Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Quando alguém postula um criador para explicar a origem do universo, é válido perguntar a respeito da origem desse criador, ou essa é uma pergunta que não faz sentido?
Faz muito sentido sim. Se a resposta for que este é incriado, pode-se perguntar porque o Universo também não poderia ser incriado. Se o criador precisar ter sido criado, então se estabelece uma série infinita de criadores. Se o criador criou o Universo do nada, porque o Universo não poderia ter surgido espontaneamente do nada? Se isto é inexplicável, como explicar a criação de tudo a partir do nada? Se se pode aceitar isto, por que não aceitar o surgimento incriado a partir do nada? E esse criador, se houver, onde estava? Se o Universo, por definição, é o conjunto de tudo, não há nada fora dele. Quando ele não existia, não poderia haver nada, nem espaço vazio, quanto mais um criador. A suposição da existência de um criador cria muito mais problemas de toda sorte do que a suposição de que o Universo tenha surgido por conta própria.
Em relação à antimatéria, seu único propósito seria criar bombas com uma eficiência mais devastadora?
O raciocínio puro, apenas, pode ser usado com sucesso para descobrir as leis da natureza?
Não. O raciocínio permite que se tirem consequências de leis já descobertas. É o que se chama de um teorema. As leis propriamente ditas são como os postulados da geometria, não podem ser deduzidos. As leis são empíricas, ou seja, obtidas por indução e não dedução. E a indução não é um raciocínio puro, mas sim uma generalização inferida a partir de inúmeras observações de fenômenos, espontâneos ou provocados. A partir da observação e da análise do comportamento de todas as variáveis atribuídas ao fenômeno e às entidades dele participantes, propõe-se uma hipótese explicativa, que precisará ser testada contra todas as tentativas de falseá-la que se puder inventar. Se ela for aprovada nesses testes, e enquanto assim o for, permanecerá como a "lei" descritiva do fenômeno em questão. Note-se que as leis da natureza não "determinam" o seu comportamento, mas, simplesmente, o "descrevem". A natureza se comporta por conta própria, não dando importância a nenhuma lei. Se houver discrepãncia entre o comportamento da natureza e alguma lei que o descreva, esta é que tem que ser modificada.
Por que tens tanta aversão ao modo marxista de examinar o social/humano, se é o mais coerente cientificamente e racionalmente?
O que tenho aversão é ao comportamento doutrinário dos marxistas que não podem ver nenhuma crítica ao pensamento de Marx. Acho que o próprio Marx desaprovaria isto. Estou de acordo com muita coisa que Marx propôs, mas não tudo. Sou um comunista, mas não aprovo o comunismo de estado nem a ditadura do proletariado. Além do mais, o pensamento de Marx é filosófico e não científico, como ele pretende que seja. O mesmo se dá com o Augusto Comte. Não acho que somente a ciência seja capaz de obter explicações verdadeiras sobre os fatos da natureza e da sociedade. Mas não concordo em que se diga que uma verdade seja científica quando provém de conclusões tiradas por reflexão sobre os dados da realidade, o que caracteriza o conhecimento filosófico. Outras concepções de Marx não são válidas, como tudo o que ele diz sobre dialética. É preciso, a respeito de Marx, estudar suas propostas com isenção, como se deve fazer com qualquer outra. Parece a muitos marxistas que o marxismo é uma espécie de religião, da qual não se pode duvidar dos dogmas. Isto não tem nada de científico.
Anakin Skywalker foi emocional. Não odiava, apenas amava demais: lembra o que ele fez?? O amor é nocivo na mesma proporção do ódio. Saia do lado negro da força e aceite a razão como a saída para um mundo melhor!
Quem está do lado negro da força é justamente quem acha que o amor seja tão nocivo quanto o ódio. Não repudio a razão, como você pode pensar. O que digo é que a emoção também é um componente valioso do psiquismo e, principalmente, da tomada de decisões. Preste atenção: eu disse "também" e não "unicamente". Quem comete crimes por amor, em verdade não é pelo amor que assim o faz, mas pelo egoísmo. É porque exige reciprocidade e exclusividade no amor. Esta não é uma exigência amorosa. O amor não exige reciprocidade nem exclusividade. Quem ama quer o amado livre para amá-lo ou não, bem como para amar a outros também. Se não for assim, não está amando e sim sendo egoísta em suas exigências. O amor é altruísta e é isto que está faltando nos homens para construir o mundo bom, justo, agradável, harmônico, fraterno e feliz.
A linguagem da ANL é como o rabisco dos médicos: intrumento de diferenciação da maioria. Se a maioria, mesmo cultural, fala de forma clara e objetiva, por que deveríamos evitar? Estás esquecendo da função primordial da comunicação.
Discordo de que se deva praticar um linguajar inculto para se igualar à maioria e conseguir se comunicar. Mas não acho que o uso da norma culta seja para fazer uma diferenciação de estado social e sim para que a própria comunicação seja melhor, pois a norma culta estabelece, pela riqueza maior do vocabulário e a melhor expressão do pensamento, uma adequação mais ajustada entre a linguagem e o pensamento que ela pretende comunicar. O que propugno é pela disseminação da norma culta por toda a população, o que seria obtido com o alcance mínimo do nível médio de escolaridade por todos.