Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Utopia anarquista
Sim, o dinheiro é um veículo de troca, e nada mais. Não tem valor em si mesmo. Mas é inteiramente dispensável se pensarmos na Economia como os processos de produção e distribuição dos bens em si mesmos. Mas não em troca. Nem se trata de escambo. Cada um produz tudo o que for capaz e cada um consome o que necessitar. Mas de modo espontâneo e não controlado pelo governo como ocorreu com os países ditos comunistas, que simplesmente trocaram a tirania da aristocracia pela tirania da burocracia partidária. Mas o povo continuou sem liberdade. Os regimes comunistas caíram porque exatamente não eram comunistas coisa nenhuma. Eram ditaduras e nem do proletariado. O capitalismo é um sistema econômico natural. Se deixarmos todos por sua conta, sem imposições, surgirá o capitalismo. Só que pode haver exploração dos mais fracos (em qualquer sentido) pelos mais fortes. Mas se um grupo atuante puder convencer, pela educação e pelo exemplo, de que a felicidade será maximizada quando todos participarem das riquezas (em termos de bens e não de dinheiro), então será possível pulverizar o capitalismo de tal forma (transformando todos em patrões) que, a certo momento, o dinheiro perderá a razão de existir, como ocorreu com a URV no plano real. Como não tem sentido haver um partido anarquista, pessoas anarquistas se candidatariam a cargos legislativos por qualquer partido e proporiam leis que, ao longo do tempo, promoveriam a participação dos empregados no capital das empresas, até que tal coisa ocorresse. Levariam poucos séculos.
Certamente que é preciso haver coordenações de esforços e coibições de preguiçosos e aproveitadores. Anarquismo não significa desordem, em absoluto. Pelo contrário. Significa, inclusive, um sistema altamente organizado, porque orgânico, isto é, a ordem ocorre de dentro para fora, por uma constatação de sua necessidade, sem imposição. Outra característica do anarquismo que pode começar a ser implantada desde jé é o comunitarismo. Isto é: não haver residências particulares, mas sim, hospedarias coletivas, lavanderias coletivas, refeitórios coletivos, vestuários coletivos, locais de lazer coletivos, agrupados por regiões a cada mil pessoas, por exemplo. Com postos de saúde e tudo que for preciso. Assim ninguém precisa possuir nada de seu, nem roupas, nem carros, nem motos, nem televisores, nem geladeiras, nem louça, nem talheres, nada mesmo. Tudo é de todo mundo e nada é de ninguém. Nem as mulheres, nem os maridos. Todo homem o é de toda mulher e toda mulher o é de todo homem. E toda criança é filha de todo adulto e todo adulto é pai e mãe de toda criança. Não havendo propriedade (nem do cônjuge) não há quase motivo nenhum para qualquer crime. Para que roubar aquilo que já se tem? Estas iniciativas já podem começar a serem implementadas em bairros, com creches, hortas, quadras de esportes etc. Mas nada feito pelo governo e sim pelas próprias pessoas, que cedem seu tempo para trabalhar de graça na construção e na manutenção, que doam os materiais. Tudo sem contabilidade, sem registro, sem formalidades legais. Espontâneo. Assim, daí a um certo tempo, o governo se tornará dispensável.
