sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Muitas pessoas são contra a homossexualidade por motivos (quem diria..) religiosos. Existe algum item das dez observações da imagem que vc acha um argumento inadequado? Vc aprova ou reprova a lista? Acrescentaria algo?

Concordo com a lista, mas não sou cristão. Minhas razões para ser contra a homofobia são outras. Primeiro que, para mim, a Bíblia não tem nenhum caráter prescritivo e nenhum compromisso com a verdade. Segundo que, como penso que tudo seja puramente natural, encaro a homossexualidade como uma orientação tão válida quanto as outras três: heterossexualidade, bissexualidade e assexualidade. Em outras palavras: nenhuma delas é contrária ao "projeto de Deus", simplesmente porque esse projeto não existe. E se são encontradiças até em outras espécies animais, são normais, ainda mais que não são uma opção voluntária e sim uma pulsão instintiva à qual se pode, no máximo, contrariar. Mas isso, normalmente, é fonte de grande trauma psíquico.

Como você diferencia o desejo, a paixão e o amor?

Desejo é uma atração sexual, é a vontade de transar com aquela pessoa. Mas não apenas uma transa recreativa, sem maiores interações. É uma vontade que também inclui um sentimento de carinho e afeto e não só a fruição egoísta do prazer. Mas não precisa envolver amor.

Amor, no sentido romântico, já um complexo que envolve um querer bem, isto é, um desejo de propiciar felicidade à pessoa amada. É um sentimento de ternura pela pessoa, de satisfação na sua companhia, na interação mental com ela. Normalmente também inclui o desejo, mas pode existir sem o desejo ou com um desejo sublimado, que se compraz apenas com abraços e beijos, sem o sexo genital.

Amor é um sentir, um pensar, um desejar, um querer e um agir, isto é, uma emoção, um sentimento, um apetite, uma volição e uma ação. Mas também é uma intelecção, refletida, consentida, explicitada e assumida. Esse complexo de fatos psíquicos caracteriza o amor em todos os planos, piedade, compaixão, solidariedade, afeição, amizade, amor platônico, erotismo. Amor filial, maternal, paternal, fraternal, conjugal, idealista. A intensidade e a sequência em que eles aparecem pode variar. O amor sempre emociona, enternece, e envolve um desejo de zelo, cuidado e proteção da coisa amada, bem como um desejo de reciprocidade. Mas o amor só se realiza quando é expresso em vontade e essa vontade em ação. Não basta sentir e desejar para amar, é preciso querer e provar. O amor envolve dedicação e renúncia, paciência e perseverança, trabalho e recompensa, alegria e tristeza, euforia e depressão. É algo envolvente e inebriante. O amor não é possessivo, ciumento, exclusivista, castrador, sufocante. Pelo contrário, o amor é libertário e altruísta. Não me refiro apenas ao amor erótico mas a todas as modalidades, inclusive as formas idealistas de amor à verdade, à justiça, à sabedoria, à humanidade, à natureza. O amor não pode ser cerceado em sua intensidade e abrangência. Ele não possui limites. Quanto mais se ama a mais coisas e pessoas, mais capacidade se tem de amar. E quanto mais se ama, mais se realiza e maior é a felicidade, mesmo que nem sempre seja correspondido. E certamente, é algo de que se possa contemplar em sua estética e fruir o máximo prazer que é amar o amor.

Nada é mais importante do que o amor. Trata-se de algo engendrado pela natureza ao longo da evolução para garantir a sobrevivência da espécie. Enquanto o egoísmo pode ser eficaz para a sobrevivência do indivíduo, é o amor que garante a espécie. O sexo foi uma estratégia da natureza para garantir a variabilidade genética e possibilitar múltiplas escolhas na seleção natural. Seria possível, por partenogênese, a existência das espécies apenas com o sexo feminino (que é o essencial, o masculino é acessório), mas o surgimento do sexo, desde os mais primitivos seres vivos, se revelou a opção mais eficaz. Assim, eros é a pulsão mais poderosa, pela qual os indivíduos até mesmo dão a vida. Mas a sobrevivência da espécie também exige o cuidado com a prole e a proteção da fêmea, atitudes essas que se sublimaram na componente platônica do amor. Assim o amor evoluiu para uma atitude não só sexual mas também de carinho. E a necessidade de proteger o grupo privilegiou aqueles que possuiam fortes ligações de cooperação inter-individual, o que é sublimado na amizade. Duas forças coexistem nas espécies: a de competição, egoísta, belicosa, que deseja o poder sobre o outro a ser subjugado e a de cooperação, que se expressa no amor, na compaixão, no altruísmo. A primeira tem suas raízes profundas na necessidade de aplacar a fome (fome fisiológica do alimento mesmo) e a segunda no impulso de preservação da espécie. Sendo o homem uma espécie altamente evoluída, que atingiu o estágio de consciência psíquica plena e desenvolveu a cultura, essas forças primitivas da natureza foram canalizadas para expressões refinadas da arte, do engenho e da ciência. Mas são elas que movem o poeta, o guerreiro, o cientista, o sacerdote, o empresário, enfim, todo homem e toda mulher a fazer o que quer que seja na vida.

