segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Nada Jocaxiano



Meu amigo João Carlos Holland de Barcelos desenvolveu o conceito de "Nada Jocaxiano", como uma entidade que não possua conteúdo nem regra de espécie alguma. Para o seu entendimento leia-se:

http://www.genismo.com/logicatexto23.htm

O nada jocaxiano é simplesmente o nada, isto é, a ausência de tudo, inclusive de regras. É preciso entender, contudo, que ele não é uma entidade e nem um sistema ou uma coisa. Não é nada. Esta palavra não se refere a algo, mas à ausência total de algo. Logo não é capaz de gerar coisa alguma. Mas as coisas podem surgir sem ter sido geradas. Quando se diz "surgir do nada", quer se dizer que surge sem ter do que provir.

Todas as leis de conservação são descrições do comportamento da natureza em nosso Universo, isto é, surgiram com o surgimento do Universo. Não haviam antes da existência do Universo. Logo não havia lei alguma que proibisse o surgimento de alguma coisa sem ter de onde fosse proveniente. Todavia, mesmo considerando a conservação conjunta da massa-energia (equivalentes pela relação E=mc²) há a possibilidade de que o total seja nulo, considerando as energias potenciais negativas da interação gravitacional. Outras grandezas conservadas, como momento linear, momento angular e carga elétrica possuem um total nulo no Universo. Quanto aos números bariônico, leptônico, isospin e paridade, por exemplo, se se considerar que podem haver regiões do Universo com a predominância de antimatéria, eles também podem ter um total nulo, de modo que é perfeitamente possível que o atual Universo, na totalidade, possua um valor dessas grandezas exatamente igual ao que se teria se não houvesse coisa alguma. Outras grandezas não possuem leis de conservação, como volume, entropia, temperatura ou outras.

Outra questão a ser considerada é a de que não há necessidade alguma de que o surgimento do Universo possua uma causa. Eventos podem ou não possuir uma causa, isto é, algo determinante de sua ocorrência. O que possibilita a ocorrência são as condições e não as causas. As condições se ligam às leis de conservação e as causas às leis dinâmicas que relacionam movimento (no sentido geral de mudança) com interação. O advento da Mecânica Quântica mostrou que as leis dinâmicas são probabilísticas, havendo a possibilidade de alteração de estado sem interação, isto é, fortuíta, ou seja, incausada. De fato, na natureza, miríades de eventos são incausadas, dentre eles o decaimento radioativo e a emissão de radiação por sistemas excitados, ao decairem fortuitamente para um estado de menor energia. As próprias leis de conservação podem ter a sua validade suspensa em pequenos intervalos de tempo, em virtude do princípio da incerteza, o que da azo ao surgimento das chamadas "partículas virtuais".

As leis de conservação se reportam à conservação de atributos, como energia, momentum, carga ou spin de algo que existe e que surgiu de certa forma. Elas não se aplicam sem que haja um conteúdo que lhes verifique. Logo, o Universo, em seu surgimento, não precisa obedecer a lei de conservação nenhuma, inclusive porque as leis físicas não são "obedecidas", elas são " a posteriori", isto é, descrevem um comportamento observado do Universo.

As leis de conservação também se referem a valores de grandezas associadas aos atributos dos sistemas físicos. Um total nulo certamente não significa inexistência dos sistemas cujos atributos a grandeza meça, mas significa que a inexistência não contraria a lei de conservação. Isto diz que, se o valor global das grandezas associadas aos atributos do Universo como um todo for nulo, como carga e energia, então o surgimento do conteúdo do Universo com este conteúdo pode ter se dado, sem que nada o precedesse, sem violação de lei de conservação nenhuma, mesmo que não fosse preciso observá-las.

De fato, as cargas elétricas são apenas as fontes e sumidouros do campo elétrico, que é a entidade básica do eletromagnetismo, e não a carga, como se pode pensar. Isto significa que cargas só existem quando surge um campo. Não havendo campo nenhum no Universo, não existem cargas. O surgimento de qualquer campo elétrico se dá na forma de um dipolo, com uma fonte e um sumidouro. Isto é, não se pode obter uma carga positiva nem negativa isoladamente, mas apenas pares simétricos. Na origem da matéria isto ocorreu com o surgimento dos quarks e antiquarks, leptons e antileptons.

