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quarta-feira, 31 de julho de 2019
Música de qualidade é algo subjetivo?
Não. Pode-se gostar ou não de alguma música e isso é subjetivo. Mas sua qualidade é algo objetivo. Ela advém de uma análise estética da beleza de sua melodia, ritmo e, mesmo, harmonia e timbre, no caso de música instrumental ou, mesmo, sendo "a capela" da voz dos interpretes, bem como da poesia de sua letra, se houver.
Há alguma diferença entre música clássica e Erudita? Ou são a mesma coisa?.
A palavra música clássica tem dois significados. O primeiro, genérico, é sinônimo de música erudita. O segundo, específico, refere-se ao período da música erudita ocidental compreendido entre 1750 e 1820, capitaneado pelos músicos de Viena, especialmente Haydn, Mozart e Beethoven. Também se refere ao estilo de qualquer música, de qualquer período, feita nos moldes dela.
Quais instrumentos você toca?
Estudei três anos de piano na infância mas, depois que me casei, não tendo mais piano, não treino mais. Também aprendi um pouco a tocar flauta doce. Minha mulher me deu um violino, mas ainda não comecei a aprender a tocar. Meu instrumento principal é a voz. Gosto muito de cantar e canto bem mesmo. Especialmente música lírica. Mas também canto música popular, como "easy music", jazz, música popular brasileira, bossa nova, tango, bolero, samba, canções francesas, espanholas, mexicanas e italianas, fado. Geralmente música de mais de quarenta anos.
sábado, 27 de julho de 2019
Você aceita sugestões de músicas? No caso uma ópera de Giuseppe Verdi, conhece?
Conheço várias: Aïda, Nabuco, La Traviatta, Il Trovatore, Rigoletto, Um ballo in maschera, La forza del destino. Tenho algumas gravações delas, tanto em CDs, quanto em DVDs.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Sua resposta sobre as tendências de gosto musical, traje e linguajar da humanidade daqui pra frente é simplesmente sem pé nem cabeça. Hj a população mundial tem mais conhecimento e estudo doq antes, mas é cada vez mais informal, seja no traje, fala ou gosto musical. Tem nd ver isso ai q vc falou
Penso que, à medida que a humanidade for ficando cada vez mais culta e não apenas bem informada, a tendência será, justamente, oposta a essa informalidade. Por outro lado, mesmo considerando que existe um imenso aumento da disponibilidade de informação para as pessoas, não é verdade que isso faça com que elas dominem mais conhecimentos do que antes dominavam. Grande parte dessa informação não acaba sistematizada suficientemente para se configurar em conhecimento. O que observo, como educador, é que a juventude está cada vez mais dispersa e desfocada em dominar conhecimentos. Isso tem feito com que os egressos do sistema educacional estejam, atualmente, menos bem preparados. Mas tal quadro há que se reverter em razão de um colapso que ocorrerá por causa desse despreparo. Penso que tal reversão se dará em menos de duzentos anos.
Acredita que a música erudita deixará de ser apreciada e se extinguirá com o passar dos tempos?
Não. Acho que, pelo contrário, o nível cultural da população tenderá a se elevar à medida que a prosperidade for sendo disseminada pela população toda. Isso levará contingentes cada vez maiores a apreciar a música clássica, bem como outras artes, como a literatura clássica, o teatro, o balé, a ópera, a arquitetura dos vários estilos, da mesma forma que o mobiliário de estilo, a pintura e a escultura e o cinema de arte. Isso também se estenderá à gastronomia e à moda dos trajes. Penso que mais pessoas se comprazerão em se vestir com apuro e elegância. Da mesma forma que o linguajar se tornará cada vez mais correto e com estilo agradável, sem, certamente, se tornar rebuscado. Em suma, o povo todo se tornará gente chique e bem educada. Sem pernosticismo. Saberá comer usando adequadamente os talheres e os copos. Minha aspiração igualitária para o mundo é a de que todos sejam assim: cultos elegantes e sofisticados. Isso, absolutamente, não significa que sejam "sebosos". Pelo contrário, uma pessoa realmente bem educada é uma pessoa gentil, cortês, cordial, jovial, alegre, espirituosa, generosa, solícita, sem a menor empáfia.