Uma das perversidades da existência do dinheiro é a criação de desigualdades artificiais pelo escalonamento do grau de riqueza material, expressa pelo quanto de dinheiro se possui. Desigualdades naturais as há, quanto à inteligência, beleza, saúde, temperamento, estatura, peso, etnia etc. Outras são socialmente impostas e precisam ser abolidas. Religião, por exemplo. Ninguém nasce tendo nenhuma religião mas a sociedade (a própria família) impinge uma à criança, o que lhe estigmatiza perante outras. A etnia, por exemplo, mesmo sendo uma desigualdade natural, só passa a ser motivo de preconceito quando a sociedade lhe confere esse tipo de valor. Uma sociedade anarquista é completamente igualitária, principalmente quanto à riqueza. Todos são igualmente ricos, pois todos possuem tudo. E todos são igualmente pobres, pois ninguém possui nada. Esta é a beleza maior do anarquismo: a liberdade, a igualdade e a fraternidade totais e globais. Mas não se tem a liberdade de ser intolerante ou tolher a liberdade alheia. A sociedade desenvolverá mecanismos de coibir a intolerância, a preguiça, a malandragem, a esperteza desleal e qualquer vício, sem que seja preciso haver polícia nem prisões. Assim muitas profissões se tornarão inúteis, como bancários, advogados, juízes, contadores e muitas outras. Com a coletivização de tudo, o tempo de lazer aumentará tremendamente, bem como a economia de recursos de toda ordem para se fazer qualquer coisa. É o verdadeiro paraíso na Terra. Mas só pode existir se for em nível de abrangência mundial. Não é possível haver um estado anarquista e só se podem abolir os estados se não houver nenhum. Países sim, com sua diversidade cultural e linguística. Mas não governos, nem estados, nem fronteiras. Religiões até pode haver, desde que todas tolerem umas às outras e não restrinjam liberdade alguma das pessoas, exceto a de coibir a liberdade alheia ou ações malévolas. A ética prevalece, entendendo por ética uma conduta maximizante da felicidade.
Uma das atitudes anárquicas mais louváveis que já temos é a da formulação dos softwares livres, distribuídos gratuitamente, como l Linux. Eles não possuem autor. São construções coletivas. Outra é a Wikipedia. Ou os livros disponibilizados gratuitamente como e-books. E músicas também. A internet é uma grande rede anárquica e é fabulosa. É preciso que comecemos a tomar iniciativas desse tipo em nossa comunidade. Isto é, que dispendamos parte do nosso tempo trabalhando de graça para benefício coletivo. Dando aulas de graça. Compartilhando nossa casa, nossos livros e outras coisas com os outros. E convencendo a todos a agir assim. Consertando os buracos da rua por nossa conta. Deixar o governo de lado cada vez mais e fazer tudo o que for possível por iniciativa própria coletiva e sem ônus para ninguém. Procurar aumentar a economia informal o máximo possível. Quanto mais isto for disseminado mais vai sendo desnecessário a existência de governo, até que ele caia de maduro, por não arrecadar mais imposto algum e não ter nada mais que fazer.
Eternidade e Infinitude do Universo
Se o Universo teve um início, então, nesse momento, começou a existir tudo o que há: o espaço, o tempo, o conteúdo que o preenche, a estrutura espacial desse conteúdo, sua dinâmica temporal e as leis que descrevem como isso ocorre. O conteúdo, que é o mesmo até hoje, apenas com alterações em sua forma de apresentação, é, simplesmente, algo que se denomina “campo”. Nos primeiros instantes ele era indiferenciado, mas com a expansão e o resfriamento resultante, começou a manifestar-se em suas diferentes formas: campo da matéria bariônica e leptônica e das interações forte, fraca e eletromagnética. Logo então passou a exibir quantizações, isto é, concentrações, que são as partículas constituintes da matéria (quarks e léptons) e as mediadoras das interações (fótons, glúons, W e Z) e suas respectivas antipartículas, a princípio em número igual. O campo em si mesmo é, pois, um “mar” de potenciais partículas e antipartículas. Mal se formam, elas se aniquilam com sua antipartícula, liberando fótons, que não o fazem por serem sua própria antipartícula. Mas, com o aumento do caminho médio livre, tornou-se possível haver decaimento radioativo beta antes do aniquilamento e, como a meia-vida da matéria é diferente da antimatéria, partículas não mais encontravam suas antipartículas para se aniquilar, resultando numa sobra de partículas, o resto ficando como a radiação de fundo (fótons). Quanto à gravitação, possivelmente ela não é uma interação, mas uma manifestação da inércia num espaço-tempo encurvado.
Mas, e essa concentração primordial de campo que iniciou a expansão, como surgiu?
