sexta-feira, 23 de abril de 2010

Superdotação e polimatismo


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Tenho muito interesse no tema “superdotação”, uma vez que posso me considerar superdotado, pelo que percebo de meu comportamento desde a infância, pelos testes de QI que já fiz (cujos escores variam em torno de 142) e pelo testemunho de meus amigos. Mas nunca tive tratamento especial na escola pública em que estudei (aliás, muito boa, à época). Em casa, contudo, meus pais me municiavam de leituras e conversas estimulantes, já que eram intelectuais, como é o caso de toda a minha família, tanto materna quanto paterna. No ensino fundamental eu já estudava em livros de História e Geografia de nível superior, pois meu pai era professor dessas matérias. E nunca me contentava em saber só o que os professores ensinavam, qualquer que fosse a matéria. Comecei a estudar Filosofia com 11 anos, juntamente com Física Atômica e Nuclear, Eletrônica, Mecânica, Química e Biologia. Além disso tocava piano e pintava quadros. Só nunca gostei de esportes nem de negócios. Chamava Matemática de Boatemática. Hoje penso o quanto o mundo perde em não apoiar adequadamente os superdotados.
Procurei conhecer a Mensa Internacional para me juntar a uma comunidade de pessoas mais inteligentes, que colocassem este dom a serviço da humanidade, mas decepcionei-me com a vaidade, a presunção e a mesquinhez de muitos membros. Inteligência é algo importante, mas caráter é mais ainda.


A questão do caráter é fundamental, pois uma grande inteligência voltada para o mal é o maior desastre. Todavia vejo uma grande correlação (com exceções, é claro) entre uma maior inteligência e um comportamento ético positivo e, mesmo, um espírito de desprendimento e altruísmo. O que costuma faltar é só a modéstia. Por isso a educação tem que ser integral: inteligência, conhecimentos, habilidades e caráter. Reconhecer-se inteligente não é esnobismo, se isto é feito de forma modesta e sem presunção, uma vez que tal característica, em grande parte, não é fruto de esforço próprio, não conferindo, assim, mérito pessoal a quem a possua. É como se reconhecer feio ou bonito, gordo ou magro, alto ou baixo, isto é, trata-se meramente de uma constatação e não um auto-elogio.



Outro aspecto de minha pessoa que até atrapalha é o polimatismo. Tenho um leque muito grande de interesses  e não consigo me fixar em apenas um deles, pois então lamentaria não estar abordando os outros. Por formação profissional sou um professor de Física e Matemática, com mestrado em Cosmologia. Na área educacional tenho atuado como administrador acadêmico (sem envolvimento com a área financeira e de pessoal, apenas a pedagógica). Todavia sempre estudei de forma ampla e profunda, por diletantismo, Filosofia, História, Geografia, Biologia e Psicologia (não clínica). Também externo meus pendores artístico pintando, desenhando, compondo, cantando e escrevendo crônicas, ensaios e poemas. Monto computadores, escrevo programas, conserto qualquer coisa mecânica ou elétrica, faço móveis. Além disso, profiro palestras e navego na internet, participando de fóruns de debates.
Só não sei é ganhar dinheiro com isso tudo, pois, geralmente, trabalho de graça, colaborando, por exemplo, na diretoria de entidades artísticas, científicas e de classe, especialmente nos conselhos deliberativos. Mas sempre acabo me responsabilizando pela elaboração de projetos de captação de recursos, estatutos, regimentos e todo esse tipo de coisa. Como não sou econômico e gasto muito com livros, discos, revistas, partituras, gravuras, vídeos e outros bens culturais, mesmo ganhando razoavelmente, acabo não fechando meu orçamento e vivo enterrado em dívidas. Como não possuo propriedade alguma, não tenho nada que possa vender para saldá-las, já que minha biblioteca, em que apliquei mais de meio milhão de reais em cinquenta anos, não me renderia nem um décimo disto, se a vendesse. Mas pretendo doá-la ao povo, talvez fundando uma ONG.


