segunda-feira, 5 de março de 2012

Se as pessoas podem ser tanto boas quanto ruins, o que fazer com quem pratica o mal, e que talvez um dia pode se regenerar, enquanto ainda vive na maldade? Como confiar em quem não presta? Acho complicado. Geralmente as pessoas não mudam facilmente.

A sociedade precisa mostrar que a prática do mal não pode ser tolerada, já que prejudica a corpo social como um todo, mesmo que possa beneficiar o autor. Para isso existe o sistema penal, que tem que ser devidamente estruturado para recuperar o criminoso por meio do trabalho, enquanto o castiga com a privação da liberdade. A prisão não pode ser confortável, mas tem que ser digna e, ao mesmo tempo, severa. Mesmo não sendo fácil mudar alguém, não é impossível. Por outro lado, a sociedade tem que dar condições para que todos possam viver bem de forma honesta e recompensar o esforço por melhorias. Assim a criminalidade jamais será algo atraente.

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domingo, 4 de março de 2012

Por que é tão difícil aceitar a não existência de Deus?

Porque essa conclusão traz um grande desalento. Saber que não se pode contar com poder superior nenhum para nos livrar das vicissitudes da vida, que, por mais que santifiquemos a nossa vida, ao morrermos desapareceremos por completo e não seremos premiados, do mesmo modo que uma pessoa malévola não será castigada é desesperador. É preciso muita personalidade para encarar de frente a realidade cruel e contar apenas consigo, com os amigos e com a ciência, todos imperfeitos, para a solução dos problemas. Assim se torna fácil e confortável supor que haja um Deus para prover tudo.

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Por que muitas pessoas acreditam em Deus se o mais lógico é não haver deus algum?

A inexistência de Deus não é lógica, pois não se consegue demonstrar que não exista. É uma convicção advinda da total falta de indícios em favor da existência. Mas isso, para ser concluído, requer uma razoável cultura científica. Quem não a possui tende a considerar que a explicação para o inexplicável só pode ser dada pela admissão de uma entidade invisível e poderosa, que seria Deus. Concluir que tudo pode ter uma explicação natural é um passo que requer certo nível de conhecimento, ainda não difundido generalizadamente na sociedade. Esse é um papel da escola. E é o tipo de coisa que venho fazendo em palestras e pela internet.

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Por que o ser humano é tão egoísta?

Não é! O ser humano tem a capacidade tanto de agir egoisticamente quanto altruisticamente. Se você fizer um levantamento estatístico, verá que as ações egoísticas não são a maioria. Alguns fazem mais ações egoístas que altruístas e os chamamos de egoístas. Mesmo esses podem fazer alguma ação altruísta, como altruístas fazem ações egoístas. O egoísmo provém da pulsão instintiva de conservação do indivíduo, enquanto o altruísmo vem do instinto de preservação da espécie, que leva ao sexo e ao cuidado com a prole, que são os germes biológicos do amor. Esse último instinto é mais forte do que o primeiro, que, aliás, existe em função do segundo. Considerando que o homem, por sua inteligência, desenvolveu a sociedade e a cultura, com as quais pode se manter muito mais confortavelmente seguro. E que a preservação da sociedade se dará pelo altruísmo e não pelo egoísmo (como prega a visão capitalista), pela educação o homem pode aprender a conter o seu egoísmo e cultivar o altruísmo, para benefício geral.

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Qual a sua opinião a respeito de Poligamia?

Perfeitamente admissível, tanto a poliandria quanto a poliginia ou um misto de ambas. A monogamia é, meramente, uma convenção social. Não tem raízes biológicas na espécie humana. É imoral onde a sociedade não admite. Mas não é anti-ética, se todos os envolvidos estão de acordo. Aliás, acho preferível o que eu chamo de relações livres. Sem contrato. Abertas para quantos se desejar, sequencial ou simultaneamente. Mas com compromisso. Compromisso de amizade, dedicação, de apoio, de companheirismo, de afeto, de doação de prazer, de cumplicidade, de interesse, de compartilhamento dos esforços para a manutenção da vida, de cuidado com a prole. Mas não de exclusividade e de perenidade. Isso não é necessário para a felicidade. Inclusive porque a interrupção de uma relação amorosa não implica em inimizade. E tudo isso pode muito bem ser levado com pluralidade de relacionamentos. Todos dignos, decentes, honrados, honestos, sinceros, intensos e, principalmente, livres, inteiramente livres. O maior obstáculo a um bom relacionamento amoroso e sexual é a dependência econômica de alguém em relação a outro. Isso é um desastre. Cada um tem que prover-se a si próprio e estar junto só porque quer, enquanto quer. O que pode ser motivo de muita infelicidade é, justamente, a imposição da monogamia como a única possibilidade, tanto para mulheres quanto para homens. Certamente que uma concepção livre de relacionamentos exclui inteiramente qualquer possessividade e ciúme.

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A mulher pode ter prazer com sexo anal e oral?Como pode ter prazer com essa abominação?O que é que sistema digestivo tem a ver com aparelho reprodutor?Vc não pode querer sentir cheiro pelo olho,nem gosto pelo ouvido.Não acha q iso vai contra um projeto?

Pode sim! Mulheres e homens. Não tem nada a ver com alimentação e digestão. Tem a ver com os terminais nervosos. Numa relação sexual tudo que for consensual é válido. Não tem abominação nenhuma. O que não pode é haver constrangimento e nem imposição. O resto, se der prazer, está certo. E não existe nada de projeto nenhum. Tudo o que surgiu na natureza surgiu por acaso.

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Quais são os melhores livros de relativismo?

De relativismo eu não sei. Mas sobre a Teoria da Relatividade, em nível de divulgação científica, eu recomendo:
Explicando a Teoria da Relatividade - Ronaldo Rogério de Freitas Mourão - Ediouro
ABC da Relatividade - Bertrand Russell - Zahar
Num nível intermediário:
Introdução à Relatividade Especial - Robert Resnick - Polígono
Einstein's Theory or Relativity - Max Born - Dover
Publicações originais:
The Principle of Relativity - Lorentz, Weyl, Einstein, Minkowsky - Dover
Há outros mais avançados, mas você precisaria estar fazendo mestrado ou doutorado em Física para entender.

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