Duas hipóteses: não surgiu, isto é, existia previamente ou surgiu “do nada”. As duas são plausíveis e, em ambas, antes que a expansão começasse, como o estado do Universo era inexistente ou imutável, não decorria tempo, e, logo, não existe “antes” do início do Universo, caso ele tenha iniciado.
Se o Universo vier a se acabar, várias possibilidades se apresentam. A primeira é a morte térmica, em que, com a expansão, todos seus subsistemas estarão no nível mínimo de energia e a entropia total terá atingido seu máximo valor, não sendo mais possível nenhuma mudança de estado, ficando tudo no zero absoluto. Então, a inexistência de qualquer alteração implicará na cessação da passagem do tempo, que será atingida de uma forma assintótica.
Outra possibilidade é a do término da expansão e a passagem para uma contração, que se daria até que tudo voltasse ao estado primordial de densidade elevadíssima. Daí é possível que volte a haver expansão ou não, permanecendo tal como ficou, sem alteração. A ausência de alterações também significa o fim da passagem do tempo. Mas, se o Universo voltar a expandir, então é possível que a presente expansão também seja o seguimento de uma contração anterior, e isto seja uma série de ciclos infindável, tanto para o passado quanto para o futuro. Neste caso, o Universo seria eterno nos dois sentidos.
Se a expansão se acelerar, é possível que sua rapidez passe a rasgar a própria estrutura do espaço, destruindo-o e aniquilando o Universo, por não haver mais espaço, que é um constituinte essencial. O tempo também deixaria de existir, bem como o conteúdo.
Finalmente é possível que, do mesmo modo que o campo primordial possa ter surgido, de repente, do nada, tudo o que existe, de repente, por acaso, deixe de existir, não restando nada, nem conteúdo, nem espaço, nem tempo e nem Universo.
Todas essas possibilidade podem ser verificadas pela análise dos dados observacionais, dentro dos modelos teóricos existentes, exceto a última.
Os dados atuais, contudo, não indicam que o Universo venha a deixar de existir nunca. Mas se deixar, da mesma forma que não existe “antes” do início, também não existirá “depois” do fim.
Se o Universo for finito, o espaço não pode ser euclidiano. O modelo mais simples para um espaço finito é o de uma superfície esférica tridimensional imersa em um espaço quadridimensional (que não é o espaço-tempo da relatividade, mas sim uma abstração matemática). Este espaço, apesar de ser limitado, não tem fronteira, da mesma forma que uma superfície esférica bidimensional imersa em um espaço tridimensional, como a superfície da Terra. Se alguém sair voando sobre a Terra, na atmosfera, ficará dando voltas em torno dela sem nunca encontrar uma fronteira. Mas a superfície não é infinita. Do mesmo modo, em um Universo finito, quem andar sempre para frente, ficara dando voltas, sem nunca encontrar uma parede. Todo o espaço existente estará no Universo. Não há nada depois dele nem fora dele. Nem galáxias, nem radiação, nem mesmo espaço vazio. Trata-se de um “não lugar”, isto é, não há possibilidade de se estar fora do Universo. Isto não existe, mesmo que o Universo seja finito. O Universo não é um conjunto de coisas que ocupa certa região de um espaço infinito. Todo o espaço existente faz parte do Universo. E não existe espaço que não tenha conteúdo. Não existe vazio no Universo. Isto é uma impossibilidade. Pode haver vácuo, mas vácuo não é vazio. Tem campos e radiação. Só não tem matéria. Nada também não existe. Se você encostar o polegar contra o indicador, o que há entre eles? Nada! (pode sobrar um ar residual, mas suponhamos que não sobre). Não há matéria, nem radiação, nem campos, nem espaço vazio para caber alguma coisa. Isto é nada, na frente dos seus olhos. Fora do Universo não há nada. Nem espaço vazio para caber algo.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Mensagem de Natal
