Aproveite o dia e a noite e goze a vida sem pensar que vai morrer. Só precisa pensar que vai morrer a pessoa que acha que tem uma alma imortal que pode ir para o céu ou para o inferno em função do que fizer na vida. Não vai para lugar nenhum. Alma não existe. Com a morte a pessoa acaba inteiramente para sempre.
Isto, contudo, não significa um niilismo nem um hedonismo desenfreado. A inexistência de Deus e de alma imortal não exime a pessoa de agir eticamente em tudo o que faça, isto é, de modo a não causar prejuízo e dor a ninguém. O ideal é a síntese dialética entre o epicurismo e o estoicismo. Curtir a vida para ser feliz praticando a virtude e fazendo o bem. Com moderação, os prazeres do amor, da alimentação, da amizade, das artes, da convivência e todos os que houver serão fruídos com maior alegria e satisfação, sem efeitos dolorosos colaterais. É preciso pensar na vida e não na morte. Isto inclui cuidar da saúde física e mental e dar significado à própria vida, vivendo-as de tal forma que, por causa dela, o mundo se torne um lugar melhor para todos.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 16 de outubro de 2010
Carpe Diem ou Memento Mori?
O Brasil pode ser um país laico, mas quando a vontade de pelo menos 170 milhões de pessoas (numero de reliosos no brasil-2000) é proclamada, logo chega-se a conclusao de que para a maioria cre que o bem mútuo é a nao legalização da prostituição.
Eu diria que 170 milhões de brasileiros declaram no censo que possuem uma religião mas, de fato, uma pequena fração deste número realmente vive integralmente sua religião. Para mim, ser afiliado a uma religião é ter um compromisso de viver segundo seus preceitos, isto é, ser santo, ou, pelo menos, envidar o maior de seus esforços neste sentido. Se assim não for a pessoa não é religiosa, mas apenas finge ser. Muitos cristãos não seguem as prescrições de Jesus, por exemplo, não dão tudo o que possuem aos pobres para seguí-lo. Até sacerdotes não cumprem seu voto de pobreza e castidade. Serviços religiosos têm que ser inteiramente gratuitos. Os templos têm que viver de doações voluntárias em bens e não em dinheiro. Religião não pode mexer com dinheiro. Há cristãos que falam mentiras, são desonestos e cometem vários pecados. Se isto for algo esporádico e se a pessoa tiver um contrito arrependimento e se emendar, aceita-se como um sinal da fraqueza humana. Mas muitos agem assim rotineiramente, sem emendar-se e nem querer emendar-se. Como podem dizer que possuem religião nos censos? Estão mentindo. Muitos dos que dizer ser contra a legalização da prostituição fazem uso dos seus serviços. Então sua moralidade é falsa. Como pretender se valer de prostitutas mas não reconhecer que elas são seres humanos merecedores dos mesmos direitos que todos os outros. Parecem que não conhecem a Bíblia, por exemplo, o capítulo 8 do Evangelho de João. Tenho muito desprezo por pessoas desse tipo, que jactam uma moralidade que não praticam. Gostaria que existisse mesmo o inferno para que lá eles padecessem por esse pecado maior do que o das prostitutas.
E o que acha da legalização da prostituição?
Considero que prostituição, quer masculina, quer feminina, seja uma coisa que não deveria existir numa sociedade em que o sexo fosse algo completamente livre, sem restrição nenhuma, podendo ser praticado pela juventude com aquiescência dos pais e por casais com outros parceiros, com aquiescência recíproca. Tudo isto de uma forma segura, com envolvimento afetivo e com respeito mútuo, mas sem nenhuma conotação econômica. Inclusive no matrimônio. Isto é, nenhum casamento poderia ser realizado como meio de vida para um dos cônjuges. Trata-se de uma espécie de prostituição velada. Todo adulto capaz tem que prover-se a si próprio, sem depender de nenhuma união conjugal para tal. Considero, também, que possa ser inteiramente aceitável as uniões plurívocas, isto é, a poliginia e a poliandria, com todas as implicações legais decorrentes. O mesmo penso das uniões entre parceiros do mesmo sexo. Quanto aos filhos, naturais ou adotados, sempre se identificará o adulto que será considerado seu pai ou mãe, numa concepção alargada de família, não necessariamente mononuclear. Isto já acontece, mais ou menos, com os casais que se separam e constituem novas uniões, em relação aos filhos dos diversos casamentos. Só que tal situação passaria a existir não apenas sequencialmente, mas também concomitantemente. Não se trata de libertinagem nem de devassidão, mas de um fato inteiramente normal, dentro de um compromisso de fidelidade não exclusivista, com envolvimento amoroso plural e sem nenhum ciúme.
Isto posto, afirmo que a prostituição poderia, sim, ser uma atividade legal, com todas as implicações que disto decorrem pela legislação trabalhista, tanto para homens quanto para mulheres, até que a liberalização total da sociedade faça com que tal prática se extingua naturalmente. Acontece que, com a hipócrita repressão social do sexo atualmente existente, que admite casos extraconjugais, desde que não abertamente admitidos em público, bem como pela dificuldade de encontrar parceiros ou parceiras para o sexo, face as implicações extrassexuais geralmente envolvidas nos relacionamentos consentidos, muitas pessoas se vêm privadas do sexo, até mesmo por sua falta pessoal de atrativos capazes de provocar o desejo no sexo oposto. Neste caso, apenas a prostituição, masculina ou feminina, lhes propiciará a possibilidade de fazer sexo. Tal fato, além de outros, faz com que, mesmo que não seja legalizada, a prostituição continuará a existir por um bom tempo. Só que, sem a legalização, os prostitutos e as prostitutas ficam a descoberto de toda proteção legal, além de serem alvo de chantagem por parte do aparelhamento policial, por exemplo.
