A princípio sou inteiramente favorável a que o ENEm se torne o único processo de seleção para admissão ao ensino superior em todo o Brasil, para todos os cursos, tanto de instituições públicas quanto particulares.
Considero que o aluno de qualquer curso superior, seja de que área, deva ter conhecimentos de nível médio de todas as áreas, bem como habilidades de fazer uso deles na solução de diversos problemas, não só acadêmicos. Assim o advogado tem que saber matemática, física e biologia, o engenheiro tem que saber história, geografia e filosofia e o médico tem que saber física, química e sociologia. E todos têm que saber português e inglês. E bem!. Sou totalmente contra qualquer tipo de avaliação específica por área de exatas, humanas ou biológicas.
Assim é que acho que a primeira versão do ENEM, em que as questões eram totalmente multidisciplinares, sem separação nenhuma de qual era desta ou daquela matéria era muito melhor. Sugiro o retorno a esse padrão.
Todavia, acho que é preciso um aperfeiçoamento. No afã de se eliminar o caráter conteudista, próprio dos vestibulares, pecou-se pelo extremo oposto, que é o da medida quase exclusiva das habilidades cognitivas. Acho válido questões embasadas em textos prévios, mas algumas colocam um texto só para se perder tempo, pois a resposta não depende do texto. É preciso haver um equilíbrio entre a medição de conhecimentos e do uso de habilidades. Toda questão precisa enfocar os dois aspectos. Digo isso com conhecimento, pois tenho curso de especialização em elaboração de questões fechadas ministrado pelo Heraldo Marelim Viana, do CECISP, que foi meu coordenador de avaliação nos oito anos em que lecionei na EPCAR, em Barbacena. Além disso fui membro da Comissão de Física do Vestibular da UFV por oito anos e presidente de sua Comissão Geral do Vestibular durante quatro anos.
Outro ponto que seria interessante é a aplicação do ENEM nas três séries do Ensino Mèdio.
Procedidas essas correções, opto pelo ENEM como única forma de acesso ao nível superior. Acoplado ao SISU, considero o ENEM uma forma muito mais honesta, justa e democrática de avaliação. É claro que se precisa, cada vez mais, aprimorar a segurança no processo de aplicação.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 22 de outubro de 2011
Aproveitando o dia, O que acha do Enem? É um bom meio de se avaliar conteúdo necessario para um curso universitário? Há modos melhores?
Digamos que uma cidade foi projetada com ruas para o fluxo de 1.000.000 de carros/dia. Mas as montadoras de lá já produziram mais de 10.000.000 e continuam fazendo carros que na verdade vão ficar mais tempo parados no trânsito do que andando. Tem lógica?
Claro que não. Este é um paradoxo econômico descomunal. Considera-se que toda empresa ou nação só se encontra economicamente saudável enquanto está crescendo. Ela tem que sempre vender mais, faturar mais, lucrar mais. Se mantiver estável está economicamente doente. Isto é um disparate. Quando o mundo parar de crescer populacionalmente e a renda estiver igualmente distribuída por todos, que serão todos ricos, não haverá mais motivo para crescimento. Inclusive, o que é mais grave ainda. porque os recursos naturais para serem transformados em produtos são finitos e se esgotarão. Esta visão econômica equivocada tem que ser corrigida ainda mais por um outro fator, que, em minha opinião, brevemente ocorrerá. Os consumidores concluirão que o individualismo é inteiramente anti-econômico para seus bolsos e começarão a fazer tudo compartilhadamente, passando a ter residências comunitárias, com refeitórios, lavanderias e todas as facilidades em comum, tipo " apart hotel", só que particular. Então haverá uma drástica redução de consumo de tudo: geladeiras, televisores, louça, talheres, máquinas de lavar roupa, tudo enfim. Porque não mais haverão lares familiares individuais e sim coletivos. A economia será tremenda. Redução da necessidade de tudo. Garagens coletivas com carros compartilhados. Preferência pelo transporte coletivo, mesmo entre ricos. Isso não vai tardar a acontecer e provocará uma mudança radical nesse paradigma de crescimento ilimitado.
Certo. E quando o pessoal fala assim: fulano tem uma energia boa, ele passa isso, ou ainda tem muita energia negativa. Esse show de tal banda tem uma energia boa. Do que se trata afinal?
