terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AVISO AOS NAVEGANTES

Por motivo de férias interromperei, até fevereiro, a resposta às perguntas do Formspring. Como eles estão chegando à razão de mais de dez por dia e eu não dou conta de responder a mais de cinco por dia, no regresso, colocarei em dia, primeiramente, as 230 que estão aguardando resposta. Um ótimo ano novo para todos, aproveitem as férias e tenham um 2011 muito bom. Abraços.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"Considero Prometheus o primeiro anarquista da mitologia". Concorda?

Sim, na interpretação de vários autores, Prometeu, ao roubar o fogo dos deuses para fazer os homens, lhes confere a sabedoria e a independência, isto é a desobediência. Parece com a serpente que oferece o fruto da árvore da ciência do bem e do mal a Eva. São mitos convergentes, provavelmente com uma mesma origem, possivelmente suméria, passada pelos babilônios aos hebreus e, depois, aos gregos. Há semelhança com a epopéia suméria de Atrahasis. É interessante como as religiões demonizam a ciência, como a serpente que, ao dar conhecimento ao homem, o liberta da tirania de Deus. Isto é anarquia, isto é, ausência de governo. Para as religiões, o conhecimento é um mal.

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Desconsiderando as limitações físicas com relação à velocidade e tempo: o que aconteceria com um astronauta imaginário que tentar superar o limite do Universo com sua nave? Considerando que este seja finito.

Não existe limite do Universo, mesmo que ele seja finito. Se alguém for sempre para frente, em um Universo finito, acabará voltando ao ponto de partida, por trás. Porque um Universo finito é necessariamente curvo. Como a superfície de uma esfera, só que em três dimensões. Uma superfície esférica é finita mas, dentro das suas duas dimensões, não tem borda.

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Professor, o que acha do paradoxo de Epicuro?

Corretíssimo! Conclusão: ou Deus não existe, ou, se existe, não é bom, ou não é poderoso ou não sabe de tudo. Não há escapatória. Para mim, não existe.

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Religião é crença e ciência é método, logo, não há antagonismos?

Claro que sim. São totalmente antagônicas, por princípio. A ciência não parte de pressupostos estabelecidos para procurar justificá-los como a religião. Ela busca a verdade de forma inteiramente descompromissada com qualquer ponto de vista já estabelecido. O que concluir fica aceito, contrarie o que for, inclusive o que a ciência já tenha estabelecido. Por isso a ciência é sempre provisória. Busca a verdade mas nunca tem certeza que já a obteve.

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Não consta mais a frase "Deus seja louvado" nas novas notas? Tem certeza?

Já verifiquei que consta. Pensei que não, mas não havia examidado bem. É inconstitucional.

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Professor, poderia esclarecer quais as diferenças entre um estado laico e um estado secular?

É a mesma coisa.

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Gostaria de complementar algo. Ao contrário do que afirmou na pergunta sobre Laicismo, a frase infelizmente continua nas novas cédulas. Aqui, em alta resolução, pode-se vê-la. http://wp.clicrbs.com.br/eeucomisso/files/2010/02/030210bc01.jpg

Não tinha reparado, mas é inconstitucional.

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Wolf, olhe oque o Olavo de Carvalho diz sobre a natureza da consciência: http://www.youtube.com/watch?v=-S1Yjh_4rik&feature=related

Discordo totalmente da concepção dele. A consciência é uma ocorrência puramente cerebral. Essas experiências que ele menciona são ocorrências cerebrais mesmo. O próprio Charles Tart, em seus experimentos, mostrou que não se trata de nada transbiológico.

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Professor, tem previsão de quando sai o seu livro com as melhores perguntas do site?

Compilei até 1050 perguntas e parei. Já respondi 1276 e têm 226 por responder. O afluxo é mais rápido que minha capacidade de resposta, assim vai represando. Revisei o português e agora estou fazendo a capa, as orelhas, a ficha catolográfica, o ISBN, a introdução, o índice remissivo, o índice de tópicos, o glossário e as referências bibliográficas. Pedi a um amigo da Academia de Letras de Viçosa para prefaciar. Deram uma 450 páginas. Como terei três semanas de férias em janeiro e não vou sair, pois estou sem dinheiro, passarei as férias acabando isto. Publicarei inicialmente no Clube de Autores, na internet, até achar alguma editora que banque a impressão. No Clube de Autores eles fazem impressão gráfica sob demanda, com capa plastificada e o preço deve ficar em torno de R$ 49,50.

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da onde surgiu o big-bang?

Veja isto:
http://www.formspring.me/wolfedler/q/1962297044

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O senhor sofre de dissônancia cognitiva?

Claro que não. Em que aspecto você considera que eu defenda conceitos contraditórios? Entendo que sou coerente com tudo aquilo que penso, defendo e ajo. Se pareço contradizer-me é porque o entendimento do que eu disse não ficou claro. Aponte-me algo para que eu possa esclarecer.

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o universo é determinista? o determinismo está correto?

Claro que não. Já respondi muitas perguntas aqui sobre isto. Veja:
http://www.formspring.me/wolfedler/q/1895929364

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Ernesto, qual é a diferença entre laicismo, estado laico e ateísmo de estado? A frase "Deus seja louvado" nas nossas notas é uma quebra de princípio de estado laico?

Laicismo é o princípio de que a sociedade deve ser organizada de forma completamente independente de qualquer religião. Deve permitir que cada pessoa siga a religião que quiser, ou nenhuma. As leis não podem discriminar nem favorecer nenhuma religião em detrimento de outras. Certamente que não podem permitir práticas ritualísticas criminosas, como sacrifícios humanos, por exemplo. Estado laico é o que se fundamenta nos princípios do laicismo. Não tem nenhuma religião oficial e suas leis se baseiam unicamente em princípios éticos e políticos puramente humanistas. A frase "Deus seja louvado" das células do real são uma transgressão à laicidade consignada nos artigos 5º e 19 da Constituição, tanto é que não consta mais das novas cédulas. Todavia, o próprio preâmbulo da Constituição menciona "sob a proteção de Deus", o que é, meramente, uma conjectura não garantida, mesmo que Deus exista.

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Professor, em que tipo de meio se comunicam os fotons do efeito fantasmagórico? Essa comunicação supera a velocidade da luz?

Se você está se referindo a fotons quanticamente emaranhados, eles não se comunicam, mas seus estados estão ligados como se fossem uma única partícula. Um sistema de partículas emaranhadas, de fato, comporta-se como uma só. Não há "transmissão" de informação entre elas, pois, quanticamente, elas não estão separadas. O estado de uma é parte do estado do conjunto, que muda em bloco e não separadamente para cada constituinte. Misterioso? Sim, mas é o que acontece e se observa. A natureza é repleta de "mistérios". Em verdade só são assim chamados porque ainda não se compreende como ocorre. Mas a ciência não deixa de verificar e admitir ocorrências não explicadas nem inventa explicações espúrias só para dizer que tem uma explicação. Enquanto não se achar a correta explicação fica sem explicação. Trata-se de uma constatação. É o que se dá, também, com o indeterminismo e a incausalidade. É o que acontece e não adianta ficar inventando moda para explicar por meio de "variáveis ocultas" ou o que for. Simplesmente não se sabe. Isto não significa que não se venha a saber ou que não se possa saber.

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"estado de espírito" mas... se você é um fisicalista, espíritos não existem.

Espírito, como entidade distinta do corpo, imaterial, etérea e sutil, não existe. Mas a palavra "espírito" não tem apenas este significado. Significa também "mente", mesmo que esta não seja de natureza "espiritual" na primeira acepção acima. Da mesma forma posso usar a palavra "alma", como sinônimo de mente ou de sentimento ou em outras acepções que não a de um espírito encarnado num corpo. Espiritualidade também é uma palavra válida para significar uma disposição mental para ocupar-se de temas mais elevados e não apenas do comesinho para a sobrevivência. Transcendente também não significa sobrenatural, mas sim aquilo que está além das considerações normais. Valores transcendentais são a justiça, a bondade, a verdade e outros assim. Nenhum deles tem nada a ver com algo sobrenatural ou com alguma divindade. É perfeitamente possível se cultivar uma espiritualidade ateísta. Os teístas é que atribuem à divindade a origem desses valores, como a fundamentação da ética. Mas não. Eles são puramente humanos. Da mesma forma "metafísico" não significa sobrenatural, mas o que não é físico, como as idéias, conceitos e abstrações. Nem tudo que não é natural pertence à categoria de sobrenatural. Os valores, os conceitos, os números e muito mais não são naturais e nem sobrenaturais. Tudo o que for puramente cultural está nesse tipo de categoria.

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A Wikipédia diz que o Epicurismo é uma forma de Hedonismo, pois declara o prazer como valor intrínseco. Está correto?

Epicurismo difere do hedonismo no aspecto que este declara o prazer como o sumo bem enquanto o primeiro considera a felicidade, que não é exatamente a mesma coisa que prazer. Felicidade é um estado de espírito e prazer é uma sensação.

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Professor, Marcelo Gleiser é ateu?

Sim, pelo que se pode depreender do que ele escreve.

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Dúvida filosófica: 1) A causa X é possível mas não necessariamente existe 2) O efeito Y existe e tem causa desconhecida 3) A causa X pode explicar o efeito Y. Então a causa X existe?

Claro que não e mesmo que exista, pode não ser a que explica o efeito Y. Inclusive Y pode não ser um efeito e sim um evento incausado. O encadeamento de proposições apresentado não é um raciocínio lógico válido, pois não garante sua conclusão, mas apenas sua plausibilidade.

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Conhece o efeito de drogas psicodélicas?

Em mim mesmo, não. Nos outros, só por descrição. Pessoalmente nunca testemunhei alguém neste estado.

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Como explicar, por exemplo, aquela brincadeira do copo ou do compasso, que estes se mexem sozinhos, escolhendo letras do alfabeto para, teoricamente, se comunicar? Estranhamente dá certo...

Nunca vi. Queria presenciar em um ambiente neutro e verificar cuidadosamente a possível presença de qualquer fraude.

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Professor, pode se dizer que a Terra é um imã gigante?

Sim, de fato é. E seu magnetismo provém de correntes elétricas não compensadas existentes em seu núcleo.

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Professor, mas e os casos de poder da mente, aquelas pessoas q movem objetos p.ex., não seria uma forma de interação c/ mecanismo não descoberto? Se algo assim pode acontecer, é possível q a mente tenha capacidade de interação também c/ espírito

A questão é a interação da matéria com espíritos. Quanto a pessoas que movem objetos, para mim, até que me provem, é farsa. Queria ver isto sendo testado em laboratório em experimento controlado, sob supervisão de céticos escrupulosamente honestos. Não ter explicação natural não significa que a explicação seja sobrenatural, mas apenas que não foi encontrada. Não haver provas da existência do sobrenatural e de espíritos não significa que não existam, mas não haver provas de que não existam não significa que existam.

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Você é a favor da redução da maioridade penal?

