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quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Professor, na sua concepção reducionista, a física se reduz à matemática e a matemática se reduz à filosofia? 16/03/2016
O reducionismo epistemológico se aplica às ciências. Matemática e Filosofia não entram no esquema. Mas a Matemática se reduz, não à Filosofia, mas à Lógica, que é uma parte da Filosofia. Dentre as ciências, a base é a Física, da qual deriva a Química, das quais derivam a Geologia, a Astronomia, a Cosmologia, a Meteorologia e a Biologia, da qual deriva a Psicologia, da qual deriva a Sociologia, a Economia, a História, a Linguística etc.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Qual a diferença entre metodologia e epistemologia? 29/02/2016
Epistemologia é o estudo do conhecimento, de sua validade, de sua classificação. Metodologia é o conjunto de procedimentos para se obter o conhecimento.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Professor, como explicar o que é Ontologia e Metafísica para um leigo? 17/12/2015
Metafísica é a parte da Filosofia que se ocupa com abstrações e as relações entre elas. Isto é, entidades que não existem no mundo natural, mas apenas como concepções mentais. Suas propriedades e como se relacionam entre si e com as entidades naturais. Além dessas a Metafísica também inclui hipotéticas entidades não naturais e não abstratas, como espíritos e deuses, caso existam. E, justamente, discute a existência ou não delas. Mas não só de entidades cuida a Metafísica. Cuida também de categorizar toda a realidade, tanto objetiva quanto abstrata. Este é um ponto crucial da Metafísica. A Ontologia é a parte da Metafísica que cuida, especialmente, das entidades, da definição de suas essências, da verificação de sua existência. Quando se diz que algo seja "ontológico" está se referindo ao que aquilo venha a ser em si mesmo, independentemente das circunstâncias. Também se pode dizer que algo seja "lógico", "epistemológico", "metafísico", "fenomenológico", "empírico". Lógico é quando se refere ao que se pode concluir por raciocínio. Epistemológico é quando se refere que o assunto é um conhecimento validado. Metafísico é quando o assunto só pode ser discutido por argumentos pensados e não por verificação experimental ou observacional. Fenomenológico é quando o tema pode ser verificado por experimentação ou observação, isto é, é "científico". Empírico é isso também.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Alguma opinião sobre Hayden White? 03/12/2015
Não conheço sua obra, especialmente sobre "Metahistória". Só que nem vou ter oportunidade de examinar, pois estou com muita coisa na fila para ler.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Olá ,conheces a ordem Demolay ? em caso afirmativo , o que achas da mesma ? 12/11/2015
Sei do que se trata e não aprecio, como não aprecio os Escoteiros, a Maçonaria, os Rosacruzes e, mesmo, o Rotary e o Lions. Não gosto nada de sociedades, clubes, organizações, associações. Nada que seja instituído formalmente, com estatutos, regimentos, diretoria, filiação societária, mensalidades e coisas assim. Mais ainda quando tem roupas especiais, paramentos, liturgias, cerimoniais. Quanto à Maçonaria e a ordem Rosacruz, discordo totalmente de seu hermetismo e seu esoterismo. Para mim todo conhecimento tem que ser aberto a todos, isto é, ser exotérico.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Há uma necessidade ontológica na relação empirica na epistemologia cognitiva hermeneutica? 13/10/2015
Ora, ora. que bagunça de palavras. O que você está querendo dizer? Vamos lá. Epistemologia cognitiva hermenêutica. Hermenêutica significa interpretação. Epistemologia é á validação do conhecimento e, no caso, conhecimento cognitivo, isto é, racional ou fenomenológico mas referente a saberes a respeito do que seja alguma coisa. Então está se falando de um conhecimento a respeito do que algo venha a ser. De um conhecimento epistêmico, isto é, validado e justificado e da interpretação textual de sua descrição. Muito bem, e o que vem a ser a relação empírica disso? Vem a ser a verificação experimental dessa validade, isto é, que esse conhecimento seja testado na prática. Há uma necessidade ontológica disso? O que significa ontológica? Significa o que é, o que define a essência, ou seja, as características pelas quais aquilo é o que é e não outra coisa. Se se tem um conhecimento cognitivo empírico, digamos as leis de Newton do movimento, então ele, será expresso por meio de uma formulação textual que requer uma hermenêutica, ou seja, uma interpretação do que o texto esteja dizendo em relação ao que está acontecendo na natureza. E o que está acontecendo são relações empíricas entre interações e movimentos. Há uma