domingo, 23 de janeiro de 2011

Poliedro ou Anglo? Em qual curso pré-vestibular devo-me inscrever? Algum conselho de sua parte?

Sou um funcionário do Sistema Anglo de Ensino, portanto minha recomendação não é imparcial: recomendo Anglo.

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O que é a realidade?

Realidade, a princípio, é o conjunto de tudo o que, de fato, existe. Isto é, que está presente no mundo, independentemente de qualquer mente que o perceba ou conceba. Ou que não sejam meramente abstrações ou idéias, sem correspondência com algo existente objetivamente. Seria, pois, o conjunto dos seres, que são os entes existentes. Ente é aquilo que poderia existir, mesmo que não exista. Um cavalo é um ente real, logo um ser. Um unicórnio poderia existir, mas não existe, logo é um ente, mas não um ser. Já um círculo quadrado nem é um ente, pois não poderia existir. Da mesma forma, espíritos e deuses poderiam existir, logo são entes. Se, de fato, existirem, seriam seres e, portanto, reais.
Todavia este conceito precisa ser aprimorado para levar em conta outras categorias. Os eventos, os valores, os números, por exemplo, existem? Sim, é claro. Mas não são entes. Da mesma forma as normas (leis etc), instituições... Existem? São reais? E o que dizer das ações, modos, qualidades, relações, atributos, idéias, conceitos, palavras, juízos, proposições... Isto existe? É real?
Para abarcar todas as possibilidades de existência é preciso estabelecer categorias de realidade. Assim temos uma realidade "real", isto é, concretamente independente de mentes, como a dos objetos físicos, seres vivos, espíritos e deuses, se existirem e uma realidade "abstrata", só existente no interior de mentes que as concebam, mesmo que haja um consenso entre muitas mentes a respeito do significado de cada elemento dessa realidade. Neste último caso incluem-se os valores, os números, as relações, as normas, as instituições, os conceitos, as proposições e outros que tais. Mesmo neste caso, podem haver casos de conceitos irreais, como o círculo quadrado, um líquido sólido ou um mineral vivo.
Um problema importante, ligado à realidade, é o problema da verdade. Concebida como a adequação do discurso à realidade, a verdade pode ser objetiva ou subjetiva. Esta é a adequação entre o discurso e a percepção individual da realidade e aquela com a realidade em si mesma. O problema é como conhecer a realidade em si mesma, se só temos acesso a suas percepções. A solução é adotar como mais próxima da realidade em si, o consenso mais amplo das percepções de muitas mentes.

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http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/11/05/desenganando-varias-pegadinhas-do-neo-ateismo/ Ver o item 2-

O Snowball tem razão em criticar certos argumentos ateístas sem fundamento. Mas, nem ele nem o Craig, têm razão no geral. Para começar, não é verdade que não exista e nem possa existir infinito. Só que infinito não é um número nem uma quantidade. Infinito, em matemática é um limite ou uma cardinalidade. O que vem a ser isto? Limite infinito significa que o valor numérico em questão é maior do que qualquer número que se possa conceber, inteiro ou real. Mas não é um número. Todavia é algo existente, como um limite, mas não uma localização em uma reta, por exemplo. Como cardinal, infinito é a noção advinda da propriedade comum a todos os conjuntos que possam ser colocados em correspondência biunívoca, quando a quantidade de elementos do conjunto tiver um limite infinito. Neste caso podem-se distinguir vários infinitos, que são elencados por seu valor, denominado por Cantor de "alef". Alef-0 é a cardinalidade dos números naturais, inteiros, pares, ímpares e racionais. Todos podem ser colocados em correspondência biunívoca e logo para cada elemento de qualquer um, existe um e somente um elemento de qualquer outro. Alef-1 é a segunda cardinalidade, correspondente ao conjunto dos subconjuntos de um conjunto de cardinalidade alef-0. Pela hipótese de Cantor, ainda não provada, ela é a cardinalidade do contínuo, isto é, dos números reais, dos irracionais, dos complexos, dos quatérnions, dos vetores, tensores, matrizes e de qualquer intervalo de números reais. O conjunto das funções de variáveis reais, complexas ou de qualquer desses conjuntos listados, contudo, tem uma cardinalidade superior, que seria alef-2. Os funcionais, isto é, as aplicações sobre o conjunto das funções, objeto do cálculo variacional, já teria cardinalidade alef-3. Isto é uma abstração, mas todos os números também são abstrações. O conjunto dos alefs, chamados "cardinais transfinitos", tem cardinalidade alef-0.
A questão é saber se, no Universo, é possível haver algo real e não apenas uma abstração, que seja infinito, de qualquer cardinalidade. A resposta é sim! Consideremos o tempo. Mesmo que ele tenha tido um início, não há nada que impeça que ele continue a passar indefinidamente. Inclusive a noção religiosa de eternidade é a de uma situação em que o tempo continuará a passar, sem nunca acabar. Todavia o tempo, de modo diverso do que diz o argumento Kalam, também pode nunca ter iniciado. Mostrarei mais adiante. E quanto ao espaço? Também não há impedimento para que o espaço se estenda indefinidamente. Qual seria este? Como o espaço e o tempo, até que se verifique em contrário, não são quantizados, mas contínuos, sua cardinalidade é alef-1. E o conteúdo do Universo, isto é, o número de quarks, leptons, fótons e outras partículas? Se a extensão do Universo for infinita, ele também o será, mas de cardinalidade alef-0, pois são enumeráveis. Realmente, isto é algo difícil de se admitir, mas há muita coisa na natureza que não atende ao senso comum, como os comportamentos quânticos e relativísticos e que, no entanto, ocorrem. Nada impede que assim o seja. A questão é verificar se, de fato, é assim.
Já comentei sobre o argumento Kalam, mas vou repetir. Ele diz que o tempo não poderia ter tido um começo infinitamente afastado para o passado, pois assim, não teria havido tempo para que se chegasse até agora, e, como estamos aqui... De fato, está certo. Todavia, quando se diz que o tempo é infinito para o passado, está se dizendo que ele não teve começo nenhum e não que seu começo está há um tempo infinito. Isto é completamente diferente. O tempo não ter começo é considerar que cada momento teve um que o precedeu, sem limite para o passado. Por que não? Isto não impede que o presente exista, pois não se tem que considerar um decurso infinito de tempo desde o início, já que não houve início. Do ponto de vista religioso, é o que acontece com Deus, que seria um ser que sempre existiu. Porque o Universo não poderia sempre ter existido? O que impede?
A afirmação de que o Universo teve um início não se deve a este argumento e sim à constatação de que, como o Universo está se expandindo, raciocinando-se no sentido inverso, houve um momento em que tudo estava infinitamente próximo, numa densidade infinita (ou quase). Já havia Universo antes disso? Havia "antes"? Conjecturas inverificáveis, pelo menos, por enquanto. Mas nada impede que se considere o início da expansão como o início do tempo, do espaço e da existência do Universo. Antes disso? Nada! Nem antes, nem espaço vazio, nem tempo passando sem nada haver. O surgimento se deu, então, a partir de nada (mas não "do nada"), sem causa, sem plano, sem propósigo, sem origem. Completamente fortuito. Por que não? Por que supor a necessidade de causa, plano ou propósito? Se não há motivo para tal, o mais correto é supor que não haja.