Uma consequência dessas característica é que também promovem em mim uma aguda sensibilidade e consciência  da situação, o que leva à frustração de ver a ignorância, a incapacidade, a incompetência e a improbidade serem valorizadas em detrimento do esclarecimento, da cultura, da competência, da lisura e da probidade, na maior parte dos campos de atuação das pessoas. Isto é motivo de tristeza e poderia até levar à depressão, não fora o idealismo, o entusiasmo e a confiança com que me empenho em levar ao maior número de pessoas a luz da ciência, do conhecimento, da razão e da verdade, tentando por todos os meios a meu alcance (e este blog é um deles) consertar este mundo para torná-lo um lugar justo, benevolente, harmônico, próspero, aprazível e fraterno para todos os seus habitantes (não só humanos).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A carta do Papa

Ratzinger

O Vaticano divulgou a carta do Papa sobre pedofilia na Igreja.
Veja-na na íntegra em clicando aquí.

Vejam também a tradução dos comentários de Michael Nugent a respeito, clicando aqui.


Pobre humanidade... Como pode haver quem não veja esta repulsiva atitude de uma pessoa tão importante exatamente por representar um pseudo-ideal de santidade, retidão e honradez. Mas protestantes, islâmicos e outros líderes religiosos não ficam atrás em suas perversidades e falcaturas. Quando é que a luz da razão vai conseguir iluminar as trevas da fé que anestesia e imbeciliza as mentes para as mais escancaradas evidências de um projeto de dominação e lavagem cerebral perpetrada ao longo dos séculos pelos detentores do poder religioso? Certamente que há alguns crentes sinceros e bem intencionados, mas não é o que se vê nas cúpulas religiosas. Digo isso de Saulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Maomé, Martinho Lutero, Henrique VII, Calvino, Allan Kardec, que, para mim, não diferem muito de Edir Macedo ou Ratzinger. Talvez nesta lista eu só exclua Sidharta Gautama. Mesmo Jesus Cristo não sei, caso tenha existido, se era realmente bem intencionado e, neste caso, teria que ser um esquizofrênico, para supor que era um deus. Mas... pode ser. Não digo que certas lições morais pregadas pelas religiões não sejam válidas. Mas o uso que suas cúpulas fazem das noções idiotas de "temor de deus", por exemplo, é pior do que os genocídios declarados de Hitler, Mussolini, Stálin, Mao e Pol Pot, por exemplo (não que eu os apologise, pelo contrário), pois é uma subliminar e sutil dominação mental.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Primeira Classe de 7 de abril




Assista ao programa "Primeira Classe" toda quarta feira, das 20 às 22 horas, na Rádio FM da Universidade Federal de Viçosa, pelo site www.rtv.ufv.br .




Johannes Brahms (1833 -1897)Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15


