Não sou vegetariano mas considero salutar o consumo moderado de carne, preferivelmente branca. O que observo é que, na natureza, animais comem outros animais e o ser humano é capaz de digerir carne, portanto não é herbívoro. Acho, contudo, que o abate de animais deve ser feito do modo mais indolor possível.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Religião e crença
É preciso se fazer distinção entre Religião e Crença Religiosa. A crença religiosa é a aceitação, como verdade, de proposições a respeito da existência de entes sobrenaturais, como deuses, espíritos, almas, anjos, demônios, gênios, bem como sobre o comportamento dessas entidades, sua relação com o mundo natural e todas as decorrências para a vida dos seres naturais (humanos, em especial) da veracidade de tais proposições. Por outro lado, religião é todo um aparato construído em torno dessas crenças. Ela envolve não só as crenças, mas uma doutrina que as corporifica e justifica, uma comunidade de fiéis, uma organização que administra tais crenças perante a comunidade, um corpo de funcionários (sacerdotes e agregados) um conjunto de práticas litúrgicas a respeito das crenças, livros sagrados sobre elas, uma legislação a respeito e um conjunto de instituições e edificações (templos, seminários, escolas, asilos, mosteiros, hospitais etc.). Tal aparato se caracteriza como uma "representação social", nos termos de Durkheim, Piaget, Moscovici, Jodelet e Fischer.
Pode-se possuir crenças religiosas sem se ser filiado a religião alguma, da mesma forma que pode-se ser filiado a uma religião, por conveniências sociais, sem se possuir a crença correspondente.
Minha percepção é de que, antropologicamente, as crenças surgiram num estágio bem anterior que as religiões. Sua origem se prende à busca de explicações para as ocorrências inexplicáveis a uma primeira abordagem. Como, normalmente, toda ocorrência podia ser imputada à ação de um sujeito (humano ou animal, em geral) considerou-se que as que não possuíam um sujeito identificável seriam devida a sujeitos ocultos, invisíveis, porém capazes de produzir ações sobre a natureza. Tais sujeitos seriam os espíritos. No caso de serem detentores de poderes especiais, seriam deuses. Em todas as culturas, de modo independente, tais noções foram concebidas. Com o passar do tempo elas vieram a ser corporificadas em uma narrativa consistente, inventadas por anônimos e passada de geração a geração, com acréscimos e variações, consistindo nos "mitos", dos quais surgiram as primeiras religiões.
As religiões, contudo, não são um produto espontâneo do povo, mas uma apropriação dessas noções por um grupo especial dos "feiticeiros", "xamãs" ou outro nome que lhes seja dado, que, certamente diferenciado por sua maior inteligência e poder de manipulação das pessoas, passaram a gerir tais conhecimentos, não só em benefício do povo, mas, especialmente, do próprio grupo, que, nesta circunstância, passou a gozar de vários privilégios, vindo a se tornar os "sacerdotes". Um fator, contudo, foi determinante no estabelecimento das religiões como força coerciva e controladora do comportamento social. Trata-se da associação dos sacerdotes com os detentores do poder político, em geral derivado da força militar. Como a manutenção da submissão do povo à vontade do potentado pela coação pela força é algo por demais custoso, pelo menos nos períodos de paz, e não se pode viver permanentemente em estado de guerra, a submissão pelo convencimento religioso, que se dá em função do medo de castigos sobrenaturais ou da danação na vida eterna, é sumamente conveniente e isto foi logo percebido pelos chefes das nações que se auto-proclamaram sumo-sacerdotes e descendentes diretos dos deuses. Por um sistema de troca de favores e coação física os sacerdotes foram cooptados pelos mandatários e os dois grupos dominaram e ainda dominam as massas populares. Alguns podem até estarem convencidos genuinamente da origem divina de seu poder, mas, certamente, a maioria sabia que isto era uma invenção para dominar o povo.
As complexas religiões hinduísta, judaica, zoroastrista, budista, taoísta, o paganismo greco-romano, a cristã e a islâmica foram uma evolução desses mecanismos sociais, em alguns casos, umas surgindo das outras, como o budismo do hinduísmo e o cristianismo e o islamismo do judaísmo. O espiritismo provém de uma racionalização do hinduísmo com o cristianismo.