Natal não significa apenas a comemoração do nascimento do fundador de uma religião, mas uma data que transcendeu a qualquer religião e se revestiu de um valor humano muito mais amplo e profundo. É a data em que se renovam os propósitos de tornar o mundo um lugar pacífico, harmônico, fraterno, justo, aprazível e acolhedor para todos viverem. É preciso, contudo, que essa resolução não fique só na intenção e logo se esvaia na rotina do cotidiano do ano que se inicia. Se realmente se deseja tal coisa, urge que uma revolução no íntimo de cada um tenha lugar e que, de fato, mudando a si mesmas, as pessoas sejam capazes de mudar o mundo. Que se troque a disputa, a ganância, a perfídia, a ambição e o egoísmo pela colaboração, a solidariedade, a benevolência, o desprendimento e o altruísmo. Que a gentileza, o perdão e o amor substituam a agressividade, o ódio e a vingança em todos os corações. Que a preguiça e a omissão dêem lugar à operosidade e ao compromisso de agir positivamente para tais objetivos. Que a compreensão e a tolerância passem a vigorar onde antes havia incompreensão e intolerância. Que se renuncie ao lucro e à vantagem em prol da generosidade e da equidade. Só assim serão dados os primeiros passos da longa caminhada em direção a uma sociedade verdadeiramente livre, justa, próspera e feliz para todos e não só para alguns. Um mundo em que não haja pobreza, ignorância, fome, doença, opressão e injustiça. Em que não se tenha discriminação por motivo de raça, credo, gênero, riqueza, idade, pensamento ou o que quer que seja. Tal lugar não é uma utopia e pode ser alcançado, basta que queiramos. Mas que, de fato, nos dispamos do egoísmo, do rancor, da vaidade, da inveja, da avareza e de toda espécie de maldade e pautemos nossa vida pela honestidade, pela justiça, pela bondade e pela sabedoria. Estas são as resoluções que quero ver assumidas e levadas a cabo por todos, pois assim cada qual poderá dizer que sua vida não foi em vão e que o mundo se tornou melhor por que passamos por ele.
Mas não é só isto. É preciso também que se tome uma atitude positiva, que resulte em ações enérgicas e eficazes no sentido da erradicação de todo o mal, de denúncia de toda vilania, de punição de qualquer desonestidade, de impedimento de todo tipo de opressão, discriminação e injustiça, mesmo que tais atitudes redundem em prejuízo pessoal ou represálias. Não é omitindo-se perante a ignomínia que se pode andar de cabeça erguida. Temos sempre a ver com tudo de que tomamos conhecimento e não nos resta alternativa ética senão tomar providências a respeito. Mas não apenas as que não nos privem de nosso conforto e regalias ou em nada nos afete e prejudique. Para sermos merecedores do singular privilégio de existir, há que empenhemos nosso tempo, nosso esforço, nossa dedicação, nossa inteligência, nossa vontade, nossos bens e nosso dinheiro para trazer o triunfo do bem sobre a Terra e a derrota final do mal nesse mundo.
Outra coisa que está em nossas mãos fazer para tornar o mundo melhor é dedicar, para começar, um décimo do nosso tempo semanal para projetos sociais na forma de voluntariado, plantando hortas comunitárias em algum terreno vazio do quarteirão, para todos tirarem proveito, dando aulas de reforço de graça para alunos carentes (ou não), participando de mutirões para consertos na rua ou em casas de vizinhos, fazendo a limpeza das vias e praças públicas. É preciso entender que a solução dos problemas da comunidade não precisa ser colocada sob a responsabilidade do poder público e que cada um pode e deve arregaçar as mangas e fazer muita coisa por sua própria conta. É o começo de um mundo em que governo e dinheiro não se façam mais necessários. E que essas disposições levem a todos aquela sensação de enlevo, sobranceria e nobreza que é característica de todo aquele que tem a consciência tranqüila e, com isto, vive em paz e alegria, cercado da admiração e do afeto de todos que merecem o seu respeito e sua consideração.