Johannes Brahms was born in Hamburg in 1833, the son of a double-bass player and his much older wife, a seamstress. His childhood was spent in relative poverty, and his early studies in music, for which he showed a natural aptitude, developed his talent to such an extent that there was talk of touring as a prodigy at the age of eleven. It was Eduard Marxsen who gave him a grounding in the technical basis of composition, while the boy helped his family by playing the piano in dockside taverns.
In 1851 Brahrns met the Hungarian violinist Reményi, who introduced him to Hungarian dance music. Two years later he set out in his company on his first concert tour, their journey taking them, on the recommendation of the Hungarian violinist Joachim, to Weimar, where Franz Liszt held court and might have been expected to show particular favour to a fellow-countryman. Reményi profited from the visit, but Brahms, with a lack of tact that was later accentuated, failed to impress the Master.
Later in the year, however, he met the Schumanns, through Joachim's agency. The meeting was a fruitful one. Schumann detected a promise of greatness in the music of Brahms and published his views in the journal he had once edited, the Neue Zeitschrift fur Musik, declaring Brahms the long-awaited successor to Beethoven.
Brahms had always hoped that sooner or later he would be able to return in triumph to a position of distinction in the musical life of Hamburg. This ambition was never fulfilled. Instead he settled in Vienna, intermittently from 1863 and definitively in 1869, establishing himself there and seeming to many to fulfil Schumann's early prophecy. In him his supporters, including, above all, the distinguished critic and writer Eduard Hanslick, saw a true successor to Beethoven and a champion of music untrammelled by extra-musical associations, of pure music, as opposed to the Music of the Future promoted by Wagner and Liszt, a path to which Joachim and Brahms both later publicly expressed their opposition
The monumental nature of much of the orchestral work of Brahms is in part a sign of the great pains that went into its construction. His first piano concerto, which made no concessions to contemporary taste, was, it seems, conceived originally as a sonata for two pianos. This then became a symphony, to reach its final metamorphosis as the Piano Concerto in D minor, Op. 15, completed in this form in 1859. The concerto had its first private rehearsals, with Brahms as soloist, in Hanover in 1858, with Joachim conducting. They introduced the work to the public in January the following year to a polite reception. This relative success persuaded Brahms to the more ambitious step of a performance in Leipzig with the Gewandhaus Orchestra, conducted by Julius Rietz, once Mendelssohn's assistant in Düsseldorf and now established in Leipzig in succession to Niels W. Gade. The reaction of the audience to such a demanding work was hostile, with ironic applause from one or two and hissing from many. A well known critic found nothing good to say about the concerto and even less to commend in Brahms's performance as a pianist, at the time his principal means of earning a living.
His later supporter Hanslick, indeed, writing three years later, found that Brahms played more like a composer than a virtuoso, praising his honesty, his interpretative abilities, yet aware of inaccuracies however compelling the whole performance. A subsequent performance of the concerto in Hamburg met a better reception. In the following years the work gradually won wider acceptance, finding its way early into the repertoire of Clara Schumann, a strong advocate. The concerto is massive in its symphonic conception, described by one contemporary as a symphony with piano obbligato, and clearly posed problems to its first audiences, lacking any trivial or superficial brilliance in its writing and calling for sustained attention over its very considerable length. As the symphonies Brahms was to write might seem an extension of the work of Beethoven half a century earlier, so the first of his two piano concertos seemed to continue and develop the pattern set by Beethoven's Emperor Concerto. In November 1855 Brahms had appeared as a soloist with orchestra for the first time in a performance of that concerto and included Beethoven's Fourth Concerto and Mozart's D minor and C minor Concertos in his concert repertoire at this time. These all had an observable influence on his own writing.
The first movement opens with a feeling of tragic significance, the marked trills adding to its ominous nature, before a gentler element, a foretaste of the second subject, intervenes, followed by a sudden outburst from the orchestra, which returns to its opening mood, hushed only by the entry of the soloist. The pianist succumbs, in turn, to the initial theme with its fierce trills, leading to the second subject, a hymn-like theme announced by the soloist. The material is developed in a section that makes heavy demands on the solo instrument and the recapitulation brings its own surprising shifts of key. The massive first movement is followed by a contrasting slow movement. Over the melody of the Adagio Brahms wrote the words Benedictus qui venit in nomine Domini (Blessed is he who comes in the name of the Lord), a reference, it is supposed, to his master, Schumann, although he is also said to have identified the movement with Clara Schumann The liturgical reference was later crossed out, in an attempt, to conceal, perhaps, such an overt display of feeling. A long-drawn theme is played by the strings, the bassoon joining the bass, with the piano adding its own meditation on the melody As in the first movement, the horns have a characteristically evocative part to play, however brief, while the piano continues its progress towards a new theme. The mood of the opening returns, extended in a cadenza of great serenity. The last movement, a Rondo, has a marked and energetic opening that may remind one of Beethoven, both in his Concerto in C minor and in other final movements, including, even, in some of the keyboard writing, that of the first piano sonata. The rondo form allows the inclusion of a number of contrasting ideas, an F major episode introduced by the piano and developed by the orchestra and a later episode introduced by the violins, but treated contrapuntally, as is the principal theme, before it has gone too far into a purely lyrical mood. A cadenza, marked quasi fantasia and using a dominant pedal-point, a sustained note to underpin changes of harmony, a feature characteristic of Brahms, leads to a moving conclusion.