Na atualidade, o crescimento do conhecimento científico em todas as áreas mostra que sempre é possível achar-se explicações naturais para tudo, minando as bases das crenças religiosas, pois a hipótese de deus e de espiritos não precisa ser invocada para coisa alguma. Mesmo assim, a rejeição de crenças religiosas e a adoção do ateísmo, ou, pelo menos, do agnosticismo, ainda não é tão disseminada. Em parte porque o analfabetismo científico ainda impera para as massas populares. Mas, mesmo entre a camada culta da sociedade, o ateísmo ainda não é a regra. Isto se dá, no meu entendimento, primeiro porque a cultura humanística ainda prepondera sobre os conhecimentos das ciências naturais, segundo porque assumir-se ateu ainda é, de certa forma, uma atitude anti-social em muitos meios, em alguns casos, como nos estados teocráticos muçulmanos, podendo levar, inclusive, à pena de morte.
No entanto, a tendência é no sentido de se ter uma rejeição cada vez maior das religiões. Isto é bom ou ruim? Há um lado ruim, uma vez que a perda das referências éticas da religião leva a um comportamento desprovido de balizamento moral que propicia o aumento da licenciosidade e da criminalidade. Ética, contudo, não tem nada a ver com religião. As religiões é que se apropriaram dela como parte de seu corpo doutrinário. Pode-se, com toda a certeza, desenvolver-se um comportamento ético na sociedade sem apelo nenhum para prêmios e castigos na vida eterna. O lado bom é, justamente, o afastamento de ilusões, que, mesmo caras a quem as adota, são enganosas. É preferível encarar-se a realidade da inexistência de deus e de seu socorro nas aflições, uma vez que orações são inteiramente inócuas. Há que se confiar na própria sociedade e nos outros para o socorro de cada um e para a disseminação do bem e erradicação do mal.
Pode-se possuir crenças religiosas sem se ser filiado a religião alguma, da mesma forma que pode-se ser filiado a uma religião, por conveniências sociais, sem se possuir a crença correspondente.
Minha percepção é de que, antropologicamente, as crenças surgiram num estágio bem anterior que as religiões. Sua origem se prende à busca de explicações para as ocorrências inexplicáveis a uma primeira abordagem. Como, normalmente, toda ocorrência podia ser imputada à ação de um sujeito (humano ou animal, em geral) considerou-se que as que não possuíam um sujeito identificável seriam devida a sujeitos ocultos, invisíveis, porém capazes de produzir ações sobre a natureza. Tais sujeitos seriam os espíritos. No caso de serem detentores de poderes especiais, seriam deuses. Em todas as culturas, de modo independente, tais noções foram concebidas. Com o passar do tempo elas vieram a ser corporificadas em uma narrativa consistente, inventadas por anônimos e passada de geração a geração, com acréscimos e variações, consistindo nos "mitos", dos quais surgiram as primeiras religiões.
As religiões, contudo, não são um produto espontâneo do povo, mas uma apropriação dessas noções por um grupo especial dos "feiticeiros", "xamãs" ou outro nome que lhes seja dado, que, certamente diferenciado por sua maior inteligência e poder de manipulação das pessoas, passaram a gerir tais conhecimentos, não só em benefício do povo, mas, especialmente, do próprio grupo, que, nesta circunstância, passou a gozar de vários privilégios, vindo a se tornar os "sacerdotes". Um fator, contudo, foi determinante no estabelecimento das religiões como força coerciva e controladora do comportamento social. Trata-se da associação dos sacerdotes com os detentores do poder político, em geral derivado da força militar. Como a manutenção da submissão do povo à vontade do potentado pela coação pela força é algo por demais custoso, pelo menos nos períodos de paz, e não se pode viver permanentemente em estado de guerra, a submissão pelo convencimento religioso, que se dá em função do medo de castigos sobrenaturais ou da danação na vida eterna, é sumamente conveniente e isto foi logo percebido pelos chefes das nações que se auto-proclamaram sumo-sacerdotes e descendentes diretos dos deuses. Por um sistema de troca de favores e coação física os sacerdotes foram cooptados pelos mandatários e os dois grupos dominaram e ainda dominam as massas populares. Alguns podem até estarem convencidos genuinamente da origem divina de seu poder, mas, certamente, a maioria sabia que isto era uma invenção para dominar o povo.