A Lei de Lavoisier é uma descrição global de três leis de conservação: da massa-energia e dos números bariônico e leptônico, propriedades dos férmions que formam a matéria. Ela não se aplica aos bósons, que podem ser criados e aniquilados aos borbotões, como ocorre com os fótons de luz e ondas eletromagnéticas em geral. Portanto, há, hoje mesmo, na natureza, coisas que se criam e se destroem.

De fato o Universo evolui no sentido do aumento da entropia e da equalização dos níveis de energia dos sistemas, o que fatalmente levará à sua "morte térmica", quando a impossibilidade de qualquer transformação interromperá o fluxo do tempo. Tais considerações, contudo, não se aplicam ao evento único do surgimento do conteúdo substancial (campos, radiação e matéria) e estrutural (espaço e tempo) do Universo, pois este evento não está regido por lei nenhuma.

Pode-se dizer que as leis de conservação "sempre" atuaram, desde que se entenda que "sempre" se refere a todos os momentos do tempo em que o Universo existe. "Sempre" não se aplica à inexistência do tempo que é o que se dava antes do Universo, que, aliás, nem teve "antes", pois nada havia, nem tempo.


Os bósons são quantizações de campos em partículas de spin (momento angular intrínseco) inteiro, isto é, cujo valor é um número inteiro de constantes de Planck sobre dois pís (3,141592654...). Há um teorema que mostra que isto está relacionado com a obediência à estatística de Bose-Einstein, enquanto as quantizações de spin semi-inteiro, os férmions, à de Fermi-Dirac. Vejam:

http://en.wikipedia.org/wiki/Bose%E2%80%93Einstein_statistics ;

http://en.wikipedia.org/wiki/Fermi%E2%80%93Dirac_statistics ;

http://en.wikipedia.org/wiki/Spin-statistics_theorem ;

http://en.wikipedia.org/wiki/Boson ;

http://en.wikipedia.org/wiki/Anihilation ;

http://en.wikipedia.org/wiki/Creation_and_annihilation_operator .

Os bósons são os mensageiros das interações ao serem emitidos a absorvidos pelos sistemas de férmions, que constituem a matéria, enquanto os bósons constituem a radiação. Estas duas entidades, além dos campos não radiantes, são os únicos constituintes substanciais do Universo. Tais constituintes podem possuir vários atributos, como extensão, duração, massa, energia, momento linear, momento angular, carga elétrica, isospin e outros. Esses atributos são quantificados por grandezas que os medem. Muitas dessas grandezas obedecem leis de conservação, sob certas circunstâncias. Outras não, como a extensão e a duração. A massa e a energia, em conjunto, ligadas pela expressão E=mc², têm uma lei de conservação combinada.

6 comentários:

Valdecy Rodrigues da Silva disse...

Então, houve um TEMPO, em que Não havia TEMPO?
Isso é meio absurdo, pois havendo um TEMPO que não havia Tempo, logo esse TEMPO seria o TEMPO que havia, e neste caso logo sempre houve TEMPO.
E O pleno ESPAÇO, essência NÃO preenchida, sempre existiu, pois o oposto desse pleno espaço seria seu pleno preenchimento e há deste sua existência a lei que do não preenchimento pleno, ou seja, não é possível o espaço pleno ser preenchido com o que possivelmente seria seu oposto, e há TEMPOS E mais TEMPOS remotos esse espaço não é plenamente preenchido. Então há esse lei evidência a impossibilidade do pleno preenchimento do espaço pleno, porém esse espaço foi o que possibilitou o inicio de da matéria existente, pois a matéria só pode existir caso haja espaço, e sendo assim, se houvesse um TEMPO em que não havia ESPAÇO, então logicamente deveria haver o seu oposto, ou seja, o pleno preenchimento, e neste caso esse pleno preenchimento só seria possível caso houvesse um espaço plenamente anterior que possibilitasse sua existência.
Então para facilitar, é preciso compreender que SEMPRE houve ESPAÇO e TEMPO,ou seja, sempre houve o ESPAÇO e sempre houve o TEMPO em que havia o ESPAÇO, isso porque NUNCA houve tempo em que não houvesse espaço, e espaço e tempo antecede ao espaço e tempo da matéria existente.
Porém um dia o homem entenderá que o ESPAÇO PLENO se trata de uma essência, e saberá que essência é esta.

Ernesto von Rückert disse...