Johannes Brahms (1833- 1897)Piano Concerto No. 2 in B Flat Major


Johannes Brahms was born in Hamburg in 1833, the son of a double-bass player and his much older wife, a seamstress. His childhood was spent in relative poverty, and his early studies in music, for which he showed a natural aptitude, developed his talent to such an extent that there was talk of his touring as a prodigy at the age of eleven. It was Eduard Marxsen who gave him a firm grounding in the technical basis of composition, while the boy earned a living for himself by playing the piano in dockside taverns.
In 1851 Brahms met the Hungarian violinist Reményi, who introduced him to Hungarian dance music. Two years later he set out in his company on his first concert tour, their journey taking them, on the recommendation of the violinist Joachim, to Weimar, where Franz Liszt held court, a visit from which Reményi profited, while Brahms failed to impress the Master. Later in the year Brahms met Schnmann, again through Joachim's agency. The meeting was a fruitful one. Schumann detected a promise of greatness in the music of Brahms and published his views in the journal he had once edited, the Neue Zeitschrift für Musik, declaring Brahms the long-awaited successor to Beethoven.
Brahms had always hoped that sooner or later he would be able to return in triumph to a position of distinction in the musical life of Hamburg. This ambition was never fulfilled. Instead he settled in Vienna in 1863 and established himself there, seeming to many to fulfil, as the years went by, Schumann's prophecy, much to the chagrin of Wagner and his supporters, who saw the succession to Beethoven in a very different light. Unlike the latter Brahms attempted no Gesammtkunstwerk and no amalgamation of the arts, as Liszt had attempted in his symphonic poems. To his friends Brahms seemed the champion of pure or abstract music without any extra-musical associations.
"The long terror" was Brahms's description of his second piano concerto, a massively impressive work completed in 1881 and falling between the second and third of the four symphonies in order of composition. Brahms had started work on the concerto in 1878 and finished the score in the summer of 1881, which he spent happily at Pressbaum, near Vienna. For its first performance in November, 1881, the composer appeared as soloist in Pest, following this, later in the same month, with performances nearer home with the Meiningen Court Orchestra under Hans von Bülow, who had espoused the cause of Brahms with the eagerness and enthusiasm that he had once shown for Wagner, before the latter eloped with his wife Cosima, illegitimate daughter of Franz Liszt. Brahms played the concerto in various towns with the Meiningen orchestra. In Vienna, however, where the first performance of the concerto took place in 1884, the critic Eduard Hanslick, a firm friend of Brahms, could only speak with reserve of the composer's technical ability as a pianist whatever his admiration for the concerto itself, praising his rhythmic strength and masculine authority, and remarking that Brahms now had more important things to do than practise a few hours a day, a kind excuse for any technical imperfections there might have been in his playing.
The first movement of the B flat major Piano Concerto opens with a dialogue between the orchestra and soloist, initiated by the French horn. The orchestra adds a second important element to the thematic material, to be interrupted by a longish piano solo. On its return the orchestra has a third item of significance to add, before the piano turns expansively to the opening melody, as the movement takes its impressive course.
The second movement, a form of scherzo, in the key of D minor, is on the same enormous scale. It is followed by a slow movement, in which a solo cello proposes the first, tranquil theme, later to be varied by the soloist, before the appearance of other material, the pianist playing music of simple and limpid beauty above a low cello F sharp, accompanied by two clarinets. This brief passage of quiet meditation leads to the return of the first theme from the solo cello and the end of the movement.
The concerto ends with a rondo that happily dispels any anxieties that might have lurked in the more ominous comers of the preceding movements, its mood inherited from Mozart and Beethoven, Brahms's great predecessors in Vienna.

quarta-feira, 31 de março de 2010

MENSAGEM DE PÁSCOA

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Aproxima-se novamente a Páscoa da Cristandade. Estou publicando a mesma mensagem do ano passado, pois julgo que continua válida. Apesar de não ser cristão, como é uma data comemorada por grande parte da população, inclusive muitos amigos meus, não me furto a comentá-la.

