Sobre o comportamento dialético da natureza, considero que seja preciso extender a dialética além da tríade "tese-antítese-síntese". Explico. Podemos entender o Universo como um único e vasto "campo", primordialmente indiferenciado e extremamente denso, no caroço a partir do qual se iniciou a expansão no momento zero da sequência atual dos tempos, denominado, impropriamente, "Big Bang". Daí para cá, todas as ocorrências, desde a formação das partículas elementares até os problemas políticos atuais da humanidade, passando pela formação de átomos, moléculas, radiação, galáxias, estrelas, planetas, vida, inteligência, consciência, sociedade e tudo o mais, se deu pelo surgimento de assimetrias, flutuações de densidade, numa sequência de reptos e réplicas, que, dialéticamente, conduziram a novas assimetrias, que desencadearam novas réplicas e sínteses, e assim por diante, num emaranhado complexíssimo, como deve-se perceber que seja, por exemplo, um relacionamento amoroso descrito em termos de interções de partículas elementares (especialmente elétrons da camada de valência, isto é: química!). O holismo, então, entendido como o comportamento do todo que não se reduz à soma de suas partes, precisa ser compreendido de outra forma. Na verdade todo sistema é um subconjunto do Universo e nunca dele se desliga. Então cada parte de um todo é apenas um subconjunto menor. O comportamento do sistema maior depende das interações internas de suas partes e, também, das interações com o que está fora. No mecanismo dialético antes descrito, existem retro-alimentações e efeitos sobrepostos, que, matematicamente, incluem termos com quadrados, cubos e outras potências, além de termos produto de várias ordens, desconfigurando a noção de soma vetorial da geometria euclideana e da física newtoniana. A isto eu chamo um "reducionismo não linear". Em que isto muda a dialética?
O que se pode perceber é que, se bem que, elementarmente, toda ocorrência advenha de uma oposição (tese-antítese) que consiste na flutuação da densidade do campo cósmico, criando um local concentrado e um rarefeito (o que se dá, por exemplo, com o movimento, pois sair de um lugar para outro é deixar uma ausência na saída e criar uma presença na chegada), no caso de conglomerados de partículas, a não linearidade descrita, faz com que a ocorrência não seja necessariamente descrita como uma oposição mas como uma "variação", que pode ter nuances de diferença. Isto é o que eu considero um tipo de "dialética não dicotômica", similar à "lógica difusa, ou à lógica policotômica". E, mesmo, pode-se conceber esta variação de uma forma multidimensional, e não apenas ao longo de um eixo de opostos. Por exemplo, em política, as posições não se distribuem apenas ao longo do eixo esquerda-direita, mas também em direções perpendiculares a essa, como cima-baixo e frente-atrás (a serem devidamente interpretadas). Então existe um verdadeiro "cubo" de possibilidades. A evolução dos eventos se dará, pois, pela interação entre essas possibilidades, que conduzirá a uma nova "síntese", que poderá, inclusive, envolver não apenas dois fatos iniciais, mas vários, que provocarão resultados de uma forma não vetorial (linear ou soma), mas envolvendo os termos potência e produtos de potências já mencionados. Isto é o que eu chamo de "dialética não linear", que, no meu entendimento, é a forma com que a natureza funciona e, por extensão toda a realidade, mesmo a psíquica, social, política, cultural, econômica ou qualquer que seja, pois, pelo "reducionismo não linear", tudo se reduz à natureza. Só fica de fora a realidade sobrenatural, por não existir.
As explicações teleológicas para os fenômenos da natureza têm origem mitológica. Uma vez que temos inteligência, agimos proativamente, pois nossa mente concebe hipotéticas situações futuras, o que permite que planejemos nossas ações para a obtenção do cenário futuro concebido. Não é o que ocorre com os seres vivos meramente reativos e nem com os seres inanimados. Tal comportamento é decorrente da complexidade do cérebro humano (e alguns outros), bem como de todo o organismo a que pertence. Assim, por analogia, o homem primitivo considerava que toda ocorrência se dava com um propósito e, portanto, teria sido planejada por algum ser inteligente misterioso, que ele concebia análogo a um homem, só que invisível e todo-poderoso, isto é, Deus. Então, numa evolução contínua, tal concepção do modo como opera a natureza, inclusive, passou a ser aceita até por considerável porção da comunidade científica. Somente o advento da teoria da evolução e da mecânica quântica sepultaram de vez qualquer consideração teleológica nas explicações científicas dos fenômenos naturais. Mesmo a evolução, nos primórdios do lamarckismo, admitia que a finalidade dirigia o sentido da evolução. A aceitação da seleção natural como o mecanismo evolutivo, associado às mutações fortuitas, mostrou que a natureza não trabalha visando fim nenhum. O vulgo, contudo, ainda está preso a este tipo de concepção, cuja derrubada é feita em paralelo à perda da noção da existência de Deus. A mecânica quântica, ao derrubar tanto a causalidade quanto o determinismo, pôs a pá de cal sobre o teleologismo, com a concepção probabilística da relação entre o antecedente e o consequente.
Nas ciências humanas, como a sociologia, a economia, a política, a história, a coisa não é tão simples, pois ações são planejadas e executadas pelo homem com objetivos. Todavia, estudos de comportamentos de massas, mostram padrões mais próximos das ciências naturais do que se poderia supor. Tais estudos são aplicados, inclusive, em mercadologia e publicidade.
Finalmente comentar sobre a terminologia "Energicismo" para substituir o "Materialismo". Para mim, ainda não fica bem. Prefiro o termo "Fisicalismo". "Naturalismo" também poderia ser, mas já é um termo associado a outro conceito.
O que se pretende considerar é que o mundo, fundamentalmente, é inteiramente natural, não existindo nenhum tipo de realidade sobrenatural, como espíritos, almas, anjos, gênios, demônios ou deuses. Nem tampouco algum "mundo das idéias" platônico, ou o conceito hinduista de "Maya". Mas o mundo natural não é constituído apenas de matéria, daí a improcedência do termo "Materialismo".
Mas também não é constituído de "Energia". Energia não é uma entidade substancial de que algo seja feito. Energia é uma propriedade de sistemas físicos, como também massa, carga elétrica, spin (momento angular), momento linear, helicidade, e, macroscopicamente falando, volume, densidade, temperatura etc. A essas propriedades são atribuídas grandezas mensuráveis, geralmente com o mesmo nome da propriedade.
Mas nada é feito de energia. Algo "possui", ou não, energia.
Substancialmente o universo é composto de três tipos de entidades: matéria, radiação e campos. Além do espaço-tempo. Fundamentalmente a matéria e a radiação são conglomerados de quantizações de dois tipos de campos, o fermiônico e o bosônico, respectivamente, de modo que tudo se reduz a "campo", que, por sua vez, não é feito de coisa alguma. Ele é a coisa de tudo é feito, qualquer que seja a interpretação da estrutura do conteúdo do Universo, inclusive nas teorias de supercordas, branas e na Teoria "M".
Assim, considero mais apropriado se usar o termo "fisicalismo" para se referir a esta concepção da realidade que exclui tudo que não seja natural.
