O mundo descrito pela canção "Imagine" de John Lennon:
Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo, então, será como um só
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 11 de setembro de 2010
Ernesto, como você acha que seria um mundo ateu?
O que o senhor toma por Justiça?
Justiça é a ação de conceder a cada uma o que se lhe é devido, o que ele merece, o que é dele mesmo, desde que legitimamente obtido. É não punir quem não merece, não roubar nem furtar, não enganar. Também não é justo premiar sem merecimento, privilegiar alguém, conceder benesses diferenciadamente, mesmo que quem não a tenha recebido também não seja merecedor. Porque justiça também é equidade, entendida como tratar a todos de acordo com seu merecimento e não igualmente. Assim, uma política salarial justa não pode igualar competentes e incompetentes, diligentes e preguiçosos, dedicados e relapsos.
A justiça apenas, porém, não é suficiente para se construir uma sociedade ideal. Além da justiça é preciso que haja benevolência e generosidade, isto é, que se vá além do que é devido e se conceda mais, mesmo não merecidamente, mas pela necessidade de cada um, promovendo a redistribuição de renda. Todavia isto tem que ser feito de modo a não incentivar o acomodamento e a preguiça, portanto não pode ser institucional nem permanente, mas ocasional.
Como pode-se saber se uma teoria é falseável? É simples ou é mais complicado do que aparenta? a descrição de algo pode ser falseável? tipo: a Antropologia?
Não é simples. Ao se construir uma hipótese explicativa de um fenômeno, muitos experimentos são feitos, capazes de induzir uma proposta de lei científica. Mas ela só pode ser aceita como verdadeira se se puder encontrar algum teste que possa produzir um "diagnóstico diferencial", ou seja, que só possa ser explicado pela aceitação de tal lei, isto é, algum particular aspecto que, se não se verificar de fato, numa ocorrência real, invalide a hipótese proposta. Se isto não for possível, a hipótese não é falseável. Isto não significa que seja errada, mas que não pode ser aceita como verdade científica. Muitos discordam dessa exigência, mas a maior parte da comunidade científica a aceita. Uma hipótese que passe por um teste desse tipo fica aceita como a "teoria" explicativa do fenômeno, até que surja algum fato que a contradiga, quando nova hipótese precisa ser proposta para dar conta da explicação do fato e, então, ser testada. Caso aprovada, passa a substituir a anterior, no que se chama de "corte epistemológico", pelo qual, a cada momento, apenas uma teoria é considerada como "a explicação". Em casos em que isto não se dá, convive-se com hipóteses alternativas simultâneas, às vezes até contradizentes. Isto acontece em algumas ciências ainda não bem estabelecidas como tal, como a psicologia, a sociologia, a economia, a história e outras. Neste caso são formadas as "Escolas de Pensamento", uma vez que essas explicações pode ser consideradas apenas "opiniões". São "doxas" e não "epistemes".
Descrições não são explicações, na acepção crua da palavra. Contudo, em antropologia, história, geografia, e outras ciências, grande parte do conhecimento (talvez a maior) seja descritiva e não explicativa. Mas é possível se cogitar da veracidade ou não da descrição e, inclusive, haver descrições alternativas, uma vez que são feitas, muitas vezes, com base em indícios, e não em evidências. Daí ser possível, em princípio, elaborar algum "teste de falseabilidade" que pudesse indicar a escolha da descrição correta, face a algum aspecto que só uma desse conta de estar de acordo. Nem sempre isto é possível, daí se haver, também, a formação de escolas de opinião.
O que o senhor pensa a respeito da obra de Fiódor Dostoiévski?
