sábado, 19 de junho de 2010

Falando de Sexo



Apesar de toda a liberalidade sexual que existe atualmente, sexo ainda é um assunto de que se fala entre risadinhas ou de forma eufemística. Não é um tema normal, que as pessoas abordam com tranquilidade, como culinária, por exemplo. Este exemplo vem a calhar, pois, alimentar-se, como o sexo, é uma das funções primordiais da vida. Porque, então, as pessoas conversam sobre alimentos e seu preparo com tantos pormenores, as comadres passam receitas umas para as outras, os homens dão dicas sobre o melhor modo de se fazer o churrasco, as pessoas confidenciam suas experiências gastronômicas, mas ninguém conversa de modo franco e espontâneo sobre suas experiências sexuais, não passam dicas de melhores e mais interessantes posições e nem comentam suas práticas sexuais? Principalmente em um ambiente com homens e mulheres ditas "de família". As mães ao educarem sexualmente suas filhas e os pais os seus filhos não lhes passam conselhos para melhor fruir o prazer do sexo. No máximo indicam livros que os abordem. Professores, nas aulas de educação sexual, tratam o assunto de modo asséptico, descrevendo o aparelho reprodutor e os aspectos biológicos da função reprodutiva e, mesmo, os cuidados a se ter com doenças sexualmente transmissíveis e o risco de gravidez precoce. Mas não abordam o aspecto afetivo do relacionamento amoroso e nem o edonista. Porque este tabu? Mister se faz que tal tipo de preconceito seja derrubado. Até mesmo os twitters de minha amiga Regina Navarro, sexóloga renomada, são extremamente pudicos. Não estou falando de pornografia nem de uma abordagem de temas sexuais por um prisma de "sacanagem", mas de um linguajar normal, sem baixo calão mas sem "frescuras", tratando de sexo como se fala de amor ou de outro assunto qualquer, diretamente, sem metáforas. É preciso entender que o sexo é um componente primordial da existência, mais importante que o trabalho, a arte, a ciência, a política, a educação, a prosperidade e quase tudo o mais, até a liberdade. Só não é mais importante que o alimento, o abrigo, o agasalho, a segurança, a saúde, água para beber e ar para respirar. Concito a todos que inaugurem tal prática, o que passarei a fazer em próximas postagens. Esta é só uma advertência.

Aproveito para fazer um desfio: Onde está e que fez a escultura mostrada?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Qualidade do Ensino

Penso que se o ENEM se firmar como aferidor da qualidade do ensino médio e único meio de acesso ao nível superior, vai ser possível estabelecer um padrão nacional de qualidade de ensino. Há problemas a contornar, como a garantia de segurança e lisura, mas não é impossível. Outra medida é tornar o magistério uma profissão não apenas condignamente, mas atrativamente remunerada, de forma que as melhores cabeças prefiram ser professores do que médicos, engenheiros, advogados ou empresários. Estou falando de dedicação exclusiva e uma carreira, para todo o magistério, compatível com a carreira militar, por exemplo. Penso, mesmo, que o Ministério da Educação deva ser como uma espécie de exército, os professores sendo vinculados diretamente ao Ministério ou às secretarias estaduais, fazendo rodízio entre os estabelecimentos e as cidades. O mesmo deveria acontecer com a saúde pública. E que se acabe com o ensino privado, pois a educação pública tem que ser de alta qualidade e disponível para todos, sem outra alternativa. Assim as classes mais abastadas terão que cuidar para que ela tenha mesmo essa qualidade. Pode ser que ela seja paga, de forma escalonada, em função da renda e do número de pessoas no grupo familiar do estudante. Mas que não haja turmas separadas de ricos e pobres.

Além disso, tanto na educação básica quanto na superior e mesmo em todo o funcionalismo, não pode haver estabilidade do emprego, mas sim uma manutenção nele em função de uma avaliação bi-anual, de uma forma ampla e multifacetada, de modo a implicar em demissão por justa causa de incompetência ou negligência, se o professor ou funcionário estiver abaixo de um escore mínimo em duas avaliações consecutivas ou três não consecutivas.