necessidade ontológica de que exista essa relação empírica para que a interpretação do conhecimento empírico seja válida? Ou seja uma relação empírica (uma lei física) só tem significado se for uma relação entre entidades que possuam uma essência bem definida, uma vez que sejam expressas por termos que fazem referência a essas entidades? Sim. senão elas não significarão nada. Aliás esse foi o grande trabalho de Ernst Mach ao fazer essa análise ontológica da hermenêutica das leis de Newton, que, aliás, é a abordagem que eu sempre uso ao apresentar as leis do Movimento de Newton aos alunos. Isso vale, também, para as leis da Termodinâmica. Ou seja, qualquer lei física empírica tem que apresentar uma relação não deduzida logicamente, mas verificada experimentalmente entre grandezas que representem atributos de entidades definidos de modo ontologicamente bem precisos, senão não será possível se fazer uma hermenêutica de seu enunciado. Isso é que todo bom professor de física tem que saber muito bem para dar conta de responder a qualquer questionamento de algum estudante mais perspicaz. E isso não é válido só para a Física mas para qualquer ciência. Para um apanhado da hermenêutica das leis de Newton leia este meu artigo:
sexta-feira, 20 de maio de 2016
"Todo branco é racista". "Todo cisgenero é transfóbico". "Todo homem cis é opressor". Do ponto de vista epistêmico, estas não parecem ser conclusões válidas. Neste sentido, como dialogar com correntes feministas que usam de expedientes que só conservam a cultura opressora que tanto condenam? 25/09/2015
Quem tem esse tipo de ideia é uma pessoa completamente obtusa. Não há como dialogar com pessoas obtusas. Mas... que importância teria um diálogo desses?
domingo, 28 de julho de 2013
https://fbcdn-photos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/q71/s320x320/1013939_128106617398847_1795404412_n.jpg Concorda? Por quê?
Não concordo. Acho que sempre se deve buscar a forma mais simples de se expor qualquer assunto, mas, nem sempre a forma mais simples é simples. Pode ser complexa e não haver modo mais simples de explicar. Não acho que simplicidade seja um valor supremo. O mais importante é que a explicação seja inteiramente correta e verdadeira, mesmo que seja complicada. Complicação não é problema. Muitas vezes, ao se simplificar algo, se apresenta uma visão distorcida ou parcial. Há muita coisa que é complicada mesmo e que, para ser entendida é preciso enfrentar a complicação. Um dos grandes problemas que vejo na atualidade, especialmente no ensino, é uma fobia a tudo que seja difícil e complicado. Se não se enfrentar o complicado, não se progredirá no entendimento do mundo, pois ele é complicado mesmo. Isso, todavia, não significa que não se devam envidar os maiores esforços para que as explicações sejam as mais simples possíveis, desde que, tal simplificação não comprometa a interpretação correta do que está acontecendo.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
É certo usar a bíblia como fonte para refutar algum argumento científico?
Claro que não! A Bíblia não tem argumentos. Ela apresenta suas proposições como se fossem um recado de Deus, sem explicações. Um argumento científico sempre se baseia em explicações testáveis. Para que seja refutado é preciso que se façam testes que mostrem a sua falsidade. Assim é que a ciência progride. Sempre considerando que suas proposições não sejam definitivas, mas apenas o melhor que se pode obter no momento. Que pode e deve ser corrigido e aprimorado sempre. Os dogmas religiosos não são passíveis de revisão, senão não seriam dogmas. O que se revê nas religiões são, apenas, as considerações disciplinares, litúrgicas ou devocionais. Jamais o cristianismo vai rever sua concepção de que Jesus seja o verbo de Deus encarnado. Ou o islamismo de que Maomé recebeu o Corão do Arcanjo Gabriel. Ou o judaísmo que Moisés tenha recebido as Tábuas da Lei diretamente de Deus. Ou o hinduísmo de que tudo no Universo seja uma emanação de Brahmam (não confundir com Brahma). Dizer que algo seja verdade porque consta da Bíblia é uma ingenuidade. Mesmo que se creia em Deus e, até, que se ache que Jesus seja Deus, é preciso entender que a Bíblia foi escrita por muitas pessoas, em muitas épocas e que o que ela diz apenas expressa as convicções de seus autores naquele lugar e momento. Só que eles não dispunham de conhecimentos que possam abalizar a Bíblia como um tratado científico ou histórico. Ela vale, apenas, por sua mensagem moral e teológica, para quem a aceite. Mas, nunca, histórica nem científica.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Acho que Dawkins tem essa visão, porque ele é um biólogo evolucionista, portanto, na área dele, de fato, perguntas com "por quê" são fúteis. Concorda com minha análise?
