[continuação] Sendo Deus, ou o Ser absoluto, como queiram, a totalidade da realidade, você teria que estar num plano para além da totalidade da realidade para poder delimitá-lo.
Poderia comentar, professor? Um abraço
Há uma concepção de Deus como um ser transcendente à realidade, isto é, que se situa fora e além dela, uma como um ser imanente à realidade, isto é, sendo ela mesma e uma terceira como sendo transcendente e imanente, isto é, participando dela mas estando além dela. A primeira é o caso do teísmo e do deísmo, a segunda do panteísmo e a terceira do panenteísmo. Teísta é a concepção do Deus judaico-cristão-muçulmano, deísta é o "deus dos filósofos", panteísta é a concepção de Espinosa e panenteísta é a concepção brahmânica. Você não precisa estar além da totalidade da realidade para delimitar ela mesma. Primeiro que não há como isso ocorrer, segundo que é possível delimitá-la de dentro dela mesma, sem problema nenhum. Esta delimitação, ou definição, é uma operação mental e não uma operação física. A mente pode conceber qualquer coisa, mesmo o que seja fisicamente impossível. A ideia de Deus, portanto, qualquer que seja ela, é perfeitamente concebível. Se isto se realiza, de fato, é outra história. Mas a verificação dessa realização, em tese, não é uma impossibilidade. Um conceito é um conjunto de atributos essenciais, para que o ente conceituado seja o que é, e não outra coisa. Esses atributos, em princípio, podem ser testados, mesmo que só em experimentos pensados. Note, finalmente, que o estudo da existência de Deus, de fato, é filosófico e científico, pois, se se considera que ele seja real, e não meramente um conceito, há que se verificar fenomenologicamente essa realidade, e não apenas ontológica, epistemológica ou logicamente. Quanto à teologia, não se trata de uma disciplina nem filosófica nem científica, pois se baseia na "revelação", isto é, em fatos que se considera que tenham sido revelados pela própria divindade e aceitos como "verdades de fé". É claro que a fé não sustenta a veracidade de coisa nenhuma. Logo a teologia é uma disciplina que se assenta no vazio. Isto é: não significa nada.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Todas ciências se iniciam com, entre outras coisas, a delimitação do objeto a ser estudado. [continua]
Quando começam a surgir problemas em sua caminhada, você desiste de fazer aquilo que queria fazer ou persiste?
Sou bem insistente, paciente e perseverante. Tento 49 vezes. Mas não 50. Também desisto no caso de meu intento prejudicar a outrem. Mas minha insistência não é teimosa. A cada vez eu procuro um modo diferente de tentar, para ver se contorno o obstáculo. E faço muito uso da "força da mansidão", isto é, não vou na base da briga. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Antes de tomar suas decisões, você pesa cuidadosamente todos os prós e os contras?
Peso, mas não tão cuidadosamente assim. Apesar de parecer muito lógico e racional, de fato sou mais intuitivo do que racional. E muito sentimental também. Daí decidir, na maior parte das vezes, pelo coração. No que diz respeito à parte financeira sou um desastre e levo prejuízo em qualquer negócio que faça. Tenho muito escrúpulo em não estar dando prejuízo para ninguém. Levar prejuízo ou ser tapeado, para mim, não importa muito, pois não fui eu que fiz nada errado. Dar prejuízo é que eu não admito. E, evidentemente, tapear.
Talvez a maioria de nós escreva nossa própria história e outros possuem a vida já moldada, planejada pelo destino. Qual das opções você se encaixaria?
Não existe destino. O curso da vida se dá pelas interferências externas, a mais das vezes aleatórias e por nossas decisões a respeito do que fazer com elas, bem como por nossas iniciativas. Nem sempre se consegue o que se quer, por razões alheias à nossa vontade. Há os que se deixam levar pelas ocorrências e os que as provocam. Pessoalmente sou um meio termo. Depende do caso. A questão é que não gosto de passar por cima dos sentimentos e dos direitos dos outros para obter vantagens pessoais. Então, se meu desejo conflitar e for prejudicial ao bem de pessoas que me são caras, eu desisto. Por outro lado eu tenho grande perseverança, paciência e obstinação para perseguir meus ideais, se forem para o bem de todos. E, felizmente, sempre fui reconhecido e a maior parte do que consegui na vida me foi oferecida. O saldo me é positivo em termos do que tem valor para mim, pois rico eu não fiquei, mesmo tendo sido bem remunerado por meu trabalho. É que doei a maior parte de tudo o que recebi. Mas sou feliz porque sou respeitado, reconhecido, estimado e amado.
a pogonofobia, em meio ao vasto repertório de transtornos, neuroses e parafilias humanas, não é talvez a mais aberrante, patética e monstruosa psicopatologia humana?
Na verdade não sabia que existia tal tipo de fobia, esta, a barbas. Se é mesmo uma doença, é muito esquisita. Mas pode ser apenas um tipo de capricho, inteiramente sem sentido. Sentir repugnância por uma pessoa suja, de cabelos desgrenhados e barba por fazer por desmazelo e falta de higiene eu acho aceitável. Mas por ser portadora de barba, se esta é limpa e cuidada, não vejo nenhuma razão legítima, exceto se for uma patologia mesmo. Concordo que seja aberrrante e patética. A propósito, veja uma lista de fobias neste link:
http://renatolalonge.wordpress.com/2010/02/24/pogonofobia-voce-sofre-desse-mal/
Tem umas aberrantes mesmo.
Os maçons são ruins mesmo e a maçonaria é uma religião que prega mais ou menos os mesmos valores do Satanismo ?
Não acho que seja isso. Não conheço a maçonaria para dizer que seja satânica ou não. Mas conheço maçons que são boas pessoas. O que eu não concordo com a maçonaria eu já disse em uma questão anterior:
http://www.formspring.me/wolfedler/q/213764803196384047
domingo, 10 de julho de 2011
Você concorda com as ideias postas por John Lennon na música "Imagine"?
Inteiramente. É o meu ideal de mundo. Sou fã dessa canção.