Já respondi isto. Repito por conveniência:
Sou a favor da redução sim! Considero que um rapaz e uma moça adolescentes já têm plena consciência do bem e do mal, do certo e do errado, para poder se imputar a eles culpabilidade jurídica por seus atos, da mesma forma que a um adulto. Acho, inclusive, que esta redução traria o benefício de dar responsabilidade a um grande contingente de pessoas que agem impunemente causando grandes prejuízos à sociedade. Há que se definir qual seria essa idade. Eu sugiro quinze anos. Tendo este limite em vista, a família e a escola já preparariam os jovens para suas responsabilidades, uma vez que isto implicaria a possibilidade de serem julgados e condenados. Esta maioridade também deveria se estender ao aspecto trabalhista, tirando quem fosse maior de 15 anos da égide do estatuto da criança e do adolescente. Acho que um menino ou menina de 15 anos já deve poder trabalhar para ajudar o sustento da família. E isto deve ser feito de forma legal. Esta idade também seria a mínima para votar, para dirigir veículos, para casar, para abrir conta em banco e tudo o que hoje se exige a idade mínima de 18 anos. Outra possibilidade interessante é considerar uma faixa, de 13 a 18 anos, em que a maioridade penal seria analisada individualmente. Mas isto é um tanto complicado e poderia ficar à mercê de influências que pressionariam para elevar a maioridade de quem tivesse poder econômico para tal.

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Professor meu nome é Paulo Barreto, sou de Sorocaba-SP, vou começar a cursar Engenharia Civil e terei disciplinas básicas como Cálculo I, II, III, IV, minha dúvida é : Quais conceitos matemáticos essas disciplinas abordam respectivamente?

Já respondi isto, mas repito, por conveniência:
Varia com a Universidade. Geralmente o Cálculo I é o cálculo diferencial de funções de uma variável, o Cálculo II o cálculo integral de funções de uma variável, o Cálculo III estuda sucessões e séries e o cálculo diferencial e integral de funções de várias variáveis e o Cálculo IV as equações diferenciais em uma variável. As equações diferenciais parciais, as séries de Fourier, as transformadas de Laplace, o cálculo com variáveis complexas, o cálculo vetorial, o cálculo tensorial, o cálculo das variações, as equações integrais, as funções especiais, a geometria diferencial, as formas diferenciais e outros tópicos avançados ou são dados em Métodos Matemáticos da Física ou em disciplinas específicas do curso de Matemática. Além do Cálculo, os conhecimentos matemáticos para engenheiros, físicos, matemáticos e outros profissionais de Ciências exatas abrangem a Álgebra Linear e a Geometria Analítica, que, às vezes, são dadas nos próprios livros de cálculo.

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Teístas são todos ignorantes ou eles têm a capacidade de defender seu posicionamento sem cair em contradição lógica? Pergunto isso porque nunca achei ninguém que não se contradizesse!

Não são todos ignorantes, mas, em geral, ignoram os fatos filosóficos e científicos relativos à existência de Deus e se aferram à sua fé. Os que conhecem verdadeiramente o assunto, de fato, se valem de argumentos falaciosos para defender seus pontos de vista, uma vez que não se rendem às conclusões que as evidências e a razão lhes fornecem. Por que agem assim, faltando à verdade? Acho que é por medo de estarem enganados e irem para o inferno, como Pascal. Ou então, porque levam alguma vantagem com a fé das outras pessoas, mesmo que não a possuam, não podendo, pois, negá-la.

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Olá, vc poderia me indicar um livro que explicasse de forma bem objetiva a proposta anarquista? Vc acha que o anarquismo seria possível no mundo atualmente, com a mentalidade capitalista e individualista das pessoas? Obrigado

Quando voltar para casa eu procuro o livro para citar. O anarquismo não tem a mínima chance de ser estabelecido no mundo hoje em dia, pois isto requer um processo longo de conscientização, da ordem de séculos ou milênios. Mas é preciso começar hoje para se chegar lá em 500 ou 1000 anos. O anarquismo não tem como ser estabelecido por imposição mas apenas por adesão voluntária de todas as pessoas de todos os países. É preciso que cada um comece a agir anarquicamente, fazendo por conta própria o que o governo deveria fazer, sem pedir permissão, trabalhando o máximo possível de graça para o bem da comunidade, compartilhando o que é seu com os outros, desfazendo-se de suas propriedades para o bem dos outros, recusando-se a enriquecer, aplicando todo o dinheiro que ganha para o bem comum e coisas assim. De fato, é alto inteiramente louco. mas se não se agir assim e não se propagar este modo de agir, nunca se chegará lá. O segredo é mudar a mentalidade e isto se consegue pela educação.

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Como explicar fenômenos "sobrenaturais" que os espiritas acusam ser uma manifestação espiritual?

Não existem fenômenos sobrenaturais. Todos os que assim são chamados são naturais, mas incomuns. Todos têm uma explicação natural, que pode ainda não ter sido encontrada. Isto não significa que a explicação seja sobrenatural, da mesma forma que, se não se consegue provar que Deus não existe, isto não significa que exista ou que, se não se consegue provar que Deus existe, isto não significa que não exista.

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Quando li "Ask me anything" imaginei que fosse responder minha questão sobre o que Cálaculo I, II, III, IV trabalha no curso da Eng. Civil...Me enganei?

Estou fora de casa e tenho mais de 200 questões para responder. Vou respondendo à medida que posso. Aguarde.

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O Luciano Hayan disse que o senhor costumava "LESAR OS PAIS DE ALUNOS ao fazer doutrinação em sala de aula" Do que ele está falando?

É porque, nas aulas que eu dava, apresentava minhas concepções ateístas, sempre que o assunto vinha à baila. Acho que, se não o fizesse, seria desonesto, do mesmo modo que um professor criacionista que não apresentasse suas concepções aos alunos. Abrir a mente de todos para todas as concepções não é lesar ninguém, mas esclarecer que a visão cristã não é a única e nem garantidamente verdadeira, como qualquer outra. É preciso que se examine tudo e se conclua, por si próprio, o que se quer admitir. Ninguém nunca protestou contra minhas abordagens, sempre feitas de forma honesta, educada e bem argumentada.

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Professor, os biólogos afirmam que os seres humanos possuem a chamada energia bio-elétrica. Se eletricidade pode ser magnética, e temos energia elétrica em nós, como não podemos ter magnetismo?

Nem sempre a interação elétrica provoca magnetismo, pois, para tal, as cargas têm que ter movimento relativo. Mesmo quando há magnetismo, microscopicamente falando, em cada molécula, o resultado global pode ser nulo pelo cancelamento das interações provocadas por cargas movendo-se em sentidos opostos. Os sistemas biológicos não exibem magnetismo externo resultante, como os ímãs, que exibem o ferromagnetismo, mas podem ficar magnetizados por indução diamagnética ou paramagnética. Veja o significado disto na Wikipédia.

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Professor, corpos estelares têm magnetismo?

Podem ter, e, geralmente o têm, mas não obrigatoriamente, como no caso da gravitação. É que quase todos têm rotação e possuem regiões internas ionizadas que se movem com cargas e velocidades diferentes, impedindo o cancelamento de seus magnetismos.

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Professor, qual a diferença entre o magnetismo e a gravidade?

Fatos completamente independentes. Gravidade é uma atração universal entre sistemas possuidores de conteúdo de massa e energia, como a matéria, a radiação e os campos. Nada consegue impedí-la e ela se estende indefinidamente pelo espaço e pelo tempo. Não há repulsão gravitacional. Já o magnetismo é uma atração ou repulsão entre sistemas que possuam cargas elétricas em movimento relativo. Sem carga e sem movimento não há magnetismo. O magnetismo pode ser cancelado por um magnetismo oposto. Os ímãs são magnetizados porque o movimento dos elétrons em torno dos núcleos de seus átomos não se cancelam completamente, como acontece na matéria comum.

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Como chegou nesse pensamento de não se importar com o seu futuro, pobreza, etc. ?? Isso é interessante, porém não consigo entender.

Isto é muito simples. A maioria da humanidade é pobre e vive assim mesmo. O maior tesouro da vida é, simplesmente, a própria vida. Ademais, o que pior te pode acontecer? Morrer! E o que é que tem isso? Se morrer, morreu. Não tem importância. Apesar disto, é bom viver e é bom ter condições suficientes para se viver com conforto. Mas isto não significa que se deve colocar nisto o objetivo da vida. É bom, e até se deve procurar conseguir isto. Mas não à custa de comprometer a paz e a felicidade, deixando-a para ser gozada no futuro. É preciso ser feliz aqui e agora. E isto se consegue com o cinismo, a ataraxia, o estoicismo e o epicurismo, não o hedonismo, nem a avareza, nem a cobiça, nem a gana pela riqueza, nem o intento de ser rico a qualquer custo, passando por cima de tudo e de todos. Vamos viver cada dia por sua vez, fazendo o melhor possível para ser bom e praticar o bem, ser feliz fazendo os outros felizes. Como disse um sábio que alguns pensam que é Deus: "Olhai os lírios do campo..."

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Estou passando por um momento da escolha de um curso na faculdade, porém me deparo com um grande problema. Não sei se escolho algo que gosto, pelo curso em si, ou algo que me garantirá uma renda maior quando formar. O que VOCÊ faria??

Eu, como sou uma pessoa que, absolutamente, não me importo em ser pobre, escolheria, sem pestanejar, o curso de que gosto. Mas cada um é um. Pode ser que você se arrependa da escolha que no futuro te fará ser pobre. Eu não. pese os prós e os contra e faça sua escolha. Como eu, peça conselhos, mas não os siga porque foram dados por A ou B, mas porque você ponderou e decidiu. E, depois, não culpe A ou B por sua decisão. Ela é sua!

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Fui criacionista e não consigo me desfazer da ideia de um Deus. Estou em crise existencial e queria saber de uma coisa. Que religião vocês acreditam que encaixe bem melhor na teoria da evolução?

Para mim, o Budismo, pois não tem vinculação direta com a figura de nenhum Deus. Mas acho melhor que você procure estudar profundamente a existência ou não de Deus, de forma séria e não preconceituada. Como eu, você concluirá que Deus não existe e se libertará desse conceito, bem como dos conceitos de alma, espírito, céu e inferno. Isto é um grande alívio. Mas é preciso fazer isto com plena consciência. Estude muita ciência, especialmente cosmologia, evolução e neurociências. Mas estude a fundo e abrangentemente. Isto pode levar alguns anos. Enquanto isto fique em suspenso. Mas leia também os livros ateístas e os que defendem, com bons argumentos, a existência de Deus e os compare. Como não estou em casa, não posso te passar uma bibliografia ampla sobre tudo o que estou dizendo. Quando voltar o farei.

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Tudo é relativo?

Claro que não, é uma impossibilidade lógica. Se tudo fosse relativo esta afirmação seria relativa, então nem tudo seria relativo. A questão é como saber o que é e o que não é relativo? Por relativo estou dizendo subjetivo, ou seja, dependente da concepção do sujeito que faz a afirmação. O absoluto seria aquilo que é o que é, independentemente de qualquer concepção, isto é, algo objetivo, que se apresenta idêntico para todos os sujeitos. Mas o que é a objetividade? Seria um consenso entre subjetividades? E o que é a verdade? Por definição seria a adequação entre a realidade e o que se diz a respeito dela. Mas como saber? Vou deixar isto em aberto por uns tempos, para reflexão. Enquanto isto sugiro a leitura do livro de Jacob Bazarian: "O problema da verdade".

