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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Vc já foi em algum restaurante vegetariano em sua cidade? Vc sabe se é verdade se a comida vegetariana é saborosa?
Eu sei pela comida que como em minha casa. Minha mulher, Fátima, é uma exímia cozinheira vegetariana. Tudo o que ela faz é muito bem feito e muito gostoso, sem o uso de carne. Mas ela também faz pratos com carne muito bons. Pelo que como em casa posso ver que a comida vegetariana pode ser muito saborosa. Mas não é vegana, isto é, usa ovo e leite, especialmente na forma de queijo. Alguns pratos são veganos e também são bons. Uma omelete com queijos e vegetais é uma delícia. O uso de vários tipos de nozes e de passas de diversas frutas também faz o papel da carne com muita propriedade. Bem como o uso de frutas frescas na comida salgada, como banana e maçã. Não é por falta de sabor que não se é vegetariano. Há também a opção de se abster de carne da mamíferos, aves e répteis e comer peixes e frutos do mar (exceto lagostas cozidas vivas). Há que se analisar as razões pró e contra o vegetarianismo. Eu ainda não cheguei a uma conclusão cabal, como sobre a ingestão de ovos e leite, tomar café e chá, comer chocolate e vários itens controversos.
Você acredita que um dia o Brasil fará filmes com a mesma qualidade dos de Hollywood? ☠
Para mim, não. Hollywood é o que é por causa de uma longa história em que muito dinheiro foi investido em uma indústria do porte da automobilística, por exemplo. Os grandes estúdios foram como as grandes montadoras de automóveis. Hollywood foi para os USA o mesmo que Detroit, em termos de fixação do poderio Norte Americano no mundo. Isso não acontece com o cinema brasileiro, nem numa mísera porcentagem. Nem o cinema francês nem o italiano, que também são fortes, se emparelham ao norte-americano.
Quem é mais importante na história do rock: os Beatles ou os Rolling Stones? ☠
Acho que os Rolling Stones influenciaram mais outras bandas do que os Beatles. Mas os Beatles foram melhores eles mesmos. E deixaram um legado mais significativo em termos da beleza das melodias. Foram únicos.
Como ser realista, sem ser pessimista? E como ser otimista, sem fugir da realidade? Qual a medida entre ambos?
Entre o otimismo e o pessimismo, prefira o primeiro, a bem da saúde. Mas é possível ser realista sem ser pessimista. É uma questão de "Visão de Mundo". Para obtê-la há que se dedicar bastante a coletar o máximo de informações sobre tudo o que nos cerca. Diretamente, pela observação da vida de todos os que contactamos e indiretamente, pelos noticiários e pelo estudo de história, geografia, antropologia, sociologia. Mas é preciso vencer a tendência instintiva pelo otimismo ou pelo pessimismo e abordar a vertente oposta à que nosso temperamento sugere. Assim se tem a medida justa, que eu sugiro temperar com otimismo, para se motivar a lutar pela melhoria do que não está bom. Hoje mesmo, vi pela televisão que acreditar em amuletos dá à mente confiança e disposição para ser bem sucedido no que se faça. É claro que uma pessoa esclarecida sabe que amuletos, como orações, em si mesmos, não adiantam nada. É só psicológico. O otimismo também é psicológico, mas leva a confiar e a se ter mais empenho em trabalhar para melhorar o mundo. Se todos se empenharem nisso, certamente ele melhorará.
O espaço e a matéria são eternos, já que fórmulas como as da área, densidade e volume, não envolem a grandeza tempo?
O não envolvimento do tempo numa fórmula não significa que o que se está calculando seja eterno, mas apenas que se está calculando no momento em que os dados usados são os que existem. Saber se o espaço, o tempo e o conteúdo substancial do Universo (matéria, radiação e campos), com todos os seus atributos (extensão, duração, movimento, massa, energia, carga etc) sempre existirão e existiram ou se houve um momento em que começaram a existir e haverá um momento em que deixarão de existir é uma investigação bem complexa que envolve tanto levantamento de dados observacionais quanto formulação de modelos teóricos descritivos e preditivos de tal fato. Ainda não se tem uma resposta definitiva para isso, e pode ser que nunca se tenha. Mas, no estágio atual dos conhecimentos cosmológicos, o que se sabe é que o Universo teve um momento inicial, antes do qual não existia (nem espaço, nem tempo, nem campo, nem radiação, nem matéria) e que ele permanecerá existindo indefinidamente, mesmo que, no futuro, a matéria e a radiação possam deixar de existir e o tempo vá ralentando sua passagem assintoticamente até que se possa dizer que não passa mais. O espaço e o campo, contudo, persistiriam. Mas não há uma garantia cabal de que tudo não possa deixar de existir, incluindo o espaço e o campo, não restando nada, sequer "o nada".
Sua formação parece ter sido bem esmerada. Por que você não fez doutorado? O que acha da qualidade dos atuais programas de pós-graduação?
Quando eu ia sair para o doutorado o Reitor da UFV me convidou para assumir o cargo então equivalente ao de Pró-Reitor de Graduação e eu achei que nele eu poderia dar até mais contribuição do que fazendo doutorado. Depois eu fiquei para trás na fila de saída do Departamento de Física. Aí eu fui eleito Chefe do Departamento (antes eu fora Coordenador do Curso de Física), Depois fui convidado por outro Reitor para ser seu Chefe de Gabinete. Assim eu me enveredei pela administração acadêmica até me aposentar da Universidade. Foi quando fui convidado para substituir um professor de Física que falecera, no Colégio Anglo e acabei como Vice-Diretor do colégio, cargo que ocupo há 13 anos.
E quanto à 'Religião da Humanidade' ou 'Religião Positivista', criada por Augusto Comte. Qual a sua opinião?
Não acho válido nenhuma religião, seja qual for. O problema é que as religiões tolhem o livre pensamento e engessam a mente em um padrão rígido de convicções e condutas. Isso é muito mau. Mesmo que a proposta conceitual de Augusto Comte fosse válida (e eu tenho algumas restrições), colocá-la na forma de uma religião é uma temeridade. É preciso se estar sempre aberto a todas as possibilidades com um senso cético, inclusive em relação ao próprio ceticismo. Quase todo filósofo julga que sua proposta seja a definitiva. Mas sempre tem um novo que faz uma nova proposta para derrubar a anterior. Para mim o que vale é considerar que nada é definitivo. Nenhuma doutrina é dona da verdade. Ela tem que ser sempre buscada, mas nunca se consegue saber se já se a encontrou. Então se aceita o que se pensa ser a verdade como tal, provisoriamente, ciente disso. Não se pode congelar nenhuma doutrina. E é isso que as religiões fazem. Por isso são más, aprioristicamente, não importa o quanto de bem elas possam fazer. Todo o bem que porventura alguma religião seja capaz de fazer, e elas o fazem, pode ser feito melhor ainda sem elas. E sem outros tipos de instituições similares, como maçonaria, rosacrucismo, partidos políticos, clubes de serviço e outros que tais.
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