É preciso considerar, também, uma profunda revolução no modo de ver a atividade docente, deixando de lado o processo de passar informações em favorecimento de um processo aquisição do conhecimento de forma contextualizada, interdisciplinar, abrangente e consequente, isto é, com produção de resultados reais e não apenas simulados. Engajar o estudante na vida comunitária, com escolas de tempo integral, como pretendiam ser os CIEPS. Não apenas algumas, mas todas. Isto pode acontecer se a prioridade UM da nação for a educação, como se deu na Coréia. Tem-se que ter isto em mente ao longo de várias décadas, ou melhor, até a consumação dos séculos. Tudo o mais virá por acréscimo: saúde, distribuição de renda, habitação, saneamento, transportes. Em uma nação em que TODOS tenham um nível ELEVADO de educação, não se permite a bandalheira que há por aí. Eu falo TODOS. Todos precisam ter, pelo menos, o nível médio: lavradores, lixeiros, ajudantes de pedreiro, empregadas domésticas (que, aliás, nem deviam existir). Assim todos poderiam escolher o trabalho que quisessem e seria preciso remunerar muito bem aqueles que não fossem desejáveis.

Primeira Classe de 16 de junho de 2010 DC



Infelizmente não tive chance de postar a programação do programa "Primeira Classe" de ontem. Foi a seguinte:

Beethoven - Nona Sinfonia "Coral"

Brahms - Primeira Sinfonia "A Décima de Beethoven"

Você pode ouvir "Primeira Classe" às quartas feiras, das 20 às 22 horas na rádio FM da Universidade Federal de Viçosa, em 100,7 MHz (em Viçosa) ou pelo site: www.rtv.ufv.br

domingo, 6 de junho de 2010

PRIMEIRA CLASSE de 9 de junho de 2010



Sinfonias Francesas:

Berlioz - Haroldo na Itália

César Franck - Sinfonia em Ré

Saint-Saëns - Sinfonia nº 3

terça-feira, 1 de junho de 2010

PRIMEIRA CLASSE de 2 de junho de 2010





Ludwig van Beethoven

Sonata para piano nº 15, op.28 - Pastoral
Sonata para piano e violino nº10, op. 96
Sonata para piano nº 18, op.31/3
Sonata para piano nº 26, op. 81a - O Adeus
sonata para piano e violino nº 9, op. 47 - Kreutzer

Ouça o programa "Primeira Classe", às 20 horas das quartas feiras, pelo site:

www.rtv.ufv.br

sábado, 22 de maio de 2010

Porque sou físico



Sou licenciado (UNIPAC) e especialista (UFV) em Matemática e mestre em Física (CBPF - Cosmologia). Na verdade, como não tenho doutorado, não posso dizer que sou físico, mas, apenas professor de Física. Lecionei por vinte anos no Ensino Médio e vinte anos no Ensino Superior, tendo dado quase vinte mil horas de aula (doze mil no médio e oito mil no superior). No Ensino Médio, fui professor da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da Escola Agrotécnica Federal e do Colégio de Aplicação da UNIPAC, em Barbacena, além do Colégio Anglo, em Viçosa, onde ainda trabalho como Vice-Diretor. No Ensino Superior fui professor da UNIPAC, onde estudei, em Barbacena, da Universidade Federal de São João del Rei, da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade Federal de Viçosa. Nesses estabelecimentos lecionei Matemática e Física para o Ensino Médio e Física Geral I, II, III e IV, Mecânica Clássica, Eletromagnetismo, Ótica, Termodinâmica, Física Quântica, Física Estatística, Relatividade Geral e Métodos Matemáticos da Física para os cursos de Física e engenharias, no Ensino Superior. Na Pós-Graduação lecionei Métodos Matemáticos da Física. Muitos me perguntam porque não fui ser engenheiro.

Na juventude considerei a possibilidade de ser engenheiro mecânico ou arquiteto, resolvendo, afinal, fazer Matemática, pois em Barbacena não tinha Física e meu pai não podia me sustentar em Belo Horizonte. A razão principal de minha escolha foi o caráter mais filosófico da Física, já que, desde cedo, eu passei a me interessar por Filosofia e por querer entender em profundidade como é o Universo.