Como no Natal, alguns perguntam: se você não possui religião, porque deseja boa páscoa a alguém?

Não ser cristão, muçulmano, judeu ou budista não significa não ver ponto positivo nenhum no cristianismo, no islã, no judaísmo ou no budismo. E o valor que sempre se encontra nessas grandes religiões é a sua pregação pela fraternidade, pela paz (apesar de grande parte de seus seguidores usarem suas doutrinas como pretexto para fomentar a guerra), pela bondade, pela solidariedade, pela amizade e todos os valores que descendem do amor, em oposição à prepotência, a competição, a avareza, o egoísmo e a ganância. Essas são, na verdade, virtudes humanas, abraçadas por todos os que vêem o seu valor superior para a condução de uma vida plena, feliz e harmoniosa para toda a humanidade, mesmo que sejam ateus ou agnósticos. Assim, vejo essas datas (Natal e Páscoa), que são comemoradas pela maior parte da população, como uma excelente ocasião para reavivar esse espírito, mormente o de tolerância em relação a todas as crenças, especialmente quanto ao ateísmo e agnosticismo, visto por muitas pessoas como uma posição “do mal”, quando, na verdade, a maioria dos ateus e agnósticos são mais virtuosos e bondosos que muitos propalados fiéis que, na vida prática, comportam-se como hipócritas, falsos, aproveitadores, oportunistas e paladinos do vício e dos mais inconfessáveis comportamentos e atitudes. Além dessas virtudes outras há que serem fomentadas: aquelas ligadas à verdade, à justiça, à honestidade, à retidão. E mais: as ligadas à coragem, à fortaleza e à disposição para a luta pelo bem e o combate ao mal. Todas elas podem ser exemplarmente contempladas na pessoa do Cristo, que mesmo em sua simples humanidade, foi uma das maiores figuras históricas jamais surgidas. A imitação de seu comportamento e atitudes, mesmo discordando de sua pretensão em se considerar divino e não acreditando no fato de ter ressuscitado, pode e deve ser feita e isto, sem dúvida, trará grandes benefícios para a paz, a harmonia e a fraternidade entre os povos e na vida familiar e pessoal. Não possuir religião e não acreditar em Deus não exime ninguém da ética, da honestidade, da justiça e, principalmente, do amor e da bondade.

O que havia antes do Big Bang




Teoria do Big Bang




A teoria do Big Bang é um modelo que explica o fato observável das galáxias estarem afastando-se mutuamente. Sua formulação parte de uma solução das equações de Einstein para a gravitação, em que se considera o Universo como um todo como se fosse um fluido homogêneo e isotrópico. A obtenção de soluções para este modelo foi feita por Alexander Friedmann a partir das quais Georges Lemaître propôs o modelo do Big Bang, complementado pelo trabalho de George Gamow e Ralph Alpher. O nome da teoria foi dado por seu opositor Fred Hoyle.
Este artigo esclarece a maior parte dos pontos sobre a teoria:
http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Bang_Theory
Infelizmente a versão em português não é tão completa.
É preciso entender bem que o Big Bang não foi, como se pensa, uma explosão de um conteúdo para um espaço vazio, mas sim um súbito e acelerado "inchamento" do próprio espaço, pois não há vazio fora do Universo. Não há nada e vazio não é nada e sim um espaço sem conteúdo (no nada não tem nem espaço). Todo o espaço do Universo sempre foi ocupado. Quando não é por matéria, tem-se o vácuo, que é ocupado só por campos e radiação. Não existe vazio no Universo (nem fora dele).
Para uma compreensão melhor, sugiro os livros:
"Big Bang", de Simon Sigh (Record) e "Os três Primeiros Minutos", de Steven Weinberg (Gradiva).




