Porque é um número algébrico e não transcendente. Essa razão vale o dobro da raiz quadrada de dois. Um número algébrico é a solução de uma equação polinomial de coeficientes inteiros (se forem racionais podem ser convertidos em inteiros, multiplicando-os por um múltiplo comum dos denominadores). A razão da circunferência para o diâmetro de um círculo em um plano não é solução de nenhum polinômio (que tem que ter um número finito de termos), logo não é algébrico. Assim ganhou um nome especial: "pi". Outro número transcendente é a base dos logaritmos neperianos, o número "e". O conjunto dos números transcendentes tem a mesma cardinalidade dos reais, mas o conjunto dos números algébricos é enumerável, tendo a cardinalidade dos inteiros.
Postagens do pensamento, textos, poemas, fotos, musicas, atividades, comentarios e o que mais for de interesse filosófico, científico, cultural, artístico ou pessoal de Ernesto von Rückert.
sábado, 24 de setembro de 2011
Qual sua opinião sobre Deísmo?
É uma concepção de que deus, extrínseco ao universo, criou-o e largou de lado. Foi abraçada pelos iluministas, como Voltaire, que ainda não haviam conseguido romper definitivamente com a crença em deus, mas não podiam aceitar as incoerências do teísmo. É uma concepção tíbia, que não atende às expectativas de quem quer acreditar em um deus e continua com o problema de explicar como existe esse deus. Para mim não tem cabimento nenhum. É ficar em cima do muro. O panteísmo é mais aceitável, apesar de rejeitá-lo também.
Quero me tornar uma pessoa interessante. Que musicistas, poetas, filósofos e pintores devo conhecer?
Não é tanto pelo que você conhece que você se torna interessante, mas por suas atitudes, especialmente sua sincera preocupação com as outras pessoas, seu interesse por elas, sua cortesia e gentileza, sua disponibilidade, educação. Mas que seja algo que venha de uma forma genuína e não como uma representação para impressionar. Se você passar a ser uma pessoa assim, naturalmente você vai começar a gostar de ler, novamente não para impressionar, mas porque, de fato, se amarrou em leitura, bem como em ouvir música, apreciar pintura e entender filosofia, além de ciências, eu recomendo. Aí você vai buscando o que aparecer pela frente e fazendo sua própria seleção. Comece a ler, se não gostou, depois de umas 50 páginas, para e pegue outro. Se gostou continue, mas se vir que é muito comesinho, abandone também. Busque desafios.
Porque o universo é constituído mais de matéria e não antimatéria? No Big Bang não eram para serem liberadas quantidades semelhantes?
No Big Bang, a partir de um campo indiferenciado primordial, formaram-se pares de partículas e antipartículas correspondentes em igual número, que se aniquilavam em fótons (que é sua própria antipartícula) e se formavam novamente, em equilíbrio dinâmico, especialmente as mais maciças, pela abundância de energia. À medida que foi havendo expansão, o tempo até encontrar outra correspondente e se aniquilar aumentou, ultrapassando a meia vida de algumas, que decaiam radioativamente antes da aniquilação e não mais se aniquilavam. Por uma razão desconhecida as meias vidas das partículas e das antipartículas correspondentes não são iguais, fazendo com que, fosse crescendo as partículas em relação às antipartículas. Quando a temperatura baixou e a separação aumentou tanto, os fótons não mais produziam partículas. Isto a 380 mil anos após o Big Bang, quando a radiação se desacoplou da matéria e o Universo ficou transparente (antes era opaco como o interior de uma única estrela). O que sobrou sem se aniquilar é a matéria hoje existente e os fótons. Como existem um bilhão de fótons para cada partícula de matéria no Universo, pode-se concluir que o total de matéria atual é apenas um bilionésimo do total de matéria e antimatéria primitivo.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Há valores absolutos ou todos podem ser modificados, como dizem os relativistas?
Considero que há valores absolutos sim. Como também os relativos. Para mim, quais seriam os absolutos? A supremacia do bem e da verdade em relação ao mal e à mentira. A solidariedade e a compaixão, em relação à competição e à crueldade. O amor em relação ao ódio, a virtude em relação ao vício, a justiça em relação à injustiça, o heroísmo em relação à covardia, o altruísmo em relação ao egoísmo, a sabedoria em relação à mediocridade e outros do tipo. Quais seriam relativos? A beleza, a riqueza, a honra, o prestígio, a erudição, a inteligência, o bom gosto, o poder, o saber...
Qual o sentido da vida de Deus? Já que Ele não tem nenhum ser superior para servir. Como existe algum ser que pode encontrar um sentido na vida sem ter nenhum ser superior para servir? Que nem esses ateus que num tem nenhum ser superior para servir.
Não é necessário haver nenhum ser superior para servir para que a vida tenha sentido. De onde se tirou tamanha estultice? A vida não tem sentido extrínseco nenhum. Seu sentido é dado por cada um para si mesmo. Sabido que a felicidade é melhor que a infelicidade, um sentido que nos faça felizes é o que é bom. Mas se colocarmos o sentido na busca da felicidade, não a alcançaremos. Esqueçamo-nos dela e nos dediquemos, no trabalho do dia a dia, a fazer tudo para que o máximo de benefícios sejam espalhados para o máximo de seres no mundo. Então a felicidade nos será dada como brinde. Quanto a Deus, já que não existe, não procede investigar o sentido da vida para ele. Se existisse e fosse tal como concebido pelas religiões abrahãmicas, a vida para ele teria sentido à medida que fosse admirado, louvado, temido, servido, solicitado e paparicado. Para mim o tipo de significado bem frívolo e vaidoso.
Suponha um soldado que sofreu um ataque de uma bomba, este teve seu corpo todo destruido,enquanto morre, ele sofre terrivelmente de dor,e quer dar um tiro na cabeça para acabar logo com isso.Deus apoiaria o suicidio?Ou prefere que ele morra lentamente?
Acho válido o suicídio nesse caso. Deus não tem nada com isso, pois não existe. Se existisse e fosse bom apoiaria esse caso, certamente.