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Se o Universo não é infinito o que há em volta dele?

Se assim o for, nada há em torno dele. Nem espaço vazio. É preciso entender que um Universo finito não pode ser euclideano, isto é, tem que ter uma curvatura. Pensando em duas dimensões, um universo infinito seria uma superfície ilimitada e sem bordas que se extenderia para todas as direções sem fronteira, como um plano um um parabolóide hiperbólico (sela de cavalo). Já um Universo finito seria como a superfície de uma esfera, que também não tem fronteira, mas é finita. Em três dimensões isto significa que, se se for caminhando para frente, dá-se a volta ao Universo e se chega de volta ao mesmo lugar, por trás. Não é bem assim, pois, enquanto isto, o Universo se expande ou se contrai. O Universo não pode ser estático. Não há nada que não pertença ao Universo. Ele não tem "lado de fora", não está contido dentro de nada maior de que ele. É o conjunto de tudo o que existe e tudo só existe evoluindo. Se não evoluir não passa o tempo e se não passa o tempo nada existe, pois existir é estar no mundo enquanto o tempo passa. Nada "é", mas sempre "está sendo".

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Então como surgiu o Big-Bang?

Não se sabe. Há duas hipóteses. Ou foi um evento inteiramente fortuito e não causado por nada ou foi uma espécie de ricochete de uma contração de um ciclo anterior do Universo. Ao que parece, os dados observacionais apontam para a primeira hipótese, ou seja, a expansão foi um evento inteiramente aleatório, isto é, casual e não causal. Quanto à origem do conteúdo que começou a expandir-se, o mais provável é que tenha surgido já se expandindo, sem que nada houvesse antes. Note-se que não estou dizendo que havia algo denominado "nada" que seria uma entidade sem conteúdo ou um espaço vazio. Não é isto. É que não havia entidade nenhuma, nem espaço vazio, nem passagem de tempo. É este o significado da palavra "nada". Nada não é algo. O surgimento do espaço, do conteúdo que o preenche e do tempo, que advém da evolução desse conteúdo, deu-se sem que tenha sido proveniente de coisa alguma, sem nenhum evento que lhe fosse a causa e sem nenhum propósito. Simplesmente surgiu, e poderia não ter surgido. Nesse surgimento também se deu o surgimento do comportamento desse conteúdo, sumarizado pelas chamadas "leis físicas".

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http://www.formspring.me/wolfedler/q/1959200742 , me referia a opinião do autor da frase ao afirmar que não existe lógica nisso...

Agora entendí sua posição. Veja meu comentário na outra pergunta.

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Acha possivel a criação da antimatéria com o acelerador de particulas?

Certamente que é produzida antimatéria nos aceleradores de partículas. Mas em quantidade tão reduzida que não dá para aproveitar para produção de energia. Aliás, a produção de energia nos aceleradores, apesar de sua altíssima densidade, o é em quantidade reduzidíssima. Os aceleradores são instrumentos de pesquisa e não de produção.

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Há diferenças entre o jesus do espiritismo e o jesus do cristianismo?

Muita. Para o espiritismo, Jesus não é um híbrido de homem e Deus, mas apenas um homem, mesmo que tenha uma elevação espiritual muito grande.

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"http://www.formspring.me/wolfedler/q/1959200742" Eu acho que o autor da pergunta estava se referindo a ignorância das pessoas que negam a evolução e pensam que a evolução se dá de forma abrupta, um dinossauro gerando uma galinha propriamente dita, etc

Eu entendi que ele estivesse negando a própria evolução. Há duas correntes, uma defendida por Dawkins, a gradualista e outra por Gould, a pontualista. Mesmo nesta última, a transição se daria de forma abrupta entre espécies muito próximas. A concepção de Dawkins, que me parece mais plausível, é a de que toda descendência imediata (pai para filho) se dá dentro da mesma espécie, mas, ao longo de muitos milhares de gerações, os indivíduos iniciais e finais já não são da mesma espécie, devido ao acúmulo de variações.

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Você acha melhor estudar (na escola) de tarde ou de manhã?

É melhor ter aulas pela manhã, estudar à tarde e dedicar-se ao lazer à noite ou invertendo os dois últimos, se se for curtir um lazer que precisa ser à luz do dia. Para começar é preciso entender que não se estuda na aula. A aula é para se inteirar do conteúdo e entendê-lo. A compreensão e o aprendizado se faz no momento de estudo, fora da aula. Não há escapatória. Mas para compreender é preciso ter entendido, e, para isto, não se pode consentir em sair da aula sem ter entendido tudo. O professor existe para isto, senão seria só pegar a lista de tópicos e estudar sozinho. É bom, inclusive, ter lido o que vai ser apresentado na aula antes dela. Mas não se aprende na aula. Não há como. A compreensão requer reflexão, repetição, cotejo, ensaio de aplicação, treinamento de habilidades e integração com tudo o que já se sabe, o que é impossível ocorrer em aula. Sem estudo fora da aula não se aprende nada. Para cada hora de aula é preciso meia hora de estudo. E isto tem que ser feito no mesmo dia da aula, antes de dormir. Porque é com o reforço (ou com envolvimento emocional) que o cérebro atribui significância ao assunto e, no sono, faz a transferência da memória de curta duração, do hipocampo para a de longa, no córtex, liberando o hipocampo para novos registros. O que não for significativo é descartado e fica perdido para sempre.

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O que é aquela escuridão que envolve o "fundo" do Universo? Tem algo a cer com matéria escura?

Em parte, sim, pois ela absorve fótons. Na maior parte, contudo, é por causa da expansão, que cria uma região além da qual, nada pode ser observado, pois se afasta com velocidade maior do que a da luz. Então os fótons de lá provenientes não chegam a nós. Os que chegam provêm do "Universo Observável", que é apenas uma pequena parte dele. Se o Universo fosse eterno, infinito e estático, o céu todo seria infinitamente brilhante.

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Professor, pode me explicar porquê num universo de incerteza quântica a onisciência é impossível de existir?

A onisciência requer o conhecimento de todas as ocorrências, com todo o conteúdo do Universo, em todos os lugares e em todos os momentos. Isto envolve troca de informação, que precisa ser transmitida por algum intermediário, que, no Universo, são os fótons e eles têm uma limitação de velocidade que faria com que a informação que chegasse a cada ponto, proveniente de outros, teria um atraso tanto maior quanto mais longe estivesse a origem. Isto poderia ser contornado se o sistema receptor estivesse presente em todo o Universo e sua mente também se estendesse por todo ele e pudesse ter a percepção instantânea de tudo ao mesmo tempo. Não sei, e não vejo como saber, que estrutura mental teria Deus para que isto se desse, mas, admitamos que fosse possível, o que não acho. Mas há um grande problema com o indeterminismo quântico. Por ele, uma vez que exista um estado do Universo em um dado momento, nada há que possa determinar, a partir dele, como será o estado do Universo no momento subsequente. A informação a respeito só pode ser obtida após o atingimento desse novo momento. Então Deus não poderia saber o futuro e, assim, não teria conhecimento total de tudo no espaço e no tempo.

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O preconceito é interente ao ser humano?

De forma nenhuma. O preconceito não existe entre crianças pequenas. Ele é colocado nas pessoas pela educação que os pais e a sociedade lhes dão. Espontaneamente as crianças não querem saber a cor, a religião, o nível social, o nível econômico, o nível cultural, a inteligência, o sexo, a ideologia, o partido político, a orientação sexual, ou o que seja de outra criança. Só querem saber de brincar com ela. É a sociedade que estabelece essas diferenças e incute o preconceito de membros de cada um desses grupos em relação aos outros. E só há uma forma de acabar com essa idiotice: pela educação. Para começar, educando os professores, que também têm os seus preconceitos, contra os burros e ignorantes, por exemplo.

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Qual é a opinião do Sr. a respeito deste texto que trata sobre a felicidade e o dinheiro, vc acha pertinente a opinião do autor? http://oleandroalves.blogspot.com/2010/05/vende-se-felicidade.html

Sim. Concordo com ele e ajo dessa forma. Sou um despossuído e uma pessoa que vive o dia de uma forma inteiramente despreocupada com o futuro. Não me importo de ficar pobre. Não tenho bens. Não deixo herança nenhuma. Não tenho poupança. Da fábula de La Fontaine, sou a cigarra. Sou um epicurista estóico e cínico* na acepção filosófica original desta palavra, se você pode entender como seria isto possível. Mas não sou edonista. (*cínica é a pessoa inteiramente desligada dos bens materiais, estóica é a que suporta o sofrimento sem reclamar, epicurista é a que considera que a felicidade, baseada na prática do bem, é o fim último da vida e edonista é a que considera que este fim é a fruição de prazeres).

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O que podes dizer acerca do novo acordo ortográfico?

Não gostei. Mas... o que fazer? Adianta rebelar-se? Preferiria uma ortografia fonética. Mas... e os falares regionais? Qual seria o padrão?

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Professor, mas Deus transcende o aspecto físico. Então é perfeitamente possível que seja onisciente.

Esta é uma questão complicada. Se Deus não e físico, que sensores ele possui para se informar das ocorrências do universo físico? Normalmente todos os sensores se baseiam em interação eletromagnética, tanto os que percebem a luz e o calor, quanto os que captam a pressão, como a audição e o tato. Mesmo os químicos, como o olfato e o paladar, no fundo são eletromagnéticos, pois as reações químicas se dão por transferência de elétrons. Se Deus é informado do estado global do Universo a todo momento, quem é o mensageiro da informação e como ela é transmitida e captada? E como ele poderia ter informação sobre o futuro se não há um futuro previsível a partir do conhecimento do estado atual de todo o Universo em um dado momento? Qualquer futuro é possível. Não há determinismo. Se Deus souber o que vai acontecer, seria porque tudo o que vai acontecer acontece por escolha dele. Não é o que se verifica, senão ele faria opção pela maldade, contradizendo sua característica de santo. A não ser que ele seja malvado mesmo. O grande problema de se admitir a existência de uma realidade sobrenatural, como deuses e espíritos é que não há modo como ela poderia interagir com a realidade natural. Não conheço nenhum experimento que verifique tal tipo de interação de modo cabal.

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Se a Bíblia prova a existência de Deus os gibis provam a existência do Super-Homem. Concorda?

Concordo! Veja que concepção mais absurda!

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O que pensa a respeito de libertarianismo/anarco-capitalismo ?

Para mim é a forma de se chegar ao anarquismo completo, isto é, pela exacerbação e pulverização do capitalismo, acabando com todos os empregados e transformando todo mundo em patrão de si mesmo. Promovendo uma distribuição igualitária do capital e do lucro. Esta seria a fase intermediária para o comunismo e não a ditadura do proletariado e nem o socialismo de estado. Ditaduras de esquerda e de direita são a pior praga que se possa conceber. Para acabar com os governos é preciso que tudo seja feito pela iniciativa das pessoas, de preferência, de graça.

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Não é errado buscar provas de Deus na bíblia, uma vez que ela já pressupõe que ele exista e não argumenta logicamente sua existência? O mais correto seria usar a filosofia para tentar provar sua existência?