Não. Não é nada disso. Não houve um tempo em que não havia tempo. Simplesmente não havia tempo. E nem espaço. Espaço e tempo não são apriorísticos. E nem matéria. O conteúdo primordial, aquilo de que o Universo é feito é campo. O resto advém dele, como matéria e radiação, tempo e espaço. Não havendo campo não há nada. Espaço é a extensão do campo e tempo é a alteração do campo. Se não houver alteração, não há tempo e se não houver campo, que se altere ou não, não há espaço. Espaço, tempo, matéria e radiação são manifestações do campo, numa primeira ordem. Conjuntos disso são os sistemas. Numa segunda ordem temos as estruturas e as ocorrências dos sistemas. Energia, massa, carga, movimento, spin são atributos da matéria, da radiação e de campo puro, suas estruturas e suas ocorrências. O modo como se dá as ocorrências com os sistemas são a dinâmica, cuja descrição são as leis da natureza. É isso. Supor espaço e tempo como entidades "a priori" é um preconceito filosófico que não confere com o comportamento da natureza.

Valdecy Rodrigues da Silva disse...

A extensão ESPAÇO sempre existiu, e sempre foi plena, pois caso não fosse assim, então haveria outro de tipo de campo na ausência do campo espaço que conhecemos, e logo pressupõe, que o que possibilitou a existência da matéria foi a existência do campo espaço, pois os fenômenos ocorreram nesse espaço e a existência desse espaço antecede a existência das demais coisas, a esse campo, não podemos defini-lo de NADA, mesmo estando vazio da matéria atual, pois houve tempo em que a matéria estava ausente nesse CAMPO extenso, pois o campo estava vazio da matéria e de tudo que compõe o universo; Mas havia o pleno campo, pois se não houvesse esse campo espacial, jamais haveria a possibilidade de haver algo e o movimento desse algo.
Devemos entender que esse pleno espaço, não seria o NADA ABSOLUTO, mas sim a composição de uma essência dotada de condições para materializar algo, e dá corpo ao que existe.

Valdecy Rodrigues da Silva disse...

O NADA-JOCAXIANO
O nada -jocaxiano tem uma roupagem para disfarçar sua verdadeira IDENTIDADE, ou seja, no interior do NADA-JOCAXIANO está o NADA ABSOLUTO.

Se o criador da idéia do nada-jocaxiano fosse um pouco sincero, ele reconheceria que acreditar no nada absoluto, porém ele disfarça isso, com essa roupagem de nada-jocaxiano.
e inventa que o NADA-TRIVIAL segue uma regra e o NADA-JOCAXIANO não segue, e sendo assim o nada criado por joão seria um NADA que não é NADA mesmo, mas é algo que possibilita a existência da existência.
Aí disfarçadamente ele colocar o NADA-JOCAXIANO EM OPOSIÇÃO AO NADA TRIVIAL. E sendo assim, ou o joão quis disfarçar o NADA-TRIVIAL, ou ele não quer aceitar que a única oposição ao NADA-TRIVIAL, seria a EXISTÊNCIA, porém como ele não quer reconhecer que a existência é derivada continuamente de algo pré- existente, então ele CRIOU um pequeno NADA que não é o NADA-ABSOLUTO aparentemente, pois para ele é lógico que o nada absoluto impossibilitaria a existência de tudo, e como há a existência presente como fato que prova não haver nada-absoluto, ele precisou criar um pequeno NADA-JOCAXIANO.

Porém seu nada jocaxiano-racionalmente tornou-se o nada absoluto, pois o joão concluiu que o NADA ABSOLUTO segue uma regra (não pode acontecer) já o nada-jocaxiano não segue regra alguma e sendo assim o nada-jocaxiano seria o que possibilitaria a existência da existência devido ele não seguir a suposta regra que o NADA-ABSOLUTO seguiria. porém no nada jocaxiano é dito que não há regra; mas em essência de nada, é no NADA ABSOLUTO que NÃO HÁ REGRA, pois a suposta regra que a CONSCIÊNCIA DO JOCAX supôs e concluiu acerca do NADA-ABSOLUTO, é uma regra concluída por uma consciência já existente, no entanto no NADA-ABSOLUTO não pode haver nada mesmo, inclusive REGRAS, ou conclusões acerca de possíveis regras, pois no nada-absoluto não poderia haver a conclusão da regra que nada pode existir, pois não existiria a CONSCIÊNCIA para ter esse entendimento, e sendo assim a suposta regra do nada absoluto só está existindo devido a existência do entendimento existente, então pressupõe que o nada-jocaxiano é o nada absoluto disfarçado, pois é ensinado que não há regras no nada-jocaxiano, e sendo assim logo o nada jocaxiano seria o nada absoluto, pois é no nada absoluto que não pode existir nada nem mesmo regras.
Então, se o nada jocaxiano é o nada plenamente sem regras, logo ele seria o nada-absoluto, porém caso houvesse o estado de o nada-absoluto, então não poderia existir nada mesmo; E sendo logo tanto o nada-absoluto, como sua nova roupagem chamada nada-jocaxiano nunca existiram, e se eles nunca existiram, então logo pressupõe que houve sempre houve algo existente que caracterizasse o não estado de nada absoluto.

