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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Continuação da defesa do anarquismo.
Então o movimento anarquista tem que ser um movimento de ideias que mude a cosmovisão das pessoas e, com isso, se consiga estabelecer uma sociedade que possa ser conduzida satisfatoriamente sem estado e sem governo. O estado e o governo, contudo, não podem ser extintos nem à força nem por nenhuma lei ou decreto. Eles têm que deixar de existir espontaneamente, por absoluta falta de necessidade de que existam. Essa situação ocorrerá quando as pessoas forem tomando para si, individualmente ou em grupos, as incumbências que seriam atribuídas ao estado ou ao governo, até que esses possam ser dispensados. Todavia, o melhor atingimento dessa situação só vai ser conseguido se, em paralelo à concepção política anarquista, se for implementando, também, a concepção econômica comunista. Então escolas, hospitais, restaurantes, lavanderias, alojamentos, sistemas de transporte, sistemas de comunicações, indústrias, agricultura, comércio, tudo isso iria sendo, pouco a pouco, assumido por grupos de trabalhadores não assalariados, que seriam os sócios do empreendimentos e os geririam por meio de comitês internamente escolhidos. Todos os serviços seriam gratuitos e ninguém receberia nenhum pagamento por nada. No entanto todos teriam tudo o que fosse preciso, pois tudo seria distribuído assim que produzido. Anarquista é, pois, a pessoa que tem essa visão (não necessariamente em todos os detalhes) da estrutura social e busca convencer a todos de sua superioridade, bem como já vai agindo de acordo para que ela venha a acontecer, como, por exemplo, fazendo o máximo possível de trabalhos em coletividade e de graça. Pessoas que promovem desordem em nome do anarquismo fazem um grande mal ao movimento por confundirem a população. Anarquismo é cooperativismo, é mutirão, é esse tipo de coisa. O atingimento dessa situação na humanidade como um todo, todavia, é algo que demanda vários séculos ou, até, milênios.
Contestação do preconceito contra anarquistas.
Como respondi a questões sobre quem tenha preconceito contra comunistas e ateus, resolvi abordar o preconceito contra anarquistas. Da mesma forma, tudo se deve a uma incompreensão do que venha a ser a anarquia e, portanto, um anarquista. Antes é preciso distinguir anarquismo de anarquia. O primeiro é a ideia e o movimento, o segundo é a situação de fato. Que situação? Anarquia é a situação em que a sociedade seja estabelecida sem estrutura estatutária e nem governo político. Política é a ciência e a arte de gerir a sociedade como um todo, por meio de alguma instituição. Normalmente são duas: o estado e o governo. O estado é a instituição que sedia e promove o controle do funcionamento social na mais ampla escala. O governo é o aparato funcional que faz com que o estado controle a sociedade. Na anarquia ambos são dispensados, ou seja, não existe nem uma instituição que configure a sociedade e nem um aparato administrativo que a governe. Anarquismo é a ideia de que isso aconteça, bem como o movimento para promover tal fato. Anarquista, assim, é a pessoa que defende que a sociedade assim seja estabelecida e que age para que isso ocorra. Note que, de modo inteiramente diverso do que muitos consideram, em nenhum momento se cogita de que a anarquia seja uma situação desordenada ou caótica. Muito pelo contrário. No simbolo do Anarquismo, aquele "O", em torno do "A" significa, justamente, ordem. E uma ordem muito mais perfeita. Porque é uma ordem assumida espontaneamente, sem a menor coação. Na anarquia todos fazem o que seja preciso sem que ninguém mande. Só existem coordenações de esforços. Então, o primeiro equívoco que se tem com relação aos anarquistas é de que sejam pessoas que desejam, preguem e executem a desordem. Tal confusão, contudo, tem alguma razão, pois, em uma época do movimento anarquista, algumas facções optaram por agir no sentido de reverter a ordem para derrubar os governos. Isso, contudo, foi um grande equívoco do movimento, deplorado por muitos de seus defensores e líderes. Todavia, até hoje, muitos associam anarquia a desordem e, mesmo, muitos que se dizem anarquistas, pregam e promovem a desordem.