Certamente que existem realidades de outras categorias, como a das idéias, dos valores, das normas. Mas são abstrações sem conteúdo substancial, isto é, só existem se houver mentes que as concebam.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Trovas despretenciosas
Filosofar bem nos faz,
para a vida conduzir.
Pois o que mais nos apraz
e’ pensar pra bem agir.
Há de ajudar a nação
Um pouco de educação.
Mas acho que a mocidade
só pensa em banalidade.
Houve mais mimo que amor.
Mas inda resta esperança.
Só não me façam favor
de espalhar a malqueirança.
Onde a mente incerta jaz
faz-se caos e escuridão,
mas de tudo é capaz,
quem pensar com retidão.
Quem pensar com retidão
vai decerto concluir
que não há explicação
para todo esse existir.
Para todo esse existir
tem que haver explicação?
Pensando bem sem mentir
não vejo porque razão.
Não vejo porque razão
devo crer sem refletir.
Buscar a comprovação
de tudo é preciso ir.
De tudo é preciso ir
munido do ceticismo,
pois tudo o que se ouvir
duvidar é o catecismo.
Duvidar é o catecismo
sem nenhum preciosismo
de quem busca com ardor
a verdade e o seu valor.
A verdade e o seu valor
são a luz da caminhada.
Sobre tudo há que por
sem ficar envergonhada.
Sem ficar envergonhada
a pessoa educada
brada em alto e bom som
a glória disso que é bom.
A glória disso que é bom
é a fronte altaneira
da pessoa sobranceira
cuja bondade é o tom.
Cair em erro, um tropeço,
ocorre com que descuida
em contar desde o começo
sete sílabas miúdas.
Sete sílabas miúdas
compõe uma redondilha
e a trova, não tão graúda,
leva quatro na presilha.
Leva quatro na presilha:
não confundir com quadrilha.
Pois trova da que é boa
não mais que elas ecoa.
Não mais que elas ecoa
em rima intercalada.
Quem sabe na alternada,
ou parelhada que é boa.
Este café perfumoso,
de paladar amargoso,
me deixa todo saudoso,
do meu avô tão bondoso.
Se faço filosofia
e tudo que mais valia,
meu pelo todo arrepia
de tanto pensar todo dia.
A todos que aqui poetam,
deixo o abraço sincero.
Mas não digo o que esperam,
só falo daquilo que quero.
Buscar a felicidade,
quero eu e quer você.
Mas prá falar a verdade,
é preciso merecer.
Esta turma trovadora
É gente fina bastante.
Mesmo sem ser doutora,
Traz alegria constante.
Domingo que é bom domingo,
tem macarrão e cachimbo.
Galinha e batata frita,
não falta à mesa bendita.
Mas o meu povo sofrido,
quer libertar da prisão.
Prá não viver oprimido,
só vendo televisão.
A cachacinha fagueira,
desce a goela maneira,
deixando um pingo pro santo,
queimando o peito: um espanto!
Sete sílabas no verso,
quatro versos, faça prova,
é na rima que converso,
escandindo a minha trova.
É bom pensar sem demora,
em quem votar lá na hora,
pois se a gente der bobeira,
tem que agüentar a besteira.
O pessoal boa gente,
tem que dizer o que sente,
pois, se quem cala consente,
quem fala, dorme contente.
Não se sujar na política,
quer todo homem decente.
E de uma forma analítica,
escolhe seu presidente.
Prá fazer trovas corretas
há que escandir cada verso.
E não deixar incompletas
as rimas deste universo.
Só rimava uma vez
o poeta português.
Para ficar bom freguês
ou de preguiça, talvez.
Ou de preguiça, talvez,
ficamos a matutar.
Custando prá arranjar,
uma rima pro freguês.
Uma rima pro freguês,
quer fazer de uma só vez.
Sem parar para pensar,
o que dizer com vagar.
O que dizer com vagar,
é preciso com cuidado.
Sem ficar entabalhado,
com palavras sem lugar.
Com palavras sem lugar
fica o poeta a bolir.
Jogando sem acertar,
esquecendo de escandir.
Esquecendo de escandir,
nada de bom vai sair.
A trova tem sua métrica
senão ela fica tétrica.
Com curva e reta de lado,
faço um poema arretado,
que pode ser bem bolado,
sem nunca ficar quadrado.
Sem nunca ficar quadrado,
pensando vou pela vida.
Pois não acho adequado,
a prosa ser só comprida.
Distribui paz e amor
quem trova com coração
e ainda faz o favor
de espalhar muita emoção.
Aberto como o de poucos,
coração de trovador,
não se faz de ouvidos moucos,
e cuida de toda dor.
Amar, brilhar, aprender,
há que a gente encarecer.
para não se arrepender
e a vida fenecer.
Nasce, brilha e decai:
tudo na vida se esvai.
Só ficam para lembrança,
os feitos de bemqueirança.
Os feitos da bemqueirança
muito se deve louvar
e deles aproveitar,
resgatando a esperança.
Resgatando a esperança
no porvir da humanidade,
sem deixar para lembrança
agir com seriedade.
Bem trágica, meu rapaz
é a vida todo dia.
Para poder ser capaz
de não deixá-la vazia.
Prá não deixá-la vazia,
mister se faz trabalhar.
fazendo com alegria,
nosso povo prosperar.
para a vida conduzir.
Pois o que mais nos apraz
e’ pensar pra bem agir.
Há de ajudar a nação
Um pouco de educação.
Mas acho que a mocidade
só pensa em banalidade.
Houve mais mimo que amor.
Mas inda resta esperança.
Só não me façam favor
de espalhar a malqueirança.
Onde a mente incerta jaz
faz-se caos e escuridão,
mas de tudo é capaz,
quem pensar com retidão.
Quem pensar com retidão
vai decerto concluir
que não há explicação
para todo esse existir.
Para todo esse existir
tem que haver explicação?
Pensando bem sem mentir
não vejo porque razão.
Não vejo porque razão
devo crer sem refletir.
Buscar a comprovação
de tudo é preciso ir.
De tudo é preciso ir
munido do ceticismo,
pois tudo o que se ouvir
duvidar é o catecismo.
Duvidar é o catecismo
sem nenhum preciosismo
de quem busca com ardor
a verdade e o seu valor.
A verdade e o seu valor
são a luz da caminhada.
Sobre tudo há que por
sem ficar envergonhada.
Sem ficar envergonhada
a pessoa educada
brada em alto e bom som
a glória disso que é bom.
A glória disso que é bom
é a fronte altaneira
da pessoa sobranceira
cuja bondade é o tom.
Cair em erro, um tropeço,
ocorre com que descuida
em contar desde o começo
sete sílabas miúdas.
Sete sílabas miúdas
compõe uma redondilha
e a trova, não tão graúda,
leva quatro na presilha.
Leva quatro na presilha:
não confundir com quadrilha.
Pois trova da que é boa
não mais que elas ecoa.
Não mais que elas ecoa
em rima intercalada.
Quem sabe na alternada,
ou parelhada que é boa.
Este café perfumoso,
de paladar amargoso,
me deixa todo saudoso,
do meu avô tão bondoso.
Se faço filosofia
e tudo que mais valia,
meu pelo todo arrepia
de tanto pensar todo dia.
A todos que aqui poetam,
deixo o abraço sincero.
Mas não digo o que esperam,
só falo daquilo que quero.
