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sexta-feira, 3 de maio de 2019
Ernesto não seria uma contradição um ser cético ser ateu? Não deveria ele ser um agnóstico por conta do seu ceticismo?
Não. Ceticismo é incompatível com agnosticismo. Agnosticismo é a concepção de que seja impossível saber a verdade a respeito de algo. Gnosticismo é a concepção de que isso seja possível e que se tenha essa verdade. Ceticismo é a concepção de que se possa saber a verdade, mas que não se possa ter certeza de que se a possua. Ignosticismo é a concepção de que, não se sabendo o que seja algo, como deus, não se pode afirmar nada a respeito. Exceto quanto ao ignosticismo, são concepções que podem existir a respeito de qualquer concepção quanto a existência ou não de divindades. Um ateu pode ser gnóstico, agnóstico ou cético. Do mesmo modo que um teísta, um deísta, um panteísta, um panenteísta, um pandeísta, um panendeísta, um henoteísta, um monoteísta ou um politeísta. Em meu entendimento a concepção correta a respeito do assunto é o ateísmo cético, isto é, a concepção de que deuses não existam mas que não se pode ter certeza disso. Tal concepção é perfeitamente coerente. Não há contradição alguma entre ateísmo e ceticismo, como há entre agnosticismo e ceticismo. Note que gnosticismo, agnosticismo, ceticismo e ignosticismo são concepções epistemológicas e não teológicas.
sábado, 27 de janeiro de 2018
Ernesto, qual a importância do ceticismo na sociedade pós-moderna?
O ceticismo mantém a sua importância não importa quais sejam outras considerações culturais envolvidas. Ou seja, ele é importante quer na sociedade pós-moderna, quer na moderna, quer na tradicional ou em qualquer outra. Porque o ceticismo é a ferramenta de aferição da verdade a respeito do que quer que seja. Para se conferir se alguma afirmação seja ou não verdadeira a respeito de algo, antes de tudo, é preciso se colocar essa suposição em suspenso, ou seja, duvidar da afirmação em questão. Então, para sanar a dúvida, se envidam esforços de verificação da veracidade ou não do que está se dizendo. Quanto não se duvida e se aceita uma afirmação como verdade sem questionamento, não se tem garantia nenhuma de que isso esteja correto. A dúvida é essencial para o progresso do conhecimento. Acreditar sem duvidar é uma temeridade imensa. Algo que não se pode admitir de forma nenhuma. Daí o grande perigo representado pelas religiões para a construção do conhecimento sobre o mundo. Elas colocam suas assertivas como indubitavelmente verdadeiras. Ora, como existem diversas religiões, há afirmações completamente díspares tomadas como verdades por seguidores de diferentes religiões. Isso é um absurdo. Não é possível que tal situação possa ser sustentada, uma vez que a verdade tem que ser única, a respeito de cada assunto. Então não é possível que todas as religiões sejam verdadeiras. Mas, em todas elas, há pessoas que têm a fé sincera e inabalável de que a sua seja verdadeira. Como conciliar isso? Só duvidando de todas e procedendo a investigações criteriosas da veracidade do que cada uma diz e ir descartando aquelas que não passem pelo crivo da verificação. O que se atinge por esse procedimento é a conclusão de que nenhuma seja verdadeira. Ou seja: todas as religiões são falsas. Nenhuma merece credibilidade. A fé, como aceitação de afirmações por verdades sem questionamento é um total despropósito. Ter fé não é virtude nenhuma, pelo contrário, é uma atitude totalmente errada.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Me ajuda! Meu ceticismo é tão grande que tenho medo de não conseguir evoluir minhas ideias em assuntos importantes, pois tenho medo de estar refletindo e estar indo numa conclusão totalmente oposta da verdade. Ou seja, melhor duvidar de tudo do que tentar entender a fundo os assuntos pertinentes.