No início do movimento anarquista, vários de seus lideres, como Bakunin, por exemplo, pregavam a revolução para a derrubada dos governos e dos estados e o estabelecimento da anarquia. O que os opunha aos marxistas era que estes consideravam que, vencida a revolução, seria preciso uma fase intermediária de um governo ditatorial, para, depois, se abolir o estado, enquanto os anarquistas queriam a abolição imediata do estado. Isso, porém, é inviável na sequência de uma revolução. Nesta, os vencedores precisam conter os vencidos, para impedir um retorno ao estado anterior. E essa contenção só se pode fazer por meio do poder da força, que teria que ser exercida por algum governo. Assim a anarquia, em sua própria essência, não pode ser atingida por revolução nenhuma. Ela tem que ser atingida por uma evolução, especialmente do modo de pensar.
No início do movimento anarquista, vários de seus lideres, como Bakunin, por exemplo, pregavam a revolução para a derrubada dos governos e dos estados e o estabelecimento da anarquia. O que os opunha aos marxistas era que estes consideravam que, vencida a revolução, seria preciso uma fase intermediária de um governo ditatorial, para, depois, se abolir o estado, enquanto os anarquistas queriam a abolição imediata do estado. Isso, porém, é inviável na sequência de uma revolução. Nesta, os vencedores precisam conter os vencidos, para impedir um retorno ao estado anterior. E essa contenção só se pode fazer por meio do poder da força, que teria que ser exercida por algum governo. Assim a anarquia, em sua própria essência, não pode ser atingida por revolução nenhuma. Ela tem que ser atingida por uma evolução, especialmente do modo de pensar.
Professor, no que pessoas de humanas são melhores do que exatas? Quais habilidades?
Geralmente (mas nem sempre) as pessoas da área de humanas são melhores em estabelecer comunicação oral e escrita, em ter uma visão aberta e conectada das situações, em ter mais sensibilidade artística, em serem mais empáticas, em proceder sínteses de situações. Por outro lado as pessoas da área de exatas, geralmente (mas nem sempre) são melhores em raciocínio lógico, são analíticas, são mais capazes em esquematizar situações e em apresentar soluções mais exequíveis para os problemas. São mais observadoras de pormenores e têm uma visão mais pontual das situações. Costumam ser mais disciplinadas e mais diligentes. Todavia há casos de quem se enquadre em ambos os esquemas (ou em nenhum).
A matemática foi inventada pelos homens ou descoberta?
A Matemática foi inventada, mas possui muitas relações que foram descobertas a partir de definições arbitrárias. O que foi inventado foi, justamente, a forma de representar simbolicamente entidades e relações. Todavia, uma vez definidas entidades, muitas relações deixam de ser arbitrárias e emergem da própria estrutura. Isso é uma peculiaridade inerente só à Matemática. Ela não é uma ciência "tout court", mas também não é apenas uma linguagem. Além do mais, os conceitos surgiram para que se pudesse ter uma equivalência com a realidade física do mundo. São idealizações dessa realidade. Por exemplo, os números, desde os naturais, surgiram a partir de abstrações tiradas do exame da realidade objetiva do mundo. Da mesma forma as figuras geométricas. À medida que a matemática foi evoluindo e ficando mais sofisticada, os conceitos e definições passaram a ser mais abstratos e a estrutura das relações entre eles começou a ser um construto teórico. Mas esse construto ainda mantém a sua validade prática garantida por sua aderência ao comportamento da natureza. Por exemplo, a Geometria Riemanniana só passou a ter a importância que goza quando se viu que o espaço tempo da Relatividade Geral se encontrava adequadamente descrito por ela.
O que você diria a uma pessoa que manifesta preconceito contra ateus?