Não concordo. Mesmo em biologia e evolução é pertinente se investigar as causas e razões dos fenômenos, nem que seja para concluir que não tenha causa nenhuma. Muitos têm, outros não têm.
Claro que a ciência se preocupa mais com a investigação de "como" os fenômenos ocorrerem. Mas não rejeita saber "por que" eles ocorrem. O que não tem significado em biologia, especialmente evolução, é uma explicação teleológica, isto é, com base no propósito, ou seja, "para que" algum fenômeno acontece. Nada em biologia se explica por sua finalidade. Tudo acontece sem propósito. Mas o que tem serventia permanece. Isso também vale para cosmologia, astrofísica, geologia, meteorologia, química e as demais ciências naturais. Essas é que são as perguntas fúteis. Mas inquirir a causa de algo não é fútil. O que não procede é a concepção de que tudo tenha que ter uma causa. Não tem. Mas pode ter. E é válido investigar se tem e, tendo, qual seja ela.
Claro que a ciência se preocupa mais com a investigação de "como" os fenômenos ocorrerem. Mas não rejeita saber "por que" eles ocorrem. O que não tem significado em biologia, especialmente evolução, é uma explicação teleológica, isto é, com base no propósito, ou seja, "para que" algum fenômeno acontece. Nada em biologia se explica por sua finalidade. Tudo acontece sem propósito. Mas o que tem serventia permanece. Isso também vale para cosmologia, astrofísica, geologia, meteorologia, química e as demais ciências naturais. Essas é que são as perguntas fúteis. Mas inquirir a causa de algo não é fútil. O que não procede é a concepção de que tudo tenha que ter uma causa. Não tem. Mas pode ter. E é válido investigar se tem e, tendo, qual seja ela.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Você prefere perguntas com "como" ou "por quê"? Perguntas com "por quê", para a Ciência, são 'tolas' como Dawkins afirma?
Discordo do Dawkins nesse aspecto. A ciência não busca apenas responder "como" ocorrem os fenômenos naturais, sociais ou culturais, mas também "por quê" eles se dão como dão. Isso não significa que sempre se tenha uma resposta. Há casos em que ela não existe e outros em que ela ainda não foi achada. Mas não se sabe, a priori, em alguns casos, se a razão de algo é inexistente ou desconhecida. Então se envidam esforços para encontrá-la. Outros casos se pode dizer que não há razão, isto é, que eles são fortuitos. O fato é que não há necessidade de haver uma razão ou causa, mas pode haver. Isso tudo é objeto de investigação científica sim. Como também filosófica. A diferença é o método de abordagem. Mas a Filosofia sempre lucra quando opera com a metodologia da ciência. E, havendo discordância entre uma conclusão filosófica e uma científica, prevalece a científica, desde que obtida com todos os rigores e cuidados. Não tenho preferência nem por uma nem por outra. Gosto de estudar ambas, tanto científica quanto filosoficamente.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
o senhor acredita em anarquismo epistemológico?
Não é questão de acreditar, mas de achar que seja válido ou não. Acho que sim. Concordo com Feyerabend em seu livro "Contra o Método" que amarrar a pesquisa científica em normas rígidas seja contrariar a própria ciência. A maioria das descobertas científicas foi feita sem regra nenhuma. O preceito de "falseabilidade", de Popper, é apenas um indicativo do caráter científico de alguma explicação, mas não pode ser tomado como definitivo. Aliás, a metodologia científica falha em seu aspecto principal. Ela só cuida de como testar hipóteses e não de como formulá-las. A formulação de hipóteses é que é o grande trabalho científico e isso os cientista fazem sem método nenhum.
Eu prefiro ficar com a Teologia, pois foi a única que forneceu provas divergentes em comparação com as outras. Veja este vídeo, por favor e analise, Ernesto. http://www.youtube.com/watch?v=1j8UWu4Zs_U Obs: Não confunda religião com Teologia.
Certamente que religião e teologia são distintas. Religião é uma instituição, com crenças, organização, rituais, templos, pessoal, normas etc. Teologia é um conhecimento. As categorias são diferentes. O problema da Teologia é o da veritação de suas assertivas. O fato de que algumas narrações bíblicas sejam corroboradas pela arqueologia não abona suas afirmações doutrinárias. Eu não prefiro a Teologia de modo nenhum. Sou pior do que São Tomé. Nem vendo eu acredito, pois posso ter ilusões de ótica. Só acredito em comprovações muito bem estabelecidas ou em evidências muito bem verificadas. Por isso prefiro a ciência e a filosofia, que não garantem ser possuidoras da verdade, mas que estão sempre empenhadas em a buscar, duvidando de terem conseguido. Aí está a sua virtude.
sábado, 13 de julho de 2013
Quais os fatos que corroboram para que a teoria da evolução e a teoria do big-bang tenham o mesmo status, dentro da ciência, que a teoria gravitacional e o conjunto de teorias que Maxwell (eletromagnetismo)? Por que “fora da ciência” elas são motivos de descrença e até chacota?
