segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Não acredito que o processo educativo seja capaz de mudar algo tão intrínseco ao ser humano quanto o egoísmo. No máximo deve conseguir camuflar. Sempre estamos prontos a priorizar a nossa satisfação em detrimento da de outros.‎

Pois passe a acreditar. É possível sim. Pela educação a pessoa pode muito bem mudar sua personalidade. Pode passar a ser altruísta. Claro que, para uma pessoa de índole egoísta, é difícil. Acontece que o egoísmo não é intrínseco ao ser humano. O ser humano tanto pode ser egoísta quanto altruísta. Ou nem um nem outro. Não há algo intrinsecamente egoísta na pessoa humana. Tanto existem tendências inatas para o egoísmo quanto para o altruísmo. A educação, contudo, pode mudar as tendências inatas, tanto num sentido quanto no outro. Não estamos sempre prontos a priorizar nossa satisfação em detrimento dos outros não. Há quem esteja e quem não esteja. O número de pessoas altruístas e bondosas é muito maior do que você pensa. Pessoas que renunciam a ter vantagens para dar vantagens. E isso não significa que a pessoa seja de temperamento submisso. Há muita pessoa de alta nobreza de caráter. E isso pode ser incentivado pela educação.

O egoísmo, infelizmente, parece ser mais vantajoso mentalmente. Ser altruísta demanda uma carga de estresse muito grande, pois, muitas vezes, não somos justos o bastante nas nossas decisões em relação aos outros.‎

Para isso é que exite o processo educativo. Para que a pessoa conclua que o que ela deve fazer não seja o que lhe dê mais satisfação, mas o que faça mais bem. Então ela vai fazer o bem porque resolve que é isso que ela quer, mesmo que seja custoso. E sem que isso redunde em vantagem ou prêmio nenhum. O bem deve ser feito por seu valor intrínseco e não para auferir nenhuma vantagem, Nem a salvação eterna.

Quis dizer que naturalmente, mesmo antes de qualquer educação, a própria criança já desenvolve uma postura egocêntrica, teoria esta de Piaget.‎

Discordo do Piaget. Nem toda criança é egocêntrica. Só a maioria. Mesmo essas podem ser educadas para não o serem. E isso é que tem que ser feito, para o bem do mundo. O egoísmo, a princípio, pode ser bom para o egoísta. Mas, ao fim, é pior. E é pior para o mundo. É preciso que o bem de cada um decorra do bem de todos. E esse bem requer a extinção do egoísmo. Para isso existe a educação.

Ernesto, você diz que não se deve viver de forma tão metódica, ao mesmo tempo que propõe uma divisão de horas para estudo, lazer, lidas, etc. Não há uma contradição nisso?‎

As horas que eu recomendo para cada atividade não são para serem seguidas à risca. É uma orientação do que se pode fazer para tirar proveito. Não acho válido nada rígido. Como hora de comer, hora de dormir, hora de trabalhar, hora de estudar. Mas acho válido alguma orientação geral. Por exemplo, almoçar entre 10 e 15 horas, começar a dormir entre 20 e 02 horas. E assim por diante. Aquelas horas também são flexíveis. Mas o dia ter 24 horas não é flexível. Então você pode fazer o que quiser, mas se faz algo, deixa de fazer outra coisa. Se você quer aprender coisas, tem que estudar. Se quer passar no ENEM, tem que estudar. Mas você não precisa passar no ENEM. Então pode não estudar e não saber de nada. É uma escolha sua. Como fazer faculdade. Não é preciso. Faz quem quer.

Ernesto, você fala de evolução social por meio do abandono do egoísmo, mas isso é muito difícil, pois o ser humano, ao longo do seu desenvolvimento cognitivo, gera estruturas mentais que o levam ao egocentrismo. Oq pensa disso?‎

Não é não. De modo nenhum. O ser humano tanto é egoísta quanto altruísta. Há pais que, de modo equivocado, educam os filhos para serem egoístas, achando que assim é que é melhor para a vida. Todavia isso pode ser revertido e a escola tem que fazer esse papel ao longo das gerações de modo que, a cada uma nova, o número de egoístas diminua, à medida que os existentes forem morrendo e os novos forem educados para o altruísmo. Isso é possível e não precisa demorar muitos séculos.

Qual é a sua opinião sobre o jugo desigual? Meus pais são evangélicos, eu sou fã de Rock, eu gostaria de ir em um show de Rock, mas meus pais não deixam, já deve imaginar quantas confusões já teve entre meus pais e eu.

Você também é evangélico? Se não é, você tem todo o direito de não ser. Tem que dizer a seus pais que não concorda com o evangelicismo e que não vê mal nenhum em ir a um show de rock. Se seus pais colocarem a questão como incontornável, ou seja, se você for eles rompem as relações com você e o expulsam de casa, então você vai ter que pesar o que vale mais, o show de rock ou o pertencimento à família. Se optar pelo pertencimento à família você tem que estar consciente de que a escolha foi sua e não ficar lamentando. Você tem a opção de ir ao Show e ser expulso de casa. Eu não recomendo. Mas acho que seus pais não estão certos em suas concepções evangélicas.

É possível esquecer e superar um grande amor?‎

Superar sim. Esquecer não. E nem é preciso nem bom. Porque um grande amor é uma ocorrência de importância primordial na vida. Não é bom que seja esquecido, porque representa muto. Ou seja, uma vez que se venha a amar alguém, exceto se essa pessoa fizer algo de muito ruim para nós, não se deixa de amar pela vida toda. E isso é ótimo. Mesmo que surjam outros amores e que esse não se mantenha em um relacionamento romântico, ele vai permanecer e nem deve ser esquecido. Superar, no caso, significa se abrir para outros amores e desistir de pretender ser amado em retribuição, mesmo que o deseje. Mas esquecer não se esquece nem é bom que se esqueça.

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