Consider que o ormus possa ser uma real situação de arranjo de metais em estrutura não metálica, semelhante a um gás nobre, só que sólido. Mas isto ainda está num estágio de proposta em fase de verificação mais rigorosa. O que não acho plausível é a interpretação esotérica que se tem feito do assunto, fato, até, prejudicial a um estudo sério da questão. Esoterismo não é nenhuma coisa válida, mas apenas crenças sem fundamento.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Professor, vejo alguns blogueiros falando mal de "neo ateístas", existe alguma particularidade que diferencie o ateu do "neo ateu"?
Os néo-ateístas são ateus que resolveram fazer proselitismo de suas convicções. Tradicionalmente os ateus, em geral, não procuravam convencer os crentes de que estes estavam equivocados em suas crenças e nem contestavam, condenavam e atacavam publicamente as doutrinas religiosas. Os néo-ateus passaram a fazê-lo, da mesma forma que os religiosos e crentes até institucionalizam seu ofício missionário e divulgam em todos os meios de comunicação suas idéias, visando convencer a população, cada qual, da superioridade e vantagens de sua crença em relação às demais. Assim como missionários protestantes incomodam católicos, judeus incomodam muçulmanos, budistas incomodam hinduístas e vice-versa, ateus incomodam e são rejeitados por todos eles. No entanto, se se considera legítimo que religiosos de qualquer religião possam propagá-la, também é legitimo que se propague a posição de não se ter religião nenhuma e nem crer em deus nenhum. O que não se pode é faltar ao respeito e usar de ofensas nesse trabalho, tanto por parte de crentes quanto de ateus. É como na campanha eleitoral, em que tanto se deplora o comportamento dos candidatos que a fazem em termos de ataques pessoais aos adversários, em vez de proclamarem o valor e a vantagem de suas propostas. Ateístas e crentes que agem desta forma, com toda razão, devem ser denunciados e combatidos. Mas não os que propagam sua fé ou anti-fé de forma educada e baseada em argumentos convincentes.
E=m.c²
Esta é uma equação muito incompreendida. O que ela diz é que, quando há transformação de massa em energia, o que ocorre em reações nucleares, os valores transformados se relacionam por ela, na qual "c" é a velocidade da luz no vácuo. Mas ela não diz que matéria é equivalente a energia. Matéria e energia são categorias diferentes de conceitos. Matéria é um dos constituintes do Universo, ao lado dos campos e da radiação. Energia é um atributo dos constituintes, bem como a grandeza que mede este atributo. Energia, pois, não é uma entidade e, logo, não existe "energia pura", mas apenas energia de algo. Assim não se pode falar em equivalência entre "matéria" e energia, mas sim entre "massa" e energia, pois massa também é um atributo e a grandeza que o mede. Que significam esses atributos?
Energia é o atributo dos sistemas que os capacitam a realizar trabalho macro ou microscopicamente falando (calor). Trabalho é a ação de uma interação que promove o deslocamento espacial dos sistemas interagentes, aproximando-os ou afastando-os. Os sistemas podem possuir energia por estarem interagindo (potencial) ou por estarem em movimento (cinética). As grandezas que a medem não são absolutas, mas dependem do referencial em relação ao qual o movimento é considerado e da escolha do "ponto zero" da energia potencial.
Massa é o atributo que quantifica a inércia de um sistema, ou seja, o quão intensamente ele se opõe a variar sua velocidade em razão das interações que sofre com outros sistemas, cuja intensidade é medida pela força. O princípio da equivalência diz que a massa é sempre proporcional à "carga gravitacional", isto é, o atributo que mede a intensidade com que os sistemas provocam uns aos outros a interação gravitacional, ou, em termos relativísticos, o encurvamento do espaço-tempo. Assim pode-se usar a mesma grandeza, denominada simplesmente de "massa", para medir os dois atributos. Quando o sistema não é simples, mas composto de mais de uma partícula elementar, tanto o efeito inercial quanto o gravitacional não se revelam iguais à soma dos efeitos de cada constituintes separadamente. A experiência mostra que a diferença é igual à energia liberada ou absorvida nos processos de montagem ou desmontagem do sistema composto, dividida pela velocidade da luz ao quadrado. Esta é a origem da energia liberada nas reações nucleares de fissão ou de fusão. Em outras palavras, a "massa" inercial ou gravitacional de um sistema inclui a energia interna da ligação que seus constituintes possuem uns com os outros. Isto não só se aplica a núcleos atômicos mas a tudo, como a uma galáxia inteira. No caso da aniquilação da matéria com a antimatéria ou do criação de um par de partícula e antipartícula, a massa do conteúdo material do fenômeno é convertida ou proveniente da energia radiante dos fótons que são produzidos pela aniquilação ou que produzem as partículas.