Durante o tempo em que fui professor do Curso de Física da UFV (cuja comissão de implantação do bacharelado eu presidi), por oito vezes (jul/83, jul/84, dez/84, jan/86, dez/87, jan/88, jan/89 e out/89) fui o professor homenageado dos formandos e por cinco vezes (mas/90, abr/92, jan/94, fev/95 e dez/97) proferi a "Aula da Saudade" da turma de formandos. Em todas essas aulas eu discorri sobre o que é ser um físico e porque eu escolhi minha profissão. Quero agora apresentar tais considerações.

Como físico, a pessoa pode ser um bom ou até ótimo matemático, químico ou engenheiro, um bom filósofo ou biólogo, um bom escritor, músico, pintor e muitas outras coisas. Porém, dificilmente um filósofo, um biólogo, um escritor, um músico, um pintor ou o que seja será um bom físico. Talvez um matemático,  um químico ou um engenheiro o possa ser, mas, de modo geral, o físico é que tem as condições mais abrangentes de conhecimento e habilidades para atuar em varios campos do saber. É o que consigo perceber e, por isso, tornei-me físico, pois nunca me contentei em dominar apenas algum aspecto restrito do saber. Esta polimatia e esta curiosidade avassaladora sempre foram minha marca registrada. Além do mais a Física é a mais fundamental de todas as ciências, a que trata dos aspectos mais profundos da natureza.

De acordo com a concepção reducionista da realidade, tudo é físico. Neste sentido a Química é a Física da camada de valência dos átomos, a Biologia é a Química dos organismos vivos, a Psicologia é a Biologia do sistema nervoso, a Sociologia é a Psicologia dos agrupamentos humanos e assim por diante. Isto é, tudo se reduz, no fim das contas a fenômenos físicos. É preciso, contudo, não se ter a visão simplificada de um reducionismo "linear" que diz que o todo é a "soma" das partes. O reducionismo, numa concepção mais abrangente, considera que o todo advém de suas partes não como uma simples soma, mas como uma função não linear que, além da soma, admite termos cruzados (produtos de contribuições), termos de ordem superior (potências de contribuições), além de retroalimentações (contribuições de resultados). Assim ele pode abarcar, inclusive, as concepções holistas, que consideram que os estratos mais elevados da realidade (psíquico e social, por exemplo) possuem características próprias não advindas dos estratos mais profundos (biológico e físico). A não linearidade permite reduzir todo estrato superior aos inferiores.

No aspecto filosófico, realmente, não é possível a alguém entender bem de Filosofia sem entender de Física, especialmente Física Quântica e Relatividade. Isto porque a realidade, em sua mais profunda concepção, é física e a Física é sempre quântica e relativista. Esta é a concepção naturalista ou fisicalista, que exclui da realidade qualquer entidade dita sobrenatural. Em resumo: só existe a natureza. Entender tal coisa requer um grande conhecimento dos mecanismos de funcionamento do mundo, que só a Física é capaz de fornecer. Bertrand Russell, grande fílósofo, estudou formalmente Matemática e Física, e não Filosofia, pois dizia que, como matemático, poderia ser um excelente filósofo, mas, como filósofo, jamais seria sequer um bom matemático. E ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Como se vê, era um polímata. Por isso é que estou escrevendo um livro que intitulei "Física para Filósofos" para que os filósofos sem formação em ciências exatas (o que considero lastimável, como também a falta de formação biológica) possam familiarizar-se com os conceitos e fatos da Física. O filósofo, por definição, tem que ser um polímata, pois filosofia é a ciência das ciências, além de abarcar todo o vasto campo de conhecimentos humanos. Filosofia, diferentemente do que se pensa, não pertence às "Ciências Humanas" mas transcende a todas.