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Algumas teorias cosmológicas colocam o vácuo quântico antes da formação do conteúdo que começou a se expandir no Big Bang.Tal vácuo pode ser eterno considerando a entropia ou outras leis que limitam o mundo físico?

Não acho que o vácuo seria eterno pois, se ele existisse imperturbável, não haveria passagem de tempo. Então o tempo teria começado no momento em que a expansão começou e isto teria sido uma perturbação ou quebra de simetria espontânea. A não ser que demos outro conceito à palavra eterno, não como uma permanência ao longo de um decurso infinito de tempo, mas como uma permanência sem passagem de tempo. Mas, se havia vácuo, havia Universo, então o início da expansão não seria o início do Universo. Haveria, assim, um Universo sem tempo, como pode vir a voltar a haver, na morte térmica, com o fim da expansão, se houver. Esta situação inicial não contraria a lei da não diminuição (e não do aumento, veja-se bem) da entropia, uma vez que ela contempla a possibilidade da entropia permanecer constante e, mesmo porque, não havendo passagem de tempo, não se pode verificar constância de nada, pois isto significa a manutenção de certo valor ao longo de diferentes momentos, e não há momentos quando não há tempo. Se o Universo for espacialmente infinito, como parece que seja, este vácuo primordial também o seria e esta hipótese pode ser admitida. Se ele não for infinito, então, no começo da expansão, seu volume tenderia a zero e, num volume nulo, não há espaço, e, pois, não há vácuo, pois este ocupa espaço. Um Universo finito só pode ter começado sua expansão a partir de nada. O conteúdo que se expande, no caso, a princípio, só o vácuo, tem que ter surgido concomitantemente ao início da expansão. Todavia, não há como verificar observacionalmente como seria o Universo neste início, de modo que só se podem fazer conjecturas. Em minha opinião, mesmo no caso infinito, o vácuo surgiu no momento do início da expansão. Mas não há como comprovar.

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Bem, ainda tenho dúvidas quanto ao conceito de espaço, pois me parece muito vaga e, alem disso, demasiado abstrato. Posso então pensar que ele algo emergente(uma flexibilização*) de seus constituintes, ou seja, não é os contituintes mas emerge dele