Nesses casos a palavra energia está sendo usada em uma concepção não física, mas sim querendo dizer que as atividades daquela pessoa induzem disposições favoráveis ou desfavoráveis em quem as recebe. Ou seja, que provoca ânimo, alegria, satisfação, entusiasmo, disposição e coisas desse tipo. A única coisa que fornece energia às pessoas, fisicamente falando, é comida. Essa energia que você menciona acima é a psicológica, que não é uma grandeza, mas uma propriedade do tipo da beleza. A "energia negativa" é a atitude que provoca desânimo, depressão, tristeza, preguiça e coisas assim. Não tem nada a ver com o conceito físico de energia. O problema é que os esotérico confundem os conceitos como sendo o mesmo e aplicam a essa energia psicológica as propriedades gozadas pela energia física.
Professor, compartilho de sua visão quanto ao poliamorismo. Sou, inclusive, um praticante. Minha pergunta, no entanto, restringe-se ao ideal altruísta. Como, em sua opinião, abastece-se uma causa que exige combustível infinito? Como burlar um ciúme...
(continuação da pergunta): ...que, muitas vezes, é inato as nossas características humanas? Como esquecer que se, eventualmente, não pensarmos somente em nós mesmos, não teremos outra garantia de felicidade numa vida que aparenta ser única? Que o amor é possível, não tenho dúvidas. Pergunto, entretanto, se ele é viável. E, principalmente, se é possível mantê-lo vivo sem corromper-se.
Resposta:
O ciúme não é inato. É um condicionamento cultural, ligado à noção de posse do ser amado. O fundamento do poliamorismo é a total independência de cada pessoa em relação às demais. Portanto é fundamental que ninguém dependa financeiramente de ninguém. Se essa condição não for preenchida, não se consegue ter a liberdade que o poliamorismo concebe. Isto não significa que pessoas que mantenham uma relação erótico-afetiva não possam compartilhar despesas na manutenção de seus projetos comuns.
Quando ao egoísmo, não se trata de um saudável desejo de felicidade pessoal, mas uma doentia concepção de que a satisfação dos próprios desejos tem que ser obtida a qualquer custo, doa a quem doer. E o altruísmo também não é a negação de si mesmo para servir aos outros ilimitadamente. É a concepção de que o outro tem tanto valor como nós mesmos e que nossas ações devem ser feitas para a maximização da felicidade global e não só a nossa. Assim se é capaz de se sacrificar pelo bem comum. Mas não a ponto de se viver uma vida completamente infeliz para fazer os outros felizes. Nisso tudo é preciso haver um balanço, pelo qual a pessoa busca sua felicidade sem causar infelicidade aos outros.
Para sermos felizes é preciso, justamente, que não pensemos apenas em nós mesmos, como também que não deixemos de pensar em nós mesmos. É isso que o poliamorismo vem atender e propiciar a maximização da felicidade e sua maior disseminação entre as pessoas. Pensando em nós mesmos, pelo poliamorismo, assumimos a possibilidade de amarmos a mais de uma pessoa ao mesmo tempo e consentimos na realização pessoal, social e carnal desses amores, de forma declarada, aberta e permitida. Pensando no outro, pelo poliamorismo, não exigimos que nossos amores amem exclusivamente a nós, permitindo que também amem a outras pessoas e realizem plena a abertamente esses amores. Isso é honestidade, maturidade, decência, honradez e nobreza. Além de evitar sofrimentos inúteis que a sufocação de amores sempre traz, essa liberdade concede à pessoa uma leveza de espírito e uma alegria que possessividade e ciúme nenhum é capaz de propiciar.
Isso é perfeitamente viável, mesmo que não seja necessário (pode-se perfeitamente ser feliz monogâmicamente), e não exige infinidade de combustível nenhuma, nem burlar nem corromper nada. Pois o importante é que todo relacionamento envolva compromisso (mesmo quando múltiplo) mas não de perenidade. Que seja infinito enquanto dure. Que compromisso é esse, então? O compromisso de dedicação, de lealdade, de honestidade, de sinceridade, de carinho, de interesse, de companheirismo. Mas não de exclusividade nem de perenidade. Traição é uma torpeza inadmissível, pois significa a quebra da lealdade. Ao ocorrer uma nova paixão, se correspondida, que os relacionamentos anteriores sejam cientificados previamente. Desse modo todos os envolvidos podem ser grandes amigos.