As complexas religiões hinduísta, judaica, zoroastrista, budista, taoísta, o paganismo greco-romano, a cristã e a islâmica foram uma evolução desses mecanismos sociais, em alguns casos, umas surgindo das outras, como o budismo do hinduísmo e o cristianismo e o islamismo do judaísmo. O espiritismo provém de uma racionalização do hinduísmo com o cristianismo.
Na atualidade, o crescimento do conhecimento científico em todas as áreas mostra que sempre é possível achar-se explicações naturais para tudo, minando as bases das crenças religiosas, pois a hipótese de deus e de espiritos não precisa ser invocada para coisa alguma. Mesmo assim, a rejeição de crenças religiosas e a adoção do ateísmo, ou, pelo menos, do agnosticismo, ainda não é tão disseminada. Em parte porque o analfabetismo científico ainda impera para as massas populares. Mas, mesmo entre a camada culta da sociedade, o ateísmo ainda não é a regra. Isto se dá, no meu entendimento, primeiro porque a cultura humanística ainda prepondera sobre os conhecimentos das ciências naturais, segundo porque assumir-se ateu ainda é, de certa forma, uma atitude anti-social em muitos meios, em alguns casos, como nos estados teocráticos muçulmanos, podendo levar, inclusive, à pena de morte.
No entanto, a tendência é no sentido de se ter uma rejeição cada vez maior das religiões. Isto é bom ou ruim? Há um lado ruim, uma vez que a perda das referências éticas da religião leva a um comportamento desprovido de balizamento moral que propicia o aumento da licenciosidade e da criminalidade. Ética, contudo, não tem nada a ver com religião. As religiões é que se apropriaram dela como parte de seu corpo doutrinário. Pode-se, com toda a certeza, desenvolver-se um comportamento ético na sociedade sem apelo nenhum para prêmios e castigos na vida eterna. O lado bom é, justamente, o afastamento de ilusões, que, mesmo caras a quem as adota, são enganosas. É preferível encarar-se a realidade da inexistência de deus e de seu socorro nas aflições, uma vez que orações são inteiramente inócuas. Há que se confiar na própria sociedade e nos outros para o socorro de cada um e para a disseminação do bem e erradicação do mal.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Decálogo de Bertrand Russell
•Não tenhas certeza absoluta de nada.
•Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
•Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
•Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
•Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
•Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
•Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
•Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
•Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
•Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.
•Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
•Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
•Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
•Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
•Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
•Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
•Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
•Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
•Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.
domingo, 25 de abril de 2010
Porque se crê em Deus
As pessoas acham que Deus existe porque esta história é contada para elas desde a infância e não é desmentida, como a de Papai Noel. E por que não é desmentida? Porque atende a um anseio humano de encontrar explicações do inexplicável. De obter consolo para o desalento. De ter esperança de que um dia, mesmo que seja em outra vida, se alcance a justiça e a felicidade. Isto tudo é muito forte e o abandono da crença em Deus, se a pessoa não for suficientemente segura, pode levar a uma grande depressão. Então a pessoa se aferra a esta noção, mesmo que ela seja abalada por fortes evidências em sentido contrário. Além disso, a existência de Deus é explorada pelas instituições religiosas, que são um meio de vida para muita gente. Decretar a extinção dessa crença é promover a falência de muitos, que, assim, mesmo que considerem, em seu íntimo, que Deus não exista, continuam externando que sim, para sobreviver. E induzem a população a prosseguir na fé, por meio de ameaças de danação eterna ou, o que é mais imediato, de segregação social, ou, até, em certos países, de condenação à morte. Além disso, promovem a ocultação das evidências em sentido contrário, por uma bem urdida propaganda enganosa.
Outra razão é ligada à manutenção do poder e do "status-quo" de seus detentores por razão econômica, militar ou religiosa. O esclarecimento da população sobre a inexistência de Deus ameaça sua situação privilegiada, muitas vezes justificada por uma origem divina.
