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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Achas que a hipótese dos universos parelos é plausível e provavelmente real, mesmo sem comprovação empírica por enquanto? 22/03/2016
Não. O que eu acho é que os universos paralelos são possibilidades goradas de outros universos que não se formaram, ficando apenas este que, para mim, é único. E que, por coincidência, é o que possibilita que átomos, galáxias, estrelas, planetas e a vida tenham surgido. Não que as características que possibilitam tais coisas tenham sido estabelecidas com o propósito de que tudo isso aparecesse. É uma coincidência que poderia não ter ocorrido e nada disso existiria. Ou mesmo não existiria universo nenhum. Não há nada que implique que tenha que existir algo ao invés de nada. Tudo o que existe, existe por acaso.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
O universo é onipresente, não? 15/03/2016
Claro, pois não existe nada que não seja pertencente ao Universo. Ele é o conjunto de tudo o que existe, de todos os lugares em que algo possa estar, bem como de todos os momentos em que algo possa acontecer. Então não há nenhum lugar ou nenhum momento que esteja fora do Universo. Isso é onipresença.
Professor, o que acha desse argumento do Craig ?? https://www.youtube.com/watch?v=LAS3RsdRtE8 14/03/2016
Não concordo. Gostaria de ver o que o Hitchens havia dito.
Claro que se pode admitir que a evolução (fato sobejamente demonstrado) possa ter sido dirigida por algum agente extrínseco ao Universo. Todavia não é preciso fazer essa suposição. Baixa probabilidade, baixíssima mesmo, não significa impossibilidade (tanto que é muito improvável se ganhar na loteria mas há quem ganhe - mas é claro que essa baixa probabilidade é muito alta em comparação com as envolvidas nos processos evolutivos). Gostaria de saber como Barrow e Tipler calcularam as probabilidades citadas, que não considero que sejam tão baixas assim. Todavia é preciso entender que, na evolução, cada nova mudança se faz em cima do que se tem antes e a seleção natural procede á escolha. Não é para se calcular a probabilidade de átomos esparsos se unirem para formar um ser humano. O cálculo é gradativo, como mostrei neste texto:
http://wolfedler.blogspot.com.br/2011/02/varios-fisicosmatematicos-no-mundo-ja.html
Claro que se pode admitir que a evolução (fato sobejamente demonstrado) possa ter sido dirigida por algum agente extrínseco ao Universo. Todavia não é preciso fazer essa suposição. Baixa probabilidade, baixíssima mesmo, não significa impossibilidade (tanto que é muito improvável se ganhar na loteria mas há quem ganhe - mas é claro que essa baixa probabilidade é muito alta em comparação com as envolvidas nos processos evolutivos). Gostaria de saber como Barrow e Tipler calcularam as probabilidades citadas, que não considero que sejam tão baixas assim. Todavia é preciso entender que, na evolução, cada nova mudança se faz em cima do que se tem antes e a seleção natural procede á escolha. Não é para se calcular a probabilidade de átomos esparsos se unirem para formar um ser humano. O cálculo é gradativo, como mostrei neste texto:
http://wolfedler.blogspot.com.br/2011/02/varios-fisicosmatematicos-no-mundo-ja.html
O que você acha do Niilismo Existencial? Basicamente ele diz a vida não tem um sentido objetivo intrínseco, o que acha dessa ideia? 14/03/2016
De fato, não há sentido intrínseco para a vida e nem para a existência do Universo. Isso não significa que não se possa achar um sentido pessoal para a vida de cada um, que a preencha de significado. Nem tampouco implica que não existam valores éticos para balizar a conduta das pessoas. O fato de existirmos é casual. Poderíamos não existir, cada pessoa, a espécie humana, qualquer tipo de vida ou mesmo o próprio Universo. Não há razão e nem propósito para que nada disso exista. Todavia, como existimos, isso é um fato extremamente singular, ao qual devemos dar o mais alto valor e aproveitarmos dele ao máximo.
