sábado, 27 de novembro de 2010

Dizer que "as pessoas sentem necessidade de crer em algo", para explicar a crença infundada, não é fazer uso do argumentum ad hominem?

Claro que não. Argumentos "ad hominem" são ofensas pessoais inteiramente desvinculadas do tema da discussão. Como se você estivesse defendendo o parlamentarismo contra o presidencialismo e seu opositor te ataca, dizendo que você não tem gabarito para discutir porque é católico, por exemplo, uma vez que a maioria dos países católicos é presidencialista. Esta "necessidade de crença" não é uma ofensa pessoal a ninguém, mas uma constatação psicológica geral da humanidade.

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Mas e o lixo nuclear?

Existem formas seguras de armazená-lo até que se ache um modo de degradá-lo ou aproveitá-lo. Enquanto isto estão sendo desenvolvidos reatores de menor impacto ambiental. Para o futuro estamos aguardando os reatores de fusão nuclear, cuja poluição é zero, ou, quem sabe, mais para o futuro ainda, os reatores de anti-matéria, os mais eficientes, só que ainda não desenvolvidos.

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Matemática faz bem ao cérebro?

Muito bem. Aliás, parece um ciclo vicioso, como o dos tostines. Quem é inteligente tem facilidade e gosta de matemática. Quem gosta e trabalha com matemática fica mais inteligente. Para entrar no ciclo tem que começar a trabalhar com matemática, mesmo sem gostar, até pegar traquejo e achar fácil, e, então, gostar. A matemática é muito lógica e mexe com várias estruturas mentais, pois também é simbólica, exige percepção espacial, intuição, argumentação, expressão, compreensão de texto, análise, síntese. O bom é associar a matemática com o português e a física, por exemplo. O português também exige análise, síntese e lógica, enquanto a física faz uma ligação entre a matemática e o mundo natural e sensível. A química é muito prática e história, geografia e biologia são mais memorizativas. É preciso entender, porém, que matemática não é só conta. É, principalmente, raciocínio. O importante é fazer demonstrações e cálculos puramente algébricos, isto é, só com letras, sem números. O mesmo vale para a física. É importante saber resolver problemas sem valores numéricos. A inteligência que se desenvolve pela matemática é útil também até na vida prática, para saber encadear raciocínios e poder argumentar em discussões. Aliás, este assunto, denominado dialética, juntamente com a retórica, a arte de falar de improviso em público, deveria ser incluído no programa da disciplina redação.
A matemática está para o cérebro do mesmo modo que a musculação e a ginástica aeróbica estão para o corpo. Saber matemática e ser hábil em trabalhar com ela é ótimo para quem vá ser qualquer coisa, mesmo médico ou advogado.

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Talvez seja por ser leigo. Na única vez que encarei um livro de Kant (Crítica da Razão Pura) eu interrompi a leitura logo no começo para não pirar. Como faço para entendê-lo? Que livro recomenda antes de encará-lo de novo?

Leia primeiro algum livro a respeito de Kant, e não o próprio. Começe com:
Kant em 90 minutos - Paul Strathern - Zahar.
Depois leia:
Kant – Uma Leitura das Três “Críticas” - de Luc Ferry - Difel
Kant - Allen W. Wood - Artmed
E, finalmente:
Dicionário Kant - Howard Caygill - Zahar.
Depois você pode passar ao próprio.
Recomendo ler primeiro:
Fundamentação da Metafísica dos Costumes,
Fundamentos da Metafísica da Moral,
A Religião dentro dos limites da mera razão,
Doutrina do Direito.
Depois leia as críticas:
Crítica da Razão Pura,
Crítica da Razão Prática,
Crítica do Julgamento.
Veja este sites da internet:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kant,
http://www.hottopos.com/harvard4/jmskant.htm.

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Isso depende muito, professor! Garotas de 13 anos nem sempre tem maturidade suficiente pra tomar decisões como um adulto, por isso não deveria ser tratada como um.

Pode ser, mas, nesse caso, não se pode admitir, a priori, que não tenham essa maturidade. No intervalo de 13 a 18 anos, penso que cada caso deve ser analisado e a maturidade ser atribuida por algum teste. Porque ninguém é imaturo até os 17 anos e 364 dias e maturo aos 18 anos e 0 dias. Poder-se-ia dizer que é preciso estabelecer um limite, inclusive para imputação de pena e permissão para dirigir, por exemplo. Eu digo que não. Este limite é pessoal. Eu dirijo carro desde 13 anos de idade, muito bem e com a máxima responsabilidade. Com 18 anos eu já trabalhava para ajudar meu pai, enquanto fazia faculdade e, aos 22, já estava casado. Outros não têm responsabilidade para nada, nem aos 30 anos. Mas estes, eu acho que não podem ser dispensados de responsabilidade, a não ser que tenham deficiência mental comprovada. Acho que o intervalo de 13 a 18 é uma boa proposta para faixa de aquisição de responsabilidade. Cada caso é um caso.

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O senhor apostaria que possa existir vida em Marte e no satélite jupiteriano Europa? Ou acha que as formas de vida extra-terrestres não se encontram no nosso sistema-solar?

Minha suposição é de que não exista vida em nenhum outro lugar do Sistema Solar. Mas admito que possa haver, só que do tipo bem primitivo, como bactérias.

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A Ciência válida o metodo cientifico?

O método científico não é científico e sim meta-científico, isto é, está além da ciência. Assim, ela não é capaz de validá-lo, mas ele é capaz de validar alguma proposição da ciência. Todavia, ele mesmo só pode ser criticado em um contexto epistemológico, que é do domínio filosófico, isto é, cujas proposições são formuladas por reflexão e raciocínio e não pela constatação observacional.

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