Isso é bom. Sou assim também. Duvido de quase tudo. Mas uso a dúvida para buscar a verdade. Só que nunca estou certo de a ter encontrado. Todavia aceito o que me parece o mais provavelmente verdadeiro, sempre provisoriamente. Não faço questão de ter certezas. Sei que, em geral, são impossíveis. Mas ajo sem ter certeza, com base em minhas convicções do que seja certo, mesmo considerando que possa estar enganado. Sempre acho que estou certo porque, quando vir que não, por minha conta ou porque alguém me mostre, mudo e passo a considerar o que fiquei convencido. Não tenho a menor dificuldade em "dar o braço a torcer". Todavia, minhas convicções advém de reflexões e críticas com base em bastante estudo e reflexão. Portanto não é fácil me convencer de estar errado. Mas não impossível, desde que sejam me apresentados argumentos fortes. Mas não argumentos do tipo "você tem que mudar senão vai ser prejudicado". Se o que vejo que é verdade me prejudica, eu considero que mereço ser prejudicado mesmo. Mesmo que seja ir para a cadeia.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
What is your response to universal skepticism?
O ceticismo tem que ser usado como um método de abordagem da explicação da realidade e não como uma postura filosófica de não se poder ter conhecimento nenhum. Justamente, com o uso do ceticismo, se busca uma aproximação cada vez maior da descrição e do modelamento da realidade com ela mesma.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Eu acho que ceticismo é uma doença. Prazer em destruir o que as outras pessoas gostam de acreditar… sendo falso ou não. 15/03/2016
Nada disso. Ceticismo é a única forma legítima de encarar as descrições da realidade. O ceticismo não se compraz em destruir as crenças por destruir e sim em estabelecer a verdade. Para isso é que duvida. A verdade é um valor superior a qualquer fé. Fé é um total despropósito. Não se pode acreditar em nada de que não se tenha provas nem evidências se não houver fortes indícios favoráveis. Não ter essa postura é que é uma atitude altamente temerária.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Professor, acreditar na evolução e em artigos/livros e documentos históricos e científicos também é uma maneira de "crer", não acha? Debati com um religioso isso, e o mesmo disse que tanto eu quanto ele acreditamos em algo. 21/01/2016
Não. De modo nenhum. É completamente diferente. As proposições religiosas que são colocadas para que os fiéis creiam, não possuem nenhuma justificativa fática e nem lógica. São ditas que sejam verdades porque estão escritas em algum livro considerado sagrado ou porque são tradições imemoriais muito antigas dos povos. Por outro lado, as proposições que são colocadas nos livros históricos e científicos são apresentadas com comprovações fáticas ou lógicas e, inclusive, colocadas para que todos as confiram e testem sua validade, para que as aceitem, não por crença, mas por convencimento face a argumentos e provas. A diferença é imensa. Além do mais, todas elas são abertas a revisões, o que não acontece com as "verdades" religiosas.
Ernesto, é possível você ser algo (por exemplo comunista) e ao mesmo tempo acreditar que nunca vai acontecer? 21/01/2016
Sim, perfeitamente. Você pode estar convicto de que algo seja o melhor possível para o mundo e, ao mesmo tempo, convencido de que o mundo jamais será assim. Por exemplo, eu estou plenamente convencido de que a total ausência de crimes seria uma beleza para o mundo e gostaria mesmo que ninguém, jamais, fosse capaz de fazer nenhuma maldade, nenhuma desonestidade. Todavia considero que isso não vai acontecer nunca. Mesmo assim, envido todos os meus esforços no sentido de que as pessoas possam, pela educação, se tornarem inteiramente justas, honestas e bondosas. Porque mesmo que nem todos assim o sejam, quantos mais o forem, melhor para o mundo.