Eternidade pretérita
Não é logico que o tempo tenha que preceder o conteúdo do Universo. Primeiro porque a natureza não tem compromisso nenhum com a lógica, que é um construto humano para disciplinar o pensamento. A natureza absolutamente não é lógica. Mas, mesmo dentro da lógica, nada há que indique alguma precedência para o tempo. Uma análise lógica, pelo contrário, mostra que o tempo é uma ocorrência advinda das mudanças de estado do Universo. O conceito newtoniano de tempo e espaço absolutos e apriorísticos não tem guarida no atual estágio de conhecimento científico.
Não há dúvida de que somos nós, humanos, os observadores da realidade e, para complicar, somos também parte dela. Mas, como na Teoria da Relatividade - que busca justamente achar o que não seja relativo - o que importa é compreender a realidade de forma independente do observador, humano ou não. Para isto, é claro, tem-se que entender os mecanismos humanos de percepção da realidade para, justamente, abstrair-se deles.
Como eu descrevi em tópico anterior, não há impedimento do tempo ser eterno para o passado e, mesmo assim, estarmos no presente. Não é preciso haver uma contagem desde um instante inicial. Este pode nunca ter existido. Mas, mesmo que o tempo seja infinito, isto não esgota a ocorrência de todos os eventos possíveis, pois o infinito do tempo é o do contínuo (alef 1), enquanto o dos possíveis eventos é o dos subconjuntos contínuos, que é alef 2 (o conjunto de todas as possíveis funções) que é um infinito de ordem superior ao contínuo.
Quanto às teorias de Everett, Bohm, Multiversos etc., tratam-se de conjecturas, elas sim, infalseáveis e meramente especulativas. Para todos os efeitos, o Universo é único. Quanto à incausabilidade e o indeterminismo, eles são perfeitamente falseáveis e os experimentos os confirmam.
Não posso ter certeza de que não existem universos paralelos e nem de que existem. Então suponho que não existem, pois só tenho acesso a este. A existência deles, em sua própria concepção, é inverificável. É mais ou menos como o caso de Deus. Não posso garantir que exista ou não exista, mas não tenho comprovações de que exista. Então suponho que não exista. Esta é a hipótese nula, válida até que seja derrubada. Não se precisa provar que Deus não existe, mas sim que existe, pois não é evidente que exista. Tal é o estágio dos universos paralelos.
Só uma observação: se algo é um efeito, então tem causa, por definição. O que ocorre são eventos que não são efeitos. É possível que alguns eventos dos quais não se identifica a causa a possuam e isto venha a ser identificado no futuro. O que não se pode é considerar que a existência de causa seja uma necessidade. Não é! Não há argumento nenhum que exija causa para um evento. Isto é puro preconceito, advindo do senso comum. E como é uma conclusão obtida por raciocínio indutivo, não é logicamente necessária. É como as leis físicas, que valem enquanto não se descobre um fato que as contrarie. Então têm que ser corrigidas.
Os números naturais, pares, ímpares, inteiros e racionais têm cardinalidade alef 0. Os reais e suas ênuplas, como os complexos e os quaternions, bem como seus abertos, além das matrizes, tensores e formas diferenciais numéricas, têm cardinalidade alef 1. O espaço das funções e dos funcionais, das matrizes, tensores e formas funcionais, tem cardinalidade alef 2. O conjunto potência do conjuto das funções (o conjunto de seus subconjuntos) tem cardinalidade alef 3, e assim por diante. O conjunto das possíveis ocorrências, como é o conjunto dos subconjuntos de ênuplas de números reais, tem cardinalidade alef 2, e portanto não pode haver uma função bijetora de domínio real que o tenha como contradomínio. Assim nem num tempo infinito em um espaço infinito (tetradas de números reais) seria possível que se dessem todas as ocorrências passiveis de se ter com os sub-sistemas do Universo.