É claro que a Bíblia não pode comprovar a existência de Deus, e nem o pretende fazer, pois supõe que isto já seja um fato assentado por seus leitores. O mesmo se dá com o Corão. A existência de Deus não é uma questão de fé, que nunca pode garantir coisa nenhuma. Nem é uma questão de lógica, mas sim de verificação e constatação. Só que não há nenhuma evidência que possa constatar a existência de Deus, como não há nenhuma prova que a garanta. Nem que não exista. Porém há inúmeros indícios de sua inexistência.

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"- A lógica dos evolucionistas: “Peixe virou Macaco!”, “Dinossauros viraram Galinhas!”. A Lógica deles é sem lógica..." será que estas pessoas nem acesso ao google tem? Ou bibliotecas? Eu fico triste ao ver este tipo de pensamento...

Eu fico triste de ver o seu tipo de pensamento. Peixe virou macaco sim! Dinossauro virou galinha sim! E isto é muito lógico, mas não é o fato de ser lógico que confirma a evolução e sim o fato de ser uma constatação fática. É claro que a mudança se deu gradualmente e não diretamente do peixe para o macaco. Isto é mais que verificado por inúmeras evidências. A evolução é um fato e não uma hipótese!

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"Nada é, mas está sendo. Para que algo fosse, não poderia haver passagem de tempo." "Eu sou aquele que é." Javé -> imaterial, atemporal.

Só que não existe!

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Oque significa o natal para você ?

Veja o cartão de natal que eu coloquei em meu site:
www.ruckert.pro.br

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Comprovar que as ideias de uma pessoa estão erradas e depois chamá-la, por exemplo, de "safada", é usar argumentum ad hominem? Pelo que eu entendo, ad hominem é quando primeiro chamaríamos a pessoa de safado para depois tratar de suas ideias. Está certo?

Sim, está certo. Se você comprovou que os argumentos não valem e que a pessoa foi desonesta ao propô-los como verdades, ela, de fato, é safada. No entanto, considero que não seja educado chamar ninguém de safado, mesmo que ele seja safado. É só uma questão de finesse.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Por que quando um religioso recebe alguma resposta após questionar o ateísmo (chamar de à toa, dizer que ateu tem fé ou é revoltado) acusa o ateu de radical ou estar "pregando"? Concorda que o ateísmo deve ser guardado para si?

Não, de forma nenhuma. Deve ser proclamado em alto e bom tom e anunciado para ser seguido da mesma forma que os cristãos proclamam e anunciam o evangelho e que os muçulmanos proclamam e concitam a todos a seguir as palavras do profeta, submetendo-se à vontade de Allah, o misericordioso. Ou como os seguidores de Krishna ou de Buddah o fazem. Ateus têm que agir como os primitivos cristãos, porque sua mensagem é a mensagem da verdade. O ateísmo deve ser pregado sim, com bons argumentos, com conhecimento de causa, mas com cortesia e educação, sem ofender os religiosos, mas mostrando, por A mais B, como estão equivocados. Sem, contudo, usar de recursos erísticos nem ser enjoado como muitos pregadores evangélicos. É preciso muita calma, muita paciência, muito controle, mas muita firmeza e muita perseverança, porque sabemos que estamos fazendo um bem para a humanidade e para as pessoas ao mostrar que não existe Deus nenhum e que a responsabilidade pela erradicação do mal, o prevalecimento do bem, a cura das mazelas, o estabelecimento da justiça e tudo isso está inteiramente nas nossas mãos.

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Por que quando um religioso recebe alguma resposta após questionar o ateísmo (chamar de à toa, dizer que ateu tem fé ou é revoltado) acusa o ateu de radical ou estar "pregando"? Concorda que o ateísmo deve ser guardado para si?

Não, de forma nenhuma. Deve ser proclamado em alto e bom tom e anunciado para ser seguido da mesma forma que os cristãos proclamam e anunciam o evangelho e que os muçulmanos proclamam e concitam a todos a seguir as palavras do profeta, submetendo-se à vontade de Allah, o misericordioso. Ou como os seguidores de Krishna ou de Buddah o fazem. Ateus têm que agir como os primitivos cristãos, porque sua mensagem é a mensagem da verdade. O ateísmo deve ser pregado sim, com bons argumentos, com conhecimento de causa, mas com cortesia e educação, sem ofender os religiosos, mas mostrando, por A mais B, como estão equivocados. Sem, contudo, usar de recursos erísticos nem ser enjoado como muitos pregadores evangélicos.

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Aceita a possibilidade de um Cristo histórico? Claro que não me refiro a um mágico que andava sobre as águas, mas a um homem comum, que por ignorância do povo foi considerado um messias, como aconteceu com Apolônio de Tiana.

Sim. Penso que Jesus, de fato, foi uma pessoa existente. Mas não um Deus, nem o Messias. Inclusive se, de fato, ele pregava as lições que os evangelhos dizem, sou um discípulo de seus ensinamentos, apesar de ateu. E me esforço por cumprí-los, como dispor de todos os meus bens, amar ao próximo como a mim mesmo etc.

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O senhor possui o livro (ou sabe onde posso encontrar) O Sr está brincando sr Feynman? (o título pode estar ligeiramente diferente dependendo da tradução)

Já li este livro, mas peguei emprestado. Li a versão original, em inglês: "Are you joking, Mr. Feynman?"

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Em um universo de incerteza quântica é possível a onisciência?

Onisciência não é possível nem num Universo determinista, ainda mais numa incerteza quântica. Isto mostra que a idéia de Deus não é realizável. Muito cientistas não aceitam o indeterminismo quântico porque ele acarreta esta impossibilidade. Então eles se aferram ao determinismo, sem ver, também, que isto torna todos os seres zumbis, que não têm poder de escolha sobre coisa nenhuma. O livre arbítrio é algo incompatível com a existência de um Deus onisciente, mas não com a de um Deus que abdicasse da onisciência. Mas será que ilo seria Deus?

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P/ vc, competir por esporte não seria uma ótima forma d canalizar uma energia intrínseca do homem (a competição) num contexto ond isso possa ser interpretado c/o saudável? (ou seja, não é melhor competir por brincadeira doq na vida real?)

Pode ser, mas eu não aprecio. Pode-se canalizar a energia para atividades que levem a pessoa a superar apenas a si mesma e não a outras. Que a disputa seja com suas próprias dificuldades e fraquezas, não com as de outras pessoas. Não gosto da idéia de "vencer", "derrotar", "competir", "lutar", "brigar". Acho este tipo de coisa apenas admissível se for para competir, lutar e brigar para vencer e derrotar o mal, a injustiça, a iniquidade e fazer prevalecer o bem, a justiça, a equidade, a paz.

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suponhamos que deus existisse, porque ele criaria um anjo que ele (o senhor do passado ,presente e futuro) ja sabia que iria inveja-lo e o permitiu entrar no eden e logo após corromper a sua criação ?

Pois é, esta é uma das contradições do conceito de Deus que indicam que ilo não existe. Este conceito é cheio de incoerências. Não é possível haver um ser que preencha os requisitos atribuídos a Deus de forma inteiramente coerente.

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@Th_NF Concedendo ao Homem o Livre-Arbitrio, o livrando do Determinismo, esta liberdade não seria ilusória? pois sendo tudo criação dEle, nossa liberdade não estaria presa ao já criado e assim retornaria ao Determinismo?

Não. Mesmo considerando isto como verdadeiro (o que não é, pois não fomos criados e sim "surgimos"), se tivéssemos sido criados com livre arbítrio, o criador (que não existe), teria concedido a nós a liberdade de escolha diante das alternativas apresentadas a cada momento. Isto é o que, de fato, ocorre, não por concessão de criador nenhum, mas porque é assim que a natureza funciona, desde o nível subatômico. Isto é, a cada momento, dadas as condições apresentadas a um sistema (que pode ser o Universo todo), não há nada que determine como será o próximo momento. Há inúmeras possibilidades. Nos sistemas mais simples a evolução é fortuita, mas a medida que a complexidade aumenta, as probabilidades passam a ter uma concentração em algum ponto. Nos sistemas com algoritmo decisório, como os animais, escolhas se apresentam (mesmo para uma formiga) e ele pode decidir de forma não determinista a ação a tomar. Isto é um comportamento quântico da natureza, que é o que se chama de "livre arbítrio".

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O que é que é?

Nada é, mas está sendo. Para que algo fosse, não poderia haver passagem de tempo, pois o tempo advém de que o estado do Universo mude. Assim, tudo não permanece como é, mas, a cada momento, torna-se diferente. O verbo ser significa permanência, o que não existe. A essência de um ser (substantivo), portanto, não é aquilo que ele é, mas o que, dentro de suas alterações, pode caracterizá-lo como uma individualidade dentro de sua mutabilidade. Você continua sendo você, mas a cada momento suas células se transformam, umas morrem, outras surgem. Suas memórias se modificam a todo instante. Mas você continua sendo você, pela continuidade histórica de seu ser.

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Há algum esporte que prefira acompanhar?

Em geral, não aprecio esporte nenhum. Mas, às vezes, gosto de ver ginástica olímpica, equitação, fórmula 1 ou outros esportes que apresentem uma variedade maior de desafios que acabam funcionando como uma espécie de coreografia. Mas não gosto de nenhum esporte que envolva bola ou que seja coletivo, isto é, que tenha times. Não tenho nada contra, mas não aprecio. Gosto mais de esportes que não tenham competição, que ninguém tenha que vencer ou perder, como alpinismo, montanhismo ou outros assim. Esporte que não seja desporto.

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É possível fazer um paralelo entre a energia e a matéria escura como o éter?

Não. O éter seria um meio que preencheria todo o espaço para a propagação das ondas eletromagnéticas, cujas vibrações seriam essas ondas. Isto não existe. As ondas eletromagnéticas são campos elétricos e magnéticos autopropelentes, quantizados em fótons que se propagam no próprio vácuo. A matéria escura é matéria, só que não emite luz, ficando invisível. Além de gás e poeira atômicas e moleculares, consiste de planetas, estrelas apagadas, buracos negros, e, principalmente, partículas exóticas, como axions e outras. A, impropriamente chamada, "energia escura" ainda não é bem conhecida, mas, certamente, é uma espécie de campo que preenche todo o espaço. Isto é o que mais se parece com o conceito de éter, mas não são suas vibrações que constituem as ondas eletromagnéticas. Aliás, tratar-se-ia de um campo não oscilatório. A impropriedade da denominação da "energia escura" reside em que energia não é uma entidade e sim um atributo de entidades.

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ernesto, como seria um legislativo unicameral ?

Como os parlamentos dos países parlamentaristas unitários. Só a câmara dos deputados, sem o senado. O senado só tem significado nos países federalistas, mas, para ser equilibrado, as unidades federativas deveriam ter, mais ou menos, a mesma população e o mesmo PIB. No Brasil isto não existe.

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http://www.formspring.me/LHAyan/q/1925063089 , ?