Qual argumento lógico usar em um debate quando um religioso diz que os céticos/ateus também têm uma crença/fé, em livros, artigos, documentos e legados deixados por cientistas que contradizem o que está na bíblia? Querendo ou não os não religiosos acreditam em algo. 21/01/2016
Crenças todas as pessoas têm em muitas coisas que não são passíveis de confirmação racional, mas que são aceitas sem prova pelo fato de apresentarem fortes indícios de validade. Como a crença na realidade objetiva do mundo exterior às mentes. Já a fé é um conceito totalmente despropositado, pois se trata de uma crença em algo que não possua indícios de veritabilidade. Como é o caso da fé religiosa na existência de deuses e de espíritos, como a alma imortal. Ateus não têm fé nenhuma nesse sentido. Eles não "creem" na inexistência de deuses. Eles "não creem" na existência de deuses, o que é inteiramente diferente. Os ateus não têm fé nos livros ateístas, como os religiosos têm fé nos Vedas, no Corão, na Torá ou na Bíblia. Os livros ateístas não são colocados para que se acredite neles. Eles expõem os argumentos para que as pessoas reflitam e testem sua validade e os aceitem se, racionalmente, concordarem com eles. Por isso eles dão as referências todas a respeito do que afirmam. Os fatos científicos que contradizem as escrituras sagradas das religiões, como por exemplo, os livros do Allan Kardec, são apresentados em trabalhos de pesquisa que podem ser reproduzidos em qualquer lugar e em qualquer momento e serem confirmados. O que não acontece com as afirmações das ditas "escrituras sagradas", como o Corão e a Bíblia.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Professor, você acha que na aula de filosofia ou sociologia ou até as duas, deveria ensinar ceticismo? 08/12/2015
O ceticismo metodológico, além do filosófico, deve ser abordado em aulas de Filosofia sim, pois faz parte da epistemologia, enquanto o filosófico é metafísico. Um dos aspectos importantes em um Curso de Filosofia, além do conhecimento dos conteúdos filosóficos e da História da Filosofia é o treinamento em filosofar, isto é, a aquisição de habilidades filosóficas que compõem o "metier" de um filósofo. Pois o objetivo principal não é fazer "entendidos em Filosofia", mas "filósofos". Nesse sentido o ceticismo metodológico entra com força total, pois não é possível se filosofar sem ser cético. Aliás, na disciplina Filosofia, também se precisa abordar a Metodologia da Ciência, a ser aplicada no estudo de todas as ciências. E nela, também, está presente o ceticismo.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
"A existência de Deus, embora não seja tecnicamente descartável, é muito, mas muito improvável mesmo..." Richard Dawkins O que acha? Será que Richard Dawkins é um ateu agnóstico ou um ateu cético? 22/11/2015
Um ateu cético. Pessoas bem instruídas sabem que não há como comprovar a inexistência de Deus. Do mesmo modo que não há como provar sua existência. Todavia os maiores indícios são no sentido da inexistência. Então consideram que não exista. Mas mesmo estando convencidos disso, não há como possuírem certeza. Daí serem céticos em relação a tal fato.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Você acredita na ''lei da atração''? E quanto a nós termos não só um corpo físico como também um astral, elétrico. E, por exemplo, a teoria de que quando dormimos o astral sai do físico e assim vivencia experiencias. É possível usar a força da mente pra movimentar objetos? 15/11/2015
Não. Não acredito em nada disso. Aliás, não é para acreditar e sim verificar se é fato. E, pelo que sei, não é.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
JJ tem razão. Apenas na concepção de cosmos aristotélica e medieval os valores morais são objetivos e universais. Ceticismo, niilismo e ateísmo lançam a esfera moral ao plano da subjetividade.O filósofo ateu Thomas Nagel defende que existem valores morais objetivos, contudo "particulares". Enfim... 12/11/2015
Discordo. Ceticismo é uma postura epistemológica e não ética. Ateísmo é um caso especial de ceticismo. Niilismo é uma postura ética e estética. O niilismo, de fato, não confere valor objetivo à ética. E eu não aceito o niilismo. Mas o ceticismo não subjetiva a ética. Note que estou falando de ética e não de moral. A moral, apesar de não ser subjetiva, é relativa ao contexto social local e temporal. A ética é objetiva e não tem nada de particular. Discordo totalmente do Nagel. O fato de não se crer em deuses não tem nada a ver com o fato de não se aceitar a existência de princípios éticos objetivos.
