Você pensa como o que se atribui a Krishna no Bhagavad Gita, em seu discurso para o general Arjuna: O eu é eterno e não pode ser morto. Por isso não tem problema matar ou morrer. E, como também não há inferno, apenas reencarnações sucessivas, tudo é permitido, mas deve-se praticar a virtude para livrar-se do karma da sansara. É uma crença bem conveniente, mas, será que é verdade? Como você mesmo diz, existe verdade? Ou são só opiniões. Para mim também não há inferno, de modo que, se você for mau e se der bem, fica por isso mesmo, sorte sua. Mas acho que tudo acaba com a morte. Então não são os governos que têm que impedir os crimes do povo para que os governantes possam se dar bem no mundo, mas o povo que tem que impedir os crimes do líderes, para que possa ser feliz. E isto é uma responsabilidade do povo.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Não existe desgraça pior do que existir, sabendo que depois dessa vida não existe além, melhor nem ter nascido, a culpa de ter nascido e não gostar da vida foram de meus pais então...e isso aconteceu por frações de segundos...eu não queria nascer.......
Pelo contrário. Não existe maravilha maior do que existir. Exatamente por ser algo tão singular e único. Você surgiu no Universo, terá uma vida e, depois, nunca mais existirá. Isso é uma preciosidade de raridade incomensurável. Quem tem esse privilégio de ser um ser vivo, ainda mais inteligente, como o humano, tem é que se rejubilar por tão venturoso acaso. Qual o problema de acabar tudo com a morte? Aí é que se tem que valorizar mais a vida. Vivê-la de modo a ser inteiramente feliz e se sentir satisfeito, ao morrer, por ter vivido. Isso se consegue vivendo para fazer o bem. A satisfação de agir assim não tem comparação com nada egoístico que se possa viver. Nem de longe. Há que se rejubilar por ter nascido. E viver plenamente, sem hipocrisia, sem vaidade, sem ganância, sem maldade. Todo desejo de poder e riqueza é fonte de sofrimento. A felicidade vem da paz interior. Os ensinamentos de Krishna, Buddah, Zarathustra, Christo, Epícuro, Epicteto, Sêneca e outros, ou, pelo menos, a eles atribuídos, sempre mostram esses mesmos aspectos. Amar e, em retribuição ser amado, eis a razão de se viver e se viver em paz, satisfeito da vida, não importando se se seja rico ou pobre, preto ou branco, mulher ou homem, religioso ou ateu, enfim, o que for, desde que se seja íntegro e sincero.
Como se vence o egoismo, se este faz parte do ser humano, é uma de suas vertentes e estar em sua natureza, questiono-me sobre a possibilidade de chegar-se a um mundo onde o altruismo é dominante no homem?
O homem é tanto egoísta quanto altruísta. Tanto bom como mau. Para que aflore um aspecto ou o outro, o gatilho é o tipo de interação que ele tem com o ambiente. Ao encontrar acolhida, empatia, solidariedade, a tendência é que retribua da mesma forma. Ao encontrar rejeição, disputa, competição, predação, tenderá a reagir igualmente. Certamente, há exceções. Pessoas que se aproveitam da solidariedade dos outros para sugá-los e outros, que, mesmo na adversidade, mostram benemerência. É pela educação que se conseguirá, paulatinamente, reverter as tendências egoísticas e fazer prevalecer as altruísticas. Mas isso é um longo processo, da ordem de muitas gerações, ou centenas de anos. Todavia há que ser perseguido com pertinácia por todo mundo que seja de bem e deseje ver o mundo transformado num lugar pacífico, harmônico, fraterno, generoso, aprazível, sereno, confiante. É nas crianças que se forma o caráter nesse sentido. Assim o papel da escola é fundamental. Pois as crianças são capazes de mudar o modo de pensar dos pais, como acontece com as posturas ecológicas e transigentes em relação às diferenças culturais, de orientação sexual, raciais, religiosas, sociais e outras. Mas há que o poder público decida que isso seja uma política a se implantar. Que a educação não se limite à transmissão de conhecimentos e habilidades, mas à formação do caráter. Nisso a obrigatoriedade da filosofia e da sociologia já é um passo. Mas a antiga "Educação Moral e Cívica" devia ser retornada, devidamente expurgada de todo e qualquer viés doutrinário, de que sentido seja. Assim, penso, em menos de mil anos estaremos prontos para o estabelecimento do anarquismo, se, evidentemente, outras medidas forem sendo tomadas em paralelo. O sonho de uma sociedade ideal não é impossível e tem sido acalentado por muitos pensadores ao longo da história. Mas ela só poderá ser estabelecida de forma espontânea, sem imposição e, simultaneamente, em todo o mundo. Até lá é preciso acabar com as religiões, que são um grande entrave a esse ideal. Mas elas vão acabar, com o esclarecimento e a elevação do nível cultural da humanidade. Não digo que as crenças religiosas, mas as religiões sim. Estas é que são piores, pois segregam a humanidade em facções. Sentimentos nacionalistas também têm que ser suprimidos por uma concepção global de humanidade, mesmo que com a preservação das características culturais de cada povo e país. Com aceitação das diferenças. Há que se falar,,, falar,,, falar... Divulgar essas ideias na mídia de forma insistente ao longo de centenas da anos. Sem esmorecer.