Eu já não me importo com o que diz o Luciano Ayan. Tudo o que ele condena nos ateus, comunistas, anarquistas e liberais de todo tipo também se aplica aos religiosos de qualquer religião, aos intolerantes, nazistas, preconceituosos etc. Eu, pelo menos, sou cortez e respeitoso com os religiosos, não só porque já o fui, mas também porque muitas pessoas a quem quero bem o são, além de vários amigos. E como o meu ateísmo é cético, e não dogmático, estou aberto a mudar de opinião, caso convencido. Este não é o caso dele. Quando faço minhas observações sobre ateísmo e anarquismo em minhas aulas, é sempre no contexto do assunto ou então quando sou chamado por outros professores para apresentar minhas idéias em um esquema em que outras também o são, como já fiz várias vezes sobre cosmologia, evolução, anarquismo, a convite, inclusive, de outros colégios e faculdades. Isto é um procedimento salutar: apresentar aos alunos várias cosmovisões, para que eles as conheçam e possam fazer sua escolha conscientes. E os alunos, mesmo os que não concordam comigo, gostam de minha abordagem do assunto. Nenhum pai de aluno é lesado por mim em nada. Pelo contrário, contribuo para a conscientização dos filhos deles. Nunca sou dogmático nem apresento minhas concepções como doutrinas absolutas e inquestionáveis, como as religiões o fazem. Se há que se investigar a ação de ateus e comunistas, há que se o fazer também de religiosos de todas os matizes, não só cristãos, mas qualquer outro.

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http://www.formspring.me/LHAyan/q/1925063089 , ?

Eu já não me importo com o que diz o Luciano Ayan. Tudo o que ele condena nos ateus, comunistas, anarquistas e liberais de todo tipo também se aplica aos religiosos de qualquer religião, aos intolerantes, nazistas, preconceituosos etc. Eu, pelo menos, sou cortez e respeitoso com os religiosos, não só porque já o fui, mas também porque muitas pessoas a quem quero bem o são, além de vários amigos. E como o meu ateísmo é cético, e não dogmático, estou aberto a mudar de opinião, caso convencido. Este não é o caso dele. Quando faço minhas observações sobre ateísmo e anarquismo em minhas aulas é sempre no contexto do assunto ou então quando sou chamado por outros professores para apresentar minhas idéias em um esquema em que outras também o são, como já fiz várias vezes sobre cosmologia, evolução, anarquismo, a convite, inclusive, de outros colégios e faculdades. Isto é um procedimento salutar: apresentar aos alunos várias cosmovisões, para que ele as conheça e possa fazer sua escolha consciente. E os alunos, mesmo os que não concordam comigo, gostam de minha abordagem do assunto. Nenhum pai de aluno é lesado por mim em nada. Pelo contrário, contribuo para a conscientização dos filhos deles. Nunca sou dogmático nem apresento minhas concepções como doutrinas absolutas e inquestionáveis, como as religiões o fazem. Se há que se investigar a ação de ateus e comunistas, há que se o fazer também de religiosos de todas as matizes, não só cristãs, mas qualquer outra.

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@Th_NF Não teria Deus corrompido sua própria criação com a distinção do certo/errado? Já que Deus o criou, as ações do ser humano não estariam limitados a aquela inteligência criadora?

Não, porque Deus não existe. Supondo que exista, o que se diz é que ilo (3ª pessoa do pronome pessoal do caso reto, no gênero neutro) concedeu ao homem o "livre Arbítrio", ficando livre do determinismo.

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Ernesto, quais as implicações disso? http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2010/12/18/64137-mundo-visivel-tambem-se-sujeita-as-regras-quanticas-descobrem-fisicos-americanos.html Grato

De fato, desde o início da Física Quântica, sabe-se que a Física é sempre quântica (e relativística), apenas não apresentando esse comportamento por causa do pequeno valor da constante de Planck e o grande valor da velocidade da luz. Mas eles estão sempre presentes. Para objetos macroscópicos, vale o "Princípio da Correspondência". O objeto do experimento em questão é grande em termos atômicos e pequeno em termos humanos, pois tem um mícron de extensão. A observação direta de estados superpostos, realmente, é uma excelente confirmação direta da Física Quãntica.

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Quero levantar uma pergunta que foi me enviada por um teólogo. Fala sobre a origem da crença no divino. Eis a pergunta: Se Deus não existe, então por que todo homem (ou em toda cultura) encontra-se um desejo intrínseco no homem como um senso do Div

Isto é simples. O homem, possuindo inteligência, percebe que a maioria das ações tem um agente animal dotado de vontade. Assim ele estende tal conclusão às ações puramente naturais, imaginando um autor invisível, também dotado de vontade, que seriam entidades espirituais ou deuses. Isto se aplica a chuvas, secas, avalanches, vulcões, terremotos, doenças, morte e assim por diante. Se existem tais seres, quem sabe ele não podem escutar as preces e, se têm esse poder todo, porque não resolvem fazer mágicas e alterar, a seu comando, o curso da natureza. Esta é a origem da crença em deuses. Quanto à alma, a percepção de que o pensamento não parece pairar no corpo, como uma coceira ou uma dor pairam, faz supor, quase de imediato, alguma entidade incorpórea para sediá-lo. Além disso, é muito confortante considerar que, pelo menos, parte de nós não morre. Outra coisa é sobre a justiça. Achar que, numa outra vida, a maldade seja punida e o bem recompensado também é muito agradável. Tudo isso faz supor que existam deuses ou um só deus e que existam espíritos, dentre eles a alma humana e que essa alma sobrevive ao corpo e perdura eternamente, no inferno ou no paraíso. Uma análise profunda dessas possibilidades, contudo, encontra sérias dificuldades, à luz dos conhecimentos científicos atuais.

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Torce para algum time de futebol?

Não. Não gosto de futebol. Não jogo nem assisto. Quando criança meu pai queria que eu me interessasse. Ele torcia para o Vasco e para o Cruzeiro. Me levava em jogos, mas eu só me interessava pela engenharia do estádio.

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O que o senhor acha da frase de Marx em que ele diz que a função dos filósofos até hoje foi a de entender o mundo, e a partir dele ela tem que ser a de mudar o mundo...

Não concordo. Tanto antes quanto depois de Marx os filósofos tanto pretenderam como pretendem, entender e mudar o mundo. Acho muita pretensão da parte dele, como também de Nietzsche, acharem que são divisores de águas. Ambos foram importantes, mas se inseriam em um contexto que possibilitou a sua emergência. Outros filósofos foram igualmente importantes como portavozes de mudanças de paradigmas, como Montaigne, Spinoza, Schopenhauer, Kant, Hume, Sartre e outros.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quais livros o senhor recomenda para um conhecimento basico da piscologia e Psicanálise ?

Linda Davidoff - "Introdução à Psicologia" - Pearson
Manuel da Costa Pinto - "O Livro de Ouro da Psicanálise" - Ediouro
Vilela, Ferreira e Portugal - "História da Psicologia" - Nau
Krech & Crutchfield - "Elementos de Psicologia - 2 v. - Pioneira
Edna Heidbreder - "Psicologias do Século XX" - Mestre Jou
Paul Churchland - "Matéria e Consciência" - Unesp
Burrus Skinner - "Ciência e Comportamento Humano" - Martins
Fontes
Gazzaaniga, Ivry & Mangun - "Neurociência Cognitiva" - Artmed
Nicole Fiori - "As Neurociências Cognitivas" - Vozes
Steven Rose - "O Cérebro do Século XXI" - Globo
Maturana e Varela - "A Árvore do Conhecimento" - Palas Athena
Jean Piaget - "Biologia e Conhecimento" - Vozes
Steven Pinker - "Como a Mente Funciona" - Cia. das Letras
Steven Pinker - "De que é Feito o Pensamento" - Cia. das Letras
Joseph LeDoux - "O Cérebro Emocional" - Objetiva
António Damásio - "O Mistério da Consciência" - Cia. das Letras
António Damásio - "O Erro de Descartes" - Cia. das Letras
António Damásio - "Em busca de Espinosa" - Cioa. das Letras
António Damásio - "O Sentimento de Sí" - Europa - América
António Damásio - "O Livro da Consciência" - Círculo - Leitores

Recomendo, ainda, os nove fascículos especiais da revista "Mente e Cérebro" denominados "Memória da Psicanálise", dedicados a Freud, Jung, Ferenczi, Klein, Winnicott, Bion, Lacan, Contemporâneos e Fonteiras.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Você se preocupa com o futuro?

Se você se refere a meu próprio futuro, não. Não me importo com nada que me aconteça. Nem que eu fique completamente pobre ou vá para a cadeia ou seja assassinado. Qualquer coisa, para mim, não faz diferença. Mas se você fala do futuro da humanidade, sim. Para que esse futuro seja melhor é que tenho desenvolvido meu trabalho de esclarecimento em meu ofício de professor e, nos últimos anos, pela internet e por meio de palestras. Meu objetivo é conscientizar as pessoas de vários equívocos que compromentem o futuro da humanidade, como o paradigma do sucesso competitivo ao invés da colaboração e do auxílio mútuo; do trabalho voluntário e gratuito; da renúncia à preguiça; do desenvolvimento da inteligência; do esclarecimento científico e filosófico; da impropriedade da fé e das religiões; da ética sobre todas as coisas, inclusive o lucro e as vantagens; da necessidade da preservação ambiental; da progressiva anarquização da sociedade e muitas outras coisas que venho sempre falado nos meus blogs e comunidades de que participo.

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Ernesto, repeito sua postura ateíta, porém, eu me considero o que chamam de "medium" ,ou seja , vejo espíritos e em raras vezes intereajo com eles, isso é uma verdade pra mim e eu me considero são, o que o senhor acha disso?o que acha da mediunidade ?

Tenho uma irmã que é espírita, mas não é médium. Não acredito que isto aconteça. Só verificando diretamente e, mesmo assim, cercado de todas as cautelas. Para mim são alucinações, isto é, imagens geradas pelo próprio cérebro, mesmo estando a pessoa em estado de vigília. Acho que as pessoas que pensam que se comunicam com espíritos não estão mentindo, pois isto parece real para elas. Mas penso que estão equivocadas. Para que eu aceite a existência de espíritos tenho que presenciar um fato que comprove de modo inteiramente objetivo e sob o controle experimental de técnicos muito céticos e honestos, para que não paire a menor dúvida sobre a possibilidade de tudo não ter uma explicação puramente natural.

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o senhor sabe tocar violão?

Não, mas sei tocar um pouco de piano, que estudei três anos, dos 9 aos 12 anos. Mas estou destreinado.

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Como é que alguém pode acreditar que tomando drogas alucinógenas, como o daime, vai conseguir alcançar algum tipo de auto-conhecimento ou esclarecimento espiritual?