É preciso notar, porém, que muitos podem fazê-lo de forma bem intencionada, pois estão firmemente convencidos da existência de Deus e, parece, obliterados mentalmente a aceitar argumentos em sentido contrário. Ou então nunca foram expostos a esses argumentos. Trata-se de uma boa fé calcada na ignorância. Teístas não são necessariamente burros, mas, certamente, se não o forem, não estão suficientemente informados da realidade científica ou, então, agem mesmo de má fé.
É curioso como a humanidade sempre precisou da crença em algum mito para sustentar seus valores. Todavia, a civilização consiste, justamente, em dotar toda a população de um nível cultural e moral suficientemente elevado, por meio da disseminação da educação, que lhe permita prescindir de mitos para ter uma conduta social inteiramente ética e promover a prosperidade, a harmonia, a justiça e a fraternidade entre os povos e dentro das sociedades. E, tembém, encontrar um significado pessoal para a vida sem referências extrínsecas a ela mesma. Pois a constatção de inexistência de Deus e da vida eterna é uma alavanca libertadora e promotora de uma grande paz e felicidade íntima, paralelamente à aceitação de uma responsabilidade muito maior pelo prevalecimento do bem e pela erradicação do mal.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Superdotação e polimatismo
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Tenho muito interesse no tema “superdotação”, uma vez que posso me considerar superdotado, pelo que percebo de meu comportamento desde a infância, pelos testes de QI que já fiz (cujos escores variam em torno de 142) e pelo testemunho de meus amigos. Mas nunca tive tratamento especial na escola pública em que estudei (aliás, muito boa, à época). Em casa, contudo, meus pais me municiavam de leituras e conversas estimulantes, já que eram intelectuais, como é o caso de toda a minha família, tanto materna quanto paterna. No ensino fundamental eu já estudava em livros de História e Geografia de nível superior, pois meu pai era professor dessas matérias. E nunca me contentava em saber só o que os professores ensinavam, qualquer que fosse a matéria. Comecei a estudar Filosofia com 11 anos, juntamente com Física Atômica e Nuclear, Eletrônica, Mecânica, Química e Biologia. Além disso tocava piano e pintava quadros. Só nunca gostei de esportes nem de negócios. Chamava Matemática de Boatemática. Hoje penso o quanto o mundo perde em não apoiar adequadamente os superdotados.
Procurei conhecer a Mensa Internacional para me juntar a uma comunidade de pessoas mais inteligentes, que colocassem este dom a serviço da humanidade, mas decepcionei-me com a vaidade, a presunção e a mesquinhez de muitos membros. Inteligência é algo importante, mas caráter é mais ainda.
A questão do caráter é fundamental, pois uma grande inteligência voltada para o mal é o maior desastre. Todavia vejo uma grande correlação (com exceções, é claro) entre uma maior inteligência e um comportamento ético positivo e, mesmo, um espírito de desprendimento e altruísmo. O que costuma faltar é só a modéstia. Por isso a educação tem que ser integral: inteligência, conhecimentos, habilidades e caráter. Reconhecer-se inteligente não é esnobismo, se isto é feito de forma modesta e sem presunção, uma vez que tal característica, em grande parte, não é fruto de esforço próprio, não conferindo, assim, mérito pessoal a quem a possua. É como se reconhecer feio ou bonito, gordo ou magro, alto ou baixo, isto é, trata-se meramente de uma constatação e não um auto-elogio.
Outro aspecto de minha pessoa que até atrapalha é o polimatismo. Tenho um leque muito grande de interesses e não consigo me fixar em apenas um deles, pois então lamentaria não estar abordando os outros. Por formação profissional sou um professor de Física e Matemática, com mestrado em Cosmologia. Na área educacional tenho atuado como administrador acadêmico (sem envolvimento com a área financeira e de pessoal, apenas a pedagógica). Todavia sempre estudei de forma ampla e profunda, por diletantismo, Filosofia, História, Geografia, Biologia e Psicologia (não clínica). Também externo meus pendores artístico pintando, desenhando, compondo, cantando e escrevendo crônicas, ensaios e poemas. Monto computadores, escrevo programas, conserto qualquer coisa mecânica ou elétrica, faço móveis. Além disso, profiro palestras e navego na internet, participando de fóruns de debates.
