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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
O que acha do anarco-comunismo e do anarco-individualismo?
Sou um anarco-comunista, por estar convencido que essas são as melhores concepções respectivamente políticas e econômicas para a sociedade humana se desenvolver de modo harmônico, justo, próspero, fraterno, aprazível e feliz. Só que acho que tal estado tem que ser atingido por uma evolução e não por uma revolução. Quanto ao anarco-individualismo e o anarco-capitalismo, não concordo. Porque, no caso, não havendo governo e nem uma consciência social de cooperação, haverá a predação dos mais capazes em relação aos menos, o que implicará em ressentimentos, dissidências, desarmonias, invejas, retaliações. Tais ocorrências não permitirão que a sociedade tenha as características desejáveis para a anarquia. Por isso é que a anarquia não pode ser um meio para se obter nada, mas sim a culminância de um processo evolutivo, quando todos os problemas sociais tiverem sido resolvidos e a consciência comunitária tiver sido plenamente estabelecida. Uma verdadeira anarquia política só tem sentido em um verdadeiro comunismo econômico.
Chuva me ajuda a pensar, principalmente quando é aquela chuva pesada. Qual é a sua "chuva"? Digo, o que te ajuda a clarear os pensamentos?
Música Clássica. Especialmente o classicismo vienense de Haydn, Mozart, os filhos de Bach, Boccherini, Gluck, Cimarosa e Salieri. Beethoven e Schubert, mesmo ainda sendo do período clássico, já são muito dramáticos para criar um clima de favorecimento ao raciocínio, exceto a primeira fase de Beethoven.
Sem Filosofia haveria ciência?
No contexto histórico que se deu, a ciência surgiu da filosofia. Mas poderia ter sido de outra forma, inclusive invertida. Ou independente. Não há exigência epistemológica para que a ciência seja necessariamente derivada da filosofia. São áreas de conhecimento independentes tanto em termos do sujeito de suas considerações quanto em termos de suas metodologias de trabalho. Se bem que eu considero que a filosofia teria muito a ganhar se se valesse, também, do método científico para validar e veritar suas proposições.
Os religiosos dizem que ateus não possuem uma moralidade objetiva. É verdade?
Claro que não. A moral dos ateus é a mesma de todo mundo, pois nenhuma moral se fundamenta em prescrições de alguma divindade, já que isso não existe. A moral se baseia em um consenso social do que seja benéfico ou maléfico para a sociedade e para as pessoas em particular. A ética é a disciplina filosófica que cogita de validar a moral, isto é, de estabelecer critérios para que algo seja considerado moral, imoral ou amoral. A moral, pois, deve se basear na ética. Contudo, como uma construção humana não filosófica, a moral fica sujeita a circunstâncias locais, temporais, de estatuto social e, mesmo, da vontade dos detentores do poder em controlar o povo para o atendimento de seus desígnios. Por isso é que, quando alguma prescrição moral for divergente da ética, é preciso um movimento de desobediência para que ela seja mudada. A ética, por sua vez, não é (ou, pelo menos não pretende ser) circunstancial. Enquanto a moral se refere ao que seja proibido, permitido ou prescrito, a ética se refere ao que seja certo ou errado com relação às ações, desde que livres e conscientes. E o certo é a promoção do bem, enquanto o errado é a promoção do mal. Bem e mal são conceitos que não dependem da sanção de nenhuma divindade. São puramente humanos. Quem formulou as doutrinas das religiões é que atribuiu às divindades o estabelecimento do que fosse bom ou mau. Mas, de fato, tais atribuições são produtos das mentes humanas.
Como saber o que é certo e o que é errado?
Depende. Certo e errado pode ser uma propriedade dos juízos (e suas correspondentes proposições) ou das ações. No que se refere aos juízos, certo e errado é uma qualificação epistemológica. Certo é aquele que assevera uma relação verdadeira entre o sujeito e o predicado. Os critérios de veritação dos juízos são a evidência e a prova. A evidência se dá pela constatação sensorial, direta ou assessorada por instrumentos. A prova se dá por um raciocínio lógico válido, a partir de outros juízos já veritados. Ao se referir às ações, certo e errado é uma qualificação ética. Certa é a ação que promova o bem e errada a que promova o mal. Bem é o que seja maximizador da felicidade, alegria, paz, bem-estar ou lucro para o maior número de seres, que não provoque dor, sofrimento, tristeza, prejuízo, exceto se para promover um bem maior, que possa ser erigido como norma universal de comportamento e que se deseje que seja feito a si mesmo, enquanto mal é o que cause dor, sofrimento, tristeza, prejuízo e tudo de ruim, que não se possa erigir como norma universal de comportamento e que não se deseje que seja feito a si mesmo.
Ernesto, acho que o Hélio quis dizer foi que as ditas ditaduras socialistas (que na maioria das vezes, de ditadura não tem nada) a qualidade média de vida da população é melhor que de países capitalistas. Eu aposto que há menos mendigos nas ruas de Havana que nas ruas do Queens em NY.
As ditaduras socialistas são ditaduras sim. Não são nada democráticas. Não há oposição, há partido único, as eleições são só pra constar. A imprensa não é livre. Há presos políticos. Claro que em Havana tem menos mendigos do que em Nova York, porque Cuba inteira tem menos população do que a área metropolitana de Nova York. Além do mais, muitos mendigos de Nova York não são de lá, mas vão para lá porque, mendigando, têm uma renda maior do que a renda per capita de Cuba. Não sei se a qualidade de vida dos cubanos, em média é melhor do que a dos países capitalistas do primeiro mundo. Pelo que sei, não é não. Isso não significa que eu aprove o capitalismo concentrador e selvagem. Trata-se de uma constatação. Sou comunista, mas não apoio o marxismo, não apoio o socialismo e muito menos qualquer ditadura. O comunismo tem que ser estabelecido pela vontade do povo e não por nenhuma revolução. O povo é que tem que votar nos candidatos comunistas e eles estabelecerem o comunismo por leis e não por ditaduras.
o senhor ter trocado sua foto para uma de quando estava com barba se deve ao fato de que atualmente as barbas se tornaram moda/''modinha''?
Não. É só para variar. Há muitos anos que tenho alternado entre usar e deixar de usar barba. A primeira vez eu tinha menos de 30 anos, na década de 70. E não é essa barba curta que se usa hoje e sim uma barba espessa. Já deixei e tirei umas cinco ou seis vezes ao longo da vida. Talvez no próximo inverno eu deixe de novo. Não gosto de ter sempre a mesma aparência. Por exemplo, não sou obrigado a usar gravata, mas gosto de usar. Só que não uso todo dia. Tem dias que uso e dias que não. Também uso boina, às vezes, no frio. Do mesmo modo que calça jeans. Só não uso camisa com escrito ou desenho. De malha, só camisa polo. Nem uso camisa para fora da calça. Nem tênis. É que não gosto de ter um ar esportivo. Só se eu tiver na praia ou na piscina.
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