Buscar a felicidade,
quero eu e quer você.
Mas prá falar a verdade,
é preciso merecer.
Esta turma trovadora
É gente fina bastante.
Mesmo sem ser doutora,
Traz alegria constante.
Domingo que é bom domingo,
tem macarrão e cachimbo.
Galinha e batata frita,
não falta à mesa bendita.
Mas o meu povo sofrido,
quer libertar da prisão.
Prá não viver oprimido,
só vendo televisão.
A cachacinha fagueira,
desce a goela maneira,
deixando um pingo pro santo,
queimando o peito: um espanto!
Sete sílabas no verso,
quatro versos, faça prova,
é na rima que converso,
escandindo a minha trova.
É bom pensar sem demora,
em quem votar lá na hora,
pois se a gente der bobeira,
tem que agüentar a besteira.
O pessoal boa gente,
tem que dizer o que sente,
pois, se quem cala consente,
quem fala, dorme contente.
Não se sujar na política,
quer todo homem decente.
E de uma forma analítica,
escolhe seu presidente.
Prá fazer trovas corretas
há que escandir cada verso.
E não deixar incompletas
as rimas deste universo.
Só rimava uma vez
o poeta português.
Para ficar bom freguês
ou de preguiça, talvez.
Ou de preguiça, talvez,
ficamos a matutar.
Custando prá arranjar,
uma rima pro freguês.
Uma rima pro freguês,
quer fazer de uma só vez.
Sem parar para pensar,
o que dizer com vagar.
O que dizer com vagar,
é preciso com cuidado.
Sem ficar entabalhado,
com palavras sem lugar.
Com palavras sem lugar
fica o poeta a bolir.
Jogando sem acertar,
esquecendo de escandir.
Esquecendo de escandir,
nada de bom vai sair.
A trova tem sua métrica
senão ela fica tétrica.
Com curva e reta de lado,
faço um poema arretado,
que pode ser bem bolado,
sem nunca ficar quadrado.
Sem nunca ficar quadrado,
pensando vou pela vida.
Pois não acho adequado,
a prosa ser só comprida.
Distribui paz e amor
quem trova com coração
e ainda faz o favor
de espalhar muita emoção.
Aberto como o de poucos,
coração de trovador,
não se faz de ouvidos moucos,
e cuida de toda dor.
Amar, brilhar, aprender,
há que a gente encarecer.
para não se arrepender
e a vida fenecer.
Nasce, brilha e decai:
tudo na vida se esvai.
Só ficam para lembrança,
os feitos de bemqueirança.
Os feitos da bemqueirança
muito se deve louvar
e deles aproveitar,
resgatando a esperança.
Resgatando a esperança
no porvir da humanidade,
sem deixar para lembrança
agir com seriedade.
Bem trágica, meu rapaz
é a vida todo dia.
Para poder ser capaz
de não deixá-la vazia.
Prá não deixá-la vazia,
mister se faz trabalhar.
fazendo com alegria,
nosso povo prosperar.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
MEU CREDO
Creio na realidade do mundo exterior, independente de uma mente perceptiva.
Creio na natureza física da realidade objetiva, isto é, na inexistência de espíritos e deuses.
Creio no caráter puramente físico-biológico da mente e da consciência, que não sobrevivem à morte do organismo.
Creio no surgimento expontâneo do mundo e da vida.
Creio na evolução natural das espécies vivas.
Creio no indeterminismo e na incausalidade como possibilidades no encadeamento de eventos.
Creio no acaso e em nenhuma predeterminação como o fator condicionante do rumo da evolução.
Creio na impessoalidade do bem e do mal e na superioridade do primeiro.
Creio que a felicidade é o supremo bem, mas que ela não é gozo desenfreado de prazeres, mas sim a satisfação interior de se fazer o bem.
Creio que a verdade seja o maior valor a ser perseguido.
Creio no ceticismo metodológico como a melhor ferramenta para a busca da verdade.
Creio que a conduta humana pode ser balisada por principios éticos decorrentes de concepções puramente naturalistas.
Creio na capacidade humana de disseminar o bem e erradicar o mal.
Creio na capacidade humana de atingir a verdade por seus próprios recursos intelectuais.
Creio na ciência como o único caminho para se atingir a verdade.
Creio que o amor incondicional, ilimitado e irrestrito seja a atitude a ser tomada e o conselheiro a ser ouvido em tudo o que se faça.
Creio na possibilidade de se construir uma sociedade justa, fraterna, pacífica, harmoniosa e feliz.
Creio na tolerância, na solidariedade, na operosidade e na honestidade como condutas exemplares para a construção dessa sociedade.
Creio na virtude e não na vantagem, como a regra exemplar de vida a ser perseguida por toda pessoa.
Creio na bondade como a maior de todas as virtudes.
Creio na educação e na cultura artística, científica e filosófica e não na religião ou na violência, como meios para se atingir essas condições.
Creio no sonho de se realizar tudo isto como a grande motivação para se viver.
Creio na luta pela concretização desse sonho como o maior significado que se possa dar à vida.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Livre Pensador
Perante a realidade, tanto natural quanto social, cultural e individual, cada um assume uma visão pessoal de como, porque e para que ela é como é. Trata-se de sua "cosmovisão". Uma atitude, contudo, é essencial para que a pessoa possa assimilar o mundo da forma mais próxima possível de sua verdadeira essência. Trata-se do "Livre-pensamento". Isto consiste em deixar a mente aberta a qualquer possibilidade, considerando tudo como merecedor de ser examinado sem nenhuma préconcepção, para ser aceito, rejeitado ou deixado em suspenso em razão de sua maior plausibilidade e dos indícios de veracidade, justeza e adequação com o conjunto de tudo o que a pessoa já assentou como sua visão do mundo. É preciso também, para o livre-pensador, estar disposto a rever suas concepções e cosmovisão sempre que novas evidências mostrarem maior veracidade e justeza. Isto é mais importante que a filiação a um credo religioso ou à rejeição a todos eles, a uma escola filosófica, a uma ideologia política ou econômica, a alguma concepção moral ou o que quer que seja. Não se deve dizer que se é cristão, judeu, espírita, islamita, budista, hinduísta, ateu, agnóstico, comunista, capitalista, idealista, realista, fisicalista, espiritualista, racionalista, empirista, holista, reducionista, cético, estóico, epicurista, democrata, totalitário, liberal, conservador ou o que quer que seja. Pode-se sim, dizer que se "está" (mas não que se "é") propenso a adotar tal ou qual concepção, até que seja convencido do contrário, mas que sempre se está aberto a considerar novas possibilidades. Por isso, ser "livre-pensador" é a condição básica para ser filósofo (e todos têm que ser filósofos - na verdade não há como se escapar de o ser). O aferroamento a qualquer concepção rígida é um atestado de verdadeira ignorância, e, por que não dizer, estultícia mesmo. Somente o livre-pensador é uma pessoa liberta, inteligente e esclarecida, mesmo que ainda seja um ignorante em muitos assuntos. Mas não só está aberto a tudo como também é sôfrego por se inteirar de todas as possibilidades para, sobre elas, ponderar e escolher. É missão fundamental da escola desenvolver na juventude este espírito de livre-pensamento e de análise crítica de todo conhecimento. Tal treinamento tem que ser o prato do dia de todas as matérias escolares e os professores têm que ser preparados para incutir isto na juventude.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Dona Lygia, minha mãe