Sendo inteiramente ignorante a respeito de neurociências e bioquímica. Acho que é só uma justificativa para sua vontade de se drogar, sem ser considerado um viciado. Aliás, toda crença em entidades sobrenaturais ou em poderes esotéricos de amuletos, feitiçaria, sacrifícios propiciatórios e, mesmo, no valor transcendente de jejuns, mortificações, orações e coisas assim, revela a ânsia da humanidade em ultrapassar as limitações físicas e biológicas a que estamos sujeitos e tentar conseguir, num passe de mágica, que sejam possíveis ocorrências milagrosas à revelia das leis naturais. Aceitar nossa condição puramente animal e inteiramente mortal (sem vida eterna de espécie alguma), bem como de nossa total sujeição às leis da natureza, para muitos, é algo por demais humilhante. Assim as pessoas se consideram como membros de uma espécie privilegiada por possuir "alma" e ter sido criada à imagem e semelhança de Deus, quando, na verdade, Deus é que foi criado pelo homem à sua imagem e semelhança. Nenhuma oração e nenhuma droga é capaz de alterar o funcionamento da natureza ou de propiciar iluminação espiritual ou o que seja.

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O que você pensa a respeito da Neuropsicologia ?

Considero que seja o caminho correto da psicologia, para que possa se transformar em uma ciência epistemologicamente válida e se livre das "correntes de pensamento". Ou seja, que encontre uma fundamentação que seja capaz de sair vencedora de todas as tentativas de falseamento e que, assim, possa ser aceita por toda a comunidade psicológica. De fato, a psicologia é uma ciência fundamentalmente biológica, mesmo que se valha do concurso de ciências humanas, como a sociologia e a linguística, por exemplo. Os fatos psíquicos, todos, ocorrem em função dos fatos neurológicos, mesmo que tenham uma descrição em termos de conceitos alheios às neurociências. Não vejo escapatória para a psicologia senão sua fusão com a neurologia e a psiquiatria.

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Caro Ernesto, utilizei uma de suas pinturas em um blog que possuo, caso não tenha gostado é só me avisar que retirarei sem ficar de maneira alguma ressentido. Aqui:http://sacotragico.blogspot.com/ até.

Pode usar. Peço apenas que mencione a autoria. Não consegui acessar o seu blog.

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http://minilua.com/maiores-misterios-humanidade-7/ Muito intrigante. O que o senhor tem a dizer?

Porque tudo isso é apenas uma lenda e na lenda, não se relaciona o umbigo com o cordão umbilical, a gestação e o parto.

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Professor, o senhor é da opinião de que grandes escritores, como Shakespeare, Tolstoi e Dostoiévski, reinventaram o ser humano, fazendo emergir características despercebidas, influenciando tudo que veio depois?

Eles apenas explicitaram o que já existia, certamente influenciando, mas apenas a elite cultural, que, sem dúvida, é que tem poder para conduzir as massas. Mas não inventaram nada. De fato, o grande valor deles é a apurada capacidade de análise psicológica, muito maior do que a de muitos psicólogos. Assim desnudaram as verdadeiras razões que levam as pessoas a agir como agem. Na vivência social isso tudo é camuflado, pois a transparência das intenções é uma grande desvantagem pessoal para quem deseje levar vantagens. A mentira e a dissimulação são recursos que a própria inteligência desenvolve para facilitar a sobrevivência e a conquista de melhores condições de vida. Mas não é ética e desmascarar tais recursos é uma providência primordial para coibir o uso de meios desleais de ascenção pessoal. Para isto estão aí a neurolinguística e outras disciplinas semelhantes. Esses escritores deram uma grande contribuição à psicologia com suas finas análises da sordidez, mas também da beleza do comportamento humano.

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Qual é a 'teoria' que o senhor acredita em relação a formação do universo ?

A hipótese do surgimento incausado, sem que tenha sido proveniente de nada pré-existente, por acaso, sem a interveniência de nenhuma entidade extra-natural, como algum pretenso deus criador.

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Acredita que há vida em outro planeta, certo? Se sim, acha que as primeiras formas de vida do planeta Terra, vieram através de "meteoritos" de outros lugares do universo que já havia vida?

Não. Acho que surgiram aqui mesmo. As condições da Terra eram mais propícias ao surgimento da vida que a de outros planetas do sistema solar. Quanto a vir de outras estrelas, isto é quase certamente uma impossibilidade total.

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Se Adão foi criação de Deus, e Eva surgiu através da costela de Adão, por que nas pinturas de algumas igrejas católicas as figuras de "Adão e Eva" tem umbigos?

Porque tudo isso é apenas uma lenda e na lenda, não se relaciona o umbigo com o cordão umbilical, a gestação e o parto.

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Quais livros o senhor recomenda para um leigo em sistemas políticos e economia e sobre conceitos básicos da física?

Yoav Ben-Dov - "Convite à Física" - Zahar
Richard P. Feynman - Física em 12 Lições - Ediouro
AntonioS. T. Pires - "Evolução das Idéias da Física" - Livraria da Física

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Professor, basicamente, que problemas o senhor vê na Filosofia de Nietzsche?

Primeiramente a falta de rigor filosófico. Mas isto é secundário. Nem sempre o rigor é acompanhado da validade. Tomás de Aquino, Kant e Heidegger foram rigorosos, cada qual defendendo posições distintas. NIetzsche era literário, o que, realmente, lhe dá um certo charme. Acho que seria boa uma síntese dialética do rigor com a literatura na Filosofia. Bertrand Russell conseguiu isto.
Mas o que importa é a validade das propostas. Nisto Nietzsche peca por atirar a torto e a direito, muitas vezes em moinhos de vento. Concordo plenamente com sua oposição à religião como instrumento de dominação mental e castradora da expressão criativa do homem. Inclusive com sua crítica a Sócrates e Platão ao introduzirem noções éticas, estéticas, epistemológicas e metafísicas inadequadas ao bom filosofar. Há pontos que reputo grandes equívocos de Nietzsche e que são considerados os pontos fortes de seu pensamento.
O primeiro é o do "eterno retorno". Nada mais idiota e sem fundamento em fatos. Uma opinião completamente sem base. Não há retorno de coisa nenhuma. O fluxo dos acontecimentos segue sempre para frente sem repetir-se, exceto excepcionalmente. Podem haver componentes cíclicas de comportamentos em certos períodos limitados, como se dá com a moda, por exemplo. Mas apenas em intervalos curtos. Não há retorno à moda de mil anos atrás. Ele considerava que o Universo tinha que ser eterno para o passado, já que não há Deus para criá-lo e não pode surgir do nada. Errado! Pode surgir sem prover de coisa alguma sim.
Outro equívoco é a "vontade de potência", como fator propulsor das ações humanas. Isto é falso, pelo menos como um princípio. A vida é impulsionada pela "vontade de viver" como considerou Schopenhauer. Mas isto também não é propriamente uma "vontade". É simplesmente o que acontece sem razão de ser nenhuma. A estrutura da vida surgiu de forma a se replicar e perpetuar e faz isto sem razão nem propósito. Todo o organismo surgiu para perpetuar a vida, mas não com esse objetivo. As ações dos seres vivos se dirigem para a procriação e a sobrevivência, mas não porque este é o objetivo e sim porque é isso o que se dá. Nenhum ser pretende exercer poder sobre nada. O poder só é exercido, quando o é, pela necessidade da sobrevivência ou da procriação. Esta e a realidade. O homem tem capacidade de, por sua racionalidade, contornar essas pulsões naturais e agir altruisticamente, até mesmo por chegar à compreensão de que é beneficiando a humanidade como um todo que se é beneficiado a longo prazo. Isto o homem pode concluir, pois é capaz de fazer previsões futuras. Vontade de poder, até que pode existir e existe, mas não como princípio condutor das ações. Trata-se de um comportamento circunstancial.
Outro erro de Nietzsche, ainda, é considerar a moral altruísta como uma fraqueza. Para ele, ser compassivo, solidário, generoso, bondoso e coisas assim é ser inferior. Nada disso. Uma pessoa pode ser tudo isso com altivez, dignidade, nobreza, sem humildade e nem soberba, com modéstia, assertividade, fortaleza e bravura. O ser humano verdadeiramente humano é o virtuoso e a belicosidade não é uma virtude, nem vaidade, nem presunção. É com essas qualidades que se poderá construir uma verdadeira civilização, em que as pessoas viverão em um mundo próspero, justo, harmônico e fraterno e no qual alcançarão a felicidade e a realização de suas vidas.
Mesmo discordando desses pontos, tenho uma grande admiração por Nietzsche, por sua ousadia e firmeza em proclamar seu ateísmo e sua oposição às religiões e a todo comportamento mentiroso e de conveniência. Não considero que suas idéias sejam afinadas com o nazismo e o antijudaísmo, como se diz por aí. Assim como Marx, Darwin, Freud, Planck, Einstein e Sartre, Nietzsche foi um dos filósofos que moldaram o século XX e o espírito livre-pensador, irreligioso, democrático, liberalista e fisicalista que, felizmente, veio para substituir o obscurantismo religioso, dogmatista, absolutista e retrógrado que, infelizmente, ainda prevalece em certos lugares.

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O senhor conhece o Paulo Ghiraldelli Jr ? http://ghiraldelli.pro.br/

Como adversário do Olavo de Carvalho ele já conta pontos comigo. Considero-o um filósofo sério e, realmente, pensador. Concordo com sua tese de que o "eu" é o corpo. Mas não comungo com sua opção pelo pragmatismo e pelo marxismo e nem vejo sentido em sua síntese dialética do pragmatismo com a escola de Frankfurt. Sou um comunista não marxista e totalmente infenso ao pragmatismo.

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O que pensa em relação a Pagu ?

Uma mulher fantástica. Um ícone para um feminismo verdadeiro de engajamento da mulher na sociedade em pé de igualdade com o homem, sem ressentimentos. Ainda por cima uma batalhadora das causas comunistas de mais fibra que muitos homens. Admiro-lhe, principalmente, a opção pelo trotskysmo, mesmo que faça restrições ao bolchevismo marxista-leninista, uma vez que sou anarquista. É esse o tipo de mulher que eu admiro e respeito.

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Por favor Woolf, poderia dissertar mais sobre o teorema de incompletude de Godel, e se possível inserí-lo no seu livro - é um tema que acho importantíssimo-?

