sexta-feira, 18 de julho de 2014

Concordei conscientemente com sua opinião http://ask.fm/wolfedler/answer/114150227485. Corri o risco e decidi abdicar da conformidade e tibieza do meu relacionamento anterior. No momento me sinto muito triste. Essa tristeza é uma ilusão? Sentimentos são uma ilusão? Por que precisamos tanto deles?‎

Sentimentos não são ilusões. Sua tristeza é genuína. E a culpa é da moral hipócrita que não admite relacionamentos plurais. Essa necessidade de se fazer uma escolha entre dois ou mais amores é fonte de muita tristeza mesmo. E não precisava existir se se admitisse, normalmente, que todos os amores pudessem ser vividos com conhecimento e consentimento dos envolvidos, sem o menor problema. Por que não? A origem disso é de ordem econômica, isto é, ligada ao fato de que, primitivamente, o homem era o provedor e a mulher a cuidadora do lar. Então havia, pelo lado das mulheres, o medo de dividir o homem com outra e ter menos para prover o seu lar, já que ele também proveria outro. E, por parte dos homens, quando não havia modo de controlar a natalidade, de ter que sustentar filhos que não fossem seus. Então se exigia a exclusividade sexual. Atualmente isso não acontece. As mulheres não dependem de homens para se proverem e os métodos contraceptivos evitam a gravidez. Mas a noção de exclusividade relacional amorosa ainda permanece. Numa sociedade mais evoluída ainda, certamente haverá famílias coletivas em que todos do grupo cuidam de todos e as crianças são filhas de todos os adultos que são pais e mães de todas as crianças. Sem propriedade privada. Mas isso ainda vai demorar. O pior é que as religiões não admitem esse modelos familiares diferentes do tradicional. No Islã a poliginia é admitida, mas não a poliandria. E o homem ainda é o provedor. A evolução cultural ainda não chegou completamente, nem lá, nem aqui.

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