consideração de que o presente atual ainda não existia em momentos passados que temos na memória, podemos inferir que haverão momentos futuros. Então, de nossa percepção e do cotejo das percepções de outros sujeitos, pode-se ver que existe algo objetivamente fora de mim, que é a sucessão de eventos a que chamamos tempo, e que ela prosseguirá além do presente momento. De fato, toda percepção que tenho da ocorrência de eventos fora de minha mente é a de eventos que já ocorreram, pois a informação sobre eles chega a mim com uma velocidade finita (no máximo a da luz). Na verdade a coordenatização do tempo pode ser feita em uma semi-reta apontada para o passado, cuja origem sempre está colocada no momento presente e que, continuamente, é acrescida dos momentos imediatamente transferidos para o passado. Pode ser que ela se extenda indefinidamente ou que seja um segmento com um ponto terminal no instante em que o tempo passou a existir. O que precisa ficar claro, contudo, é que essa sucessão existe independente de observadores que a contemplem. Isto é, mesmo que não hajam consciências para perceber o tempo, seu fluxo se dá do mesmo modo. Outra coisa é que não há meios de se definir, para todos os referenciais, uma única superfície (de Cauchy, se pensarmos em condições de contorno para equações diferenciais) global que seja o lugar geométrico de todos os eventos (pontos do espaço-tempo) situados no mesmo instante, por exemplo, o presente. Isto é, o que é presente para mim pode estar no futuro ou no passado de outro observador que se mova em relação a mim.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Meus Pensamentos
sábado, 18 de outubro de 2008
O que é o Pensamento
O pensamento trata-se de uma ocorrência que se dá na mente, como um sentimento, uma emoção, uma percepção, uma volição, uma evocação, uma memorização, um raciocínio etc. E mente nada mais é do que a entidade que consiste em um cérebro em funcionamento atual ou potencial. A mente não é o cérebro, mas não existe sem ele. É um epifenômeno do cérebro, isto é, um acontecimento que se estabelece devido a seu funcionamento, que depende de sua constituição, estrutura e dinâmica. O pensamento é como uma música. Ela não existe sem que um instrumento (ou a voz) a produza, mas ela não é apenas o som, mas tudo o que a maneira com que esse som é gerado sequencialmente no tempo seja capaz de produzir, devido á variação da altura, da intensidade, do timbre, do ritmo, da melodia, da harmonia e de todas as demais características. Assim o pensamento é uma sequência de evocações de percepções, de associações, de sentimentos, e de tudo o que o funcionamento do cérebro pode produzir. Note-se que o pensamento pode mesmo ser inconsciente (consciência já pode ser o tema de outro tópico). Certamente para pensar a mente requer que o cérebro funcione e, portanto, consuma energia. Mas o pensamento não é energia, nem tampouco reações químicas. Não é matéria e nem espírito (que, aliás, não existe). Pensamento pertence à categoria de realidades que denominam-se “ocorrências”. Isto é: pensamento é um processo que se dá na mente, um acontecimento, um evento. Para que tal evento ocorra é requerido o fornecimento de energia como, de resto, em todo processo orgânico. Mas esta energia é a fornecida pela metabolização do alimento que se ingere. Ela não provem de fonte externa ao organismo. Energia não é uma entidade e sim um atributo. Não existe energia em si mesma, mas apenas como propriedade de alguma coisa. Como uma cor, por exemplo. Tal ocorrência consiste em transmissões de sinais entre neurônios. Estes sinais caminham pelos dendritos e axônios como uma onda de inversão de polarização de suas membranas, em função da variação da concentração de íons de sódio, potássio e cálcio. A comunicação entre os dendritos e os axônios é feita pelos neurotransmissores, que estão disponíveis no meio glial, tratando-se, pois, de um transporte químico de moléculas. Tais assuntos podem ser vistos em qualquer tratado de anatomia e fisiologia neural (depois cito algumas referências). Não há nenhuma evidência experimentalmente testificada de que o pensamento possa, naturalmente, emanar da mente que o experimenta, propagar-se pelo espaço e ser captado por outra mente, lembrando que a mente é um epifenômeno do cérebro. A interpretação dos fatos havidos com os macacos lavadores de batatas como transmissão de pensamento é gratuíta.