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Hoje li mais de uma vez a frase "energia é matéria", ela está certa? No livro do Griffiths é dito que não se sabe se a energia de uma configuração de cargas se encontra no campo elétrico ou na distribuição de cargas, podemos usar qualquer um para calculá-la, mas só que campo elétrico não é matéria 11/03/2016
Está errada. Matéria é um dos tipos dos constituintes substanciais do Universo, ao lados dos campos e da radiação. Energia é uma propriedade desses constituintes. Então tratam-se de conceitos de categorias completamente diferentes, não sendo passíveis de comparação. O que se pode comparar é energia e massa, bem como matéria e campo. Massa pode ser convertida em energia e vice versa, da mesma forma que matéria pode ser convertida em campo ou radiação e vice-versa. Em verdade, matéria e radiação são quantizações de campos. As cargas elétricas podem ser entendidas como as fontes e sumidouros do campo elétrico, sendo o campo a entidade fundamental e carga uma propriedade e não uma entidade. Carga é a propriedade que mede a quantidade de campo (medida pela grandeza fluxo de campo elétrico) que jorra de uma fonte (carga positiva) ou mergulha em um sumidouro (carga negativa). Algum sistema (por exemplo uma partícula elementar), possui carga se campo elétrico sai ou entra nela. A energia potencial de um sistema de cargas, portanto, é uma energia do campo que o sistema apresenta.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Professor, por que a teoria de expansão do universo é tao pouco aceita na sociedade que vivemos ? 07/03/2016
Porque a maioria da população, simplesmente, a ignora. Isto é, não tem conhecimento a respeito. O ensino médio não aborda conteúdos de astronomia, astrofísica e cosmologia. Nem de meteorologia, geologia, oceanografia. Há outras falhas, também, por exemplo, não se estuda história da Índia, da China, dos Árabes. Não se estudam as literaturas de países de outras línguas. Não se estuda Música, Pintura, Escultura. Não se aprende a escrever poesia.Na Física, que é a minha área, não se estuda momento angular, nem Lei de Gauss, nem nada de física moderna (relatividade restrita, relatividade geral, física quântica, física atômica, física nuclear, física de partículas, física molecular, física da matéria condensada, física estatística). Nas outra áreas não sei o que fica faltando, mas acho muito mais importante que esses assuntos sejam vistos, mesmo que apenas conceitualmente do que, por exemplo, ficar martelando exercícios de associação de resistores e capacitores, equilíbrio de barras e outros temas meramente técnicos, deixando de lado os conceitos científicos e filosóficos que levam a uma compreensão do mundo e que permitam erradicar os erros mitológicos ainda aceitos como se fossem conhecimentos, bem como as pseudociências. Isso é lamentável. Sempre que dei minhas aulas de Física, dentro da programação que tinha que ser cumprida, eu acrescentava tópicos avançados, mesmo que não fossem exigidos em avaliações. Senão a juventude sai da escola ignorante a respeito de como o mundo, de fato, é.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
O modelo geocêntrico não está necessariamente errado, já movimento depende de referencial. O heliocentrismo é adotado nas escolas e universidades simplesmente por questões didáticas (mais fácil de se explicar). Dizer que o geocentrismo está completamente equivocado é de uma ignorância sem tamanho! 06/03/2016
Nada disso. O que acontece é que, do ponto de vista cinemático, qualquer referencial é admissível, portanto é possível descrever o movimento dos astros considerando a Terra fixa. Mas do pondo de vista dinâmico não. Considerar a Terra fixa e o resto do Universo girando em volta dela, ou mesmo apenas o sistema solar não é admissível porque não corresponde às leis do movimento. Suponhamos apenas a Terra e o Sol. Se eles estão sujeitos à interação gravitacional recíproca (que tem a mesma intensidade, mesma direção e sentidos opostos sobre os dois), então o movimento deles sempre será de forma tal que o centro de massa de ambos permanecerá no mesmo lugar. Como o Sol é um terço de milhão de vezes mais maciço do que a Terra, o centro de massa de ambos, que estão separados de 150 milhões de quilômetros, está a 450 quilômetros do centro do Sol, isto é, dentro do Sol, pois este tem 700 mil quilômetros de raio. Portanto, praticamente, a Terra gira em torno do Sol. Se se considerar o Sistema Solar todo, com os planetas distribuídos em volta do Sol, o centro de massa do conjunto quase coincide com o centro do Sol.
