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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Mas professor, eu entendo isso como uma total falta de controle sob suas decisões, uma vez que a inconsciência sempre antecede a consciência. Não sabemos a decisão que virá para nossa consciência e não podemos alterá-la nem depois que temos conhecimento dela. Onde isso não é determinismo? 16/02/2016

O fato de se estar raciocinando inconscientemente não significa que não se está fazendo reflexões, ponderações, julgamentos. Isso tudo o cérebro faz para apresentar a decisão que tomou. Que é a decisão "pessoal", mesmo que não seja tomada conscientemente. É preciso entender que "você" é a sua mente e não a sua consciência. O que a sue mente resolve, inconscientemente, é "você" que está resolvendo. Não há determinismo nenhum nisso. O pensamento inconsciente é totalmente livre. Você pode alterar suas decisões antes de chegar ao final numa interação entre seu inconsciente e seu consciente, até que tome a decisão final, que vem do inconsciente e é comunicada à consciência.

Então qual a relevância de reflexão e ponderamentos conscientes e deliberados para a tomada de uma decisão? E se é assim, os animais deveriam ser submetidos a leis de comportamento moral também? 16/02/2016

A reflexão acontece inconscientemente e os padrões éticos também estão armazenados inconscientemente. Quando se toma uma decisão anti-ética, quando o inconsciente a leva ao conhecimento da consciência, também leva o conhecimento de que ela seja anti-ética. Quanto aos animais, os que possuem estrutura neurológica mais complexa, como chimpanzés, gorilas, bonobos e golfinhos, possuem comportamento moral também. Não só eles, mas vários outros sabem quando fazem algo certo ou algo errado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Olá professor, eu gostaria de saber a sua opinião sobre ser obrigado a votar e ser alistar. O que acha sobre? Deveria ser obrigatório? E outra pergunta completamente diferente. Se a essência de entender algo é o cérebro, como realmente entender a própia essência do tal? 11/02/2016

Não concordo com essas obrigações. Voto e serviço militar têm que ser facultativos. O cérebro não é a essência de entender algo. O cérebro é o órgão do corpo que processa o entendimento. A essência do entendimento são as características que o fazem ser o que é, isto é, um entendimento, quais sejam, saber do que se trata, com todas as suas inclusões e limitações, saber porque é como é, saber como é, saber como se relaciona com o resto do mundo, saber o que acarreta, saber como se controla e outras informações. Com isso se entendo o que algo seja. O próprio cérebro é um objeto perfeitamente possível de ser examinado pelo cérebro, tanto da própria pessoa quanto de outras, para extrair essas informações e obter a sua essência. O que é preciso é fazer um cotejo cuidoso do que cada um apreende do exame que faz de sua própria mente com os exames neurológicos do funcionamento cerebral. É assim que a neurociência vai desvendando o funcionamento do cérebro e sua correlação com a mente. Mas isso ainda não é um trabalho concluído.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Professor, em seu blog você disse que seu filho possui memória eidética. Esse talento é genético? Você também tem? 11/10/2015

Eu não sei se a memória do meu filho era propriamente "fotográfica", ou "cinematográfica". O que ele se lembrava não era das imagens estáticas, mas das cenas das aulas. Do professor dando a aula. Também tenho esse tipo de memória, mas ela só funciona para os assuntos em que eu esteja com um vívido interesse. Nesses casos eu me ligo no que estou assistindo e nem percebo a existência do resto do mundo. Se tocar o telefone ou se falarem comigo, eu não escuto. Fico vidrado no que estou assistindo. Isso vale, também, para programas de televisão, quando meu interesse é muito grande. Então eu me lembro de tudo como se estivesse assistindo de novo, ao vivo. Mas eu tenho péssima memória para nomes de pessoas e para coisas práticas da vida que eu tenha que fazer, por exemplo. Isso é porque, de fato, eu não tenho nem um pouco os pés no chão e vivo "no mundo da lua".

quinta-feira, 2 de junho de 2016

uma pessoa neurologicamente normal pode aprender qualquer coisa? mesmo sem Estímulo? 08/10/2015