Só não sei é ganhar dinheiro com isso tudo, pois, geralmente, trabalho de graça, colaborando, por exemplo, na diretoria de entidades artísticas, científicas e de classe, especialmente nos conselhos deliberativos. Mas sempre acabo me responsabilizando pela elaboração de projetos de captação de recursos, estatutos, regimentos e todo esse tipo de coisa. Como não sou econômico e gasto muito com livros, discos, revistas, partituras, gravuras, vídeos e outros bens culturais, mesmo ganhando razoavelmente, acabo não fechando meu orçamento e vivo enterrado em dívidas. Como não possuo propriedade alguma, não tenho nada que possa vender para saldá-las, já que minha biblioteca, em que apliquei mais de meio milhão de reais em cinquenta anos, não me renderia nem um décimo disto, se a vendesse. Mas pretendo doá-la ao povo, talvez fundando uma ONG.
Uma consequência dessas característica é que também promovem em mim uma aguda sensibilidade e consciência da situação, o que leva à frustração de ver a ignorância, a incapacidade, a incompetência e a improbidade serem valorizadas em detrimento do esclarecimento, da cultura, da competência, da lisura e da probidade, na maior parte dos campos de atuação das pessoas. Isto é motivo de tristeza e poderia até levar à depressão, não fora o idealismo, o entusiasmo e a confiança com que me empenho em levar ao maior número de pessoas a luz da ciência, do conhecimento, da razão e da verdade, tentando por todos os meios a meu alcance (e este blog é um deles) consertar este mundo para torná-lo um lugar justo, benevolente, harmônico, próspero, aprazível e fraterno para todos os seus habitantes (não só humanos).
quarta-feira, 21 de abril de 2010
A carta do Papa
O Vaticano divulgou a carta do Papa sobre pedofilia na Igreja.
Veja-na na íntegra em clicando aquí.
Vejam também a tradução dos comentários de Michael Nugent a respeito, clicando aqui.
Pobre humanidade... Como pode haver quem não veja esta repulsiva atitude de uma pessoa tão importante exatamente por representar um pseudo-ideal de santidade, retidão e honradez. Mas protestantes, islâmicos e outros líderes religiosos não ficam atrás em suas perversidades e falcaturas. Quando é que a luz da razão vai conseguir iluminar as trevas da fé que anestesia e imbeciliza as mentes para as mais escancaradas evidências de um projeto de dominação e lavagem cerebral perpetrada ao longo dos séculos pelos detentores do poder religioso? Certamente que há alguns crentes sinceros e bem intencionados, mas não é o que se vê nas cúpulas religiosas. Digo isso de Saulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Maomé, Martinho Lutero, Henrique VII, Calvino, Allan Kardec, que, para mim, não diferem muito de Edir Macedo ou Ratzinger. Talvez nesta lista eu só exclua Sidharta Gautama. Mesmo Jesus Cristo não sei, caso tenha existido, se era realmente bem intencionado e, neste caso, teria que ser um esquizofrênico, para supor que era um deus. Mas... pode ser. Não digo que certas lições morais pregadas pelas religiões não sejam válidas. Mas o uso que suas cúpulas fazem das noções idiotas de "temor de deus", por exemplo, é pior do que os genocídios declarados de Hitler, Mussolini, Stálin, Mao e Pol Pot, por exemplo (não que eu os apologise, pelo contrário), pois é uma subliminar e sutil dominação mental.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Primeira Classe de 7 de abril
Assista ao programa "Primeira Classe" toda quarta feira, das 20 às 22 horas, na Rádio FM da Universidade Federal de Viçosa, pelo site www.rtv.ufv.br .
Johannes Brahms (1833 -1897)Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15
Johannes Brahms was born in Hamburg in 1833, the son of a double-bass player and his much older wife, a seamstress. His childhood was spent in relative poverty, and his early studies in music, for which he showed a natural aptitude, developed his talent to such an extent that there was talk of touring as a prodigy at the age of eleven. It was Eduard Marxsen who gave him a grounding in the technical basis of composition, while the boy helped his family by playing the piano in dockside taverns.
In 1851 Brahrns met the Hungarian violinist Reményi, who introduced him to Hungarian dance music. Two years later he set out in his company on his first concert tour, their journey taking them, on the recommendation of the Hungarian violinist Joachim, to Weimar, where Franz Liszt held court and might have been expected to show particular favour to a fellow-countryman. Reményi profited from the visit, but Brahms, with a lack of tact that was later accentuated, failed to impress the Master.