Tenho lido alguns artigos sobre o que teoricamente teria existido antes do big bang. Bom, a minha pergunta a você é isso, o que existia antes do big bang? Obs: Não sou criacionista
Há várias hipóteses. A que considero mais aceitável é a de que não havia nada, conteúdo nenhum, nem campo, nem matéria, nem radiação, nem espaço (mesmo vazio), nem tempo. Absolutamente nada. Mas não "o nada" que não é coisa alguma. Apenas nada. Ausência total de qualquer coisa, inclusive de leis físicas, de Deus ou qualquer espírito. Nada, nada, nada. Então, sem razão, motivo, propósito e de que provir, surgiu tudo. Isso não é proibido por nenhuma razão ontológica nem fenomenológica. Porque não há necessidade de causa para eventos e nem de conservação de propriedade nenhuma, como massa ou energia, pois não havia momento anterior a que se reportar. Isto é, não havia "antes" do Big Bang. Ao surgir, surgiu o conteúdo já em expansão, e, com isso, o espaço que ocupa e o tempo em que evolve. O conteúdo primevo era apenas campo. Depois é que ele se quantizou em matéria, antimatéria e radiação.
As outras alternativas são a de que o conteúdo tenha sempre existido de forma imperturbável, e, portanto, sem decurso de tempo e, de repente, começou a se expandir. Ou então que o Big Bang teria sido um ponto de inflexão singular de uma contração de um Universo precedente. Essas duas hipóteses consideram que tudo sempre existiu e nunca surgiu. Contudo, não há como corroborá-las, bem como a do surgimento sem ter do que provir (mas, note bem, não "do nada"). Todavia, acho mais plausível o surgimento incausado, improcedente e despropositado, pois é a hipótese que não requer verificação. As demais, para serem admitidas, têm que ser comprovadas e essa não. Se não se tem conhecimento do que teria ocorrido, então surgiu sem motivo, propósito nem procedência. Note que a ideia de que o Universo tenha sido "criado" por um ato voluntário de uma entidade extrínseca a ele, também considera que essa "criação" tenha se dado sem ter do que provir. Apenas coloca uma causa para ela, o que não é necessário. E levanta a problemática de se explicar como apareceu essa entidade criadora. Se ela sempre existiu, por que não o próprio Universo?
E verdade que toda atividade mental possui correlação com a inteligência geral tambem denominada de fator g?
Em si, a atividade mental ocorre tanto em pessoas burras quanto em inteligentes. O que diferencia é que, nas inteligentes, ela é feita de forma muito mais proveitosa, tanto em eficiência quanto em eficácia. A inteligência, como capacidade de solucionar problemas com efetividade (eficácia e eficiência) pode ser compreendida sob vários aspectos, como lógica, verbal, espacial, motora, relacional, emocional, musical e outros. O fator "G" é a presença da inteligência, globalmente, em todos os aspectos. Isto é, quem é mais inteligente em um deles, geralmente também o é nos outros. Isso é facilmente percebido nas escolas, em que os bons alunos em uma matéria costumam ser em todas, tirando ótimas notas, estudando pouco. E, geralmente, gostam de estudar, mas estudam outras coisas, que não são exigidas pela escola. Além de tocarem violão, fazerem serviços assistenciais, serem charmosos e cativantes para as garotas ou vice-versa, nas meninas, estarem o tempo todo ocupados com mil tarefas e darem conta de todas, não terem a mínima preguiça, e serem, até, bonitos. Isso é de dar inveja a muita gente, mas é um brinde da genética que não há como se escolher quem vai ganhar. Infelizmente nosso sistema educacional pouco pode fazer para aproveitar esse potencial dos superdotados e encaminhá-lo para o benefício da sociedade. O que não se pode fazer é criar uma situação de bajulação que leve a pessoa a se envaidecer e se tornar pernóstica. Porque, mais do que a inteligência, é o caráter que confere valor a uma pessoa. Ser muito inteligente não é mérito pessoal, como ser muito bonito(a). É preciso modéstia em aceitar, de forma assertiva, isto é, sem se desculpar, suas qualidades com naturalidade e delas fazer uso para proveito pessoal e coletivo, criando em torno de si uma situação de empatia, que envolve uma admiração sem inveja e sem rejeição. Para tal há que se ser bondoso, prestativo, solidário, camarada, sem, contudo, transigir com princípios éticos e, principalmente, lutar pelo prevalecimento do bem acima de tudo.
