sábado, 14 de maio de 2011

Mas não foi com 19 anos que vc se converteu ao ateísmo? eu já li vc dizer que foi com 19 anos...

Eu nasci em 2 de dezembro de 1949, assim fiz 19 anos em 2 de dezembro de 1968, isto é, passei o ano de 1969 todo com 19 anos. Em 1968 eu tinha 18 anos.

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Em que ano seu avó veio para o Brasil? veio sozinho? se casou aqui? e a familia dele? era anarquista também? judeus? ou não?

Meu avô se chamava Wolfgang Anton Ferdinand Ernst Ginzel Edler von Rückert. Veio para o Brasil em 1906 e se casou aqui com a filha do adido comercial de Portugal em Belo Horizonte, Alice Vieira de Carvalho Lopes dos Santos. Não eram judeus, mas católicos. Meu avô defendia a libertação da Hungria e da Tchecoslováquia do Império Austríaco. O pai dele era professor da Universidade de Viena (à época Academia Tereziana) e o avô dele era barão do Império. Meu avô radicou-se no Rio de Janeiro e foi professor de inglês no Mosteiro de São Bento, do qual também foi guarda-livros (contador). Morreu em 1925. Não o conhecí, pois nasci em 1949. Ele falava alemão, inglês, russo, tcheco, italiano, francês, espanhol e português (de Portugal). Na época da segunda guerra, meus parentes da Áustria pertenciam à resistência anti-nazista. Ao que me consta o título foi retirado do meu avô por sua condenação como subversivo. O pai dele, por sua influência, conseguiu que ele viesse como imigrante para o Brasil, em uma colônia agrícola de Sete Lagoas, em Minas. Mas ele não era agricultor. Ele conheceu minha avó porque o pai dela, ao terminar o tempo de serviço no consulado, ficou no Brasil como importador de casimira inglesa (um pano de lã), para confecção de ternos e viajava pelo interior para fazer os pedidos com os alfaiates. Um dos filhos dele, Nuno Santos, foi proprietário de uma fábrica de tintas para tingir tecidos em São Paulo e foi proprietário de um dos primeiros automóveis da cidade, em 1912. Meu pai nasceu no Rio de Janeiro em 1916.

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A Aeronáutica brasileira é uma piada ( não mereceu um professor como o senhor, eu o respeito) mas atualmente nem tecnologia para fabricar jatos se tem no Brasil...pátria tupiniquim, terra de índio.

A Embraer é uma empresa aeronáutica que surgiu a partir do ITA, que pertence ao Ministério da Aeronáutica, por obra do Marechal Casimiro Montenegro. Foi fundada pelo Ozires Silva. Esses homens deram grande contribuição à indústria aeronáutica brasileira, que não é pequena não. O ITA é uma das melhores instituições de ensino do Brasil, em nível equivalente às melhores do mundo. Acho que o Brasil é um país de nível tecnológico razoável. Acima dele eu só colocaria os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra, a França, o Japão, a Rússia, a Itália, o Canadá, a Austrália, a Coréia e a China. A Índia e o México podem se emparelhar. O resto fica abaixo.

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Você acreditou em Deus até 1968 ( o ano que não acabou )...depois do movimento estudantil na frança que modificou o mundo todo, vc se deixou levar pelo lema '' é proibido proibir ''...foi assim que vc surgiu como ateu e anarquista!

Não. Em 1968 eu ainda era católico convicto e não compactuava com aquela rebeldia. Em 1965 eu tinha até entrado para a TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), onde fiquei até 1969, que foi quando acabei deixando de ter fé e, por coerência, deixei a TFP. Mas eu só andava de terno e gravata, como ainda faço até hoje. Sou um rebelde de pensamento, mas de estilo tradicional, em termos de gostos e preferências. Desde criança que eu escuto quase só música clássica. Sempre fui um nerd em termos de estudar muito, mas meu estilo de vestir e meus habitos de viver eram até aristocráticos, como ainda o são. Isto vém de família, pois meu avô era da nobreza austríaca, o outro bisavô era diplomata português, o pai da minha mãe almirante, primo de Rui Barbosa. Mas nós já eramos financeiramente decadentes. Meu pai e minha mãe eram funcionários públicos e professores. Meu avô austríaco também era professor universitário, de Russo e Tcheco, em Viena e o pai dele de Química. Meu avô era anarquista e veio como imigrante para o Brasil para não ser preso e condenado, talvez até à morte.

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Você foi influenciado, ateísmo não surge do nada...em algum momento de sua vida aconteceram mudanças em sua forma de pensar pois houve um desvio causado por alguma leitura que te impressionou e se encaixou como luva em você.

Claro que sim. O livro que mais me influenciou foi "Servidão Humana" de Somerset Maugham. Mas eu sempre li muito sobre todos os assuntos. Meu pai era professor de História e Geografia e tinha muitos livros. Nunca me contentei em aprender apenas o que se ensinava na escola. Estudava filosofia e física atômica e nuclear quando ainda era aluno do antigo ginásio, hoje séries finais do fundamental. Assim fui, aos poucos, principalmente pelo estudo da evolução biológica e de cosmologia e astrofísica, vendo que tudo na natureza acontece por conta própria, sem necessidade de intervenção divina. Mas esta mudança de concepção foi gradual, pois eu era uma pessoa muito católica e tinha a firme intenção de me tornar santo. Só não queria ser padre porque queria ser pai.

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Se vc foi professor no tempo da ditadura nos anos de chumbo, vc certamente foi atingido pelo nacionalismo dos generalissimos, se vc deu aulas para cadetes vc comia na mão da ditadura, por isso pensa assim de Santos Dumont.

A Aeronáutica, onde trabalhei, de fato faz uma grande apologia a Santos Dumont e eu conheci, no CBPF, onde fiz meu mestrado em Cosmologia, o Henrique Linz de Barros, biógrafo de Santos Dumont. Já fui à fazendo de Cabangu, onde tem o museu dele. Mas acho que você não percebeu que eu disse que o crédito da invenção do avião é de Orville e Wilbur Wright e não de Santos Dumont. Mas ele também desenvolveu o seu aparelho de modo independente dos Wrights. E, é claro, contou com toda uma equipe, contratada por ele para o trabalho. Mesmo não sendo o inventor, tem-se que dar-lhe o mérito pelo que fez. Quanto a ser um professor do Ensino Público Militar, isto não significa que se seja uma pessoa cooptada por eles, mas apenas um trabalhador como milhares de outros, que está lá porque foi selecionado entre os candidatos que concorreram ao cargo, à época, bem remunerado.

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Sim vc deu aulas...mas eu não entendo como analfabetos e semi analfabetos ficam ricos e professores que estudam anos a fio fazem apologia à miséria, é um contra senso , não se ensina a ficar rico em escolas.

Não é contrassenso. Quanto mais se estuda e se aprende (porque se tem condições intelectuais para isto) mais se conclui que a riqueza não é um valor tão importante. No tempo em que eu fazia o Ensino Médio (terminei em 1967) os melhores alunos da turma queriam ser professores. Os não tão bons, médicos, advogados ou engenheiros. Hoje, só quem não consegue passar nos melhores vestibulares acaba sendo professor. Há excessões, é claro. O magistério é uma profissão que não enriquece, exceto os empresário do setor. Quem é professor por vocação, como eu, sempre é filosófico e não liga para riqueza. Os outros é porque não têm condições. Seria interessante que se ensinasse a enriquecer na escola, mas quem sabe como não quer ser professor.

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