O homem é naturalmente polígamo?
Sim, ambos os sexos. A monogamia foi introduzida no momento em que o estabelecimento de comunidades fixas e do conceito de propriedade passou a individualizar a família, antes não existente, como núcleo econômico, tendo surgido as noções da responsabilidade apenas do pai e da mãe no cuidado da prole e de herança dos bens familiares. Numa sociedade aberta e sem propriedade pessoal, não há necessidade de exclusividade conjugal. Instintivamente o ser humano não fixa, necessariamente, seu desejo sexual em um único parceiro ou parceira, tanto é que a infidelidade existe. Mesmo que não seja infiel, tanto homem quanto mulher, não deixam de acalentar o desejo de o serem, se não fosse socialmente condenável. A aceitação da poliandria e da poliginia, ou de ambas concomitantemente, como possibilidades sociais, inclusive, seria fator de maximização da felicidade geral e de solução de muitos conflitos psicológicos e existenciais. Nesse contexto de amor livre e plural, a ausência de exclusividade sexual extinguiria a infidelidade. Todavia seria preciso um processo educativo para que ninguém sentisse ciúme de ninguém e se dispusesse a compartilhar seu companheiro ou companheira com outros parceiros ou parceiras. Amor é um sentimento que não se coaduna com a posse da pessoa amada.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
É triste ver universidades como a Mackenzie, palco para elites intelectuais no passado, dizer-se contra a lei da homofobia, pelo simples fato de ter políticas cristãs. Os nazistas e racistas também defendem suas políticas, não é mesmo?
Ela é coerente com o pensamento hegemônico das lideranças cristãs. O que é triste mesmo é a existência, ainda, de universidades confessionais, como ela e as PUC's, que não se libertam da tutela de doutrinas religiosas, que, sejam quais forem, são um entrave para o progresso da ciência, das artes, da cultura e do conhecimento. Isto também ocorre no mundo islâmico. Não estou dizendo que todo cientista e intelectual tenha que ser ateu, mas que nenhuma doutrina religiosa deva interferir na busca livre do conhecimento. Hoje se sabe que há quatro comportamentos sexuais biologicamente explicados: a heterossexualidade, a homossexualidade, a bissexualidade e a assexualidade. Todos podem ser admitidos e não representam desvio de caráter, mas a aceitação de uma orientação inata (que também pode ser rejeitada). Além do mais, se a mensagem de Jesus é "amai-vos uns aos outros", a condenação de qualquer tipo de amor a contraria. Portanto a homofobia é uma atitude anti-cristã, conforme os preceitos originais de Jesus.
Como é que o Olavo de Carvalho se diz filósofo se nem ao menos se deixa arejar pelo livre-pensamento?
Este é o grande pecado de quem pretende filosofar partindo de uma visão aprioristicamente já estabelecida. É o caso de São Tomáz de Aquino (mas não de Duns Scotto e Willian Ockham). Não se pode filosofar sem ter a mente aberta para qualquer possibilidade. Partir de alguma fé, seja qual for, e trabalhar para justificá-la, é inconcebível para um filósofo. Quem assim procede não pode ser chamado de filósofo.
Com "plenos poderes" de Hugo Chávez a Venezuela será uma nova Cuba?
Quase certamente que sim. Chaves e Morales não estão contribuindo nada para a causa progressista no mundo, mas enterrando seus países em uma bancarrota econômica de difícil retorno. O Brasil tem que parar de apoiar esses governos, como o do Irã também. Ditadores são criminosos, seja de que lado estejam.