todos os corpos aqui na Terra estão se movendo, uma vez que o planeta está se movimentando no espaço a uma velocidade de 30km/s e nós estamos na superfície dele. está certo? 04/03/2016
O planeta está se movendo a 30 km/s em relação ao Sol, mas está se movendo a 220 km/s em relação ao centro da Via Láctea e a 620 km/s em relação à radiação cósmica de fundo do Universo. Tudo que está no planeta move-se, com ele, nessas velocidades, além da velocidade da superfície em relação ao eixo de rotação que é de 470m/s no equador.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Tempo existia antes do Big Bang? 28/02/2016
Não. Mesmo que houvesse espaço e conteúdo que o preenchesse, tal conteúdo e tal espaço estariam em uma situação de imperturbabilidade total, ou seja, não se dava nenhuma ocorrência que pudesse alterar o estado do Universo. Como o tempo é uma decorrência das alterações do estado do Universo, não havia transcurso de tempo. Com o início da expansão do espaço (isto é, com o Big Bang), então o estado do Universo passou a se alterar e, com isso, surgiu o tempo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Uma pergunta de leigo, por que a força da gravidade não puxa a lua pra cima de terra? 23/02/2016
Mas é justamente isso que ela está constantemente fazendo. Se não o fizesse, a Lua se afastaria tangencialmente à sua órbita, deixado a Terra para sempre. O movimento orbital é o compromisso entre a gravidade, que quer que a Lua caia na Terra e a inércia, que quer que a Lua se afaste definitivamente da Terra.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Professor, se a quantidade de energia escura está crescendo exponencialmente em função do tempo e a sua densidade reduzindo, por que concebe-se constante cosmológica? Isso implica em um universo curvado negativamente, certo? O argumento da energia líquida total = 0 realmente é válido para a origem? 23/02/2016
A chamada "constante cosmológica", em verdade não é uma constante. Esse nome é só por tradição. Trata-se da grandeza que descreve a intensidade de um tipo de campo, que pode ser função do espaço e do tempo, que descreve a forma como o espaço tempo se expande. Sendo ele uma função do local e do momento, não implica que o Universo, globalmente seja negativamente curvo. Quanto à ser a energia total do Universo nula. esta é uma proposição ainda não confirmada, sequer teoricamente. Mas é uma proposta muito interessante, sem dúvida, uma vez que todas as demais propriedades do conteúdo do universo possuem um total nulo. Todavia não me consta que a quantidade de energia escura esteja crescendo exponencialmente.
Professor, se e o Big Rip é uma tendência assintótica, isso quer dizer então que o espaço entre os átomos já está se expandindo certo? Mas e depois? Restará apenas campo? O que eu não entendo é como as partículas elementares serão fragmentadas se elas são elementares... 22/02/2016
Sim. Desde o início do Universo o espaço se expande, inclusive dentro dos átomos, afastando as partículas entre si e aumentando o tamanho delas. Uma quantização é uma concentração, uma densificação do campo da matéria com valores específicos de certas propriedades que fazem essa concentração se tornar uma partícula com individualidade. Quando o espaço se esgarçar tanto que a densidade das propriedades que caracterizam as partículas se tornar pequena, a quantização desaparecerá e as partículas voltarão ao estado de campo puro, cada vez mais rarefeito.
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=599971766821568&id=275181425967272 Einstein disse mesmo isso? 22/02/2016
Pode ser que ele tenha dito, pois, sob o aspecto cinemático, é perfeitamente legítimo se colocar um referencial na Terra, supondo-a fixa, e considerar o Universo inteiro girando em torno dela. A questão fica decidida, todavia, quando se levam em conta os aspectos dinâmicos, pois não haveria energia disponível para produzir tal proeza, além do fato de que, certamente, galáxias longínquas acabaria tendo que girar com velocidades tangenciais maiores do que a da luz, o que é uma impossibilidade. É claro que Einstein sabia que a Terra gira em torno do seu eixo e que orbita em torno do Sol, que, por sua vez, orbita em torno do centro da galáxia. Há tantos experimentos e observações que confirmam isso que é ridículo supor que assim não o seja. Quem defende a ideia da Terra fixa, sem rotação e sem translação, atualmente, é um completo ignorante, o que se pode admitir em pessoas simplórias, mas não em quem se diz Filósofo, como o Olavo de Carvalho. Isso me leva a considerá-lo não apenas ignorante, mas burro mesmo, o que, aparentemente ele não é.