Os teoremas de incompletude de Gödel são teoremas lógicos que se referem a sistemas matemáticos, em particular, aritméticos, ou seja, numéricos, como é o caso dos números naturais, primos, inteiros, transfinitos, racionais, irracionais, reais, complexos, complexos hiperbólicos, hipercomplexos, quatérnios, quatérnios hiperbólicos, octônios, sedênios, vetores, tensores, matrizes etc. Esses conjuntos, munidos de operações, dependendo de suas propriedades, formam estruturas denominadas grupos, anéis, corpos, espaços vetoriais, etc. A respeito de tais estruturas e dos conjuntos numéricos associados são enunciadas proposições que, em conjunto, constituem a teoria aritmética a que obedece o sistema considerado.
A respeito disto, os teoremas de Gödel dizem que:
1º) Um conjunto completo de proposições sobre um sistema aritmético não consegue ser inteiramente consistente, ou seja, há pelo menos uma proposição que não pode ser confirmada nem negada pelo conjunto das demais.
2º) Não se consegue provar a consistência de um conjunto completo de proposições sobre um sistema aritmético a partir dele mesmo.
Isto foi sobejamente demonstrado por Gödel em 1931. Em 1963, Cohem desenvolveu um algoritmo de teste de proposições indecidíveis, isto é, que não se pode provar se são falsas ou verdadeiras.
Tal é o caso da "hipótese do contínuo" de Cantor, a respeito da cardinalidade dos números reais, que ele propôs que fosse igual à cardinalidade do conjunto dos subconjuntos dos números naturais. Cardinalidade é o número de elementos de um conjunto. Quando infinito, há um conjunto de possíveis cardinais, denominados transfinitos, dos quais o primeiro é o infinitos dos números naturais. Os números inteiros, pares, ímpares, primos e racionais têm a mesma cardinalidade dos naturais. O conjunto potência, isto é, o conjunto dos subconjuntos dos números naturais tem a segunda cardinalidade. O potência deste a terceira e assim por diante. A hipótese de Cantor é a de que os números irracionais, reais, complexos e hipercomplexos teriam a segunda cardinalidade, fato que ainda não conseguiu ser provado.
O segundo teorema não impede que a consistência de uma teoria possa ser provada de um ponto de vista exterior a ela, como é o caso dos axiomas de Peano que contróem os números naturais, cuja consistência é demonstrada pela teoria de Zermelo–Fraenkel dos conjuntos com o axioma de escolha.
Uma coisa importantíssima a se considerar é que os teoremas de incompletude só se aplicam a sistemas aritméticos e não geométricos ou topológicos, por exemplo. Nem tampouco a nenhuma lógica não matemática, como muitos consideram aplicável.
Certamente que se aplicam a processos computacionais, pois todos eles se baseiam em lógica aritmética, mesmo uma edição de texto que ora faço, pois o processador trabalha com portas aritméticas, que são máquinas que processam saídas a partir de entradas por combinações de adições, que é uma operação aritmética. Qualquer sistema computacional digital é aritmético, pois os dados sempre são convertidos em séries de dígitos binários, denominadas "palavras" que são engolidas pelo processador e nele convertidas em outras palavras, que, então, são expelidas. Toda a lógica computacional é, fundamentalmente, uma lógica aritimética e, portanto, governada pelos teoremas de incompletude. Mas a lógica humana, psíquica e social, não é aritmética, logo não está sujeita aos teoremas de incompletude.

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Professor Rückert, eu já vi alguns exemplos de que a bíblia não é o guia moral que as pessoas acham que ela é. Que guias se poderia usar pra construir uma moral de verdade?

A moral não é vinculada a religião nenhuma. É uma prescrição humana para que se possa ter uma convivência social sem problemas. As religiões se apossaram da moral e passaram a normatizar o comportamento relacionando-o com premiações e punições da divindade, nesta e na outra vida. Toda prescrição moral, para ser válida, tem que atender a critérios éticos, que é a disciplina filosófica que os estuda. Que critérios são esses? Ética não é fácil, mas pode-se dizer que há três critérios: Que a ação maximize a felicidade para o maior número de seres, que possa ser erigida como norma universal e que se deseje ser alvo dela. Normalmente o atendimento a esses três critérios valida uma ação com eticamente permitida, caso contrário seria condenável, ou seja, imoral. Nem sempre a moral acompanha a ética, pois a moral reflete os costumes de um estrato social em certa época e lugar. Poligamia é imoral mas não é antiética. Ablação do clítoris é antiética, mas moralmente aceita em certos lugares. O ideal seria que a moral sempre aconpanhasse a ética. No caso de conflito, prefira-se a ética.

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http://www.formspring.me/lhayan . Professor, se tiveres um tempo para estudar os argumentos deste cara, gostaria que me desce um parecer sobre o assunto, parecem-me dotados de erística muitas vezes ignorando a busca da verdade. Agradeço desde já, abraço.

Já tive contato com ele em discussões do orkut e percebo que é uma pessoa que, realmente, faz uso de argumentos "ad hominem", que repudio. Já concluí que não vale a pena perder tempo em argumentar contra essas pessoas que estão cristalizadas em seus posicionamentos. Então desisti e não vou atender a seu pedido, pois é só comprar aborrecimento. Sempre estou disposto a rever meus pontos de vista, se convencido, e isto já ocorreu várias vezes. Com isto eu aprendo e me aperfeiçoo. Mas tem gente que é irredutível a qualquer argumentação. Desse eu já desisti.

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Algo que não é fisicamente impossível de existir (como wormholes e buracos brancos) necessariamente existem?

Não! O que seja teoricamente possível não necessariamente existe. Aliás esta é a grande superioridade da ciência em relação às crenças. Tudo tem que ser verificado para ser aceito como verdade. Senão, são apenas hipóteses ou conjecturas. Assim são os buracos brancos, as hipercordas, as p-branas, os universos paralelos, a energia escura, a existência de Deus e vários outros temas. No entanto, o Big Bang, os buracos negros, a evolução das espécies, a matéria escura, a curvatura do espaço, a relatividade do tempo e do espaço, o indeterminismo quântico e muitos outros temas já possuem evidências, mesmo indiretas, de sua veracidade, mesmo que alguns contestem.

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Xerox é ilegal, certo. Mas os livros da faculdade são caríssimos e inacessíveis aos alunos até de renda "média".

Só faço xerox de livros esgotados. Acho que dá para rachar o preço dos livros por um grupo de alunos que comprariam vários pelo preço de um. Por exemplo, entre cinco alunos que comprariam cinco livros, que ficariam em rodízio com eles, até que cada um pudesse comprar o seu. Tudo é uma questão de prioridade. Eu, por exemplo, priorizo livros, mas meu carro tem 15 anos e minhas roupas e sapatos duram muito tempo.

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Indica algum livro para ler? Para adiquirir conhecimento mesmo..

Um livro só é difícil que abranja conhecimentos de vários assuntos, a não ser que se leia uma enciclopédia. Para um primeira abordagem introdutória aos assuntos de meu interesse e conhecimento, eu recomendo, para quem tenha o nível médio de instrução:
Filosofia: David Papineau - "Filosofia" - Publifolha; Nigel Warburton - "O básico da Filosofia" - José Oympio;
Psicologia: Edna Heidbreder - "Psicologias do Século XX" - Mestre Jou;
Religião: Victor Hellern, Henry Notaker & Jostein Gaarder - "O Livro das Religiões" - Cia. Das Letras;
Ciências: Bill Bryson - "Breve história de quase tudo" - Cia. das Letras; Alan Chalmers - "A fabricação da Ciência" - Unesp;
Matemática: Richard Courant & Herbert Robbins - "O que é a Matemática" - Ciência Moderna;
Física: Antonio S. T. Pires - "Evolução das Idéias da Física" - Livraria da Física;
Biologia: Ernst Mayr - "Isto é Biologia" - Companhia das Letras;
Cosmologia: Fred Adams e Greg Laughlin - "Uma Biografia do Universo" - Zahar;
Música: Keith Spende - "O livro da Música" - Círculo do Livro;
Arte: Maria Clara Prette - "Para entender a Arte" - Globo.
Estes são livros que eu já li, pelo menos em parte. Há inúmeros outros assuntos, que, todavia, não tenho como recomendar, pois não são de meu conhecimento. E, é claro, existe uma imensa bibliografia mais aprofundada sobre tudo isso. Para ter conhecimento, como você diz, é preciso estar disposto(a) a ler e estudar umas horas por dia, a vida toda. Posso dizer que, neste meus 61 anos de idade, já li quase umas quarenta e cinco mil horas, num total de quase três mil livros.

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Professor, porque o decaimento radioativo é um evento sem causa? A causa não seria a instabilidade do átomo?

Não! A instabilidade não determina o decaimento, apenas o possibilita. O que possibilita é uma condição. Causa é o que determina. A radioatividade alfa é um decaimento do núcleo e a beta dos nêutrons. Um núcleo instável pode permanecer indefinidamente assim ou decair a qualquer momento, sem que nada o determine. O mesmo se dá com as partículas subatômicas e com os átomos, moléculas e outros sistemas atômicos com elétrons excitados, que podem emitir fótons ou não. A excitação é só uma condição e não uma causa.

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Como se formam os buracos negros? Existem "buracos brancos"?

Os buracos negros se formam pelo colapso gravitacional de estrelas que perderam sua capacidade de produzir energia por reações de fusão nuclear em seus núcleos e não podem mais gerar temperatura e pressão que contenham a tendência da gravidade de comprimir sua massa. Então ela se comprime subitamente, causando uma onda de choque, que resulta numa explosão de "nova" ou "supernova", que faz com que o envelope da estrala seja ejetado para o espaço, dando origem às nebulosas planetárias, como a do caranguejo e várias outras belíssimas. O núcleo remanescente, dependendo de sua massa, pode ter três destinos. Abaixo de 1,4 massa solares (limite de Chandrasekhar) o núcleo se transforma em uma estrela "anã branca", que é como uma brasa em extinção, sendo uma estrutura de hidrogênio metálico com traços de outros metais, com a gravidade sendo contida pela força advinda do princípio de exclusão de Pauli do gás de elétrons livres que envolve os núcleos. Acima disto e até 2,7 massas solares (limite de Tolman–Oppenheimer–Volkoff) o núcleo se transforma em uma "estrela de nêutrons" que é como um único núcleo atômico com a massa da estrela toda. Nesta situação a gravidade vence a exclusão de Pauli e injeta todos os elétrons dentro dos prótons, formando nêutrons, que se mantêm separados pela exclusão de Pauli dos próprios nêutrons. Estes são os "pulsares". Acima disto a gravidade funde os nêutrons em uma única hiperpartícula, cujo raio se torna menor que o "raio de Schwarzschild" do "horizonte de eventos", transformando o núcleo em um "buraco negro". Dele não há como nada escapar, nem a luz. Quanto aos "buracos brancos", trata-se de uma extensão matemática da solução das equações de Einstein para um buraco negro com rotação e, possivelmente, carga elétrica, que admite outro lugar do Universo em que a matéria colapsada emergeria num jorro. O buraco branco seria conectado ao negro por um túnel que seria um atalho por fora do espaço para levar um ao outro. Todavia não há indício nenhum da realidade desta possibilidade, muito explorada na ficção científica, como no livro e filme "Contato" de Carl Sagan ou no filme, "Portal das Estrelas". Mas é só ficção. Mesmo que existisse, tudo que mergulhasse no buraco negro sairia no buraco branco completamente destruído pela intensa gravidade, na forma de um plasma de partículas elementares, sem estrutura nenhuma.

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Toda ideologia "neo" possui conotação negativa?

Claro que não! O próprio neoateísmo não é algo negativo, apenas os abusos de alguns de seus seguidores. Ser "neo" qualquer coisa, como ser tradicional na mesma coisa, não é bom nem ruim só por ser "neo" ou tradicional. Depende do assunto. Os neo-pentecostais, para mim, são uma vertente piorada do cristianismo. Cada caso é um caso.

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Professor, qual é a diferença entre ontologia e metafísica?