Na juventude minha mãe havia entrado para um convento para poder fazer mais caridade, mas saiu porque viu que as freiras não queriam saber nada de pegar no batente e só se ocupavam com frivolidades, além de darem uma importância enorme para detalhes idiotas, como não poder tomar banho nua. Imiscuir-se no meio do povo e viver suas agruras para ajudar de verdade, inclusive dando bronca, mas compartilhando seu dia a dia e fazendo o seu trabalho, sem ficar chocada com a realidade crua das favelas, isto elas não queiram saber, só sabiam rezar. Minha mãe não aguentou e saiu fora. Minha mãe parecia uma Madre Teresa de Calcutá. Magérrima, sempre de saia na canela, sapato sem salto, meias soquete, paletó de lã, cabelos grisalhos e nenhuma maquiagem. Mas um dínamo de pessoa, de uma bondade e de uma honestidade e justiça sem a mínima jaça. Mas era brava, principalmente com os aproveitadores, tanto os pobres quanto os ricos. Não queria saber de política imiscuindo em seu trabalho de caridade e nem de padres e freiras que sempre queriam fruir os méritos do trabalho dela. Ela não queria reconhecimento nenhum, nem publicidade. Só se comovia com a gratidão das pessoas humildes que ajudava. Nossa casa parecia uma creche e eu já dormí com meninos pobres doentes na minha cama, para cuidar deles. Minha mãe cuidava do “Clube dos Engraxates” que lhe dava um trabalhão para disciplinar dezenas de garotos de favela para trabalhar com suas caixas de engraxar (no tempo em que não se usava tênis) nas praças da cidade de Barbacena. Eles ficavam dos onze anos até entrar para o serviço militar e depois minha mãe arranjava emprego para eles. Todos tinham que levar dinheiro para as mães (sim, mães, pois os pais gastavam com cachaça e as mães com o leite dos irmãozinhos, um de cada pai diferente, que geralmente, as abandonavam para se virar sozinhas no cuidado das crianças - porque mãe vira prostituta, mas não abandona os filhos - para mim são heroínas e os pais folgados os verdadeiros vermes). Hoje, na praça principal de Barbacena tem uma placa de bronze em homenagem à minha mãe. Meu pai, eu e minhas irmãs também metiamos a mão na massa para participar. Eu levava minha mãe no nosso antigo Renault Dauphine pelas ruas da periferia e carregava gente doente para hospitais e coisas assim. Sem alarde, sem divulgação, sem pretender dividendos políticos ou de qualquer espécie. Este foi um dos pontos que me fizeram filosofar sobre a perversidade do capitalismo e a lorota da providência divina e que me levaram a amadurecer, desde cedo, minhas convicções ateistas e anarquistas. Além, é claro, de meus estudos de Física, Cosmologia, Religião e Filosofia. Mas eu sempre tive um certo pé atrás com os esquerdistas de botequim que falam bonito mas vivem no bem bom. E, é claro, que devoto um desdém incomensurável pelos mauricinhos, patricinhas e socialites em geral. Mesmo que admire e até tenha um estilo aristocrático de ser, mas naquele espírito do cavaleiro medieval, como se fosse um Arthur de Camelot. Na verdade eu sou uma síntese dialética da nobreza com a burguesia e o proletariado, se é que isto possa existir, ou seja, um ateu com vocação para a santidade e um anarquista aristocrático.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Arte, inutilidade, beleza, ciência e filosofia.
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Na acepção mais básica possível, arte é o fazer e seu produto, englobando aí o artesanato, a engenharia, a indústria e as belas-artes. Em oposição, ciência é o conhecer, o saber, também englobando aí, nesta acepção básica, saberes empíricos e mitológicos. Numa acepção mais restrita, a arte (neste caso, as belas-artes) é um fazer enquanto comprometido com levar à fruição de um prazer sensorial e intelectual, advindo de alguma qualidade do produto, denominada estética, que leve a isto, não importando outras qualidades que possa ter, de caráter utilitário ou outros. Assim, a arte é inútil.
Acho que a arte, como criação, é um construto intelectual do homem em que ele usa sua sensibilidade, inteligência, vontade, habilidades, técnica adquirida e talento nato para fazer uma representação do mundo real ou imaginário, almejando levar ao apreciador uma sensação de prazer no ato de percebê-la, consistente em uma emoção advinda da interpretação feita pela inteligência do que a sensibilidade comunica.
Esse caráter estético pode ser considerado do ponto de vista do autor ou do apreciador. Um quadro pintado por um macaco pode não ser arte na intenção do autor, mas pode o ser na apreensão do apreciador. Do ponto de vista do autor a arte tem a intenção de provocar tal prazer. Notem-se três coisas: A arte não tem compromisso com mensagem alguma, exceto a estética. O prazer estético não tem nada a ver com beleza, o conceito de belo é outro. O feio pode ser arte. Finalmente, como qualquer ação humana, a arte não pode se furtar a ter um valor ético, que pode deliberadamente ser descartado, mas não deixa de estar presente.
Minha opinião é de que a arte não tem utilidade. Não é este o seu propósito. Mas justamente para as inutilidades, o supérfluo, é que faz sentido se lutar pela vida. O necessário à sobrevivência é mínimo. O que distingue o homem é almejar o inútil e se comprazer nisto. Trabalha-se para, afinal, se conseguir ser feliz e se é feliz quando se desfruta da vida com prazer. A arte dá esse prazer. A arte não precisa levar mensagem alguma para ser arte. Basta, do ponto de vista do apreciador, dar prazer em ser contemplada. Do ponto de vista do criador, certamente, a arte não é mero externar de sen-timentos e emoções. É, principalmente, um produto da inteligência, do trabalho, da vontade. O quadro feito pelo macaco não é uma obra de arte porque não foi produzido intencionalmente para tal. Mas pode ser apreciado como tal, se levar a quem o vê uma sensação de prazer estético. É claro que eu estou descartando a atitude imbecil de fingir que gosta ou entende de arte para dar a impressão de ser intelectual.
Dizer que a arte é inútil envolve uma ambiguidade proposital. A questão é o conceito de “útil”. No sentido pragmático, do que é necessário para a sobrevivência, a arte não tem utilidade. Mas ela se presta a promover o bem estar e a elevar o nível de felicidade. Quanto ao caráter formativo, no sentido de passar uma mensagem transestética, de valor ético ou ideológico, a arte se presta muito bem para tal, mas este não é o seu compromisso. Uma obra de arte conserva o seu valor estético mesmo que seja comprometida com nada ou que o seja com valores equivocados. Mas, é claro, a ética perpassa todo o fazer humano e, logo, não há como escapar. Mas a arte não precisa ter um compromisso, digamos, pedagógico.
