sempre tive alguma tendência para tal.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Já teve problemas familiares e de ordem pessoal no geral por conta das suas concepções e dos seus valores? 23/10/2015

Nunca. Mesmo quando não concordam comigo, meus familiares e amigos me respeitam porque me vêem como uma pessoa que respeita opiniões divergentes da minha e que defende sempre posturas que conduzem ao bem do mundo, à felicidade das pessoas, à paz, à concórdia, à harmonia, à cooperação, à solidariedade, à fraternidade, ao amor, à justiça, à igualdade, à prosperidade, ao prazer, à felicidade. Bem como à difusão do conhecimento, da cultura, dos bons sentimentos, das virtudes. Assim, sou até benquisto por pessoas que discordam de mim, mesmo por pessoas religiosas que sabem que sou ateu.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O senhor tem netos? . 06/10/2015

Netos não. Mas tenho três netas e mais um neto e uma neta, filhos de meu enteado. Com idades variáveis entre 17 e 2/3 de anos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ernesto, desculpe a sinceridade. Mas você já viu se a tua esposa e teus filhos são a favor disto? Eu sei que o dinheiro é teu e faz o que bem quiser. Mas acho que eu se eu tivesse filhos, eu deixaria uma parte pra eles. Isso é conscientização. 28/09/2015

Mas eu já dei para minhas esposas e meus filhos tudo o que eu tinha. Vendi minha casa e dei metade para cada uma das esposas. A meus filhos eu, não só dei toda a criação e a educação, como também paguei o aluguel da casa deles por muito tempo, mobiliei a casa deles no começo, além do grande tempo que eles moraram comigo, já casados e com filhos. Houve época em que treze pessoas viviam por conta do salário meu e de minha segunda mulher. E essas pessoas moravam em quatro casas e tinham três carros, além dos mais de dez cachorros e três gatos que a gente cuidava. Por outro lado eu sou totalmente contra a instituição da herança. É a primeira coisa que tem que acabar para se estabelecer o comunismo e a anarquia. Além disso, atualmente, eu custeio parte das despesas da casa em que moro com minha segunda mulher e ela outra parte. Como é normal que seja. Apesar da casa ser dela, metade de sua área construída foi feita por mim. Não vejo problema ético nenhum em não ter nada para deixar de herança para ninguém. E como sou funcionário público aposentado, vou deixar pensão para minhas duas mulheres: a atual e a anterior, à qual já pago pensão alimentícia. Nem meus filhos, nem minhas mulheres, nem minhas enteadas e meu enteado querem a minha biblioteca. Vou doá-la para o povo.

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