Ontologia é uma parte da Metafísica. Esta estuda tudo o que não pode ser considerado como natural, ou seja, as abstrações puras, os conceitos e as relações entre eles. A ontologia faz uma categorização de tudo, conceituando e limitando cada idéia. Noções de ente, ser, objeto, coisa, existência, essência, realidade, valor, atributo, divindade, necessidade e outras desse tipo são noções ontológicas. Além da Ontologia, a Metafísica cuida, também, de investigar e estabelecer a existência e realidade dos conceitos ontológicos, bem como as relações existentes entre esses conceitos. Dizer que todo evento possui uma causa é uma proposição metafísica ou que o mundo exterior à nossa mente é real. A Metafísica, de forma diferente da ciência, não tem como se valer da experimentação para validar suas proposições, recorrendo apenas à razão, pois os objetos de que trata não têm existência no mundo natural. A Metafísica se socorre da Lógica e da Epistemologia para seu trabalho, que são a arte de bem raciocinar e de conferir a validade do conhecimento. Uma confusão muito grande é supor que a Metafísica cuida de entidades sobrenaturais. Se elas existissem, pertenceria ao domínio da Metafísica, mas, mesmo não existindo, há muito assunto a ser tratado pela Metafísica que não tem nada a ver com sobrenatural, mas que é abstrato. A Metafísica é o âmago da própria Filosofia. Decidir entre existencialismo, realismo, empirismo, racionalismo, positivismo, pragmatismo, idealismo e outros "ismos" é uma questão metafísica. E para se discutir Metafísica, antes de tudo, é preciso concordar sobre o significado dos conceitos usados, o que é dado pela ontologia, uma espécie de semântica da Filosofia, enquanto a Metafísica é a gramática.

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As divergências que existem nas "revelações" das religiões abraâmicas existem por quê? Não teriam sido concebidas por um autor comum e perfeito?

Exatamente por não terem sido "revelações" de nenhum autor perfeito é que possuem discrepâncias. Seus textos sagrados foram escritos por pessoas humanas, que até poderiam estar convencidas de que exaravam uma revelação divina, mas, acredito, nem isso elas supunham, em seu foro íntimo. O que escreviam era o que pretendiam que o povo considerasse como revelação, e assim fizeram-no crer. Os redatores do torá, o "gênesis" da Bíblia cristã, inclusive fizeram crer que era da lavra de Moisés. Maomé, ditava as suras do Corão como se fossem-lhe passadas pelo arcanjo Gabriel. Todas as religiões, mesmo as não abrahãmicas, possuem livros considerados "sagrados", mas que foram obras de pessoas comuns.

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Professor, como que se calcula com tanta precisão que um cometa pode se chocar contra a Terra, dada sua pequenez frente aos corpos maiores como o sol, ou Plutão... Calcula-se o desvio causado pelos campos gravitacionais destes?

O movimento de um cometa é governado por sua interação gravitacional principalmente com o Sol e, secundariamente, com os outros planetas. A influência é tanto maior quanto maior for a massa do planeta e menor for dele o afastamento do cometa. O órbita solar é facilmente calculada e as outras influências são consideradas perturbações, que também podem ser calculadas, mesmo sem computadores (só que mais demoradamente), como aconteceu com as descobertas dos planetas Urano, Netuno e do ex-planeta Plutão, que não são visíveis a olho nú. A Mecânica Celeste é uma disciplina muito bem estabelecida há séculos, e usada todo dia no lançamento de satélites artificiais. Só que não é nada fácil. Alíás, é bem complicada mesmo. Mas não impossível de entender e usar. Quando o cometa passa dentro do cinturão de asteróides, o grande número deles e o desconhecimento de suas verdadeiras posições e velocidades individuais, provoca um efeito caótico que pode desviar o cometa de forma imprevisível. O movimento do próprio cinturão de asteróides, e não de cada um individualmente, pode ser previsto pela Teoria do Caos aplicada à gravitação.

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E como ocorreria a contração até o Big Crunch? Há a possibilidade do tempo "voltar" com a contração? O Stephen propos isso se não me engano...

Não. Haveria contração se a aceleração de expansão do Universo fosse negativa. Então, num dado momento, como quando uma pedra jogada para cima atinge o ápice da trajetória, o expansão cessaria e começaria uma contração, por efeito da gravidade do Universo inteiro. Mas o tempo continuaria a prosseguir, e, inclusive, a contração não seria equivalente a uma reversão da expansão, porque a entropia continuaria a aumentar. O Big Crunch seria atingido quando a densidade retornasse aos valores que tinha no Big Bang. Aí as equaçõea cosmológicas não mais prevalecem, pois suas hipóteses não se aplicam. Mas elas prevêem que, quando isto ocorrer, haveria o início de uma nova expansão, isto é, um novo Big Bang. Todavia isto não se pode garantir, pois, então, seria como se um novo Universo estivesse surgindo, com outro tempo, outro espaço, outro conteúdo, outras leis físicas e outras constantes fundamentais. Poderia ser tudo diferente e, mesmo, não acontecer mais nada. Isto seria um fim real do Universo, com a cessação da existência de tudo, inclusive do tempo e do espaço, nem vazio.

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A interpretação determinista da física quântica feita por David Bohm não procede?

No meu entendimento, não. Acho que Bohm e outros não aceitam, aprioristicamente, o caráter indeterministico e acausal dos fenômenos quânticos por um preconceito filosófico. Então procuram meios de contorná-lo, reestabelecendo o determinismo, com o uso de artifícios variados, como as "variáveis ocultas" e os "muitos mundos", por exemplo. Estes artifícios nunca foram comprovados. Isto não é a mesma coisa que a "Função de Onda", que também não é observável, sendo apenas um artifício de cálculo, que, inclusive, em certas formulações, pode ser dispensado. Mas as variáveis ocultas seriam observáveis ocultas e os muitos mundos seriam reais. Isto tudo é dispensável se se admitir o caráter intrinsecamente probabilistico, indeterminístico e acausal da natureza. Porque não? Não há nada que requeira o prevalecimento do determinismo e da causalidade. Considerá-los necessários é um preconceito. Determinismo significa que uma causa, dentro das mesmas condições, produz sempre o mesmo efeito e causalidade que todo evento tenha que ser efeito de uma causa. Nada disso é verdade. Há muitos casos em que a mesma causa, nas mesmas condições e circunstâncias, produz efeitos distintos, como se vê no fenômeno de difração, tanto da luz quanto de partículas, como elétrons. E há inúmeros eventos que não são efeitos de causa nenhuma, como o decaimento radioativo e a emissão de fótons por sistemas excitados. Dizer que a causa ainda não foi detectada é só uma crença, sem fundamento, pois a existência de causa para eventos é uma conclusão induzida, que não tem garantia de validade. Mesmo que se ache a causa de algum evento que se considere incausado, isto não significa que fica estabelecida a necessidade de causa para todo evento.

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Se um indivíduo, independente do que conjectura, sente-se culpado pela existência, o que o senhor lhe projectaria como o caminho mais adequado a se seguir?

Filosofar. Submeter-se a um tratamento clínico filosófico e psicológico, ou, até mesmo, psiquiátrico. Sentir-se culpado pela existència é produto de um mal entendimento filosófico da existência e de seu sentido para cada um. Ou seja: é uma ignorância filosófica que pode perfeitamente ser sanada por uma orientação adequada. Para isto existe a filosofia clínica, que, muitas vezes, tem que ser acessorada por um acompanhamento psicológico.

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Wolf, qual é sua opinião sobre isso? http://cafecomciencia.wordpress.com/2010/06/01/a-seriedade-da-pesquisa-em-astrologia/ Eu considerava um bom site, mas depois dessa fiquei um pouco aturdido.

Realmente é desalentador considerar seriamente a Astrologia e se ver verbas destinadas a pesquisa serem aplicadas nas pseudociências. Astrologia pode ser pesquisada em sociologia ou psicologia, como um fenômeno de massa ou pessoal que vem a ser a crença em suas propostas sem fundamento. Nessa pesquisa até que se pode, também, adentrar para a verificação da falta de fundamento que mencionei. Mas pesquisar a astrologia propriamente dita é um contrasenso inimaginável. Não resta dúvida, está cabalmente comprovado, que astrologia é uma embromação. Não estou sendo preconceituoso sobre isto, de forma alguma. Tenho a mente aberta para qualquer possibilidade, mas esta já está descartada há muito tempo. Quem acredita em astrologia só pode ser por ignorância mesmo. E quem a propaga, ou também é ignorante ou se trata de alguém malévolo que quer se locupletar em razão da ignorância dos outros. Deplorável!

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O senhor acredita no Big Rip ou Big Crunch? Por quê?

Isto não é uma questão de acreditar, mas de verificar qual destas hipóteses é mais plausível, face as teorias e os dados observacionais disponíveis. Atualmente o Big Rip é o destino mais provável para o Universo, uma vez que os dados indicam que ele seja infinito e que se expandirá indefinidamente, sem nenhum ponto de inflexão e um subsequente período de contração até o Big Crunch. O Big Rip não é um fim propriamente, pois, nesta concepção, o Universo seria eterno. Trata-se de uma situação em que o inchamento do espaço se tornará tão grande que a matéria se "rasgará", destruindo todas as estruturas atômicas e nucleares e, até mesmo, a estrutura interna das partículas elementares, transformando tudo em campos indiferenciados. Isto não terá limite, ultrapassando, até mesmo, a situação em que um único elétron seria maior do que todo o atual Universo observável.

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O que acha do Brasil sediar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos num espaço de dois anos?

Uma temeridade e um grande risco de fracasso, não só nos dois eventos juntos, mas, mesmo, em cada um, se fosse sozinho. É claro que, se tudo der certo, seria ótimo para o país em muitos aspectos, mas não em outros. O ruim é o fator "panem et circenses", ou seja, ocultar as mazelas com os feitos esportivos, em verdade, não tão importantes assim. Outro problema, de ordem conjuntural, é que todos os grandes investimentos no Brasil são seara para a corrupção desenfreada e, então, lá se vão pelo ralo o dinheiro que tanto é necessário para a educação, a saúde, o saneamento, o combate à criminalidade, a conservação das estradas e muitas outras coisas. Oxalá eu esteja errado, mas como Alá não existe, oxalá não vale de nada.

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Professor, nestes tempos de interesse, de pessoas mesquinhas e sovinas, ainda é possível ser amigo de alguém sem que não haja nenhum tipo interesse envolvido? Amizade verdadeira é possível?

Claro que sim! Nem todas as pessoas são mesquinhas, mesmo que muitas o sejam. Existe honra, existe caráter, existe virtude, existe bondade, existe altruísmo. Mas também existe fingimento de tudo isto, de modo que é preciso ser cauteloso. Mas a verdade acaba sendo revelada. De fato, eu mesmo não tenho tais cautelas e confio em todo mundo, o que me causa muitos prejuízos. Mas considero preferível ter prejuízo do que prejudicar alguém ou ter que ficar desconfiando da sinceridade de todos. Realmente, não me importo de ser prejudicado. Muitos dizem que, por isto, sou bobo. Sim, sou bobo, tenho consciência de que o sou e não me importo com tal fato. Tapear-me é muito fácil, porque eu, de fato, sou crédulo, além de leal e honrado em respeitar a palavra que dou e a confiança que em mim é depositada, mesmo que, para tal, seja prejudicado. Quando, contudo, vejo que alguém traiu a confiança que nele eu depositava, esta decepção me faz desprezar a pessoa e dedicar-lhe toda a minha indiferença e repugnância. Mas não ódio, pois este é um veneno que mais envenena quem o sente do que quem dele é objeto.

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