A legalização da prostituição, inclusive, facilitará a extinção da cafetinagem e do tráfico de escravos e escravas para fins sexuais. Em minha opinião, seria uma grande vantagem social.
As manifestações religiosas contra isto não devem ser levadas em consideração, pois o Brasil é um país laico e, em grande parte das vezes, as religiões se colocam exatamente contra medidas que beneficiam a sociedade, em nome de princípios obsoletos e insustentáveis na conjuntura social e científica atual.
O que te faz pensar que a humanidade durará 50 milhões de anos?
Um modelamento matemático da extinção das espécies (Newman & Palmer - Modeling Extintiction) prevê uma média de 10 milhões da anos para a duração de cada uma, até serem extintas. Mas há uma distribuição com algumas durando centenas de milhões de anos. A humana, no meu entendimento, por ter um domínio sobre as condições de sobrevivência (medicina) e alta adaptabilidade às variações ambientais, certamente estará acima da média. Mesmo considerando a hipótese de uma destruição cataclismica por meteorito ou guerra mundial, haverá sobreviventes que recomeçarão a marcha da civilização, que, inclusive, poderá vir a ser interrompida inúmeras vezes, retornando tudo ao começo. Fatalmente, contudo, haverá um momento em que as novas espécies trans-humanas que surgirão levarão vantagem competitiva com a nossa, que se extinguirá, como ocorreu com os Neandertais e outros hominídeos.
O que seriam para o senhor matérias desnecessárias nas escolas?
Não matérias, mas conteúdos das matérias. No ensino básico (fundamental e médio), aqueles eminentemente técnicos, que só seriam usados por profissionais da área. Muitos, como associação de resistores, equilíbrio de barras, só para citar os de minha área, a Física, são colocados porque caem nos vestibulares e caem porque é fácil se arranjar muitas questões sobre eles. Isto também ocorre em todas as matérias. No seu lugar se poderiam abordar conhecimentos mais fundamentais para a compreensão do mundo, como, ainda na Física, momento angular, hidrodinâmica, lei de Gauss, lei de Ampere, ondas eletromagnéticas, física quântica, relatividade, cosmologia, ou, na Matemática, derivadas e integrais. Ou, ainda, mais habilidades úteis para a vida de todo mundo, qualquer que seja sua profissão, como horticultura, mecânica, eletrotécnica, eletrônica, hidráulica, edificações, marcenaria, além das artes plásticas, música, oratória (retórica), dialética, lógica, educação moral, educação sexual e afetiva, boas maneiras etc. Não se vê história do oriente, religiões do mundo e outras temas importantes. É preciso se mudar a concepção do Ensino Básico e tirar dele o caráter de treinamento para resolver questões e problemas, passando para uma compreensão e uma reflexão sobre o legado científico, técnico, artístico e cultural da humanidade numa perspectiva crítica, ao mesmo tempo que se priorize as aplicações e o desenvolvimento de habilidades úteis para a vida. Isto precisa acontecer em uma escola de tempo integral, como pretendiam ser os CIEPS e os CAICS.
Bom, todo dia é um dia. E você merece parabéns em todos os dias. Todos os dias são dádivas. Então, não vou te dar parabéns não. Mas eu já te dei parabéns hoje? Ah, parabéns vô, você é 10. 10 não, 1000. rs Um abraço do fundo do meu coração.
Obrigado, Jean. Esta manifestações me comovem. Veja o que eu respondi ao Gui. O mesmo digo a você. Um abraço.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O que é informação para você(o Sr.)?
Chame-me por "você". Aprendi com meu pai, que aprendeu com o dele e ensinei a meus filhos que ninguém é superior nem inferior a ninguém na vida. Assim não chamo ninguém de senhor e nem gosto de ser chamado assim. Só de você ou tu, como meu pai dizia, pois sua mãe era portuguesa e o pai um anarquista austríaco, apesar de ser da nobreza, que falava o português de Portugal. Isto não é desrespeito, pelo contrário, é a máxima consideração ao colocar o interlocutor no mesmo nível seu, seja quem for. A mesma consideração e respeito que eu tenho para com a maior autoridade eu tenho para com o mais humilde serviçal e chamo todos de "você".
Informação, para mim, são dados interpretados num contexto que lhes dê significância. Por exemplo, os fótons que atingem a retina são dados, que, interpretados pelo cérebro, passam a informação sobre uma imagem que está sendo vista. A informação só existe quando alguma mente a captura em uma percepção, que é uma interpretação de sensações fornecidas pelos órgãos sensoriais. Dados são sinais a serem processados por um interpretador, de acordo com algum algorítmo decodificador que lhes confere uma significância. Por exemplo, as marcas refletoras e absorvedoras de luz que se dispõem sobre a superfície de um Compact Disk são dados, que só passarão a informação sobre a música ali gravada se forem lidas por um feixe de raio laser ao longo de uma espiral de passo determinado e com uma velocidade específica, processadas por um modem, que converterá cada grupo específico de sinais (bits) em um valor de intensidade de onda sonora a cada intervalo definido de tempo, para construir uma sequência modulada de pulsos elétricos que, no circuito eletrônico e no alto-falante, se transformará na informação da música gravada.