Para mim, não, de jeito nenhum. O que eu gostaria de fazer na vida nem em algumas dezenas de milhares de anos eu conseguiria. Queria ler estudar a fundo todos os livros que já foram escritos, assistir a todos os filmes que já foram rodados, escutar todas as músicas que já foram compostas, ver todas as obras de arte que já foram produzidas, visitar todos os lugares deste planeta, cada metro quadrado e todos os níveis de profundidade dos oceanos, além de todos os planetas e astros de todas as galáxias. Estudar todos os cursos de todos os assuntos que existem para serem conhecidos, Conversar com todas as pessoas que existem. Namorar todas as mulheres. Escrever milhões de livros e de poemas, compor milhões de canções, pintar milhões de quadros. Enfim, não consigo vislumbrar o mínimo tédio numa vida eterna. Aliás, quando eu acreditava em Deus e na imortalidade da alma, meu sonho era, justamente, poder dispor da eternidade para fazer tudo isto, além de poder bater papos eternos com o criador para saber tudo a respeito de cada átomo do Universo e de todos os conjuntos de átomos do Universo, isto é, de todos os seres.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
domingo, 17 de outubro de 2010
Como você explicaria o desastre chileno entre 1973 e 1989, quando tentou-se implantar um sistema totalmente descentralizado e libertário e que não alcançou as devidas expectativas?
O regime de Pinochet pretendia ser libertário e descentralizado mas, de fato, era autoritário e centralista. Além do mais, foi um regime imposto pela força. O verdadeiro regime libertário só existe se surgir de forma espontânea, como um desejo simultâneo do povo e do empresariado, implantado pela via democrática, isto é, pela eleição de um parlamento e um governo comprometidos com medidas descentralizadoras e libertárias e que as aplique de forma gradual mas firme e segura, até que se atinjam condições de se prescindir do dinheiro, da propriedade e do governo. Isto é um processo muito lento, muito lento mesmo, da ordem de centenas de anos. Principalmente porque só tem sentido se for adotado em todo o mundo. Não há como se ter um país anarquista. Anarquismo só existe como condição global. O caminho para o anarquismo não é o socialismo nem o comunismo, mesmo que o anarquismo seja comunitarista. O caminho é o liberalismo extremado, a descentralização total e o capitalismo tão pulverizado que toda pessoa se torne patrão e não haja mais empregado nenhum. Isto só pode ser gradual e tem que ser levado adiante paralelamente a um programa educativo que leve, também, a que todos os adultos tenham, pelo menos, o nível médio de educação formal, que sejam politicamente conscientes e cultos. Que se invista no aprimoramento da inteligência como meta da educação, além da transmissão de conhecimentos e da aquisição de habilidades. Sem falar da formação do caráter. Neste projeto também é preciso conscientizar o empresariado de que a meta da sociedade é comum tanto para o povo quanto para a elite detentora do dinheiro e do poder. Tal meta é um mundo justo, próspero, harmônico, fraterno e pacífico para todos e não só para alguns. Todos que eu digo, são todas as pessoas, de todos os países, de todas as raças, de todas as religiões. Todos irmanados, uns cooperando com os outros e abdicando de parte de sua riqueza para o bem comum. Construindo uma riqueza coletiva e não individualizada. Certamente, de forma sustentável, isto é, preservando a qualidade do meio ambiente. É perfeitamente possível se construir um mundo só de ricos. Isto mesmo, em que TODOS sejam ricos, pelo menos num nível de renda mensal de, digamos, cinco mil dólares per capita, bem uniformemente distribuída, em que a máxima renda não passe do quíntuplo e a mínima da quinta parte disto.
Olá professor. Parabéns atrasado pelo teu dia, rs. Mas enfim, o sr. já ouviu falar em ateus sobrenaturalistas?
Obrigado. Nunca ouvi falar de ateus sobrenaturalistas. Se estou entendendo são pessoas que acham que não existem deuses mas que exista uma realidade sobrenatural, isto é, espíritos. Normalmente o ateísmo é associado à descrença na existência de espíritos também, como é o meu caso. Gostaria de conhecer os argumentos que essas pessoas possuem para considerar a existência de espíritos. Tal é o caso dos budistas, penso eu. Mas eles não têm uma comprovação da existência de espíritos, apenas crêem, como crêem na metempsicose.
Mas em relação ao capítulo 8 de João, a real intençao de Jesus com adúltera é mostrar q nem oq sem pecado julgaria ela, mas que ela pela graça fosse a partir livre a fazer o correto,"vai e nao peques mais". Pois como bem falou Jesus, "o meu fardo é leve".