Não. A capacidade de aprendizagem não requer apenas a normalidade neurológica, mas também alguma aptidão inata (que até pode ser desenvolvida relativamente por treinamento) concernente ao assunto a ser aprendido. Todavia pode prescindir de estímulos exteriores e se basear apenas na força de vontade interior, uma vez preenchidas as condições de aptidão que citei. Certamente que os estímulos exteriores facilitam muito a manutenção da disposição para o esforço e o sacrifício intensos e prolongados que o aprendizado de algo, em geral, requer.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Professor, você acha que sua mente é mais complexa, diferente, "superior", completa, algo do gênero, por ser aberto e ter facilidade de compreender o mundo à sua volta, entender a mente das pessoas? E ter acesso(mental) à dúvidas que as outras pessoas não tem?

A complexidade das mentes depende da complexidade dos cérebros. E esta se molda por dois fatores: a herança genética e a presença de estímulos na tenra infância, que impede a destruição de um número muito grande de sinapses existentes no bebê. Toda pessoa que seja mais inteligente, o é não porque tenha mais neurônios, mas porque eles possuem mais ligações sinápticas entre si. Ou seja, mais dendritos, já que o número de axônios é o mesmo que o de neurônios. Dendritos são formados na gestação e na tenra infância. Depois começam a ser destruídos por desuso. Mas podem ser formados de novo na juventude e na idade adulta. Para evitar sua destruição e promover sua formação, é preciso que sejam fornecidos ao cérebro muitos desafios. Isso é que os pais têm que fazer com as crianças, antes de dois anos de idade, principalmente, mas ao longo da vida toda. Tive a sorte de ter nascido com uma boa genética mental e ter sido criado por pais que sempre me estimularam muito intelectualmente, já que eram intelectuais. Além do mais, eles me deram uma formação libertária e uma mente muito aberta, muita tolerância e nenhum preconceito contra nada. Isso foi uma grande sorte mesmo. Meus pais foram os meus ídolos e modelos de pessoas, não só por seus ideais e suas competências mas, principalmente, por seu caráter e sua grande virtude, que eu poderia chamar, até, de santidade, apesar de que eles não tinham uma religiosidade muito patente. Essa é a bagagem que me permite compreender o mundo um pouco melhor, nos aspectos que me são interessantes, se bem que há vários pelos quais eu não tenho interesse, como o financeiro, por exemplo. Depois, ao longo de minha vida escolar, fui municiado por leituras complementares e explicações detalhadas que meus pais me proviam ao estudar comigo e que eu provi a meus filhos ao estudar com eles. Porque eles (como eu) não se focavam no que iria cair na prova mas no entendimento e na compreensão dos conteúdos em si mesmos, bem como em suas aplicações no mundo e na vida. "NON SCHOLAE SED VITAE DISCIMUS".

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ernesto, com relação ao não aborrecimento, chateamento, estresse isso não poderia ser evitado com o controle das emoções? 01/10/2015

Sim, mas a técnica para fazer isso para quem não tem, já naturalmente, esse controle, é que eu não sei qual seja. Do mesmo modo que a técnica para se ter força de vontade quando não se tem. Essa é uma área de psicologia terapêutica que eu não tenho conhecimento. Gosto muito de estudar psicologia mas na área de aprendizagem cognitiva ou, mesmo, procedural, todavia não a parte ligada às emoções. Até que tenho curiosidade sobre isso, mas ainda não me debrucei sobre o assunto.

O instinto existe? 01/10/2015

Claro que existe. Menos desenvolvido nos seres humanos do que nos outros animais, mas também presente. Tratam-se de ações comandadas pelo cérebro por meio de circuitos neuronais já estruturados e nascença para agirem de certa forma, sem necessidade de aprendizado. Há muito disso em várias atividades, como respirar, fazer circular o sangue, mamar no peito e várias outras que os bebês apresentam. Mesmo adultos possuem comportamentos instintivos, como o nojo, o medo, o susto e outros.

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