abrindo o entendimento do joão, saiba que o joão chegou ao conhecimento, entendimento, noção, de que no NADA-ABSOLUTO, você não poderia saber NUNCA disto, e o motivo pelo qual você chegou a esse entendimento é justamente para você reconhecer que há uma verdade nesse entendimento, e há também uma finalidade nessa verdade que faz parte do entendimento do joão, pois o joão entendeu que no nada absoluto estaria incluso a sua própria INEXISTÊNCIA, pois caso o houvesse o nada absoluto o joão não havia existido, e ele NUNCA chegaria a esse entendimento. E com

Valdecy Rodrigues da Silva disse...

A LEI DO NADA ABSOLUTO, É QUE NADA NÃO PODERIA EXISTIR A PARTIR DO NADA ABSOLUTO.

E A LEI DA EXISTÊNCIA É QUE NADA PODE EXISTIR A PARTIR DO NADA, OU SEJA, A EXISTÊNCIA ESTÁ AÍ, JUSTAMENTE PARA RESTRINGIR A NÃO EXISTÊNCIA, OU SEJA, O SER DA EXISTÊNCIA É UMA LEI, QUE IMPOSSIBILITA A SUPOSTA LEI DO NADA-ABSOLUTO, E NESTE CASO A EXISTÊNCIA ESTÁ ESTABELECIDA COMO LEI IMPOSTA SOBRE A INEXISTÊNCIA. E SENDO ASSIM A EXISTÊNCIA É A PRIMEIRA LEI QUE PERMITE A EXISTÊNCIA DERIVADA, OU SEJA, O UNIVERSO VEIO A EXISTIR
DEVIDO A UMA LEI PRIMÁRIA, POIS SE NÃO HAVIA A LEI DE PROIBIÇÃO EMBUTIDA NO NADA ABSOLUTO, ENTÃO HAVIA A LEI
DE PERMISSÃO DE EXISTÊNCIA, E ESSA LEI SÓ HOUVE DEVIDO NÃO HAVER LEI OPOSTA, ENTÃO A SUPOSTA LEI DA PROIBIÇÃO DE EXISTÊNCIA, É APENAS UMA SUPOSIÇÃO CASO NUNCA HOUVESSE EXISTÊNCIA DE NADA, POIS SE NÃO HOUVESSE A EXISTÊNCIA DE NADA, ENTÃO A LEI DE EXISTÊNCIA SERIA UMA MERA E SUPOSTA LEI, E NÃO EXISTIRIA NADA ABSOLUTAMENTE NADA.
Todavia não estamos do lado da inexistência e nem no nada absoluto, isso porque não há inexistência e nada absoluto para nós, pois a única prova que temos é de existência, e a lei da existência está embutida simplesmente no SER da existência, pois ela é uma lei que
Restringe a inexistência.

Mas qual poderia SER essa EXISTÊNCIA primária e permanente?
O ser dessa existência é a própria lei, ou seja, a lei dessa existência é o SER, então sempre houve esse SER imposto sobre o oposto, pois o oposto do SER seria o não SER, e neste caso o SER da existência é o oposto do SER da inexistência, e o SER da existência
sempre existiu como oposto do SER da inexistência.

E dentro da existência surgi a NOSSA consciência, que não deve ter origem na inexistência, pois a inexistência não dá origem a nada

De onde então veio o ser da nossa Consciência?

R- Veio da Consciência do SER da existência.


De onde então veio a CONSCIÊNCIA do SER da existência?

R- Veio da existência desse SER, e o SER sempre houve

Alexandre Feliciano disse...

O nada sempre me intrigou :obrigado por partilhar isto a nós leigos na questão...

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