Elas têm o estatuto de teorias porque suas assertivas são corroboradas pelos corolários que delas se tiram, que são experimental e observacionalmente verificados. Todavia elas contrariam os mitos religiosos sobre o mesmo assunto e, assim, são rejeitadas por muitas pessoas que depositam sua confiança na veracidade dos mitos. A mecânica clássica e o eletromagnetismo são teorias válidas em seus domínios de aplicabilidade e não são conflitantes com nenhum mito religioso, porque eles não se atêm aos assuntos abordados por essas teorias. Então elas não são rejeitadas. A Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica, mesmo não sendo assuntos abordados pelos mitos religiosos, também possuem alguma rejeição por parte de pessoas sem cultura científica, porque contrariam o que o senso comum estabeleceu a respeito. Há gente que até rejeita a Teoria Atômica, a Teoria dos Gens ou outras que não contrariam nenhuma escritura sagrada, simplesmente porque não são acessiveis à observação direta. Por incrível que pareça há pessoas que não aceitam que a Terra gire em torno do Sol e, mesmo, que seja esférica.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Professor, uma explicação precisa de outra explicação? Por exemplo: Sabemos que a evolução ocorreu, é necessário saber qual o motivo de ela ocorrer? Vi o Dr. Craig falando: Se dissermos que Deus criou o universo, não precisamos explicar quem criou Deus.
Não é verdade que uma explicação precise de outra explicação. Há muitas ocorrências que se dão sem razão nenhuma. É bom sempre buscar a causa de qualquer acontecimento, mas tem-se que saber que pode ser que não haja causa nenhuma. Por exemplo, se se mostrar que o Universo tenha sido criado por Deus, não significa que Deus tenha que ter tido uma causa. Mas também não há necessidade que o Universo tenha tido uma causa. Pode ter surgido fortuitamente.
Professor, alguma indicação para estudos de Epistemologia?
Epistemologia - Christopher Norris - Artmed
O Problema da Verdade - Jacob Bazarian - Alfa-Ômega
Dialética do Conhecimento - Caio Prado Júnior - Brasiliense
A Lógica da Pesquisa Científica - Karl Popper - Cultrix
A Estrutura das Revoluções Científicas - Thomas Kuhn - Perspectiva
Contra o Método - Paul Feyerabend - Francisco Alves
O Problema do Conhecimento - A. J. Ayer - Ulisseia
O Novo Espírito Científico - Gaston Bachelard - Abril
Intuition and Science - Mario Bunge -
Introdução ao Pensamento Epistemológico - Hilton Japiessu - Francisco Alves
Nosso Conhecimento do Mundo Exterior - Bertrand Russell - Nacional
Metodologia Científica - Eva Lakatos & Marina Marconi - Atlas
Metodologia Científica - CErvo & Bervian - Mc. Graw-Hill
O Problema da Verdade - Jacob Bazarian - Alfa-Ômega
Dialética do Conhecimento - Caio Prado Júnior - Brasiliense
A Lógica da Pesquisa Científica - Karl Popper - Cultrix
A Estrutura das Revoluções Científicas - Thomas Kuhn - Perspectiva
Contra o Método - Paul Feyerabend - Francisco Alves
O Problema do Conhecimento - A. J. Ayer - Ulisseia
O Novo Espírito Científico - Gaston Bachelard - Abril
Intuition and Science - Mario Bunge -
Introdução ao Pensamento Epistemológico - Hilton Japiessu - Francisco Alves
Nosso Conhecimento do Mundo Exterior - Bertrand Russell - Nacional
Metodologia Científica - Eva Lakatos & Marina Marconi - Atlas
Metodologia Científica - CErvo & Bervian - Mc. Graw-Hill
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Professor, alguns religiosos costumam dizer que até mesmo os céticos adotam pressupostos. Os pressupostos em questão, entretanto, são de natureza bem diferentes, não acha?