Que possui uma ideia equivocada sobre o que seja o ateísmo e quem sejam os ateus. Em geral consideram que ateus sejam pessoas do mal. Pessoas que não sejam bondosas, justas, honestas, trabalhadoras, generosas, gentis, cordiais, prestativas, solidárias, cooperativas, caridosas e assim por diante. Tais qualidades, ou os defeitos inversos correspondentes, são igualmente distribuídos por toda a população, independentemente da pessoa ser filiada a tal ou qual religião, possuir tal ou qual crença ou nenhuma, adotar esta ou aquela ideologia política ou econômica e assim por diante. Além do mais, o ateísmo apenas é uma concepção de que deuses não existem e, em decorrência (em geral, mas nem sempre) também não existam espíritos de qualquer natureza, como almas, anjos, demônios ou similares. Isso não implica em considerar que não haja distinção entre o bem e o mal e nem que, mesmo havendo, a prática do mal seja algo inteiramente liberado, já que não há vida após a morte para que se aplique algum castigo. Esse é o principal equívoco das pessoas em relação ao ateísmo e aos ateus: Que sejam amorais, isto é, que não considerem que nenhuma ação humana seja passível de uma valorização ética e que, com isso, possa ser merecedora de encômios ou anátemas. Nada disso procede. O ateísmo é inteiramente ético. Aliás, ele nem se refere ao assunto. Ele assume a ética humanista geral da humanidade. A mesma que as religiões se apossaram como paridas por elas, mas que, em verdade, lhes é muito anterior, antropologicamente falando. Um ateu é tão bondoso ou maldoso, honesto ou desonesto, desprendido ou mesquinho, altruísta ou egoísta, justo ou injusto, gentil ou ríspido, generoso ou avarento como qualquer praticante de qualquer religião. O fato de ser ateu não faz diferença a respeito. Em verdade, até costuma ser que ateus sejam mais virtuosos do que crentes. Além do que, cônscios de que não há vida eterna nenhuma em que o mal seja castigado e o bem recompensado, pugnam para que a própria sociedade se responsabilize pelo prevalecimento do bem e a erradicação do mal em benefício de toda a coletividade. E, o principal, ateus são pessoas lúcidas e esclarecidas a respeito da realidade do mundo, não possuindo ilusões e nem aceitando os engodos que as religiões oferecem para mitigar as vicissitudes da vida. Sabem que só podem contar consigo e com os amigos para enfrentar os desafios que se apresentem e, por isso, são muito mais solidários e engajados em melhorar o mundo.
O que você diria a uma pessoa que manifesta preconceito contra comunistas?
Que ela não sabe o que é comunismo e que o confunde com o que a maioria pensa que seja, isto é, um regime político totalitário em que não existem liberdades, em que os bens das pessoas são confiscados pelo estado, que passa a ser o grande e único patrão de todos que se tornam funcionários públicos em todas as atividades econômicas. Um regime em que a vida das pessoas seja totalmente controlada pelo aparato burocrático estatal e tudo requer autorização para ser feito, mesmo uma mera viagem ou uma mudança de residência e assim por diante. Ora, se comunismo é isso, então é para se odiar tal tipo de coisa mesmo. E se alguém pensa que um comunista seja a pessoa que defenda tais atrocidades, é para se ter preconceito contra comunista mesmo.
Só que comunismo não é nada disso. Isso é Socialismo de Estado ou Ditadura do Proletariado.
Comunismo, para começar, não é um regime politico e sim um sistema econômico. Aquele em que a propriedade dos meios de produção e de serviços, bem como da própria produção e do resultado dos serviços é compartilhada por todos os trabalhadores, sem que haja patrão (nem o estado) e nem empregado assalariado. Isto é, todos são sócios e auferem lucros do resultado de seus trabalho. Comunismo é o sistema em que o capital, ao invés de ser concentrado nas mãos de poucos empresários que contratam empregados assalariados para realizar o trabalho de fazer o capital render para eles, esse capital é, justamente, dos próprios trabalhadores. Isto é, não há distinção entre o capitalista e o trabalhador. Todo trabalhador é dono de capital e todo dono de capital é trabalhador. A propriedade, nesse sistema, não é particularizada e sim compartilhada pelas pessoas. Tudo é de todos e nada é de ninguém. Cada um contribui com seu trabalho de acordo com a sua capacidade e cada um usufrui do resultado do trabalho de todos segundo suas necessidades.
