Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Olá Ernesto há muito não entro no forms,e lembro-me de quando esta página possuía 15 perguntas. Agradeço a você pois era racionalista extremo mas suas idéias me fizeram crer no papel das emoções na construção de uma vida melhor na esfera pessoal. Valeu!
Obrigado por suas palavras. Isto me alegra por ver que o que eu digo repercute e é capaz de melhorar a vida das pessoas. Um grande abraço.
Faz um tempo que eu virei adepto do Zen Budismo e todo mundo agora tá me chamando de louco, que eu estou andando por aí que nem um mendigo, não ligando pra nada... O que pensa disso?
Ótimo, se assim é que você se sente realizado. Recomendo, contudo, que, mesmo na pobreza, você mantenha a higiene impecável, do corpo e das roupas, mesmo pobres. Que seja uma pessoa diligente e ativa, sem preguiça e nem cobiça. Que seja ordeiro, arrumado, organizado, mas sem apoquentar. Seja calmo, mas objetivo e perfeccionista, paciente e perseverante, responsável mas sem grilos. Que não ligue para os bens materiais e para a opinião dos outros, mas ligue para a erradicação do mal e da injustiça, trabalhe para a felicidade dos outros e doe-se ao mundo e às pessoas para consertá-lo. Senão a sua atitude zen não terá valor nenhum. A prática zen é, justamente, agir mais do que falar, sem se importar com o reconhecimento, o prestígio e a retribuição. Dar de si antes de pensar em si.
O senhor não crê que embora seja produtivo dicutir sobre temas interessantes, é essencial tomarmos a iniciativa prática? Não se arrepende de não ter participado mais ativamente em movimentos anarquistas em sua juventude?
Claro que se precisam tomar iniciativas práticas. Mas nem sempre são as mesmas pessoas que agem na teoria e na prática. Alguns pelejam no embate das idéias, outros nas ações positivas do dia a dia. Sempre sem violência, reafirmo. Além disso, o amadurecimento de minhas convicções anarquistas se deu já aos meus 30 anos. Na juventude mesmo, eu não era anarquista assumido, mas apenas via essa posição com simpatia. Também não era ateu. Acho que o trabalho de conscientização é de suma importância para a propagação do anarquismo. Mesmo não sendo um ativista prático, já que nunca fui uma pessoa prática em nenhum assunto da vida, faço muita coisa em prol do anarquismo, como trabalhar de graça, dando aula para estudantes carentes, doando bolsas de estudo do meu bolso para pessoas pobres e, o principal, que é o projeto de minha vida, estou organizando toda a minha biblioteca para disponibilizá-la ao povo. Estou pensando em um esquema de fazer isto sem que precise fundar nenhuma instituição, como uma ong ou uma fundação, pois quero que seja algo anárquico, sem estrutura jurídica nenhuma. Mas quero que tenha garantias de funcionamento e que ninguém vá pegar os livros para si. É preciso um controle que ainda tenho que inventar, pois não quero envolvimento de dinheiro em nada. Sem contabilidade, sem rendas, sem custos. Só com trabalho voluntário e captação de doações de coisas, não de dinheiro. Mas doações a fundo perdido, sem desconto no imposto de renda, sem recibos. De um modo verdadeiramente anarquista. É o meu sonho.
Assisti um filme há pouco tempo sobre um grupo anarquista "terrorista" alemão chamado RAF.Eles eram contra a morte de civis e atacavam alvos estratégicos do governo alemão e da imprensa corrupta.O que acha de iniciativas nobres do tipo?
Sou contra atitudes violentas e qualquer tipo de terrorismo, mesmo que por causas boas. Sou como Gandhi, um pacifista convicto. Considero que tudo pode ser resolvido sem recurso a nenhuma violência. Admito apenas a defesa a agressões. O mocinho não pode se valer dos meios de ação do bandido, mesmo que isto possa representar, a principio, uma inferioridade tática. A força da mansidão, estrategicamente, é muito mais poderosa. Mesmo que não fosse, violência é algo errado e não pode ser admitida, mesmo que possa causar prejuízo. É como a honestidade nos negócios. Tem que ser mantida sempre, mesmo que dê prejuízo. É possível combater a imprensa corrupta com denúncias e manifestações pacíficas, bem como qualquer instituição governamental.
@Th_NF Falando em Jesus e Filosofia Cínica. Teria Jesus sido influênciado pelos Cínicos?
Não tenho informações confiávies a respeito. Os essênios, dos quais parece que Jesus assumiu muitas posturas, tinham um modo de vida bem parecido com os cínicos, mas também não sei se foram influenciados por eles. Jesus era mais estóico do que cínico e a diferença está em que os cínicos repudiavam os bens materiais e os estóicos não se importavam com eles, mas não os repudiavam. Veja isto:
http://rodrigogospel.blogspot.com/2009/10/uma-suposta-cronologia-de-invencao-do.html
Felicidade = SER + FAZER o que considera correto e ético. Concorda?
Isto não seria o conceito de felicidade, mas a prescrição para obtê-la. Analisemos. Por "ser" não estamos dizendo que a pessoa deva ser o que é, pois disto há como se escapar, mas sim que a pessoa se assuma como é, sem fingir ser o que não é. A segunda parte, realmente é uma condição necessária para a felicidade, pois uma vida de fingimento não é uma vida plena e realizada. Assumir-se o que de fato se é requer uma ressalva. Quando se é algo inteiramente não recomendável, como ladrão ou assassino, não é bom assumir-se assim, mas sim mudar para deixar de ser assim e, transformado, assumir o novo estado. Qual o estado a ser assumido que leva à felicidade? O estado virtuoso. A felicidade se alcança com a prática da virtude. Este é o preceito epicurista. E o que é a virtude? A prática do bem. E o que é o bem? As ações que levam a maximização da felicidade para o maior numero de seres. Caiu-se, pois, em um círculo vicioso. De fato, mas não há como se escapar. Felicidade e bem acabam se confundindo. A segunda parte de sua equação: fazer o correto, já está embutida na primeira: ser do bem. A felicidade é, pois, um estado que depende mais das ações do que das intenções e das circunstâncias. É claro que se pode ficar infeliz temporariamente devido às circunstâncias adversas, como doença, pobreza, luto e outras. Mas isto não perturbará o estado de felicidade de longo prazo se se é virtuoso, especialmente no quesito ataraxia, que é, justamente, não se perturbar com as vicissitudes. Então pode-se ver que o estado de felicidade depende das atitudes perante as provocações da vida, isto é, do modo como respondemos a elas, por meio de nossas ações.