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Quais os concertos para piano que você recomendaria para alguém escutar?
O número cinco de Beethoven, o número dois de Brahms, o número dois de Rachmaninoff, o de Grieg, o número um de Tchaikovsky e o de Schumann. Claro que também há vários outros muito bonitos, mas esses são os melhores.
Por que você acha tão importante apreciar música clássica?
Em verdade eu não aprecio porque seja importante e sim porque é o que eu curto e gosto. E isso vem desde minha infância, pois meu pai e minha mãe também gostavam e, lá em casa, se ouviam discos de música clássica antes, até, de existirem os "Long Playings", ou seja, nos discos de baquelite de 78 rpm, que, aliás, ainda conservo comigo. Minha mãe tocava piano e eu estudei piano na infância. Na casa do meu pai, em sua infância, havia piano de cauda. Naquela época havia o costume das famílias se visitarem e as visitas tocavam piano. Isso antes de haver televisão em minha casa, que só apareceu em 1957. Todavia, considero, mesmo, que a música clássica é benéfica por várias razões. A primeira é a sua beleza intrínseca, que eleva a mente a patamares superiores de emoção estética. Depois, também, a música clássica requer que seja escutada com toda a atenção, e não apenas ouvida enquanto se faz outra coisa. Assim se vai apreciando todos os seus aspectos: melódicos, rítmicos, harmônicos, tímbricos, estruturais e assim por diante. O prazer que a música clássica permite fruir não é só sensorial, mas também intelectual, em razão da apreciação dos aspectos sintáticos de sua construção. Para isso é preciso escutar de forma analítica, identificando os temas, seus desenvolvimentos, as construções formais, a orquestração e tudo o que se apresenta. É algo, verdadeiramente, fantástico. Se, além disso, se se dedicar, também, a conhecer a história da música e um pouco de teoria musical, pode-se obter uma satisfação ainda maior em sua apreciação.
Os bons músicos, em geral, também tem uma boa inteligência lógica? Aprender a tocar instrumentos aumenta a inteligência lógica-matemática?
Para ser um compositor, especialmente de música clássica, é preciso ter inteligência lógica sim. Mas não para ser um intérprete. Tocar instrumentos ajuda a desenvolver a inteligência sim, especialmente se a pessoa estiver sempre aprendendo a tocar um novo instrumento, logo que aprenda a tocar outro. Não especificamente a inteligência lógica, mas a inteligência em geral, incluindo a lógica. Note que esse desenvolvimento se dá na aprendizagem da novidade e bem menos no aperfeiçoamento da técnica já aprendida.
O teu conhecimento em música adentra teoria musical (campos harmônicos, escalas etc)? Ou você é apenas um apreciador de boa música?
Entendo de teoria musical sim. Inclusive já compus peças de música para piano e tocava piano na casa dos meus pais. Também sei cantar lendo a partitura. E tenho boa voz, num registo de barítono que abrange parte do baixo e do tenor. Não só canto óperas, mas canções napolitanas, "easy music", canções francesas, italianas, espanholas, mexicanas, samba, bossa nova, tango, fado, bolero e outras. Comecei a estudar violino mas parei. Quero ver se acho tempo para continuar.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Eu que não te acompanho muito ou você nunca citou Saint-Saëns aqui?
Não me lembro se já citei ou não, pois há muitos compositores. Gosto de Saint-Saëns, de quem tenho muitas composições gravadas e ouço até mais do que a média dos outros. Agora, por exemplo, estou ouvindo Fauré, outro francês. Vario muito os compositores que ouço e sempre pesquiso por alguns pouco conhecidos.
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Gosta das músicas de Nelson Ned?
