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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Você sabe responder aquela famosa pergunta: "de onde viemos e para onde vamos?"?
Sim: não viemos de lugar nenhum e não vamos para lugar nenhum. Só estamos aqui e agora. Claro: nossos átomos vieram do Big Bang e continuarão no Universo. Mas o nosso "eu" não existia antes de nascermos e nem existirá depois de morrermos.
Bem e mal são apenas opiniões ou existem?
Claro que existem e não têm nada a ver com nenhum aspecto religioso. E não é algo que alguém ache que seja ou não. Bem é o que produz felicidade, alegria, satisfação. Mal é o que provoca dor, prejuízo, tristeza, infelicidade. Mas tudo precisa ser contextualizado e inter-relacionado. Um mal aparente pode ser um bem maior, como tratar o canal de um dente. E um bem momentâneo pode ser um mal permanente, como fazer uso de drogas. A ética é a disciplina filosófica que cogita dos critérios para que algo seja um bem ou um mal. A moral, por sua vez, é a disciplina normativa que prescreve o que seja permitido e o que seja proibido. Idealmente deve-se permitir o que seja bom e proibir o que seja mal. Mas nem sempre a moral acompanha a ética. Há ditas imoralidades que não fazem mal nenhum e males que não são tidos como imorais. A Lei, então, que estabelece o que o estado permite ou proíbe, muitas vezes é imoral e/ou anti-ética.
Devemos silenciar as opiniões erradas? Por que?
Silenciar não. Temos que permitir todo mundo a dizer tudo o que queira. Mas se discordamos, temos a obrigação de contestar e expor a discordância para todos os que tomaram conhecimento da opinião de que discordamos. E apresentarmos os argumentos contrários, para que as pessoas façam o seu julgamento. Impedir alguém de falar o que nós não concordamos é uma violência inadmissível. Principalmente porque não podemos ter certeza de que, de fato, nós é que estejamos certos.
Olá professor! Na sua opinião, existe algum aspecto negativo da participação dos jovens em questões sociopolíticas?
Absolutamente nenhum. Pelo contrário, é ótimo. Deve ser incentivado nas escolas que os estudantes participem positivamente de ações políticas e sociais. Isso é excelente.
Qual é a sua análise sobre a música La Ravachole e seu autor, Sébastien Faure?
Sebastién Faure (sem acento) não pode ser confundido com o compositor Gabriel Fauré (com acento), um dos amores de Emma Bardac, juntamente com Claude Debussy. Faure também foi compositor, mas muito menor. Foi um ativista anarquista e essa canção é um libelo contra a opressão burguesa, policial, jurídica e social contra o povo. Não concordo com atitudes violentas para o implantação da anarquia, pois elas vão contra o próprio espírito anarquista. Todas as medidas no sentido de se promover a chegada mais breve da anarquia têm que ser feitas de modo democrático e pacífico. Nada de dinamite e explosões. O problema das revoluções é que elas substituem uma tirania por outra, como sempre aconteceu.
Discursos de ódio também são liberdade de expressão e devem continuar sendo expostos livremente?
Sim. A liberdade de expressão é total. O que não se tem é a liberdade de agir de modo a causar prejuízo. Todo mundo tem o direito de amar e de odiar a quem queira e de dizer isso, dando os motivos.
Wolf, você acha que todo e qualquer tipo de religião espírita que pratique a comunicação com espíritos se trata de esquizofrenia ou coisa do tipo? Não acha muita generalização?
Acho que qualquer tipo de pretensa comunicação com espíritos ou é fraude ou é um problema mental, não necessariamente esquizofrenia. Não consigo admitir, a não se que me provem de modo inconteste (e eu sou muito pior do que São Tomé pois, mesmo vendo, custo a crer). Estou aberto a considerara a possibilidade, como sempre a tudo, mas minhas convicções são no sentido da inexistência de espíritos de qualquer tipo. É muita generalização sim, mas não vejo outra alternativa até que mostrem se estou enganado. Além disso, mesmo que admita a possibilidade da existência de espíritos, supor que eles possam se comunicar conosco já é um outro problema mais difícil ainda. Se isso acontecesse, seria algo normal. Porque só uns o conseguem?
Por que só uns conseguem é um comentário genérico. Como sabemos que não conseguimos? Qual o "modus operandi" dessa comunicação? São muitas perguntas pra poucas respostas. Mas acho generalização demais, Wolf. Já fui em terreiros de umbanda, reunioes de espiritas. Acho muita generalização admitir que toda população espirita (no sentido genérico mesmo do termo) ter algum tipo de distúrbio psíquico.
Se não tem, ou está totalmente iludida, ou está fraudando. Não consigo ver outra explicação. Elas podem acreditar tão piamente que existem espíritos que pensam que seus próprios pensamentos são mensagens deles.
Ok, mas não acha uma tremenda de uma generalização? É como se as pesquisas que existem a respeito fossem todas fruto de pura enganação. Afirmar que TODAS as seitas espiritas são oriundas de pura imaginação, é difícil de engolir, heim?!
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