Esta questão das inutilidades, da arte e de muita coisa nas ciências, na verdade é a mola mestra do progresso, não só técnico e material, mas, princi-palmente, cultural. Vejam minha especialidade em física: Cosmologia. Serve para quê? Para o mesmo que servem a poesia, a música, as belas artes: para elevar a mente, expressar o sentimento de deslumbramento frente ao Universo e, principalmente, em relação ao prodígio que somos nós mesmos. Não tem nenhum valor prático e nem precisa ter. É para o inútil que a humanidade aplica tanto esforço em produzir além do necessário para a mera sobrevivência. É nas inutilidades que se compraz o homem e alcança a felicidade de gozar um prazer inteiramente descompromissado.
Quanto à questão do belo e da relação entre o belo e a arte é preciso, antes de tudo, ver que são conceitos disjuntos. A noção de beleza tem a ver com a percepção do mundo por um ser sensiente e consciente. A arte tem a ver com certa produção de um ser inteligente. Um ninho de passarinho não é uma obra de arte. Assim alguma coisa é bela se provoca no observador sentimentos prazerosos ao percebê-la. Pode ser algo inteiramente natural ou um produto intencionalmente feito para provocar este tipo de emoção, dita estética. Assim concebida, a beleza de uma obra de arte não é necessariamente superior à beleza da natureza. Mas também não é necessariamente inferior. Depende de que obra de arte se está apreciando.
Uma característica importante da arte é que o artista tem que ser livre. A arte por encomenda só tem valor quando quem a encomenda deixa o artista livre. Mozart e Haydn compunham sob encomenda, mas Mozart, especialmente, fazia o que queria. Isto porque Mozart era um gênio e Haydn um grandioso talento. Já Beethoven rebelou-se completamente das encomendas. É claro que, mesmo sendo livre, a arte pode não ser boa, mas se não for livre é certo que não será boa. Note que disse boa, e não bela. O belo, na arte, não é necessariamente belo, na acepção corriqueira da palavra. A beleza da arte não é a beleza do que ela retrata. O artista pode passar ao apreciador algo feio como recurso de comunicação do que pretende externar com sua arte. Mas, fazendo-o com valor artístico, esse feio é belo.
Artista é isso: quem é capaz de expressar o sentimento em algo palpável, que outrem possa contemplar e captar. Mas arte não é só emoção e sentimento: é reflexão sobre como colocar o que se pretende, é inteligência, é trabalho, é vontade. São as idas e vindas, as decisões e indecisões. É o cansaço em cima da obra, até que se chegue ao que se concebeu. E, finalmente, o júbilo do parto, a contemplação da própria criação, aquela satisfação interna de ser um criador e não apenas uma criatura. Dá vontade de reter tudo consigo. Mas não se pode esquecer-se de ganhar a vida… E vender também é uma arte. A arte só vale se for para o outro, para o povo, para disseminar a beleza e, principalmente revelar uma postura de quem acredita na vida e nos valores maiores da humanidade. Assim sendo, rejubile-se o artista, pois é colega de Deus (supondo que exista).
Iniciei-me como cientista, mas desde cedo percebi que não se pode fazer ciência sem filosofar. E filosofar é debruçar-se, principalmente, mas não só, sobre a vida. A vida, contudo, só tem sentido se viver for a eterna busca de um significado que leve à felicidade de se estar vivo. Tal significado é dado principalmente pela arte. A arte, como expressão livre do espírito criativo do homem é sua maior realização, pois que não está comprometida com nenhuma utilidade, sendo, portanto, aquilo que o homem faz por puro deleite, mesmo que possa usufruir retorno por ela. Mas quem faz arte só pelo retorno financeiro não está fazendo arte. Assim comecei com o desenho e a pintura, depois a música, inclusive o canto, o ensaio, a crônica e, por fim a poesia. Meu ciclo se fechou e eu concebo todas as artes num único arcabouço, em que os diferentes sentidos se expressam por variados meios. Sempre há música e poesia na pintura, como há imagens na música, música na poesia e assim por diante. Chico Buarque compunha a letra e a música num único ato criativo. Esta é a minha concepção que, inclusive, vai mais longe. Vejo uma imensidão de música, poesia e beleza plástica na construção da ciência, especialmente na que me dedico, a Cosmologia, na qual me debruço sobre a origem, estrutura e evolução do Universo. E a Filosofia, então, nem se fala. Da mesma maneira, eu faço arte filosofando e coloco nela toda a ciência de que sou senhor. Assim é a série de "paisagens cósmicas" que estou pintando ou os poemas que escrevi e podem ser lidos no blog do meu site (procurar pela categoria "poesia"): www.ruckert.pro.br/blog.
Na acepção mais básica possível, arte é o fazer e seu produto, englobando aí o artesanato, a engenharia, a indústria e as belas-artes. Em oposição, ciência é o conhecer, o saber, também englobando aí, nesta acepção básica, saberes empíricos e mitológicos. Numa acepção mais restrita, a arte (neste caso, as belas-artes) é um fazer enquanto comprometido com levar à fruição de um prazer sensorial e intelectual, advindo de alguma qualidade do produto, denominada estética, que leve a isto, não importando outras qualidades que possa ter, de caráter utilitário ou outros. Assim, a arte é inútil.
Acho que a arte, como criação, é um construto intelectual do homem em que ele usa sua sensibilidade, inteligência, vontade, habilidades, técnica adquirida e talento nato para fazer uma representação do mundo real ou imaginário, almejando levar ao apreciador uma sensação de prazer no ato de percebê-la, consistente em uma emoção advinda da interpretação feita pela inteligência do que a sensibilidade comunica.
Esse caráter estético pode ser considerado do ponto de vista do autor ou do apreciador. Um quadro pintado por um macaco pode não ser arte na intenção do autor, mas pode o ser na apreensão do apreciador. Do ponto de vista do autor a arte tem a intenção de provocar tal prazer. Notem-se três coisas: A arte não tem compromisso com mensagem alguma, exceto a estética. O prazer estético não tem nada a ver com beleza, o conceito de belo é outro. O feio pode ser arte. Finalmente, como qualquer ação humana, a arte não pode se furtar a ter um valor ético, que pode deliberadamente ser descartado, mas não deixa de estar presente.
Minha opinião é de que a arte não tem utilidade. Não é este o seu propósito. Mas justamente para as inutilidades, o supérfluo, é que faz sentido se lutar pela vida. O necessário à sobrevivência é mínimo. O que distingue o homem é almejar o inútil e se comprazer nisto. Trabalha-se para, afinal, se conseguir ser feliz e se é feliz quando se desfruta da vida com prazer. A arte dá esse prazer. A arte não precisa levar mensagem alguma para ser arte. Basta, do ponto de vista do apreciador, dar prazer em ser contemplada. Do ponto de vista do criador, certamente, a arte não é mero externar de sen-timentos e emoções. É, principalmente, um produto da inteligência, do trabalho, da vontade. O quadro feito pelo macaco não é uma obra de arte porque não foi produzido intencionalmente para tal. Mas pode ser apreciado como tal, se levar a quem o vê uma sensação de prazer estético. É claro que eu estou descartando a atitude imbecil de fingir que gosta ou entende de arte para dar a impressão de ser intelectual.