Uma questão que é colocada é a do surgimento de filhos. Ora, os filhos serão sempre de seus pais, mesmo que os pais tenham outros maridos ou mulheres. E eles são responsáveis pelos filhos pelo resto da vida. A não ser que sejam pessoas completamente desclassificadas. Na casa de quem morarão os filhos? Para mim o ideal é que as casas sejam enormes para abrigar essas famílias estendidas que, inclusive, compartilhando as despesas, farão um economia tremenda. Na primeira infância a presença constante da mãe é essencial, mas depois a escolha fica à vontade. Sem brigas por quem seja responsável pelo custeio disto ou daquilo. Os dois são responsáveis, segundo suas possibilidades. Acho isso tão simples. Não consigo entender essas brigas por dinheiro. Seja generoso que tudo dá certo.
Finalmente quero abordar a questão do sexo casual, sem envolvimento sentimental. Porque não? Qual o problema? Nesse caso nem precisa haver consentimento e nem se configura infidelidade e traição, desde que isto já seja admitido explicitamente como uma possibilidade para todos os envolvidos. Parceiros eventuais e esporádicos não fazem parte da família estendida de que falo, a não ser que deixem de ser eventuais e que um vínculo afetivo forte venha a surgir.
O documentário O momento da morte diaz q a 1 lei da termodinâmica diz q a energia n pode ser criada nem destruída, e a consciência é uma forma de energia, se for o caso, vai persistir após a morte. Consciência não é energia correto?
Consciência não é energia coisa nenhuma. Esse pessoal esotérico tem uma noção completamente equivocada de energia. Existem dois conceitos de energia. O primeiro é o físico, que a primeira lei da termodinâmica descreve o comportamento. Trata-se do atributo dos sistemas que lhes confere a capacidade de realizar trabalhos mecânicos, térmicos, elétricos ou de qualquer outra modalidade física. O segundo conceito de energia é psicológico, significando, simplesmente, disposição, ânimo para agir, vigor e firmeza na execução de uma ação. Esse último não tem nada a ver com a termodinâmica e nem é uma grandeza quantitativamente mensurável. Além disso faz-se uso da palavra "energia" para significados em que ela absolutamente não se aplica. É uma espécie de coringa linguístico dos esotéricos.
Consciência é uma operação da mente, que consiste em ter a percepção do funcionamento da própria mente. É um tipo de percepção, só que não ligada aos órgãos sensoriais, mas ao interior da própria mente. É a percepção dos pensamentos, dos sentimentos, das evocações, das emoções. Grande parte das operações mentais é inconsciente, isto é, dá-se sem que se saiba que está ocorrendo (aliás a maioria). Uma parte importantíssima da consciência é a "auto-consciência" que é a percepção de si mesmo como indivíduo autônomo e distinto do resto do mundo. É a noção do "Eu", o dono de sua mente e de seu corpo. Isso não é energia coisa nenhuma, apesar de, como todo processamento mental é dinâmico, a consciência só se dá pelo funcionamento do cérebro, e esse funcionamento consome energia, dentro do metabolismo celular, nos processos de glicólise e no cíclo de Krebs. Mas isto não significa que consciência seja uma forma de energia. Energia é uma grandeza física que mede um atributo de sistemas físicos. Consciência é uma operação mental. São conceitos de categorias diferentes, portanto incomparáveis, com tempo e volume.
Com base no que você falou sobre consciência abaixo. Me diga o que aconteceria caso um ser consciente fosse desintegrado e depois (não importa o tempo) reintegrado (da mesma forma como era antes). A consciência original seria perdida?
Certamente que sim, pois a consciência não é meramente uma estrutura, que é o que foi recuperado. A consciência é dinâmica. É um processo continuado. Mesmo sem a perda da estrutura, a interrupção da dinâmica que mantém a consciência implica na perda da consciência. Ela pode ser temporária, como no sono, ou definitiva, como em certos casos de anestesia aprofundada demais ou estado de coma muito prolongado.
"Elas estão presentes no espaço em torno do buraco negro." Então a carga elétrica em si está espalhada na superfície do horizonte de eventos do buraco negro, e não em seu interior? Curioso, já que a massa do mesmo se encontra todo no seu centro. É isso?
Não. A carga está toda no caroço. O campo elétrico é que está em torno dele, dentro e fora do horizonte de eventos. Do mesmo modo a massa e o dipolo magnético. Eles estão no caroço do buraco. Mas o campo gravitacional e o magnético estão no espaço circundante. Os campos são entidades reais e físicas, mesmo não sendo materiais. Na verdade tudo é campo, pois a matéria é uma quantização fermiônica do "campo de matéria" e a radiação (fótons) é uma quantização de campos elétricos e magnéticos oscilantes. O que se pode medir de um buraco negro de fora dele é só a sua massa, carga, momento angular e de dipolo magnético. Só. E isso é medido pelos efeitos dos campos que esses atributos geram no espaço.