Uma das melhores análises psicológicas das motivações humanas e dos conflitos pessoais e sociais. Tudo tratado com genial competência literária. Muitos escritores são melhores filósofos do que os filósofos e Dostoiévski é um deles, talvez o maior. Além de ser capaz de transitar entre o suspense, o lírico, o cômico e o épico sem problema nenhum. Poucos filósofos foram tão literatos quanto ele foi filósofo. Concedo este galardão a Platão, Hume, Nietzsche e Russell, que até ganhou o prêmio Nobel de literatura. E, na literatura, só Shakespeare o ombreou.
http://blogdasciam.blog.uol.com.br/ Particularmente, eu discordo do Capozzoli. Acho que a discussão sobre a ideia de Deus é importante e passível de opiniões tanto científicas quanto religiosas. Mas, e o senhor, o que acha do texto dele? :D
A idéia de que o surgimento do Universo dispensa a interveniência de algum Deus não é uma discussão sem sentido, pelo contrário, este tema é de capital importância quer para cientistas, filósofos e intelectuais, quer para o público em geral. Um dos papéis do cientista é, justamente, contribuir para esclarecer a questão, de forma acessível. Abordar questão de tal magnitude faz parte do arcabouço da ciência sim! Para tal é preciso conhecimento vasto, eclético e profundo, bem como capacidade de traduzí-lo em linguagem compreensível. Isto Hawking e Dawkins têm feito com sucesso em seus livros. A ciência não existe para diminuir o sofrimento humano, mas para explicar o mundo. As aplicações práticas são um subproduto. A ciência veio da curiosidade e do espanto e não da necessidade, esta mãe da técnica, que só depois se valeu da ciência. O relato inteligível que a ciência faz tem relação a ver com a existência ou não de Deus sim, e as conversas daí advindas têm uma finalidade válida e útil.
Os escritos de Schrödinger, como os de Einstein, Bohm, Penrose e outros cientistas que abordaram uma temática tanscedental não se validam pela contribuição deles à ciência. Muitos cometeram grandes equívocos, como Fritjof Kapra, Amit Goswami e Derek Chopra. Hawking, Sagan e Dawkins, por seguirem linhas opostas àqueles, não devem ser considerados menores por isto, e não o são em outros aspectos. A "mania de grandeza" de Dawkins não é menor que a de Einstein. A consideração de que a ciência e a filosofia sejam as únicas capazes de dar respostas satisfatórias às questões básicas não é nenhum "fundamentalismo científico", pois não é dogmática, mas fruto de um sensato ceticismo. Deixar de acreditar em Deus não leva a crer em "qualquer besteira", como disse com infelicidade Chesterton, pelo contrário, leva a descrer de outras besteiras também. E a discussão sobre esse tema, quando travada entre mentes brilhantes, como Dawkins e Craig, por exemplo, é muito inteligente.
é possível elevar a própia inteligência até que ponto?
Bastante, como se sabe hoje. Inteligência é parcialmente nata, parcialmente adquirida. Depende da formação de conexões sinápticas, que se dão por estímulos intersencoriais e desafios motores, sensores e cognitivos. Para melhorá-la é preciso seguir a "Lei do Maior Esforço", isto é, complicar tudo, fazer sempre diferente e de caso pensado, não adquirir hábitos, não ter preguiça, usar sentidos incomuns para reconhecimento, usar músculos incomuns para movimentos, aprender sempre algo novo, desafira o raciocínio. É como o treinamento de um atleta olímpico, só que mental, mas envolve o corpo todo. Pensar diferente, sentir diferente, fazer diferente, sempre mudando. Não sei exatamente o quanto este treinamento aumenta percentualmente o QI. Inclusive porque o QI não é o único indicativo da inteligência. Professores precisam ser treinados, nas licenciaturas, nas aulas de didática, a estimular o aumento da inteligência dos alunos. Isto só se faz com desafios, com projetos inteligente de ensino-aprendizagem, que sejam interdisciplinares, multisensoriais, psico-motores. É preciso por os alunos para dar aulas, construir modelos e aparelhos, sair à rua etc. Uma aprendizagem bem dinâmica. Esquecer o que cai no Vestibular. Esquecer de macetes. Isto é besteira. Passa no vestibular que sabe mesmo. Quem é capaz de ensinar o que sabe. Deve-se ensinar o aluno a ensinar, desde cedo. Só é burro quem quer ou quem não sabe que pode deixar de sê-lo. E os professores tem que saber como desemburrar os alunos.