Uma questão, contudo, é inteiramente pertinente: de onde vém o pensamento? Isto é, o que desencadeia a ocorrência de um pensamento na mente? Várias coisas. Em sua orígem, todo processamento mental provém das sensações que os órgãos dos sentidos levam ao cérebro. São os estímulos visuais, sonoros, térmicos, táteis, olfativos, gustativos bem como dos sentidos que percebem o equilíbrio, o posicionamento do corpo e o funcionamento dos órgãos internos que provocam as primeiras cadeias de transmissões de sinais neurais que se transformam em percepções, assim que interpretados. Em segundo lugar, o próprio cérebro, em seu funcionamento, evoca, por associação ou mesmo aleatoriamente, a percepção de imagens já registradas na memória. E as processa, produzindo novos resultados que passam a ser registrados. Esse fluxo de processamento neural é que é o pensamento. Ele pode se dar de modo consciente ou inconsciente, voluntário ou involuntário. Quando consciente, o “eu” (self) toma ciência da ocorrência. Nos sonhos e alucinações há uma emulação inconsciente da consciência, que, inclusive, pode acarretar respostas motoras (sudorese, micção e mesmo, locomoção, além do movimento dos olhos, característico do estágio REM do sono). Dependendo de seu modo de ser, o pensamento pode ser um raciocínio, uma emoção, um sentimento, uma decisão. Em todos estes casos, o processamento mental desencadeia alterações somáticas (hormonais, vago-simpáticas ou outras), como excitação, taquicardia, sudorese, rubor, palidez, secura na boca, vaso constrição ou dilatação. Todas essas alteração são percebidas pela varredura dos sentidos e registradas na memória com parte da ocorrência, de modo que o processamento mental não é apenas cerebral, mas envolve todo o organismo.
Por outro lado, as interpretações misticas da física quântica carecem de qualquer fundamento. O livro e o filme “Quem somos nós?” apresenta uma enorme quantidade de proposições completamente sem fundamento. Sobre este filme já postei inúmeros comentários em comunidades do orkut. Amit Goswani, Fritjof Capra, Rhonda Byrne e outros emitem opiniões que não encontram respaldo na comunidade científica. Mesmo assim leio o que escreveram (com leio Allan Kardec, o Corão, os Vedas e tudo a respeito de tudo). Mas ainda não me convenci de suas proposições.
Irrelevância da Teologia
Tenho para mim que a Teologia é uma disciplina inteiramente desprovida de significado e relevância e explico. O objeto da Teologia é a análise e interpretação do conteúdo das escrituras consideradas pelas diversas religiões como uma “revelação” da divindade ao homem, como a Bíblia, o Corão, os Vedas, ou, até mesmo, os escritos de Allan Kardec. A questão, desde o princípio, se revela problemática, pois a única garantia que se tem de que, de fato, tais escrituras sejam ditadas pela divindade é a fé daqueles que crêem em tal fato. Ora, a fé, absolutamente, não pode ser critério de veracidade de coisa alguma, pois, se assim o fosse, haveriam inúmeras verdades que mutuamente se contradiriam, já que há pessoa que possuem fé sincera e verdadeira em coisas completamente distintas, que são os seguidores fiéis das diferentes crenças religiosas. Como a verdade, por definição, tem que ser única, surge a questão de decidir por qual das revelações se fazer a escolha como sendo a verdadeira. Mas o critério, nesta escolha, certamente que há de ser externo às próprias crenças que validam cada uma delas. E este critério só pode ser o critério filosófico de veritação que se baseia nas evidências dos sentidos ou nas comprovações racionalmente válidas que se fazem, em última instância, com o apoio de premissas validadas por evidências.
Ao que me consta, nenhuma evidência ou comprovação existe da vercidade de nenhuma dessas “sagradas escrituras”, logo concluo que todas são meramente relatos compilados de mitos ancestrais, passados oralmente de geração a geração, cuja origem deve ter se dado nas explicações fantasiosas que os primitivos elaboravam para enteder aquilo de que não possuiam noção da razão de ser. E se a Teologia se fundamenta em escritos inteiramente desprovidos de razão, que valor pode ter qualquer conclusão que deles se tire?
