sábado, 16 de abril de 2011

Ernesto, o circuito de "refresh" das memórias RAM possui o propósito de manter a carga dos pequenos capacitores que formam o circuito propriamente dito. O tempo que este capacitor pode manter esta informação (bit 1 carregado) é minimo, daí a necessidade.

Exatamente o que eu digo a respeito da memória biológica, que é química, mas também perde a informação se não for reforçada. Certamente que o tempo de retenção da informação é bem maior.

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Mas voltando à comparação de mente com RAM, entendo que, apesar da eletronica atual ser bastante complexa, não se compara nem por baixo à dinamica cerebral. Inclusive acho que se quisermos desenvolver a inteligencia artificial o caminho deve ser outro.

Certamente. Só o processamento paralelo nas redes neurais das células de Purkinje do cerebelo, que promovem o aprendizado motor, por exemplo, envolve centenas de milhares ou milhões de processadores em paralelo. Além do mais a lógica mental é muito mais complexa do que a lógica dicotômica do terceiro excluído, que rege o funcionamento das portas eletrônicas dos processadores. Se você me perguntar como foi o baile que fui ontem, eu respondo que não fui a baile nenhum. Esta resposta não é lógica, porque não responde ao que foi perguntado. Um computador não conseguiria responder, mas uma mente humana sim.

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segundo meu professor de Filosofia,amor não é um sentimento! O que diz a respeito? Briguei com ele em sala,indo contra seu pensamento '-'

Ele tem razão, em parte, pois amor é um sentimento, mas não só. Amor é um sentir, um pensar, um desejar, um querer e um agir, isto é, uma emoção, um sentimento, uma intelecção, um apetite, uma volição e uma ação. Esse complexo de fatos psíquicos caracteriza o amor em todos os planos, piedade, compaixão, solidariedade, afeição, amizade, amor platônico, erotismo. Amor filial, maternal, paternal, fraternal, conjugal, idealista. A intensidade e a sequência em que eles aparecem pode variar. O amor sempre emociona, enternece, e envolve um desejo de zelo, cuidado e proteção da coisa amada, bem como um desejo de reciprocidade. Mas o amor só se realiza quando é expresso em vontade e essa vontade em ação. Não basta sentir e desejar para amar, é preciso querer e provar. O amor envolve dedicação e renúncia, paciência e perseverança, trabalho e recompensa, alegria e tristeza, euforia e depressão. É algo envolvente e inebriante. O amor não é possessivo, ciumento, exclusivista, castrador, sufocante. Pelo contrário, o amor é libertário e altruísta. Não me refiro apenas ao amor erótico mas a todas as modalidades, inclusive as formas idealistas de amor à verdade, à justiça, à sabedoria, à humanidade, à natureza. O amor não pode ser cerceado em sua intensidade e abrangência. Ele não possui limites. Quanto mais se ama a mais coisas e pessoas, mais capacidade se tem de amar. E quanto mais se ama, mais se realiza e maior é a felicidade, mesmo que nem sempre seja correspondido.

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É possível apagar a memória de uma pessoa a ponto dela voltar a ser como era quando nasceu?

Não. A memória é parte integrante do organismo e sua formação ocorre com a criação de sinapses de uma forma incrivelmente intrincada. Não há como removê-la inteiramente de forma seletiva, pois a memória também inclui a memória dos procedimentos motores para caminhar, evacuar, deglutir, nadar, andar de bicicleta e assim por diante. Amnésias ocorrem por bloqueio do acesso a algumas memórias, mas não todas. Todavia os registros estão lá e se o bloqueio for desfeito, voltam a ser acessados. Há lesões que podem por a perder certos registros, mesmo motores, o que ocorrem em alguns acidentes vasculares cerebrais. Seria muito difícil identificar a localização e o modo de impedir o acesso ou de eliminar o registro de cada memória. Inclusive porque certas memórias envolvem o concurso de registros visuais, olfativos, emocionais, auditivos, cinestésicos e outros ainda, que ficam em lugares diferentes, havendo um lugar centralizador que aglutina todos esses registros numa mesma evocação. Não é nada simples e a neurologia ainda engatinha nessa questão.

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

pode se congelar um corpo sem que a mente morra? pela mesma criogênia que mantém embriões vivos no nitrogênio, por décadas ? ou seculos?

Esta é uma questão para a qual ainda não se tem resposta. Nunca se descongelou uma pessoa congelada. Pessoas que ficaram em coma e depois se recuperaram, em verdade, não tiveram seu cérebro paralisado, de modo que seu funcionamento, mesmo sem consciência, pode ser o que preservou a indentidade da pessoa quando recobrou a consciência. Acho que a paralização que se dá com o congelamente, apesar de não danificar a estrutura, interrompe a dinâmica que, no meu entendimento, é essencial, junto à estrutura, para a ocorrência da mente. As próprias memórias, segundo entendo, não são armazenamentos estáticos, mas algo como a memória RAM, que exigem um circuito de "refresh" para se manter. Mas posso estar enganado. Minha imressão é de que o descongelamento não seria capaz de recuperar as memórias, e, logo, a identidade da pessoa. Se ela conseguir voltar a viver (algo de que também tenho dúvidas), possivelmente retornará à vida como um zumbí, sem personalidade nem lembranças nenhuma. Oxalá esteja enganado.

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Ernesto, você é uma pessoa muito especial. Fico feliz com isso. Um abraço.

Fico feliz em ler isto, caro Chomsky. Isto me faz ver que escolhi o caminho certo ao resolver me dedicar a levantar os negros véus da ignorância que obscurecem o entendimento e levar às pessoas a claridade e o ar puro da verdade, ou pelo menos, do que penso que ela seja.

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Dizem que é melhor descobrir que está errado depois da busca que não buscar por medo de estar errado (lembrei dos criacionistas, hehe).

Sem dúvida nenhuma. A ignorância e a ilusão são piores do que o desapontamento em conhecer a crueza da verdade.

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