Sou um grande admirador de Jesus como pessoa humana e procuro seguir muitos de seus ensinamentos, como doar todos os meus bens aos outros, mesmo considerando seu grande equívoco em supor-se Deus, se é que ele supunha mesmo. Mas discordo de vários pontos. Não considero, como Nietzsche considerava, que sua proposta seja para a construção de um homem fraco, derrotado e servil. Pelo contrário, para sustentar as virtudes da honradez, da justiça, da honestidade, da solidariedade, da compaixão, da temperança, da prudência e todas aquelas que fazem um ser humano sábio e valoroso, há que se ter muita coragem, destemor, valentia, bravura para, justamente, contrapor-se aos egoístas, mesquinhos, prepotentes, cruéis, insensíveis, que querem impor sua vontade à revelia do bem estar geral. O verdadeiro santo é um guerreiro, não para dominar os outros e escravizá-los, mas para libertá-los do jugo dos senhores da injustiça. O próprio "jihad" muçulmano, em princípio, não é uma guerra contra os infiéis, mas contra o pecado. Todavia a noção de pecado como atitudes e comportamentos contrários à vontade divina não pode prevalecer, mesmo que haja Deus, pois não se sabe que vontade é esta. As ditas "escrituras sagradas" não são absolutamente sagradas, mas uma coletânea de textos de autores diversos que se diziam portadores da palavra de Deus, ou, até mesmo, criam nisto, o que não tem o mínimo fundamento. Pecado, para mim, é uma conduta anti-ética, isto é, que despreza o outro em função da satisfação própria. Muito do que algumas doutrinas religiosas dizem ser pecado, absolutamente não o é, como o caso do sexo fora do casamento ou a homossexualidade. Mas o que mais condeno no cristianismo é a crueldade de Deus em se sentir aplacado em sua ira pelo sacrifício atroz de seu próprio filho. É um completo disparate. Aliás acho esquisitíssimo esse negócio de Jesus ser Deus e ter sido crucificado como expiação a Deus Pai, isto é, a si mesmo, já que o Pai, o Filho e o Espirito Santo são o mesmo Deus. Mas... como dizem os cristãos, isto é um mistério, aliás dois: o da Santíssima Trindade e o da Redenção. Para mim, Deus, em sua revelação, deveria ter deixado isto tudo bem explicadinho.
Deixe uma mensagem para os nazistas:
Larguem disso! Não há razão nenhuma que justifique privilegiar qualquer grupamento humano em detrimento de outro. Tampouco para supor que uma pretensa superioridade seja motivo para dominar o mundo. A filosofia nazista é fruto de um exacerbado sentimento de soberba, prepotência, orgulho, egoísmo e mesquinhez, além de desdém pela sorte do outro. É o oposto das virtudes que caracterizam uma pessoa como nobre, valorosa, magnânima, sábia, justa, equânime, bondosa. É a valorização de comportamentos vís e abjetos. Não tem nada a ver com o übermensh de Nietzsche nem com sua "vontade de potência", concepções que foram assimiladas erroneamente pelos nazistas alemães.
Também concordo,que a moralidade de muitos que se proclamam cristãos é falsa.Mas a veracidade de uma posição é independente do caráter dos seus crentes.Fora disso é falácia de ad hominem.E como bom cristão que sou e não anarquista,sou contra a legalizacao
Concordo que má conduta de crentes e de sacerdotes não depõe contra o valor de uma doutrina religiosa, se ela condena aquela conduta. E como cristão que você é, está certo em não admitir a legalização da prostituição, porque a doutrina cristã considera pecaminoso o sexo fora do matrimônio e mesmo o sexo dentro do matrimônio se ele não for o sacramento cristão. Certamente você, como eu, jamais fez uso da prostituição. Mas, como não sou cristão, discordo desse aspecto de sua doutrina e acho que sexo pode ser feito fora do matrimônio sim, mesmo que nunca o tenha feito enquanto casado e nem agora em que, não sendo casado, vivo uma união estável e fiel com minha mulher. O que não admito, em hipótese nenhuma, é a traição, isto é, fazer sexo fora da união conjugal, sem o conhecimento e o consentimento do cônjuge. Não havendo união conjugal, o sexo pode ser feito livremente entre qualquer casal, até do mesmo sexo, desde que, também, com consideração pela outra pessoa, que não seja usada como objeto, mas num envolvimento que inclua afeto e carinho. Mesmo que seja com um prostituto ou uma prostituta, que não é uma situação que considero desejável, mas que admito pelos motivos que já explanei.
palavras são signos para representar objetos ou objetivos, ou uma classificação de fatos do ser humano?
As palavras são signos que representam idéias. As idéias, por sua vez, são imagens mentais, pictóricas, auditivas, cinestésicas, olfativas, gustativas e de todas as ordens passiveis de percepção, de seres da realidade, suas qualidades, ações no mundo, suas modalidades, bem como abstrações construídas pela própria mente a partir do que ela apreende do mundo pelos sentidos e sentimentos que são conscientizados a partir de emoções vivenciadas organicamente. As idéias não precisam de palavras para existir. É possível se articular o pensamento e o raciocínio a partir de imagens puras e isto é o que acontece na maior parte do tempo, mas a associação delas a palavras dá à mente um poder de funcionamento extremamente potencializado, especialmente na construção de abstrações, como os esquemas modelares representativos da realidade que são as teoria científicas e outros modelamentos das estruturas e da evolução e da dinâmica dos fatos de qualquer ordem, naturais, pessoais, sociais, econômicos ou mesmo puramente abstratos, como os matemáticos. A existência da linguagem possibiilta esse tipo de coisa que seria, de fato, impossível sem ela. Mas linguagem não é só aquela das línguas faladas e de sua escrita, mas todos os conjuntos de símbolos, como os matemáticos, os sinais de trânsito, munidos de sua gramática (morfologia e sintaxe), capazes de representar e transmitir as idéias e sua dinâmica de uma forma inteligível, isto é, provida de um dicionário de associação dos significantes aos significados, que seja aceito por uma comunidade de usuários daquela linguagem. Muitos consideram que a lógica seja apenas uma propriedade arbitrária das linguagens, isto é, das proposições. Considero, contudo, que a lógica já existe nos próprios juízos formulados pelas idéias, mesmo sem representação simbólica. A Matemática, por exemplo, é um espelho de uma ordem estrutural imanente na natureza. Por isso é que se pode, matematicamente, deduzir consequências de leis físicas que são, de fato, observadas na natureza.