Num sistema desses, o próprio dinheiro pode ser abolido. Ele se torna desnecessário, uma vez que se trata, apenas, de um meio de troca e o comunismo não é um sistema econômico de trocas e sim de doações. Sem propriedade e sem dinheiro, não há ricos nem pobres. Todos têm o que precisam. Com a abolição do individualismo, a economia de escala se torna fantástica, de modo que o tempo que cada um precisa se dedicar ao trabalho para a manutenção econômica da sociedade se reduz tremendamente, com o aumento correlato do tempo de lazer. A estruturação coletiva das residências, vai reduzir drasticamente a necessidade de recursos, pois a maior parte das atividades se torna comunitária, como refeitórios, lavanderias, creches, salas de lazer, bibliotecas, instalações esportivas, vestuários. O transporte se torna essencialmente coletivo, havendo, apenas, veículos disponíveis para emergências e, principalmente, bicicletas públicas, O sistema econômico comunista pode conviver com algum regime político, mas certamente não autocrático. Pode ser democrático ou acrático. Em outra resposta comentarei sobre a acracia.
Só que comunismo não é nada disso. Isso é Socialismo de Estado ou Ditadura do Proletariado.
Comunismo, para começar, não é um regime politico e sim um sistema econômico. Aquele em que a propriedade dos meios de produção e de serviços, bem como da própria produção e do resultado dos serviços é compartilhada por todos os trabalhadores, sem que haja patrão (nem o estado) e nem empregado assalariado. Isto é, todos são sócios e auferem lucros do resultado de seus trabalho. Comunismo é o sistema em que o capital, ao invés de ser concentrado nas mãos de poucos empresários que contratam empregados assalariados para realizar o trabalho de fazer o capital render para eles, esse capital é, justamente, dos próprios trabalhadores. Isto é, não há distinção entre o capitalista e o trabalhador. Todo trabalhador é dono de capital e todo dono de capital é trabalhador. A propriedade, nesse sistema, não é particularizada e sim compartilhada pelas pessoas. Tudo é de todos e nada é de ninguém. Cada um contribui com seu trabalho de acordo com a sua capacidade e cada um usufrui do resultado do trabalho de todos segundo suas necessidades.
Num sistema desses, o próprio dinheiro pode ser abolido. Ele se torna desnecessário, uma vez que se trata, apenas, de um meio de troca e o comunismo não é um sistema econômico de trocas e sim de doações. Sem propriedade e sem dinheiro, não há ricos nem pobres. Todos têm o que precisam. Com a abolição do individualismo, a economia de escala se torna fantástica, de modo que o tempo que cada um precisa se dedicar ao trabalho para a manutenção econômica da sociedade se reduz tremendamente, com o aumento correlato do tempo de lazer. A estruturação coletiva das residências, vai reduzir drasticamente a necessidade de recursos, pois a maior parte das atividades se torna comunitária, como refeitórios, lavanderias, creches, salas de lazer, bibliotecas, instalações esportivas, vestuários. O transporte se torna essencialmente coletivo, havendo, apenas, veículos disponíveis para emergências e, principalmente, bicicletas públicas, O sistema econômico comunista pode conviver com algum regime político, mas certamente não autocrático. Pode ser democrático ou acrático. Em outra resposta comentarei sobre a acracia.
Foi mencionado sobre Big Crunch e o Big Rip como teorias para o fim do universo, mas existe também o Big Freeze ou Big Chill, que é o Grande Congelamento, porque a teoria do Big Rip predomina sobre a do Big Freeze?
A teoria do Big Freeze é a mais antiga, anterior à concepção da expansão do Universo, que ela não leva em consideração, mas apenas a morte térmica do Universo, pelo aumento da entropia e diminuição do nível de energia, sem expansão.
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