Como é impossível ter garantias sobre todos os conhecimentos é preciso se basear em suposições, desde que sejam sustentadas por grande plausibilidade e fortes indícios de veracidade. O ceticismo não pode ser absoluto, mas apenas metodológico, como ferramenta de busca da verdade e não como afirmação da impossibilidade de se obtê-la. Ou seja, há que se duvidar, mas, mesmo duvidando, é preciso se decidir, com a disposição de abandonar o que se assumiu como verdade, se for mostrado que não é. O problema das religiões é que elas assumem como verdades proposições sem fortes indícios de plausibilidade e se negam a abandoná-las, não importam quão fortes sejam os argumentos contrários. Quem acatar esses argumentos e abandonar as proposições contrárias, está deixando de ser adepto da religião em questão. É muito difícil para as religiões aceitarem revisões em suas assertivas sem que isso se configure em um cisma.
Gdes pensadores,entre eles Feuerbach expôs com sapiência a alienação humana em relação à fé religiosa.Por que filósofos,que mesmo tendo estudado com afinco essas análises epistemológicas, recusam a aceitar essa manifestação como sendo apenas ideológica?
Porque, de fato, não é. Uma ideologia é uma concepção apriorística. A negação da fé religiosa não é " a priori", e sim "a posteriori", como consequência dos estudos realizados. O que se tem de ideologia, no caso, é a concepção de que a verdade não possa ser estabelecida dogmaticamente, mas alcançada pela investigação. Mas essa ideologia não diz qual seja a verdade. Pode até ser que seja a das religiões, desde que ela seja o resultado de investigações feitas diretamente sobre a realidade e não sobre a literatura dita "sagrada". Outras ideologias estão na base da construção de ciência. A mais fundamental é a de que exita uma realidade objetiva fora da mente. Outra é de que o ceticismo metodológico seja a postura adequada à investigação da verdade. Uma outra é a de que qualquer proposição só possa ser aceita como científica se puder ser submetida a testes de falseabilidade. Há uma que é abraçada por muitos cientistas, mas que não considero válida, que é a de que o único tipo válido de conhecimento seja o científico. Conhecimento vulgares também podem ser válidos, em seu domínio de aplicabilidade. Isso não significa que qualquer um o seja.
Prof.,para que haja o desenvolvimento das ciências é fundamental as constantes rupturas de paradigmas já construídos,uma vez que mesmo sem perceber o cientista tb caminha por orientações subjetivas limitando-se ao tempo histórico e a cultura ?
Mudança de paradigma não é uma necessidade e, sim, uma contingência. Se um paradigma não estiver dando conta das explicações dos fenômenos, há que se mudá-lo. Mas pode ser que algum deles, em algum assunto, já seja satisfatório para tudo. Então a ciência apenas cuidará de aprimorar cada vez mais os detalhes e a precisão dos dados. É importante entender que o progresso não é, também, uma necessidade. Uma vez que já se tenha obtido a explicação cabal e definitiva, não há em que, por quê, e para que progredir mais. Claro que, segundo penso, isso ainda não aconteceu em nenhuma aspecto mas, um dia vai acontecer, mesmo que demore milênios. O mesmo acontece com a economia. Considerar que a economia tem sempre que crescer é um preconceito. Haverá um momento em que ela atingirá um patamar máximo de saturação, para o qual não se terá mais crescimento. Isso já está acontecendo em alguns países, com Liechteinstein e Singapura. Verdadeiros cientistas, isto é, os criadores, não se limitam às circunstâncias históricas e culturais. Eles (e elas) vêm além e se libertam desse tipo de amarras. Mas também não constroem quimeras. Ousam com segurança. Poucos assim o foram. Muitos se preocupam mais com suas carreiras do que com o desenvolvimento do conhecimento. A ciência é um construto humano que padece dos mesmos vieses vaidosos de qualquer atividade humana.
sábado, 15 de junho de 2013
A compreensão só se estabelece com o autoconhecimento?
O conhecimento envolve vários níveis. Começa com saber do que se trata, depois como ocorre, passa por entender as razões e as causas, as finalidades, as consequências e as aplicações. Isso tudo pode ser chamado de entendimento, que responde às perguntas: O que é? Como é? Por que é? e Para que é? Mas também precisa saber como o que se está considerando se relaciona com o resto dos conhecimentos. Isso é a compreensão. E um dos conhecimentos fundamentais para se compreender tudo é o conhecimento de si mesmo. Senão não se pode compreender como algo possa se relacionar com o sujeito que está lhe captando a essência, isto é, a própria pessoa. A compreensão de tudo requer, pois, mas não apenas, o conhecimento de si mesmo.
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