Porque os conceitos se reportam ao que se conhece naquele momento. Contudo, a todo tempo, novos fatos são apresentados, cuja explicação requer revisão de conceitos e de leis da natureza ou da sociedade. Isso não significa que o conceito anterior fosse obscuro, mas que ele se referia a uma realidade que se verificou não ser mais do mesmo modo. Jamais se poderá dizer que se tem a explicação definitiva de qualquer coisa. Essa provisoriedade é uma das mais importantes características da ciência e o seu grande mérito em relação às religiões, que pretendem ser detentoras da verdade definitiva. A ciência não pode dizer que seja dona da verdade, mas que a busca com afinco, eternamente.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Uma listinha básica de grandes clássicos da literatura e filosofia mundial, por favor.
Dostoiewsky - Os Irmãos Karamazov
Somerset Maugham - Servidão Humana
Leo Tolstoy - Ana Karenina
Charles Dickens - Grandes Esperanças
Ursula Le Guin - Os Despossuídos
Doris Lessing - Shikasta
Frank Herbert - Duna
Ernest Hemingway - O Sol Também se Levanta
Isaac Asimov - Fundação
Platão - O Banquete
Montaigne - Ensaios
Spinoza - Ética
Voltaire - Dicionário Filosófico
David Hume - Investigação sobre o Entendimento Humano
Bertrand Russell - Ensaios Céticos
Indique um livro que vc goste bastante, um que ninguém, na sua opinião, deveria deixar de ler.
Servidão Humana, de Somerset Maugham
Quando é que uma variável tem tendência para seu limite, ora por valores inferiores ao limite, ora superiores?
Quando uma função não é definida em um ponto ou nele possui uma descontinuidade, pode-se cogitar do valor do limite da função ao se tender ao ponto. Para uma função contínua, esse limite é o mesmo, quer se aproxime do ponto por valores menores ou maiores. Mas para uma função descontínua ou indefinida no ponto em questão, o limite não será idêntico se a aproximação for pela esquerda ou pela direita. Inclusive pode não existir.
Professor, é verdade que conceitos físicos de eletricidade e magnetismo não possuem definições 100% específicas/claras? Que a única coisa que sabe-se que nunca muda mesmo são as ditas "leis"?
Não é verdade não. Os conceitos do eletromagnetismo são totalmente claros e as definições inteiramente precisas e operacionais. Tanto que toda a engenharia elétrica e a eletrônica funcionam de modo extremamente eficiente e eficaz com base nesses conceitos. É claro que, à medida que novos fatos sejam descobertos, os conceitos são aperfeiçoados para dar conta deles. Mas isso também acontece com as "leis" que não são imutáveis, de forma nenhuma. Por exemplo, o estudo de efeito fotoelétrico e da radiação de corpo negro obrigaram a uma profunda reformulação das leis da física que ficou conhecida como "Física Quântica". O mesmo se deu com a "Teoria da Relatividade".
Se o cristianismo não considerasse de cara todos como pecadores e não perdoasse quaisquer pecado ele conseguiria funcionar de fato como limitação/freio moral do homem?
Não é preciso religião nenhuma para haver moral. As pessoas têm que ter um comportamento ético, supondo que a moral seja ética, porque isso é que é o certo e não porque será punida ou premiada. Não existe punição após a morte simplesmente porque, com a morte, a pessoa acaba completamente. Então é a própria sociedade que tem que estabelecer punições para condutas que firam o código moral, que deve sempre seguir a ética. A visão religiosa de que todo mundo, a priori, seja pecador não é nada saudável. As pessoas não "são" santas nem pecadoras. Elas comentem pecados, entendido com fazer algum mal, bem como fazem ações benevolentes. O que é preciso é coibir ações malévolas e incentivar as benévolas. Só assim a sociedade poderá viver harmoniosamente e fraternalmente, com toda a liberdade e com todos sendo felizes. Usar o céu ou o inferno como fatores indutivos do bom comportamento é uma perversidade, especialmente porque é um engodo. A educação tem que mostrar que o bem deve ser buscado por seu valor intrínseco e não por recompensa nenhuma, da mesma forma que o mal erradicado por sua perfídia intrínseca e não por causa de punição nenhuma. De qualquer modo, como recurso pedagógico, é bom que toda ação malévola acarrete consequências indesejáveis, bem como ações benévolas acarretem consequências agradáveis, para que o sistema de recompensa do cérebro se ajuste a tais comportamentos. Mas que essas consequências sejam reais e atuais, não pretensamente postergadas para depois da morte.
Professor: “Deus existiu sempre? Que é sempre? Deus criou-se a si próprio para depois começar a criar o universo? Onde é que estava deus quando criou-se a si próprio? por que nenhum cristão consegue responder ?
Deus não existe e nunca existiu. Criar-se a si próprio é uma impossibilidade. Se deus existisse, ou ele sempre teria existido ou teria surgido sem ter sido criado, a partir de nada (e não "do nada"). Mas isso é o que se conjectura para o próprio Universo. A respeito do conceito de Deus não se pode perguntar "onde" está, pois,sendo um espírito, não tem tamanho e nem localização, que são conceitos físicos (e geométricos também, mas geometria é uma abstração). Por ser cristã uma pessoa não necessariamente tem que conhecer os aspectos filosóficos de sua crença, exceto ser for um sacerdote. Quanto ao conceito de "sempre", trata-se de algo cuja existência é permanente, isto é, não deixa de existir e nem de ter existido, em todos os momentos do tempo. Surge a dúvida? E se não havia tempo? Isso existiria? É possível existir fora do tempo? Como estamos imersos no tempo, não temos experiência nenhuma de algo que exista fora do tempo. Nosso conceito de existência é o de uma permanência no tempo. Se o tempo começou a fluir com o começo do Universo, antes não havia. Nem havia "antes". Poderia o conteúdo do Universo existir sem que passasse tempo? E Deus? Ainda não tenho essas respostas.