Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017
O que é a consciência?
A percepção mental do próprio pensamento e de se sentir que é si mesmo que está pensando. A maior parte do pensamento, contudo, é inconsciente, isto é, pensa-se sem se saber que está pensando e nem o que. A noção de si mesmo como algo distinto do resto do mundo é a "auto-consciência". A consciência é uma percepção ativada durante a vigília e desativada no sono, no desmaio, na anestesia e, possivelmente, no coma. Certamente, também, na morte. E em definitivo, uma vez que não há um cérebro em funcionamento para ativá-la. O mecanismo neurológico da consciência não é, ainda, bem conhecido, mas as pesquisas mostram que deve se referir a uma espécie de "varredura" que o cérebro faz de seu próprio funcionamento e do funcionamento do resto do corpo. Também não se sabe onde ela se localiza, no cérebro, ou mesmo, se tem alguma localização. Um dos maiores pesquisadores da área é o português António Damásio, que tem vários livros sobre o tema.
Ernesto, como faz pra lembrar de frases e pontos importantes em livros? Tais como nomes de pessoas, siglas, datas, conteúdos etc.?
Eu não me lembro. Mas eu sei onde achar. Então, quando eu preciso, eu procuro. Conteúdos eu me lembro. Mas não com as mesmas palavras. Isso eu sou capaz de expressar com minhas próprias palavras. Mas nem sempre sei qual o autor. Eu não me importo com isso. O que eu me importo é com o que está sendo dito e não quem o disse.
Concorda que uma boa parte de sua inteligência pode ter sido desenvolvida com o tempo?
Sim, especialmente os meus primeiros anos de vida, nos quais meus pais me propiciaram muitos estímulos. Desde criança no "jardim da infância" eu fui estimulado a desenhar, pintar, modelar. Aprendi a ler com 4 anos e lia as revistinhas do "Pato Donald?" e "Mickey". Meu pai e minha mãe me propiciavam estímulos intelectuais de toda ordem, desde bem pequeno, como aprender a tocar piano, jogos de montar, de mecânica, laboratório de química e coisas assim. Na escola, desde o primário, continuando pelo ginásio e o científico fui municiado de muitos livros complementares e meus pais estudavam comigo. Isso tudo fez uma diferença enorme. Meu pai em português, história e geografia, minha mãe em matemática e ciências. E me estimulavam a ser um verdadeiro engenheiro, construindo muita coisa e consertando tudo, até relógios. Meu pai me levava a todos os museus das cidades em que íamos passear, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Também me levavam em exposições de arte, concertos e essas coisas. Me davam discos de música clássica e muitos livros.
Ernesto, sobre ver fotos de mulheres nuas, e sem querer invadir sua privacidade, você as vê com intenções eróticas, estéticas ou ambas as coisas?
O fundo de tela de meu computador consiste em um conjunto de umas três mil imagens que vão passando. Há, entre elas, muitas paisagens, terrestres e cósmicas, muitos monumentos e prédios de arquiteturas variadas e muitas pinturas e esculturas, dentre as quais, nus. Eu os escolho por critérios estéticos. Isso não impede que a sua contemplação possa provocar estímulos eróticos. Mas não foi por isso que foram escolhidos. Você pode ver algumas dessas imagens em:
http://ask.fm/wolfedler/answers/137435291933 Você sempre diz que se deve fazer o que gosta. Então a pessoa do caso que você citou (que estuda sem gostar porque vai ser bom para a vida dela) está equivocada? Já que na sua concepção essa pessoa deveria fazer o que gosta... Ela está mesmo errada?
Não há contradição. Por exemplo, se uma pessoa gosta de engenharia ela vai ter que estudar matemática e física, mesmo que não goste. Então, para satisfazer o seu gosto, tem que ter a força de vontade de estudar o que não gosta. O fato é que a vida profissional da pessoa tem que ser levada em uma atividade que lhe traga satisfação. Senão ela será infeliz. Mas essa satisfação pode requerer o empenho em algo por que não se tenha prazer em fazer. Isso é inevitável e é um preço que se tem que pagar. Se bem que, em geral, por exemplo, quem tenha interesse por engenharia, vai gostar de física e matemática. Mas nem sempre.
Conhece a impressionante história de Madalyn Murray O'Hair?
Sim. Acho que ela foi uma pessoa admirável por arrostar a sociedade em defesa da laicidade da educação pública e em ter fundado a associação ateísta norte-americana, justamente para defender esses princípios e difundir o ateísmo. Lamentável o seu fim.
O que acha da afirmação "Todo preso é um preso político"?
Falsa. Claro que tem presos que não são políticos e são a maioria. Quem é preso o é (idealmente) por ter cometido um crime, isto é, uma violação das normas sociais de convivência entre as pessoas. Nem todas essas normas são políticas (a maioria não é), pois política não é a convivência social e sim o modo como essa convivência seja administrada. Política é administração da sociedade. Nem tudo o que ocorre em sociedade se refere ao modo de administrá-la. Roubar é uma infração social, mas não precisa ser política, mesmo que, em certos casos, o seja. Da mesma forma que matar ou incorrer em outros tipos de crimes.
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