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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Professor, você conhece o jornalista (e além disso) Olavo de Carvalho? Se sim, o que acha das colunas dele, publicadas em inúmeros jornais e revistas ao longo da carreira?
Sim. Não gosto dele. Para começar ele é um tradicionalista católico, conservador, retrógrado, direitista, gnóstico e outras concepções que eu não concordo. Sou ateu, esquerdista (não socialista, mas anarco-comunista), progressista, cético e, em geral, em quase tudo oposto a ele. Por outro lado não aprecio seu estilo desbocado, debochado, sarcástico e irônico. Detesto esse modo de ser. Todavia, às vezes, considero que ele diga palavras corretas. Mas há que se analisar cada texto. Em relação à ciência, suas concepções são desastrosas. Além de criacionista ele acha que a Terra seja o centro do Sistema Solar e outras idéias que a própria Igreja Católica já não considera mais. Fica parecendo até que ele seja burro, mas não é. É uma pessoa inteligente e culta, mas equivocada em suas concepções a respeito da realidade, tanto natural quanto social.
Professor, para o senhor, qual a origem do comportamento homossexual? Influência ambiental? Variabilidade genética? Escolha? nenhuma das anteriores? abrçs!
Em geral é devido a uma propensão inata, que faz com que a pessoa sinta atração sensual por outra do mesmo sexo biológico. Tal tendência pode ser reprimida, em atendimento às convenções sociais, ou consentida, ao arrepio delas. Isso chama-se homossexualidade. Todavia pode também, mesmo não sendo uma propensão natural, ser uma escolha consciente, não correspondente à inclinação nata. Isso eu chamo de homossexualismo. Ambos comportamentos são legítimos, como os demais, isto é, a heterossexualidade e o heterossexualismo, a bissexualidade e o bissexualismo e a assexualidade e o assexualismo. Há quem seja homossexual nato e opte pela heterossexualismo, há heterossexuais natos que optam pelo assexuaismo (como padres que cumprem seus votos de castidade) e assim por diante. Considero que o melhor seja que as pessoas se realizem sexualmente da forma como sua tendência natural pede e que a sociedade considere todas as variantes a respeito como perfeitamente válidas e decentes. Do mesmo modo que não se considera indecente um padre abster-se de sexo, mesmo que tenha desejo, também não se pode considerar indecente uma mulher que faça sexo com outra ou um homem que faça sexo com outro, se assim eles o desejam e os envolvidos estejam de acordo.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Acredita que um homem pode amar mais de uma mulher, ao mesmo tempo?
Tanto um homem a mais de uma mulher quanto uma mulher a mais de um homem. Ou um homem a mais de um homem ou uma mulher a mais de uma mulher. De forma sincera, intensa e leal. Isso não é uma questão de acreditar e sim de constatar. Tais situações existem. Normalmente, como a sociedade não admite a realização desses amores em relacionamentos abertos, divulgados e consentidos, não só pelos envolvidos, mas pela sociedade, as pessoas acabam reprimindo uns em favor de um único, não sem pesar e sofrimento. O ideal é que isso fosse algo perfeitamente aceito. Não se trata de traição, mas de não exclusividade amorosa aberta, com o conhecimento e o consentimento dos envolvidos. Sem o menor ciúme, pois amor não implica, absolutamente, em posse nem controle da vida do ser amado, que é livre para amar a quem quiser, sem deixar de nos amar também.
Professor, tudo que existe no universo pode ser "traduzido" em números?
Não. Há o que tenha valor qualitativo e não quantitativo. Não só sentimentos, emoções, valores, abstrações, mas, mesmo, ocorrências, atributos, propriedades e, até, coisas. Por exemplo, bondade, beleza, retidão, desejo, medo, nojo, dor, tristeza, alegria, relações de causalidade, afinidade, antipatia, simpatia, admiração, amor, ódio, textura, maciez, correção, instituições, normas (permissões, proibições, determinações) e muito mais. Se bem que, em alguns casos, pode-se inventar um meio de se quantificar um atributo qualitativo, mas nem sempre se consegue.