Later in the year, however, he met the Schumanns, through Joachim's agency. The meeting was a fruitful one. Schumann detected a promise of greatness in the music of Brahms and published his views in the journal he had once edited, the Neue Zeitschrift fur Musik, declaring Brahms the long-awaited successor to Beethoven.
Brahms had always hoped that sooner or later he would be able to return in triumph to a position of distinction in the musical life of Hamburg. This ambition was never fulfilled. Instead he settled in Vienna, intermittently from 1863 and definitively in 1869, establishing himself there and seeming to many to fulfil Schumann's early prophecy. In him his supporters, including, above all, the distinguished critic and writer Eduard Hanslick, saw a true successor to Beethoven and a champion of music untrammelled by extra-musical associations, of pure music, as opposed to the Music of the Future promoted by Wagner and Liszt, a path to which Joachim and Brahms both later publicly expressed their opposition
The monumental nature of much of the orchestral work of Brahms is in part a sign of the great pains that went into its construction. His first piano concerto, which made no concessions to contemporary taste, was, it seems, conceived originally as a sonata for two pianos. This then became a symphony, to reach its final metamorphosis as the Piano Concerto in D minor, Op. 15, completed in this form in 1859. The concerto had its first private rehearsals, with Brahms as soloist, in Hanover in 1858, with Joachim conducting. They introduced the work to the public in January the following year to a polite reception. This relative success persuaded Brahms to the more ambitious step of a performance in Leipzig with the Gewandhaus Orchestra, conducted by Julius Rietz, once Mendelssohn's assistant in Düsseldorf and now established in Leipzig in succession to Niels W. Gade. The reaction of the audience to such a demanding work was hostile, with ironic applause from one or two and hissing from many. A well known critic found nothing good to say about the concerto and even less to commend in Brahms's performance as a pianist, at the time his principal means of earning a living.
His later supporter Hanslick, indeed, writing three years later, found that Brahms played more like a composer than a virtuoso, praising his honesty, his interpretative abilities, yet aware of inaccuracies however compelling the whole performance. A subsequent performance of the concerto in Hamburg met a better reception. In the following years the work gradually won wider acceptance, finding its way early into the repertoire of Clara Schumann, a strong advocate. The concerto is massive in its symphonic conception, described by one contemporary as a symphony with piano obbligato, and clearly posed problems to its first audiences, lacking any trivial or superficial brilliance in its writing and calling for sustained attention over its very considerable length. As the symphonies Brahms was to write might seem an extension of the work of Beethoven half a century earlier, so the first of his two piano concertos seemed to continue and develop the pattern set by Beethoven's Emperor Concerto. In November 1855 Brahms had appeared as a soloist with orchestra for the first time in a performance of that concerto and included Beethoven's Fourth Concerto and Mozart's D minor and C minor Concertos in his concert repertoire at this time. These all had an observable influence on his own writing.
The first movement opens with a feeling of tragic significance, the marked trills adding to its ominous nature, before a gentler element, a foretaste of the second subject, intervenes, followed by a sudden outburst from the orchestra, which returns to its opening mood, hushed only by the entry of the soloist. The pianist succumbs, in turn, to the initial theme with its fierce trills, leading to the second subject, a hymn-like theme announced by the soloist. The material is developed in a section that makes heavy demands on the solo instrument and the recapitulation brings its own surprising shifts of key. The massive first movement is followed by a contrasting slow movement. Over the melody of the Adagio Brahms wrote the words Benedictus qui venit in nomine Domini (Blessed is he who comes in the name of the Lord), a reference, it is supposed, to his master, Schumann, although he is also said to have identified the movement with Clara Schumann The liturgical reference was later crossed out, in an attempt, to conceal, perhaps, such an overt display of feeling. A long-drawn theme is played by the strings, the bassoon joining the bass, with the piano adding its own meditation on the melody As in the first movement, the horns have a characteristically evocative part to play, however brief, while the piano continues its progress towards a new theme. The mood of the opening returns, extended in a cadenza of great serenity. The last movement, a Rondo, has a marked and energetic opening that may remind one of Beethoven, both in his Concerto in C minor and in other final movements, including, even, in some of the keyboard writing, that of the first piano sonata. The rondo form allows the inclusion of a number of contrasting ideas, an F major episode introduced by the piano and developed by the orchestra and a later episode introduced by the violins, but treated contrapuntally, as is the principal theme, before it has gone too far into a purely lyrical mood. A cadenza, marked quasi fantasia and using a dominant pedal-point, a sustained note to underpin changes of harmony, a feature characteristic of Brahms, leads to a moving conclusion.