Dizer que a arte é inútil envolve uma ambiguidade proposital. A questão é o conceito de “útil”. No sentido pragmático, do que é necessário para a sobrevivência, a arte não tem utilidade. Mas ela se presta a promover o bem estar e a elevar o nível de felicidade. Quanto ao caráter formativo, no sentido de passar uma mensagem transestética, de valor ético ou ideológico, a arte se presta muito bem para tal, mas este não é o seu compromisso. Uma obra de arte conserva o seu valor estético mesmo que seja comprometida com nada ou que o seja com valores equivocados. Mas, é claro, a ética perpassa todo o fazer humano e, logo, não há como escapar. Mas a arte não precisa ter um compromisso, digamos, pedagógico.
Esta questão das inutilidades, da arte e de muita coisa nas ciências, na verdade é a mola mestra do progresso, não só técnico e material, mas, princi-palmente, cultural. Vejam minha especialidade em física: Cosmologia. Serve para quê? Para o mesmo que servem a poesia, a música, as belas artes: para elevar a mente, expressar o sentimento de deslumbramento frente ao Universo e, principalmente, em relação ao prodígio que somos nós mesmos. Não tem nenhum valor prático e nem precisa ter. É para o inútil que a humanidade aplica tanto esforço em produzir além do necessário para a mera sobrevivência. É nas inutilidades que se compraz o homem e alcança a felicidade de gozar um prazer inteiramente descompromissado.
Quanto à questão do belo e da relação entre o belo e a arte é preciso, antes de tudo, ver que são conceitos disjuntos. A noção de beleza tem a ver com a percepção do mundo por um ser sensiente e consciente. A arte tem a ver com certa produção de um ser inteligente. Um ninho de passarinho não é uma obra de arte. Assim alguma coisa é bela se provoca no observador sentimentos prazerosos ao percebê-la. Pode ser algo inteiramente natural ou um produto intencionalmente feito para provocar este tipo de emoção, dita estética. Assim concebida, a beleza de uma obra de arte não é necessariamente superior à beleza da natureza. Mas também não é necessariamente inferior. Depende de que obra de arte se está apreciando.
Uma característica importante da arte é que o artista tem que ser livre. A arte por encomenda só tem valor quando quem a encomenda deixa o artista livre. Mozart e Haydn compunham sob encomenda, mas Mozart, especialmente, fazia o que queria. Isto porque Mozart era um gênio e Haydn um grandioso talento. Já Beethoven rebelou-se completamente das encomendas. É claro que, mesmo sendo livre, a arte pode não ser boa, mas se não for livre é certo que não será boa. Note que disse boa, e não bela. O belo, na arte, não é necessariamente belo, na acepção corriqueira da palavra. A beleza da arte não é a beleza do que ela retrata. O artista pode passar ao apreciador algo feio como recurso de comunicação do que pretende externar com sua arte. Mas, fazendo-o com valor artístico, esse feio é belo.
Artista é isso: quem é capaz de expressar o sentimento em algo palpável, que outrem possa contemplar e captar. Mas arte não é só emoção e sentimento: é reflexão sobre como colocar o que se pretende, é inteligência, é trabalho, é vontade. São as idas e vindas, as decisões e indecisões. É o cansaço em cima da obra, até que se chegue ao que se concebeu. E, finalmente, o júbilo do parto, a contemplação da própria criação, aquela satisfação interna de ser um criador e não apenas uma criatura. Dá vontade de reter tudo consigo. Mas não se pode esquecer-se de ganhar a vida… E vender também é uma arte. A arte só vale se for para o outro, para o povo, para disseminar a beleza e, principalmente revelar uma postura de quem acredita na vida e nos valores maiores da humanidade. Assim sendo, rejubile-se o artista, pois é colega de Deus (supondo que exista).
Iniciei-me como cientista, mas desde cedo percebi que não se pode fazer ciência sem filosofar. E filosofar é debruçar-se, principalmente, mas não só, sobre a vida. A vida, contudo, só tem sentido se viver for a eterna busca de um significado que leve à felicidade de se estar vivo. Tal significado é dado principalmente pela arte. A arte, como expressão livre do espírito criativo do homem é sua maior realização, pois que não está comprometida com nenhuma utilidade, sendo, portanto, aquilo que o homem faz por puro deleite, mesmo que possa usufruir retorno por ela. Mas quem faz arte só pelo retorno financeiro não está fazendo arte. Assim comecei com o desenho e a pintura, depois a música, inclusive o canto, o ensaio, a crônica e, por fim a poesia. Meu ciclo se fechou e eu concebo todas as artes num único arcabouço, em que os diferentes sentidos se expressam por variados meios. Sempre há música e poesia na pintura, como há imagens na música, música na poesia e assim por diante. Chico Buarque compunha a letra e a música num único ato criativo. Esta é a minha concepção que, inclusive, vai mais longe. Vejo uma imensidão de música, poesia e beleza plástica na construção da ciência, especialmente na que me dedico, a Cosmologia, na qual me debruço sobre a origem, estrutura e evolução do Universo. E a Filosofia, então, nem se fala. Da mesma maneira, eu faço arte filosofando e coloco nela toda a ciência de que sou senhor. Assim é a série de "paisagens cósmicas" que estou pintando ou os poemas que escrevi e podem ser lidos no blog do meu site (procurar pela categoria "poesia"): www.ruckert.pro.br/blog.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O Valor do Ateísmo
Não é por falta de formação religiosa que sou ateu. Pelo contrário. É por excesso de formação religiosa. Em minha juventude, quando era católico, fui convidado a participar da TFP e frequentei sua sede em Barbacena por um bom tempo, inteirando-me de sua proposta. Em função disto, aprofundei-me em estudos religiosos e filósóficos ao mesmo tempo em que também estudava muita física e cosmologia, que sempre foram a minha paixão. Esses estudos, tanto teológicos quanto científicos e filosóficos é que me levaram a perder a fé e tornar-me, a princípio, agnóstico e, posteriormente, ateu. No entanto, admiro a coerência, a dedicação à causa e a prática virtuosa dos membros da TFP, entre eles conhecida como “Grupo de Catolicismo”, e, certamente, as mesmas qualidades de seu mentor, Plínio Correa de Oliveira, que conheci pessoalmente. Todavia deploro suas posturas intransigentes com relação a outros pontos de vista e o comportamento à moda do “Opus Dei”.
Na verdade eu nunca aceitei interiormente a cosmovisão direitista da TFP. Intimamente sempre fui um anarquista convicto. Minha aproximação com a TFP se deu por uma admiração à sua postura ética estóica e ao modo de vida intelectual e culturalmente sofisticado. Mesmo tendo sido criado como católico, sempre encarei a religião de um ponto de vista cético e antropológico. Assim vi que a noção de “Revolução e Contra-revolução” é paranóica. A visão marxista é mais próxima da realidade, mas também é dogmática. Minha posição no espectro político não é de esquerda nem de direita, mas libertária, que é oposta à retrógrada e se lança para frente numa direção perpendicular ao eixo esquerda-direita.