Não. Não fazem o meu gosto. Especialmente sua fase gospel. Mas também não gosto da música romântica que ele fazia, semelhante ao Moacyr Franco e o Agnaldo Timóteo. Prefiro a Bossa Nova. Como, atualmente, não gosto do Sertanejo Universitário nem da música romântica do tipo que o Daniel canta. Nada contra. Só não gosto. Mas gosto de tango, de fado, de bolero, de samba, de "easy music", de canções francesas e italianas (as antigas), além, é claro, da música clássica.
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Maravilhoso, o Primeira Classe desta semana, especialmente a Sinfonia n.1 de Kalinnikov, compositor do qual nunca tinha ouvido falar. Rachmaninov não o teria ajudado se não acreditasse no talento dele. Acredito que na era da internet, muitos compositores terão seus talentos tardiamente reconhecidos.
Sim, como por exemplo Arensky, Barber, Bartoli, Dohnányi, Danielpour, Delius, Eggert, Gade, Górecki, Herbert, Helios, Hubay, Ippolitov-Ivanov, Kabalevsky, Kalinnikov, Karlowicz, Kodály, Korngold, Lekeu, Liadov, Martinu, Medtner, Moszkovsky, Myakovsky, Nielsen, Novak, Graffin, Reinecke, Silvestrov, Stanford, Gunzenhauser, Hough, Suk, Szymanowski, Taneyev, Urspruch, Vieuxtamps, Vlasov, Walton, Weismann, Wieniawski e muitos outros, sem contar os brasileiros, Fernandes, Nepomuceno, Santoro, Guarnieri, Nobre, Levy, Guerra-Peixe, Braga, Mignone, Tavares, Oswald, Gnatalli e outros.
A composição de músicas clássicas é a forma mais elevada e criação musical?
Sim. Mas a música popular também pode ser algo elevado e o é, em muitos casos. Todavia, em geral, a música popular é muito menos pensada e construída de modo a suscitar tal ou qual sentimento ou algum específico prazer estético, bem como racional, pela contemplação auditiva de sua estrutura, sua melodia, sua fluência, sua harmonização, seu ritmo, os timbres instrumentais que faz uso e todos os demais aspectos musicais, bem como extra-musicais (as letras das que forem cantadas, por exemplo). Na música erudita isso é fundamental e essencial. Então ela é capaz, normalmente, de levar a mente do ouvinte a êxtases contemplativos de incomparável beatitude.
Quem consideras o melhor maestro?
Dos que eu já ouvi a regência, em gravações, ainda fico com o Herbert von Karajan.
Professor, o que acha da música eletrônica?
Nem melhor nem pior pelo fato de ser eletrônica. Depende de que música se trata. Conheço uma compositora que compõe músicas eletrônicas magníficas. E há as horríveis. Os recursos eletrônicos possibilitam explorar muitos timbres diferentes, que não correspondem a nenhum instrumento acústico existente. Isso é muito interessante.
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Você gosta do Lang Lang como pianista?
Mais ou menos. Acho que ele é rápido demais. Mas não erra as notas. E sinto que ele não é muito expressivo. Fica mais no fortíssimo e tem menos variação entre piano e forte, bem como entre rápido e lento.
O gosto musical diz muito sobre a pessoa?
Diz sobre o gosto musical. Mas não diz sobre o caráter, que é o mais importante. Pode também dizer sobre a inteligência e sobre a cultura. Mas não diz sobre a capacidade de trabalho. Pode dizer sobre a educação e os bons modos. Mas não diz sobre a generosidade nem a honestidade.
Como aprender apreciação musical?
Isso se adquire ouvindo muita música e, paralelamente, lendo sobre elas, quer em livros, quer, mesmo, nas contra-capas dos LPs ou nos livretos que acompanham os CDs. Um site muito bom para se informar sobre música é o "Allmusic". Os comentários estão em páginas denominadas "details". Outro site interessante é o "Musical Musings". É interessante, também, se inteirar sobre teoria musical. Eu aprendi pelo livro "Elementos De Canto Orfeônico", de Yolanda De Quatros Arruda.
Pode-se ouvir muita música clássica se inscrevendo nos sites:
www.naxos.com
www.classicalarchives.com
Pode-se ouvir muita música clássica se inscrevendo nos sites:
www.naxos.com
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