terça-feira, 28 de junho de 2016
http://wolfedler.blogspot.com.br/2014/01/o-ateismo-pressupoe-inexistencia-de.html Apelo à ignorância(appel to Ignorance) : a ausência de evidências não é suficiente para evidência de ausência. Ou ainda: Argumentum ad Ignorantiam : se você não pode provar que é verdadeiro, logo é falso e vice-versa. 30/10/2015
Se não há evidência ou prova da existência de algo, supor que não exista é a conclusão correta. Note que isso não significa garantir que não exista. Todavia, não havendo evidência e nem prova de que não exista, isso não leva a supor que exista, muito menos garantir que exista. No caso de Deus, além de não haver evidência e nem prova de que exista (bem como de que não exista), há fortes indícios de que não exista. Logo a suposição da não existência é reforçada além da implicação lógica. Os maiores indícios são a existência do mal, o não atendimento das preces, a não necessidade de considerar essa existência para nenhuma explicação, a multiplicidade de religiões e outros. Veja, também, estes artigos:
O que é duvidar da realidade? Cite exemplos. 29/10/2015
Acontece que o que temos acesso não é à realidade em si, mas a sua percepção por nossa mente através de nossos sentidos, mesmo que auxiliados por instrumentos. Desse modo, o que percebemos pode não ser o que, de fato, a coisa em si seja. Então é preciso, sempre, duvidar do que se considera que seja a realidade e envidar esforços no sentido de se captar essa realidade por meio de variadas formas de percepção, diretas e indiretas, a fim de se obter a melhor informação a respeito. Ilusões de percepção são inúmeras, especialmente óticas, mas também dos demais sentidos. Mas os enganos sobre a realidade se manifestam, principalmente, quando as informações são obtidas de segunda, terceira, quarta ou mais elevada mão. Um fato muito comum é se tirar conclusões com base em concepções assumidas sem conferir se tais conclusões são verdadeiras e considerar que elas retratam a realidade. Por isso é importante se manter um espírito científico de ceticismo em relação a tudo. Mesmo quanto aos fatos da vida cotidiana. É muito salutar não se acreditar, de primeira, em tudo o que se diz. Não que se considere que a pessoa esteja mentindo, mas que possa estar equivocada em sua percepção.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Muitas pessoas acham que eu sou chato por ser cético e realista demais e acham que eu não devo criticar a religião de ninguém...Só que eu acho que se for nesse sentido, continuarei a ser '' chato ''. O que você acha? 28/10/2015
Você pode ser crítico sem ser chato. É uma questão de modo de dizer. Qualquer crítica pode ser feita de maneira cortês e elegante, ou seja, não pessoal e não ofensiva. Não argua contra a pessoa, mas contra o que você acha que ela não deva ser ou fazer. Sempre, é claro, apresentando argumentos bem convincentes. Exceto se a pessoa for extremamente arrogante e prepotente. Então ela merece um reparo direto à sua própria pessoa.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Professor, mas o ônus da prova não cabe aos teístas? Até não provarem a existência, a maior prova da inexistência seria a própria falta de evidências. Não? 14/10/2015
Uma vez que não há evidência sensorial direta da existência de deuses, ela só pode ser considerada por meio de comprovações indiretas, que não foram, ainda, apresentadas. Logo, a hipótese nula é a de que não existam deuses, até prova em contrário. Mas também não há comprovações de que deuses não existam. Portanto a consideração de sua inexistência é um ateísmo cético e não dogmático.