Não considero que a descrença no sobrenatural e a adoção de um cosmovisão científica tire o encanto da vida. Em primeiro lugar a ciência é deslumbrante e maravilhosa, muito mais do que as sagas mitológicas dos Vedas, a Ilíada, a Odisséia, a Biblia ou o Corão. E a ciência não exclui a filosofia (mesmo a metafísica), nem a poesia, nem a música, nem a dança, nem o amor, nem a alegria, nem a bondade. Enfim, um ateu, inteiramente cético como eu, pode ser uma pessoa imensamente alegre, feliz, bondosa, idealista, prestativa, solidária, justa, honesta, sincera e um bravo lutador pelo prevalicimento do bem e a erradicação do mal. Mas também um eficaz esclarecedor que pretende difundir a luz da verdade onde imperam as trevas da ilusão e da ignorância. Por argumentos, esclarecimentos, demonstrações, sempre procuro levar a todos a mensagem de que as crenças no sobrenatural, em espíritos, em Deus, anjos, demônios e esse tipo de coisa são inteiramente infundadas. Que a oração é uma ilusão, que não há céu nem inferno, que a morte é o fim de tudo. Mas levar também o otimismo pelo fato de ter-se o privilégio de existir. Sim, pois esta vida é uma ocorrência raríssima no Universo e nós fomos os premiados por esta loteria que é mais difícil do que ganhar sozinho na mega-sena toda semana. Valorizar a própria vida e não viver a vida por causa da outra vida, que não existe. Nisto pode-se ser muito mais realizado, responsável e alegre do que na crença no sobrenatural. Aplicar-se a fazer o bem sem pretender nada em troca, nem o céu. E substituir a religião pela filosofia. É o que penso.
Como professor de Física (agora aposentado e só atuando na administração acadêmica), ao longo de minha vida profissional que completa agora 40 anos de magistério e mais de 20 mil horas-aula, nos níveis médio, superior e de pós-graduação, tenho sempre introduzido, em paralelo ao conteúdo precípuo da disciplina, minhas concepções filosóficas materialistas (hoje diria “fisicalistas”) de que não há nenhuma necessidade de se apelar para qualquer ser extra-natural onipotente para dar conta de se explicar tudo na natureza. Sempre respeitando os pontos de vista divergentes dos alunos fideístas, procuro mostrar que a ciência prescinde do conceito de Deus. E mais: mostro que todos os aspectos da vida, inclusive éticos, não dependem de divindade para se fazerem prevalecer. Que o bem existe por si mesmo e que ser ateu absolutamente não significa ser imoral. Infelizmente apaguei meus perfis anteriores mas, neles, os testemunhos de meus alunos, mostravam o quanto me prezavam e, até, admiravam minha postura e modo de vida. Acho que cada um de nós, ateus, na sua vida social, nas conversas com os amigos, deve aproveitar as oportunidades para levantar essa treva das crenças infundadas e fazer ver a luz do conhecimento real, da verdade cristalina de que Deus não existe e que isto é algo muito bom de se saber. Que é motivo de grande paz e felicidade, como também de maior responsabilidade em fazer prevalecer o bem sobre o mal. Tenho amigos e amigas que são religiosos mas, mesmo assim, respeitam meu ponto de vista e admiram minha postura. Infelizmente custam a se convencer. Mas isto, para mim, é um ponto de honra e, digo mesmo, uma missão de vida.
A militância ateísta de Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Michel Onfray e outros não me parece, da modo algum, agressiva e mesquinha. Pelo que já li desses autores (todos os livros do Dawkins, “Quebrando o Encanto” do Dennett, “Tratado de Ateololgia”, do Onfray e “Carta a uma nação Cristã” do Harris) eles são muito mais educados e têm muito mais consideração pelos crentes do que reciprocamente os crentes em relação aos ateus. Outros autores ateístas que já lí, como Bertrand Russell e Andrè Conte-Sponville, por exemplo, também são respeitosos em relação aos crentes. Certamente que mostram, sem meandros, como eles estão equivocados e condenam, mas mesmo assim com cortesia e elegância verbal, os aproveitadores da credulidade do povo. Esta é uma postura que precisa mesmo ser posta em prática, pois está mais do que cabalmente demonstrado como as crenças, e sua pior manifestação, as religiões organizadas, são nefastas à humanidade. É certo que muita coisa boa se fez em nome de crenças e religiões, mormente no quesito filantropia, mas nada que não pudesse ser feito sem o envolvimento das crenças e religiões. Veja-se, por exemplo, os “Médicos sem Fronteiras”. É preciso que políticos ateus, como o Fernando Henrique, assumam sua condição de peito aberto (não estou abonando e nem estigmatizando o Fernando Henrique em nada aqui, exceto nisto). Tenho orgulho em me proclamar ateu perante todo mundo, sempre que inquirido a respeito, e defendo com bons argumentos minha posição. Apesar disto sou um pessoa conceituada e respeitada em meu meio social por tudo que faço e por minha conduta pessoal e social, além de admirado em meu exercício profissional de professor e administrador escolar. Aproveito tudo isso em benefício da causa ateísta e vejo como missão de minha vida tornar o mundo melhor pelo esclarecimento do povo neste aspecto.
A coisa mais importante para uma correta conduta intelectual é o espírito livre-pensador, inteiramente dissociado de qualquer dogmatismo mas também aberto a todas as possibilidades. O dogmatismo ateísta, bem como o marxismo dogmático são extremamente nocivos, do mesmo modo que o fanatismo religioso de muitos muçulmanos e mesmo de certas facções cristãs. A postura cética correta é a postura da dúvida, jamais levada a um plano dogmático. A dúvida é um dos instrumentos da busca do conhecimento, e, portanto, da verdade. A verdade é um valor superior a qualquer crença. Assim, meu ateísmo é uma condição atual e provisória. Como já fui católico romano fiel, passando para agnóstico e depois para ateu, posso me tornar espírita ou budista. Tudo vai depender de onde eu acharei a verdade. Mas meu ceticismo é fundamental, pois sempre vou precisar duvidar de ter possuído a verdade, justamente para obter mais garantias de que a possua. O que almejo ver disseminado na humanidade, especialmente na juventude, é esta posição franca e aberta de tudo examinar e considerar, nada objetando “a priori”, por mais esquisito que seja. O problema das crenças, mesmo do ateísmo dogmático, é justamente a inflexibilidade, os antolhos da mente. Por exemplo, ando muito interssado no espiritismo, pois tenho uma irmã que o professa. Com todo o meu ceticismo, tenho lido as obras de Allan Kardec, como já li a Biblia, muitos trechos do Corão e pretendo ler os mais importantes Vedas. Mas leio também Richard Dawkins, Michel Onfray, Sam Harris e Daniel Dennett, como lí Bertrand Russell. A questão que coloco é como decidir por esta ou aquela explicação do mundo. Para mim só há duas possibilidades: a evidência dos sentidos ou as ponderações da razão. Penso que a Fé, qualquer que seja, não pode ser usada como critério de verdade, uma vez que há fiéis sinceros que creem em coisas inteiramente diferentes. Quanto ao espiritismo, não está conseguindo me convencer.
Na verdade eu nunca aceitei interiormente a cosmovisão direitista da TFP. Intimamente sempre fui um anarquista convicto. Minha aproximação com a TFP se deu por uma admiração à sua postura ética estóica e ao modo de vida intelectual e culturalmente sofisticado. Mesmo tendo sido criado como católico, sempre encarei a religião de um ponto de vista cético e antropológico. Assim vi que a noção de “Revolução e Contra-revolução” é paranóica. A visão marxista é mais próxima da realidade, mas também é dogmática. Minha posição no espectro político não é de esquerda nem de direita, mas libertária, que é oposta à retrógrada e se lança para frente numa direção perpendicular ao eixo esquerda-direita.