No meu entendimento perdem o seu tempo aqueles que se debruçam, por exemplo, sobre a Bílblia para extrair algum conhecimento a respeito da realidade. Melhor fariam se a estudassem de um ponto antropológico, como uma manifestação cultural dos povos e deixassem a realidade para ser estudada pela filosofia e pelas ciências.
De fato, coloco a Teologia no mesmo nível de conhecimento da Astrologia e de outros conhecimentos esotéricos desprovidos de qualquer fundamentação.
Que se apresentem os teólogos para justificar porque consideram a Teologia algo de valor, pois estou disposto a mudar meu ponto de vista, caso convencido.
Admitindo-se que deus não exista, como o faço, fica patente que a Teologia é um assunto totalmente desprovido de propósito, pois estuda algo que, simplesmente, não existe. Todavia, mesmo que se considere que deus exista, seu estudo deveria ser feito por meio de uma disciplina racional e científica que é a Teodicéia. A Teologia, por basear-se nas pretensas “revelações”, que, mesmo, reafirmo, considerando a existência de deus, não têm garantia alguma de que sejam, de fato, revelações divinas, peca por completa falta de embasamento. Além disto, mesmo, ainda, que se considerem as ditas “sagradas escrituras” como revelações, haveria um tremendo problema de conciliar as contradições que elas guardam entre si. Só para começar, como conciliar a Bíblia com o Corão? Aquela considera que deus tem personalidade tripla e este simples. E os Vedas, então, que admitem a existência de múltiplos deuses? Alguém diria: ora, todas essas pseudo-escrituras são falsas, só a da minha religião é verdadeira, como o garante a minha fé. Bom… de quem eu estou falando? Como saber quem está com a verdade? Que se pronunciem os Teólogos.
Muitos religiosos congratulam-se com a fé exibida pelas pessoas, considerando ser uma grande virtude a aceitação como verdades inquestionáveis de fatos completamente impossíveis de serem verificados diretamente. Jesus, no evangelho, bendisse os que crêem sem ver, dirigido-se a seu apóstolo Tomé. Bom… eu sou mais cético do que Tomé, pois, mesmo vendo, ainda duvido, achando que possa estar tendo ilusão de ótica. Considero que a fé é um total e completo disparate. Não consigo entender como se pode achar valor em se crer em alguma coisa sem fundamento algum. Por que? Porque está escrito na Bíblia? E daí? Outros livros dizem outras coisas. Devo acreditar em tudo o que está escrito em qualquer lugar? Por que a Bíblia seria diferente de outros livros? Como saber que ela relata verdades e não opiniões? Isto a Teologia é capaz de garantir? Quero saber com que argumentos. Pelo que sei a Teologia judaico-cristã, baseia-se na propria Bíblia. Logo não pode ser capaz de validar a Bíblia. Isto só poderia ser feito por argumentos externos a ela. Quais são eles? A Fé? Isto não faz sentido. A fé não é capaz de servir de critério de verdade e esta assertiva é óbvia. Eu não posso garantir que algo seja verdadeiro porque acho que assim o seja. Daí a Teologia ser um estudo inteiramente desprovido de significado. Todas as extensas elucubrações teológicas dos Padres e Doutores da Igreja, Gregório, Ário, Agostinho, Abelardo, João Crisóstomo, Jerônimo, Macário, Teodoro, João Damasceno, Tomás de Aquino, Anselmo, Boaventura, Bernardo de Claraval, Alberto Magno, João da Cruz, Roberto Belarmino, Tereza de Ávila, Catarina de Siena, Lutero, Calvino, Zwinglio, Spener, John Knox, Lewis, Boff e outros mais, que ocupam milhões de páginas escritas são tão inúteis quanto a literatura sobre Astrologia, Alquimia, Numerologia, Ufologia, Cientologia e outra “gias” que são Pseudo-ciências inteiramente desprovidas de fundamento.