Cite algo que podemos culpar o ateísmo. E cite algo que não podemos culpar o ateísmo.
O ateísmo, como costuma ser apresentado, é culpado de se mostrar impalatável para muita gente. Porque apenas se fixa em denegrir as religiões e não em mostrar que é muito melhor, mesmo nos aspectos em que as religiões são boas, como na solidariedade humana, no fomento da prática da virtude e na consolação para as aflições, sem falsas ilusões nem mentiras sobre o auxílio divino, a beatitude ou a danação eternas. Não se pode imputar ao cerne das religiões o comportamento prevaricador, sexual ou econômico de muitos de seus mentores. Há que se mostrar a improcedência de seus fundamentos doutrinários e propor a alternativa mais honesta, coerente, justa, solidária, isenta de interesses e filosoficamente bela que é o ateísmo. Todo aquele que for convenientemente apresentado à proposta ateísta, de forma clara e convincente, não tem como escapar de ficar por ela balançado e ter a semente da dúvida implantada em sua mente. Só lhe falta dar o salto epistemológico que lhe libertará das amarras escravizantes da fé, permitindo-lhe encarar a vida na plenitude de sua beleza e singularidade, com alegria, sem falsas esperanças, mas com a confiança em si e no resto da humanidade. O ateísmo não pode ser culpado de muitos crimes que lhe são atribuídos, pois não foi em por ele que foram cometidos, mas sim pelos desígnios funestos de quem dele se valeu para promover o mal, como também as doutrinas das religiões não podem ser culpadas pelos crimes que, em seu nome, foram perpetrados.
Qual sua visão sobre a evolução tecnológica que trouxe males a humanidade como a invenção de armas nucleares, do homem primitivo ao moderno grandes conquistas foram realizadas, porem o grande nível de destruição ocasionado por artefatos tecnológicos? .
Apesar da possibilidade do progresso científico e tecnológico poder ser usado para o mal, isso não o invalida e seus benefícios são muitos maiores. O conhecimento, em si, é um bem preciosíssimo, não importa como seja usado. O mal uso que se faz dele não provém dele, mas de quem o usa. Não se pode rejeitar nenhum conhecimento porque possa ser mal usado. É preciso controlar o seu uso. Por isso a sociedade tem que estabelecer meios que impeçam que isso se dê. E o melhor de todos é, justamente, a disseminação global do conhecimento, da instrução, da educação. Em todos os segmentos da sociedade, de modo que ninguém seja ignorante e o povo possa intervir, impedindo os governantes e as grandes corporações, de fazerem uso do conhecimento em detrimento do bem estar da humanidade. Quanto mais conhecimento, melhor, sobre todos os assuntos, por todas as pessoas. Só que, não só científico e tecnológico (que é imprescindível para todo mundo, para compreender as propostas e as ocorrências) , mas também filosófico, artístico, cultural, humanista e moral. Apenas de posse de um vasto cabedal de saber, as pessoas poderão ter o discernimento de rejeitarem as mentiras políticas, religiosas, intolerantes, nacionalistas, com que os poderosos buscam obter a adesão do povo a seus propósitos inconfessáveis de riqueza e poder, mascarados de nobres causas patrióticas, humanitárias ou transcendentais. Os ignorantes caem na conversa. Da mesma forma, falsos profetas procuram convencer o povo de que o estão defendendo dos oportunistas poderosos, quando eles mesmos é que são os oportunistas, como os burocratas do Partido Comunista na extinta União Soviética. Educação... educação... educação,,, é a solução para abrir o olho do povo para esses aproveitadores de todos os lados do espectro político, econômico e religioso. Isso é a função da classe do magistério, a que me orgulho de pertencer. Mas deploro aqueles mestres inimigos do saber, que têm ojeriza de tudo que seja difícil, complicado, trabalhoso, demorado. Esses denigrem a categoria. Tem-se que levar os estudantes a querer enfrentar o desafio de saber com garra e disposição, sem a mínima preguiça. Só assim teremos uma humanidade culta, inteligente, sensível, responsável, decidida, virtuosa e diligente, como precisa ser, pois inteligência, sensibilidade, caráter, decisão, vontade e determinação também se cultivam. E é para isso que a escola existe.