Johannes Brahms (1833- 1897)Piano Concerto No. 2 in B Flat Major
Johannes Brahms was born in Hamburg in 1833, the son of a double-bass player and his much older wife, a seamstress. His childhood was spent in relative poverty, and his early studies in music, for which he showed a natural aptitude, developed his talent to such an extent that there was talk of his touring as a prodigy at the age of eleven. It was Eduard Marxsen who gave him a firm grounding in the technical basis of composition, while the boy earned a living for himself by playing the piano in dockside taverns.
In 1851 Brahms met the Hungarian violinist Reményi, who introduced him to Hungarian dance music. Two years later he set out in his company on his first concert tour, their journey taking them, on the recommendation of the violinist Joachim, to Weimar, where Franz Liszt held court, a visit from which Reményi profited, while Brahms failed to impress the Master. Later in the year Brahms met Schnmann, again through Joachim's agency. The meeting was a fruitful one. Schumann detected a promise of greatness in the music of Brahms and published his views in the journal he had once edited, the Neue Zeitschrift für Musik, declaring Brahms the long-awaited successor to Beethoven.
Brahms had always hoped that sooner or later he would be able to return in triumph to a position of distinction in the musical life of Hamburg. This ambition was never fulfilled. Instead he settled in Vienna in 1863 and established himself there, seeming to many to fulfil, as the years went by, Schumann's prophecy, much to the chagrin of Wagner and his supporters, who saw the succession to Beethoven in a very different light. Unlike the latter Brahms attempted no Gesammtkunstwerk and no amalgamation of the arts, as Liszt had attempted in his symphonic poems. To his friends Brahms seemed the champion of pure or abstract music without any extra-musical associations.
"The long terror" was Brahms's description of his second piano concerto, a massively impressive work completed in 1881 and falling between the second and third of the four symphonies in order of composition. Brahms had started work on the concerto in 1878 and finished the score in the summer of 1881, which he spent happily at Pressbaum, near Vienna. For its first performance in November, 1881, the composer appeared as soloist in Pest, following this, later in the same month, with performances nearer home with the Meiningen Court Orchestra under Hans von Bülow, who had espoused the cause of Brahms with the eagerness and enthusiasm that he had once shown for Wagner, before the latter eloped with his wife Cosima, illegitimate daughter of Franz Liszt. Brahms played the concerto in various towns with the Meiningen orchestra. In Vienna, however, where the first performance of the concerto took place in 1884, the critic Eduard Hanslick, a firm friend of Brahms, could only speak with reserve of the composer's technical ability as a pianist whatever his admiration for the concerto itself, praising his rhythmic strength and masculine authority, and remarking that Brahms now had more important things to do than practise a few hours a day, a kind excuse for any technical imperfections there might have been in his playing.
The first movement of the B flat major Piano Concerto opens with a dialogue between the orchestra and soloist, initiated by the French horn. The orchestra adds a second important element to the thematic material, to be interrupted by a longish piano solo. On its return the orchestra has a third item of significance to add, before the piano turns expansively to the opening melody, as the movement takes its impressive course.
The second movement, a form of scherzo, in the key of D minor, is on the same enormous scale. It is followed by a slow movement, in which a solo cello proposes the first, tranquil theme, later to be varied by the soloist, before the appearance of other material, the pianist playing music of simple and limpid beauty above a low cello F sharp, accompanied by two clarinets. This brief passage of quiet meditation leads to the return of the first theme from the solo cello and the end of the movement.
The concerto ends with a rondo that happily dispels any anxieties that might have lurked in the more ominous comers of the preceding movements, its mood inherited from Mozart and Beethoven, Brahms's great predecessors in Vienna.
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