"Aí me retrucam os fascistas: "mas é preciso haver pobre, senão quem vai ser lixeiro ou peão de roça?" Os ricos, ora bolas!" Você queria ser lixeiro?
Não acho que devam existir lixeiros. Todos serviços desse tipo deveriam ser feitos em sistema de rodízio por todas as pessoas. Do mesmo modo que várias outras. Não é preciso que alguém tenha a profissão de lixeiro ou faxineiro. Os moradores compartilham entre si as tarefas de limpeza. Do mesmo modo os trabalhadores de escritório. Por que o Reitor da Universidade não pode limpar o seu banheiro? Ou o Papa ou o Presidente da República? Se bem que, para mim, não deveria existir Papa nenhum e nem presidentes de repúblicas. Muito menos reis.
http://ask.fm/TheHartFoundation/answer/111418117702 Concorda professor ?
Que se aprendem coisas e fatos que pode ser que não sejam usados é verdade. Nem por isso não devem ser aprendidos, pois nunca se sabe quando serão necessários. No caso da Matemática, o maior aprendizado não é a aquisição de conhecimentos e sim o desenvolvimento de habilidades. A habilidade de raciocinar é extensamente desenvolvida pelo estudo da Matemática. E raciocinar é útil para tudo na vida. Sem contar com o prazer que a matemática é capaz de propiciar a quem se dedica a seu estudo. Muita coisa na vida não se dedica por sua utilidade. Isso vale para a música e as artes em geral. Sem elas não se morre de fome. Mas a vida seria muito insossa sem a música e as artes. O mesmo se aplica a certos conhecimentos como a Cosmologia. A Matemática, mesmo que não seja usada em toda a sua extensão em várias atividades, é necessária para muitas delas, como todas as engenharias. Nós não estaríamos interagindo pela internet como estamos agora sem a Matemática. Nem poderíamos viajar de avião, de trem ou de carro. E assim por diante. Economia, contabilidade, finanças dependem de Matemática, mesmo que elementar. Até a medicina, a farmacologia e uma série de outras atividades.
Esclareça uma coisa para nós. Qual a diferença entre massa e matéria visto que a primeira sofre efeitos relativísticos, na minha concepção, comum, massa e matéria são termos equivalentes. Como é possível variar uma sem variar a outra?
Massa e matéria são conceitos de categorias diferentes. Matéria é um tipo dos constituintes substanciais do Universo, ao lado da radiação e dos campos. Isto é, tratam-se do tipo de coisa de tudo é feito. Já massa é um atributo da matéria, isto é, uma propriedade que ela exibe, do mesmo modo que carga, energia, spin, posição, velocidade, extensão e outros. Massa não é uma coisa. Matéria é uma coisa. Massa também é o nome da grandeza que mede esse atributo. Grandeza é um número, uma abstração, portanto. Como grandeza, massa pode variar, em função do total de conteúdo substancial de um sistema. Modernamente, contudo, a massa não varia relativisticamente com a velocidade. O que varia é a energia e a quantidade de movimento (momentum). Massa é um invariante relativístico. O conceito de "massa relativística" é equivocado. A equação E = mc² não relaciona matéria com energia e sim massa com energia. Ela dá o valor de energia que se obtém com a destruição de certa quantidade de massa em uma reação nuclear ou o valor de massa que pode ser obtido na transformação de radiação em matéria e antimatéria. Note que, quando uma partícula de matéria é aniquilada por uma partícula correspondente de antimatéria, não há transformação de matéria em energia e sim de matéria em radiação. A massa total da partícula e da antipartícula é que é convertida na energia dos dois fótons de radiação produzidos. Matéria e radiação são entidades. Massa e energia não são entidades, são propriedades de entidades. Não existe "energia pura" e nem "massa pura". O que existe é algum sistema de entidades físicas (material, radiante, ou campo) que possua massa ou energia.
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