Assim, o professor de Física precisa inculcar em seus alunos esse caráter unificador da Física e fazê-los ficar deslumbrados com a maravilha que é a natureza, tal qual descrita pela Física. É preciso lecionar Física filosofando. Isto é mais importante do que abordar as inúmeras aplicações práticas e tecnológicas da Física que, todavia, não devem ser esquecidas, apenas não priorizadas. Por isso é fundamental que o Ensino Médio veja, pelo menos, um semestre de Física Moderna, mesmo que não caia nos vestibulares, pois é esta Física, que se desenvolveu a partir de 1900, que contempla as explicações sobre a natureza da realidade. Além de ser o fundamento da moderna engenharia eletrônica, essencial para a informática e as telecomunicações. Ser professor de Física é, pois, uma das mais gratificantes atividades que se possa desenvolver, no sentido de levantar os véus da ignorância que obliteram a visão correta da estrutura do mundo para a grande parte das pessoas.

Além do ensino, as atividades de pesquisa e extensão, em Física, também são fonte de grande satisfação e motivo de imensa sensação de realização de vida. Fazer extensão em Física é, principalmente, fazer divulgação científica. É proferir palestras e redigir textos de divulgação de conhecimentos físicos em livros, revistas e na internet. É levar a toda a população as noções fundamentais da Física que lhe façam entender o significado do mundo, de uma forma inteiramente dissociada de qualquer participação de pretensas entidades sobrenaturais. É, pois, uma atividade libertadora, já que induz, necessariamente, ao livre-pensamento, ao ceticismo metodológico, ao questionamento das explicações religiosas. Uma vez que tal modo de operar mentalmente seja estabelecido nas pessoas, elas o aplicarão a todos os outros aspectos da vida, com resultados significativamente proveitosos. Assim a Física se torna em uma forma de mudar a "cosmovisão" das pessoas, com implicações até na ética, na política e nos relacionamentos pessoais. Posso dizer, com segurança, que todo o meu posicionamento ético a respeito de tudo na vida se fundamenta em minhas profundas convicções fisicalistas. A Física, como todas as ciências, de modo diverso do mundo dos negócios, por exemplo, sempre se pauta pela extrema honestidade de conduta, pois o maior valor que se busca é, exatamente, a verdade, e não a vantagem ou o lucro.

Finalmente quero aborda a atividade de pesquisador, que acabei abandonando logo após meu mestrado, por ter me enveredado na administração acadêmica, que, aliás, não foi tanto por gosto, mas porque me propiciaria condições melhores de prover minha família. Jamais, contudo, me afastei do magistério. Pesquisar em Física, descobrir os meandros mais profundos do comportamento da natureza é algo só comparável aos arroubos místicos ou ao prazer do artista em parir sua obra. Um cientista, especialmente um físico, é como um compositor, um poeta, um escultor. O que ele faz ao desvendar o Universo macro ou microscopicamente é uma obra de arte. Saber, ainda mais, que assim agindo torna-se um benfeitor da humanidade, lhe propicia uma gratificação maior ainda. Por isso sempre recomendei a todos os alunos do Curso de Física que fizessem licenciatura e bacharelado, para que pudessem, ao mesmo tempo, iniciarem-se na profissão de professor e prosseguirem no mestrado e no doutorado para serem cientistas. Pois é importante que todo cientista também seja um professor e, para um professor, didática e pedagogia são essenciais, qualquer que seja o nível.

Para concluir só quero dizer que um professor ou um cientista dificilmente ficará rico em sua atividade. Pode ganhar bem e viver confortavelmente, mas quem quiser ser rico que seja empresário, mas honesto, é claro. Políticos podem ficar ricos se não forem honestos, pois seus salários também não são de ricos. Médicos, engenheiros e advogados também podem enriquecer honestamente, mas nem todos o conseguirão. Os professores e cientistas que não se tornarem também empresários não enriquecerão. Todavia riqueza não é garantia de realização pessoal e felicidade, mesmo que possa possibilitá-las mais facilmente. Por mim, ter participado da formação de alguns milhares de jovens que foram meus alunos é uma realização inigualável. Como se pode ver em minha avaliação docente ( http://www.ruckert.pro.br/blog/?page_id=2379 ), posso me considerar um bom professor, mas não fiz fortuna alguma e só deixo de herança minha mensagem e meu exemplo ( http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=131 ).

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