A noção de espaço é abstrata mesmo. Não é uma entidade substancial, isto é, não é feito de coisa nenhuma, como o tempo. O espaço é como o interior de uma vasilha, só que sem a vasilha. É uma capacidade de caber. Há espaço onde algo pode ser colocado. Se você apertar a ponta do seu polegar contra a do indicador e conseguir expulsar todo o ar, entre eles não haverá espaço. Conceitualmente o espaço poderia ser vazio, isto é, não estar preenchido por conteúdo nenhum. Mas isto não existe no Universo. Qualquer região que possa caber alguma coisa é sempre preenchida, pelo menos pela radiação que atravessa o Universo todo. Pode não ter matéria, isto é, sistemas feitos de prótons e elétrons, quando será um vácuo. Um vácuo, porém, não é vazio. O espaço também é sempre preenchido pelo campo gravitacional e pelo campo do vácuo, ou "mar de Dirac". O primeiro é medido pela curvatura local do espaço e o segundo é o que dá azo ao surgimento espontâneo de pares de partícula e antipartícula.
Assim sendo, pode-se dizer, como você o fez, que o espaço, "emerge" de seu conteúdo, não existindo, fenomeologicamente falando, sem ele. O campo do vácuo e o gravitacional, realmente, são os constituintes básicos do Universo, a partir de que tudo se formou, começando com os bósons de Higgs e, depois, os quarks e antíquarks, os leptons e antileptons, os fótons e tudo o que existe. Esses campos surgiram indissociavelmente ligados, como aspectos de uma mesma realidade, o Universo, sendo a gravitação nada mais do que uma propriedade do espaço-tempo. Não existe um espaço vazio dentro do qual o Universo se coloca. O espaço é um componente do Universo, bem como o tempo.

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O que é o cinismo?

Cinismo é a postura filosófica de ser completamente desapegado dos bens materiais e voltar-se para o cultivo das virtudes e dos bens do espírito, não necessariamente sobrenaturais. Seu mais destacado representante foi Diógenes de Sínope que, tendo sido presenteado por Alexandre, o grande, com os bens que quisesse, apenas lhe pediu que não ocultasse o sol que tomava, dizendo "não me tires o que não me podes dar". A palavra deriva de "kynon", em grego ou "canis", em latim, cão, por ser um animal que não preza nenhuma riqueza, mas apenas a amizade e a lealdade. Também é o comportamento vivido e pregado por Gautama Buda, Sócrates, Antístenes, Jesus Cristo, Epicteto, Francisco de Assis, Mahatma Ghandi e outros grandes líderes espirituais. Todavia não tem nenhum componente religioso. O cinismo despreza os valores mundanos e a opinião pública. Diógenes foi um dos primeiros pensadores cosmopolitas e anarquistas. O cinismo prega a autarquia, isto é, o governo de cada um a si mesmo apenas, focando na prática da virtude a razão da felicidade, com a libertação dos desejos materiais, nisto assemelhando-se ao budismo. O cinismo é precursor do estoicismo pela adoção, também, da ataraxia, ou a indiferença a todas as mazelas. O estoicismo, contudo, não nega a possibilidade da posse de bens materiais, desde que não se seja apegado a eles.

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www.escolasempartido.org

Considero inteiramente correta a postura de que as escolas não podem tomar partido de nenhuma ideologia ou doutrina de qualquer espécie: política, religiosa, científica, cultural ou de que categoria for. Isto vale para todas as vertentes dessas categorias, como as posições de esquerda, de direita, democráticas, anarquistas, totalitárias, cristãs de qualquer confissão, judaicas, islâmicas, budistas, hinduístas, ateístas, racistas, classistas, homofóbicas, homofílicas ou seja o que for. Mas também precisam apresentar, de forma neutra e sem nenhum viés tendencioso para o lado que for, todas as opções de escolha nessa diversas categorias. E, principalmente, cultivar a tolerância e o respeito aos modos diferentes de pensar e de agir, condenando, é claro, toda atitude que venha a ferir liberdades inalienáveis das pessoas. Para tal é interessante que se promovam apresentações e debates entre as várias correntes de opinião a respeito de algum assunto, como entre o evolucionismo e o criacionismo, o teísmo e o ateísmo, o socialismo e o capitalismo, a democracia e o anarquismo e várias outras dessas dicotomias. Dessa forma a juventude se formará com o conhecimento de todas as escolhas que poderá tomar na condução de sua vida pessoal e em sociedade, de modo a poder definir sua cosmovisão e seu ideário, que se tornarão parte integrante de sua vida adulta e, em função do que, pautará suas atitudes e decisões. ao mesmo tempo tem que ser mostrado que certas escolhas não podem ser feitas, seja qual for a opção tomada nessas categorias. Refiro-me à escolha pela conduta desonesta, criminosa, egoísta, mesquinha, aproveitadora, fraudulenta, prepotente, injusta, covarde, mentirosa, tapeadora, vil, ordinária e o que for de malvada e maldosa. Essa escolha tem que ser rejeitada não pelos prejuízos que possa causar à própria pessoa, mas porque é intrinsecamente errada, mesmo que só leve vantagens a quem a faça. O comportamento ético tem que ser cultivado pelo seu próprio valor e não por vantagem nenhuma que traga. Assim procedendo, não importa de que lado a pessoa se posicione nas escolhas antes mencionadas, ela pode viver com a consciência tranquila de ser alguém que pauta a vida pela prática do bem e da virtude. O que não se pode é proceder a escolhas por conveniência, sabendo que se está do lado errado da justiça. Isto tem que ser impregnado na mente da juventude: se algum lucro, de qualquer espécie, advir em sacrifício de algum princípio ético, que se leve o prejuízo.

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