Não considero que a descrença no sobrenatural e a adoção de um cosmovisão científica tire o encanto da vida. Em primeiro lugar a ciência é deslumbrante e maravilhosa, muito mais do que as sagas mitológicas dos Vedas, a Ilíada, a Odisséia, a Biblia ou o Corão. E a ciência não exclui a filosofia (mesmo a metafísica), nem a poesia, nem a música, nem a dança, nem o amor, nem a alegria, nem a bondade. Enfim, um ateu, inteiramente cético como eu, pode ser uma pessoa imensamente alegre, feliz, bondosa, idealista, prestativa, solidária, justa, honesta, sincera e um bravo lutador pelo prevalicimento do bem e a erradicação do mal. Mas também um eficaz esclarecedor que pretende difundir a luz da verdade onde imperam as trevas da ilusão e da ignorância. Por argumentos, esclarecimentos, demonstrações, sempre procuro levar a todos a mensagem de que as crenças no sobrenatural, em espíritos, em Deus, anjos, demônios e esse tipo de coisa são inteiramente infundadas. Que a oração é uma ilusão, que não há céu nem inferno, que a morte é o fim de tudo. Mas levar também o otimismo pelo fato de ter-se o privilégio de existir. Sim, pois esta vida é uma ocorrência raríssima no Universo e nós fomos os premiados por esta loteria que é mais difícil do que ganhar sozinho na mega-sena toda semana. Valorizar a própria vida e não viver a vida por causa da outra vida, que não existe. Nisto pode-se ser muito mais realizado, responsável e alegre do que na crença no sobrenatural. Aplicar-se a fazer o bem sem pretender nada em troca, nem o céu. E substituir a religião pela filosofia. É o que penso.
Como professor de Física (agora aposentado e só atuando na administração acadêmica), ao longo de minha vida profissional que completa agora 40 anos de magistério e mais de 20 mil horas-aula, nos níveis médio, superior e de pós-graduação, tenho sempre introduzido, em paralelo ao conteúdo precípuo da disciplina, minhas concepções filosóficas materialistas (hoje diria “fisicalistas”) de que não há nenhuma necessidade de se apelar para qualquer ser extra-natural onipotente para dar conta de se explicar tudo na natureza. Sempre respeitando os pontos de vista divergentes dos alunos fideístas, procuro mostrar que a ciência prescinde do conceito de Deus. E mais: mostro que todos os aspectos da vida, inclusive éticos, não dependem de divindade para se fazerem prevalecer. Que o bem existe por si mesmo e que ser ateu absolutamente não significa ser imoral. Infelizmente apaguei meus perfis anteriores mas, neles, os testemunhos de meus alunos, mostravam o quanto me prezavam e, até, admiravam minha postura e modo de vida. Acho que cada um de nós, ateus, na sua vida social, nas conversas com os amigos, deve aproveitar as oportunidades para levantar essa treva das crenças infundadas e fazer ver a luz do conhecimento real, da verdade cristalina de que Deus não existe e que isto é algo muito bom de se saber. Que é motivo de grande paz e felicidade, como também de maior responsabilidade em fazer prevalecer o bem sobre o mal. Tenho amigos e amigas que são religiosos mas, mesmo assim, respeitam meu ponto de vista e admiram minha postura. Infelizmente custam a se convencer. Mas isto, para mim, é um ponto de honra e, digo mesmo, uma missão de vida.
A militância ateísta de Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Michel Onfray e outros não me parece, da modo algum, agressiva e mesquinha. Pelo que já li desses autores (todos os livros do Dawkins, “Quebrando o Encanto” do Dennett, “Tratado de Ateololgia”, do Onfray e “Carta a uma nação Cristã” do Harris) eles são muito mais educados e têm muito mais consideração pelos crentes do que reciprocamente os crentes em relação aos ateus. Outros autores ateístas que já lí, como Bertrand Russell e Andrè Conte-Sponville, por exemplo, também são respeitosos em relação aos crentes. Certamente que mostram, sem meandros, como eles estão equivocados e condenam, mas mesmo assim com cortesia e elegância verbal, os aproveitadores da credulidade do povo. Esta é uma postura que precisa mesmo ser posta em prática, pois está mais do que cabalmente demonstrado como as crenças, e sua pior manifestação, as religiões organizadas, são nefastas à humanidade. É certo que muita coisa boa se fez em nome de crenças e religiões, mormente no quesito filantropia, mas nada que não pudesse ser feito sem o envolvimento das crenças e religiões. Veja-se, por exemplo, os “Médicos sem Fronteiras”. É preciso que políticos ateus, como o Fernando Henrique, assumam sua condição de peito aberto (não estou abonando e nem estigmatizando o Fernando Henrique em nada aqui, exceto nisto). Tenho orgulho em me proclamar ateu perante todo mundo, sempre que inquirido a respeito, e defendo com bons argumentos minha posição. Apesar disto sou um pessoa conceituada e respeitada em meu meio social por tudo que faço e por minha conduta pessoal e social, além de admirado em meu exercício profissional de professor e administrador escolar. Aproveito tudo isso em benefício da causa ateísta e vejo como missão de minha vida tornar o mundo melhor pelo esclarecimento do povo neste aspecto.
A coisa mais importante para uma correta conduta intelectual é o espírito livre-pensador, inteiramente dissociado de qualquer dogmatismo mas também aberto a todas as possibilidades. O dogmatismo ateísta, bem como o marxismo dogmático são extremamente nocivos, do mesmo modo que o fanatismo religioso de muitos muçulmanos e mesmo de certas facções cristãs. A postura cética correta é a postura da dúvida, jamais levada a um plano dogmático. A dúvida é um dos instrumentos da busca do conhecimento, e, portanto, da verdade. A verdade é um valor superior a qualquer crença. Assim, meu ateísmo é uma condição atual e provisória. Como já fui católico romano fiel, passando para agnóstico e depois para ateu, posso me tornar espírita ou budista. Tudo vai depender de onde eu acharei a verdade. Mas meu ceticismo é fundamental, pois sempre vou precisar duvidar de ter possuído a verdade, justamente para obter mais garantias de que a possua. O que almejo ver disseminado na humanidade, especialmente na juventude, é esta posição franca e aberta de tudo examinar e considerar, nada objetando “a priori”, por mais esquisito que seja. O problema das crenças, mesmo do ateísmo dogmático, é justamente a inflexibilidade, os antolhos da mente. Por exemplo, ando muito interssado no espiritismo, pois tenho uma irmã que o professa. Com todo o meu ceticismo, tenho lido as obras de Allan Kardec, como já li a Biblia, muitos trechos do Corão e pretendo ler os mais importantes Vedas. Mas leio também Richard Dawkins, Michel Onfray, Sam Harris e Daniel Dennett, como lí Bertrand Russell. A questão que coloco é como decidir por esta ou aquela explicação do mundo. Para mim só há duas possibilidades: a evidência dos sentidos ou as ponderações da razão. Penso que a Fé, qualquer que seja, não pode ser usada como critério de verdade, uma vez que há fiéis sinceros que creem em coisas inteiramente diferentes. Quanto ao espiritismo, não está conseguindo me convencer.
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