domingo, 19 de maio de 2013

Como estimular e granjear altruísmo? Eu sinto amor pelas pessoas, porém ao mesmo tempo sinto desprezo, simplesmente por atitudes das mesmas. E acabo sendo egoísta com todos e em tudo na minha vida. Sinto que isso me faz mal.

Essa é sua tendência nata, mas pode ser mudada. Existem várias pessoas dentro de você que lutam para, em cada caso, serem as que dominam suas decisões. Para simplificar há o seu eu emocional e o seu eu racional. Ambos são importantes para a condução da vida. Mas se o eu emocional e instintivo estiver dominando algum aspecto que te faça infeliz, deve ser controlado. Isso acontece com racismo e com o egoísmo, por exemplo. Há pessoas naturalmente altruístas e outras naturalmente egoístas. Mas a vida em sociedade é mais benéfica, até para a própria pessoa, se ela não for egoísta. Vencer o egoísmo é uma questão de treino e auto-sugestão, isto é, uma educação autodidata para deixar se sê-lo. Como? Sempre que uma atitude egoísta estiver para ser tomada, conte até dez, respire fundo e deixe de tomá-la. Isso vai lhe condicionando a não ser mais egoísta, até que passará a ser uma atitude habitual.

Você acredita em reencarnação? Porque?

Absolutamente, Não!. Para haver reencarnação é preciso que o ser humano seja dual, isto é, tenha corpo e alma e esta sobreviva ao corpo, para poder se incorporar a outro. Eu não acho que alma exista, logo não há como se reencarnar. Ao morrer a pessoa acaba completamente. Sua mente é uma função do seu organismo. Não há evidência nenhuma de que existe alma como uma outra entidade associada, mas distinta do corpo.

Onde procuras aconselhamento?

Na Filosofia, nos livros e, até, na internet. Para mim, muitos conselhos religiosos não têm valor. Mesmo assim, gosto de ler livros como o Tao te Ching, o Baghavad-Gita, o Eclesiastes, o Livro da Sabedoria e alguns textos dos evangelhos. Sempre, é claro, com um espírito crítico. Um bom filósofo atual é o André Comte-Sponville. Também gosto de Epicteto, Seneca, Marco Aurélio, Cícero, Epicuro. Vou levantar alguns filósofos interessantes a esse respeito e listá-los depois.

por que uma pessoa se torna tão dependente de uma religião? conheço uma pessoa que coloca religião em primeiro lugar na sua lista de prioridades. quero saber: é saudável this, professor?

Se a pessoa realmente acredita que existe uma alma imortal e que essa alma poderá ir para o céu ou para o inferno conforme a fé e as ações dela na vida, ela considerará que isso seja o mais importante que ela tenha que cuidar. Desde que a pessoa não fique em permanente ansiedade por isso, levando de forma tranquila, ou seja, que não tenha problemas em não cometer pecados, não é prejudicial. Mas quem transforma isso numa paranoia vai ter sérios problemas psíquicos e, até mesmo, somáticos.

Você acredita em hipnose?‎


Pelo que tenho notícia, me parece que é algo que, de fato, ocorre. Note que não é uma questão de se "acreditar", como, aliás, é o caso a respeito do que quer que seja, mas sim de se verificar e testificar, de forma cética e imparcial. Não me dediquei a nenhum estudo mais abrangente e aprofundado da hipnose, de modo que digo pelo que sei e acho que há verificações e aplicações com respaldo científico. O que não é o caso da telepatia, telecinese, premonição e outros fenômenos parapsicológicos. O artigo seguinte aborda o assunto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Hypnosis.
Por outro lado, sempre é bom ter uma cautela cética a respeito desse tipo de coisa. Recomendo também a leitura desse artigo:
http://www.skepdic.com/hypnosis.html

Você é fluente em mais de uma língua? Como se tornou fluente na(s) não-nativa(s)?‎

Fluente eu não sou. Mas entendo e posso falar inglês, que aprendi no ginásio e no científico. Francês, italiano e espanhol eu leio razoavelmente. Francês eu também aprendi no colégio, na década de 60, quando aprendi latim também. Italiano e espanhol eu aprendi sozinho, usando dicionário. O italiano para entender óperas.

Você acha que dinheiro não é tão importante quanto dizem?‎

Não. Dinheiro, em si, não vale nada. O importante são os bens e serviços que o dinheiro pode comprar. A obtenção de algum bem pode ser dar de várias formas: pegando, fazendo, ganhando, trocando, comprando ou roubando. Tirando o roubo, por não ser ético, sobram cinco vias legitimas. O dinheiro é um intermediário de trocas. Mas elas podem ser feitas diretamente. E pegar, sem roubar, do que está disponível, é válido. Quanto aos serviços, eles também podem ser feitos pessoalmente, ganhos, trocados, pagos ou forçados. Minha noção de sociedade ideal é aquela em que tudo é feito por doação (ou por si mesmo), sem compra nem troca (nem roubo, nem serviços forçados, certamente). Com uma grande dose de cooperação, compartilhamento e solidariedade, mesmo em nossa sociedade com dinheiro e propriedade, muita coisa pode ser obtida sem dinheiro nem posse. E isso deve ser fomentado, para que a independência do dinheiro cresça cada vez mais, até que ele se torne dispensável. Claro que é preciso acabar com a cobiça e a preguiça. Além de se comprazer na modéstia e se livrar da ostentação. Com a evolução do comunitarismo, até o luxo poderá ser obtido, sem dinheiro.

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