Paixão é uma exacerbação de desejo e de amor, concentrada em uma pessoa. Enquanto o amor pode ser direcionado a várias outras pessoas simultaneamente, mesmo o amor erótico-romântico, a paixão é exclusivista. Quando se apaixona é por uma pessoa só de cada vez. Trata-se de um sentimento muito forte que traz uma necessidade imperiosa da outra pessoa, cuja ausência leva a grande tristeza, cuja presença causa uma série de manifestações somáticas emotivas, como taquicardia, bambeira nas pernas, gagueira, sudorese, rubor. É uma condição psíquica que envolve totalmente a pessoa, que passa o tempo todo só pensando na outra, que se esquece do resto da vida, que não percebe nenhum defeito no objeto de sua paixão e exacerba suas qualidades, até inventando, inconscientemente, algumas. A paixão, normalmente, evolui para um sentimento mais ameno de amor ao fim de certo tempo. Mas a lembrança dela nunca fica apagada. Trata-se de uma das mais fortes emoções e um dos mais fortes sentimentos que se pode experimentar. Em verdade é uma das coisas que faz com que a vida tenha sentido.

Professor, esse cara aqui é físico e prova cientificamente a existência de deus e a vida após a morte. O senhor pode comentar? Física Quântica e Espiritualidade parte 1

O que o Laércio diz, bem como outros cientistas, como o Fritjof Capra, o Amit Goswami e o Deepak Chopra, por exemplo, a respeito da relação entre a Física e o sobrenatural não é nada científico. São pessoas que possuem concepções religiosas já sedimentadas e que buscam justificá-las por seus conhecimentos de Física. Mas não é um resultado a que se chega por meio de uma busca descompromissada com a resposta. Sinceramente, os livros dele são a maior baboseira. Veja o site:http://laerciofonseca.com.br

Li no seu perfil que o senhor é físico. Se interessa por física quântica? E por computadores quânticos? Caso a resposta seja positiva, escreva um pouco sobre esses assuntos, por favor. :) Sou uma entusiasta pela área e quero aprender mais! :D

Sim, sou físico e, inclusive, fui professor de Física Quântica no Bacharelado de Física da UFV. Quanto à computação quântica, trata-se de uma ideia muito promissora mas que ainda está engatinhando. Veja um resumo de Física Quântica que escrevi:
http://www.ruckert.pro.br/blog/?page_id=1865
Sobre computação quântica, veja isto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_computer

sonsice é um mal?

Não é uma patologia e sim um comportamento totalmente lúcido e voluntário. É um mal sim, mas inteiramente evitável. Basta que a pessoa se eduque e se policie para não agir assim.

Ser bom é essencial ou a essência da pessoa conta mais?

Essencial é o tipo de atributo que, se não possuído, o ser não é o que se diz que seja. Para que um ser seja uma pessoa, é essencial que ele possua mente, consciência e personalidade, além, é claro de ser vivo, na mais ampla concepção que se puder ter, que, inclusive, inclua robôs. Mas não precisa ser bom. Uma pessoa não deixa de ser pessoa se for má. Então a bondade é uma qualidade desejável, mas não essencial para uma pessoa.

O senhor acha que essa política de ações afirmativas pra 50% das vagas nas universidades públicas vai fazer com que o nível dessas instituições caia muito?

Muito não, mas cairá. Todavia não é por isso que considero que essas políticas sejam errôneas. É porque não são justas nem democráticas. São preconceituosas e discriminatórias. São inconstitucionais, mas não interessa o que a constituição diga, uma vez que não são éticas e a ética é superior à lei. O resgate dos excluídos tem que ser feito pelo oferecimento de oportunidades para que eles se qualifiquem a disputar as vagas em condições de igualdade em todos os níveis. Um profissional de nível superior só pode ser diplomado por mérito e nenhum outro critério.

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