Por que você não é agnóstico? 14/10/2015
Porque eu não considero que a existência ou não de deuses seja algo impossível de se saber. Acho que é possível, só que não há, por enquanto, prova cabal de que existam ou não existam. Então eu opto pelos maiores indícios, que são no sentido da inexistência deles. Assim sou um ateu cético. Nem gnóstico, nem agnóstico.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Professor, podes me explicar como o ceticismo e construção do saber científico se adequa à teoria marxista da funcionamento da historia? 06/10/2015
Não concordo com a teoria marxista da História. Não vejo que seja a Economia o único motor da História. Claro que também é, e é importante. Mas não só. Há outros de grande força também. Como as crenças religiosas, o sexo, a vaidade, o poder pelo poder (e não pela riqueza). Guerras e conquistas foram feitas em nome dessas razões todas. Muitas usavam essas razões como pretexto para um fundo econômico. Mas nem todas. Havia, também, as disputas de origem exclusivamente religiosa, por ciúme, por empáfia, por vingança e outros motivos. Nem concordo com a concepção puramente dialética da evolução social. Acontece que a maior parte de tudo não é dialeticamente dicotômica. Ou seja, não é constituída de tese e antítese. Não só ha gradações entre esses extremos (lógica difusa), como há distribuição ao longo de mais de uma dimensão, formando espaços contínuos polidimensionais de possibilidades. A concepção de Marx é muito simplista. Veja-se o caso de comunismo, socialismo, capitalismo, liberalismo, libertarismo, conservadorismo, progressismo, igualitarismo, desigualitarismo, totalitarismo, democracismo, acracismo e todas essas possibilidades que formam um espaço multidimensional de possibilidades que possuem gradações contínuas e das quais não há como se tirar uma única síntese. Para mim, a construção do saber científico paira por cima de todas essas possibilidades sócio-político-econômicas. A mesma ciência é construída em qualquer dessas circunstâncias. O que pode acontecer é que alguma realidade político-social oponha empecilhos ao desenvolvimento científico, como se deu na cristandade medieval. Mas, então, o que acontece é que não acontece nada, cientificamente falando. Quanto ao ceticismo, é uma concepção metodológica de construção do saber que, para mim, funciona, também, em qualquer cenário político-econômico-social, pois é, mais, uma característica individualista. Na União Soviética houve situações ridículas de cientistas serem impedidos de fazerem pesquisas cujas conclusões se afastavam da doutrina marxista, interpretada por Lênin e Stálin. O mesmo tendo acontecido nas artes. O que isso significou foi que, simplesmente, a ciência e a arte estacaram naquele ponto e nada se fez. O capitalismo também opõe obstáculos à arte e à ciência quando elas contrariam suas concepções, o que as estagna. Mas a ciência e a arte não se adequam a diretrizes exteriores a seu próprio mote. O que é produzido quando se é obrigado a seguir algo do tipo é uma caricatura de arte e de ciência.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Ernesto, o ceticismo é uma parte da Filosofia ou é a sua negação?
Nem uma coisa nem a outra. O ceticismo é um método e não uma concepção, em termos de conteúdo. Ele não acaba com a Filosofia. Ele apenas considera que o conhecimento não é garantido e que sempre se precisa duvidar para envidar o máximo de esforço no sentido de comprovar o que se está dizendo. Ele repudia qualquer argumento de veritação de assertivas com base na autoridade de quem o profira, não interessa o quanto essa pessoa já tenha apresentado argumentos verificados como perfeitamente válidos. Ou seja, não é porque Einstein, Buda, Kant ou Jesus tenha dito algo que aquilo seja correto, mesmo que tenha mais probabilidade de ser, em função do peso do nome de quem o diga. E nem admite que existam "Livros Sagrados", detentores de verdades incontestes. Tudo é passível de críica, de exame, de refutação, de contestação. Em verdade, essa é a única genuína forma de conduzir a filosofia e a ciência. Não garantir coisa alguma. Mas aceitar a validade, sempre provisória, das assertivas bem alicerçadas, enquanto não derrubadas. Senão fica tudo estagnado. Além do mais, o ceticismo tem que ser cético, inclusive em relação a si mesmo. Por exemplo, não se pode dizer palavras como "tudo", "nada", "sempre", "nunca", sem colocar "quase" ao lado.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Curso de ciências sociais crescendo = País retrocedendo no conhecimento da realidade. Certo?
Não. De onde você tirou essa ideia? As ciências sociais são importantes, justamente, para a maior compreensão da realidade humana, já que somos uma espécie social. O que não se pode é se concentrar apenas em ciências sociais, desprezando as naturais. Mas também não se pode dedicar todo o esforço humano ao estudo da natureza, deixando de lado a sociedade, não só quanto a estudos científicos mas, também, quando a atividades artísticas e humanistas.
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