quinta-feira, 10 de julho de 2014

O universo teve um começo segundo o Big Bang, logo ele passou a existir. Como pode o tudo surgir do nada?‎

Isso é algo que não se sabe. Mas tudo o que existe não surgiu "do nada" e sim "de nada". A diferença é que "nada" não é algo do que se possa surgir o que quer que seja. O que surgiu, surgiu sem ter do que provir, isto é, "de nada", e não "do nada". Aliás, essa concepção também é adotada pelos que consideram que esse surgimento tenha sido uma "criação" de algum ser extrínseco ao Universo, com poderes para executar tal proeza. De qualquer modo, tal ser não dispunha de nada a partir de que produzir o Universo. Portanto, se ele foi o produto de um ato criativo de tal ser, foi produzido a partir de nada. A única alternativa a não ter surgido sem ter do que provir é que sempre tenha existido. Pois, se havia algo a partir de que o Universo teria sido feito, esse algo já seria o Universo, só que de outra forma. A teoria do Big Bang não exclui a consideração de que ele tenha sido provocado por uma entidade extrínseca ao Universo. A concepção de que o surgimento tenha se dado sem causa e nem propósito é uma consideração à parte da teoria do Big Bang. Essa teoria só mostra como se deu a expansão do conteúdo que surgiu, mas não diz nada a respeito do próprio surgimento: nem como, nem porque, nem para quê. Considero, como a maioria dos cosmologistas, que tal surgimento foi fortuito, isto é, sem causa e nem propósito, além de não ter tido do que proceder (como os criacionistas também consideram). Todavia, os criacionistas também não explicam como a entidade criadora do universo procedeu para fazê-lo surgir sem ter do que provir. De modo que aceitar ou não a interveniência de uma entidade extrínseca é só uma questão de gosto, porque nenhuma das concepções explica nada a respeito.

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