Matéria é energia? 21/02/2016
Não. Matéria é um dos tipos de entidades constituintes do Universo, ao lado dos campos, da radiação, do espaço, do tempo, das estruturas e das ocorrências. Energia é uma das propriedades que os constituintes do Universo possuem, ao lado de extensão, localização, translação, rotação, vibração, massa, carga elétrica e várias outras. Matéria e energia, portanto, pertencem a categorias diferentes da realidade, não podendo ser comparadas. Matéria é um tipo de entidade, energia é uma propriedade de entidades. Energia é um atributo, uma qualidade e não uma coisa. Matéria é uma coisa. O que acontece é que existe uma correspondência entre os atributos massa (e não matéria) e energia de uma entidade física, podendo haver conversão de uma na outra em certas circunstâncias, como em uma reação nuclear.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Será que num futuro bem distante, alguma raça, humana ou não, conseguirá transcender o Universo? 21/02/2016
Não. Não há como. O Universo é o conjunto de tudo o que existe, existiu e existirá. Nada lhe é transcendente, nunca foi e nunca será. Por isso não é possível que tenha havido um Deus criador do Universo. Se houve um criador é porque o Universo foi criado. Se foi criado é porque não existia. Se não existia não existia nada, pois tudo está no Universo. Então não existia Deus. Então Deus não poderia ter criado o Universo. Por outro lado, se havia Deus, havia algo. E se havia algo, havia Universo, constituído apenas de Deus. Então Deus não poderia ter criado o Universo, pois era parte dele mesmo. O máximo que Deus poderia ter feito é transformado o Universo de um conjunto de um só elemento, isto é, Deus, em um conjunto de vários elementos, que é tudo o que existe, além de Deus. E se Deus sempre existiu, então o Universo também. Mas Deus não é transcendente ao Universo. É parte dele. Isso é o que consideram os hinduístas, para o qual o Universo é uma emanação de Brahmam. Isso se chama panenteísmo. É a única alternativa plausível para o ateísmo. Nele Deus não é transcendente, é imanente. Mas o ateísmo é muito mais razoável.
Pode haver tempo sem espaço ou vice-versa ? 21/02/2016
Espaço sem tempo pode haver, pois se o conteúdo do Universo não sofrer modificação nenhuma (nem expansão), o estado do Universo estacionará e provocará a cessação do transcurso do tempo. Todavia não é possível haver tempo sem espaço, pois o tempo advém das alterações do estado do Universo e esse estado tem que ser o estado de algo e se houver algo, necessariamente surgirá um espaço para que esse algo ocupe, pois o espaço é gerado por seu conteúdo.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Quando algo cai dentro do buraco negro, a massa do buraco negro aumenta na mesma proporção? 20/02/2016
Sim. A massa do que ele absorve é adicionada a sua massa.
Na sua concepção, o que havia antes do big bang? 19/02/2016
Havia um campo indiferenciado que, para mim, surgiu imediatamente antes do Big Bang, que foi a súbita expansão do espaço que continha esse conteúdo. Antes que esse conteúdo surgisse, não havia nada. Nem espaço vazio sem conteúdo. O surgimento desse conteúdo, cujo espaço continente passou a expandir, dando azo ao surgimento do tempo, se deu sem nenhum motivo, nenhuma razão, nenhuma projeto, nenhuma causa, nenhum propósito e nada de que pudesse ser proveniente. Isso não contraria nenhuma lei da natureza existente, pois essas leis se aplicam ao que existe e como nada existia, nem leis havia. O surgimento do Universo foi, pois, um evento único e inteiramente fortuito, completamente desprovido de necessidade. Poderia não ter havido e se continuaria a não se ter nada: nem conteúdo, nem espaço (nem vazio) e nem tempo. A propósito, atualmente, esse conteúdo consiste de matéria, radiação e campo. Mas ao surgir era só campo.
A densidade de energia diminui com o tempo? E isso significa aumento na entropia do universo? 19/02/2016
Sim. Tanto uma quanto a outra.
De qual teoria você é adepto sobre o universo? Supercordas? Multiverso? Alguma outra? 19/02/2016
Considero que a Teoria do Big Bang, dentro da Relatividade Geral, é a que, por enquanto, melhor se adequa às observações disponíveis. Tanto as propostas de teorias de multiversos quanto de supercordas não possuem embasamento observacional que as confirme. Do mesmo modo que a do "laço gravitacional" ou a do "Universo rebotante".
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