Origem do conteúdo primevo


A questão da origem do conteúdo primevo, que começou a se expandir, não é considerada na teoria do Big Bang, pois ela não se aplica às condições de alta densidade e temperatura de então. De fato a teoria só se aplica a partir do instante 10^(-43)s (tempo de Planck). Vejam este artigo:
http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Big_Bang
Uma hipótese é que tal conteúdo (um campo denso e indiferenciado) já existia mas imperturbável, de tal forma que não havia passagem de tempo, que começou quando uma perturbação fortuita (não causada) deu início à expansão e ao transcurso do tempo. Outra hipótese é que tal conteúdo surgiu sem ser procedente de coisa alguma, de modo também fortuito e já começou a se expadir. Outra ainda é que ele seja o resultado de uma contração de um prévio Universo que terminou sua existência (incluindo seu espaço e seu tempo). Há mais possibilidades, como a conjectura dos muitos mundos (multiversos) e esta do "Universo Fecundo" de Smolin. Todavia tal hipótese encontra oposição de muitos físicos de bom calibre, como Leonard Susskind, Joe Silk, Joseph Polchinski e outros, como os proponentes da teoria das cordas e seus desdobramentos (p-branas e teoria M).
Concordo com Smolin em sua rejeição ao princípio antrópico, mas não vejo com simpatia a proposta de que a singularidade de um buraco-negro seja outro Universo. Para mim esta singularidade nada mais é do que um hiper-hiperon com a massa de toda a estrela em uma única partícula de densidade imensa (mas não infinita) em um volume não nulo, mas possivelmente da ordem do "volume de Planck", 10^(-105)m³, que seria o "quantum" de volume na teoria do loop gravitacional de Smolin.

Inexistência do tempo


Antes que o Universo começasse a se expandir, ou houve o surgimento do conteúdo a expandir ou ele estava presente, mas inteiramente estático. Em ambos os casos não havia decurso de tempo. O tempo não é algo que existe por conta própria. O tempo advém das mudanças de estado do conteúdo do Universo que caracterizam momentos, sendo sua ordem ditada pelo aumento de entropia. Assim, se nada se alterar, não há fluxo de tempo. É o que pode acontecer se houver a morte térmica do Universo, situação em que tudo estará em seu nível mínimo de energia e máximo de entropia, impossibilitando qualquer alteração de estado.

Matéria e antimatéria


Matéria e antimatéria não existiam antes do Big Bang. Suas partículas surgiram após a inflação, cerca de 10^(-36)s após o início. Antes disso devia ter surgido, do campo primordial, apenas os bósons de Higgs.

Assimetria bariogênica


A radiação de fundo provém do desacoplamento entre a matéria e a radiação, quando o Universo tornou-se transparente, 379.000 anos após o Big Bang. Até então o Universo era todo opaco (como o interior de uma única estrela) preenchido por um plasma de prótons, nêutrons, elétrons e fótons, que eram absorvidos e re-emitidos. Quando a tempertura tornou-se menor do que 3.000 K o plasma transformou-se em átomos neutros de hidorgênio e hélio (nucleosíntese primordial) e os fótons não foram mais absorvidos, passando a vagar pelo espaço. Com a expansão houve o resfiramento e a redução da frequência desses fótons, que hoje estão com 160GHz, correspondentes a microonda de 2,0mm de comprimento de onda, o que dá uma temperatura de 2,7K. Sua distribuição é altamente isotrópica (variação de 1 parte em 100.000).
Esse plasma anterior ao desacoplamento, por sua vez, originou-se da capitulação da antimatéria perante a matéria pela "violação da simetria CP (carga e paridade)", nas interações fracas (decaimento radioativo), uma vez que, o resfriamento do plasma inicial produziu igual número de partículas e antiparticulas. Esta é uma proposta de explicação. Isto significa que o decaimento radioativo de partículas e suas antipartículas não possuem a mesma taxa (meia vida). Se náo houvesse essa assimetria, todas as partículas se aniquilariam com suas antipartículas e o Universo só teria fótons (que não possuem antifótons). As partículas primordiais formadas eram híperons não estáveis, que decaem até prótons e nêutrons. Normalmente cada uma de um par formado é lançada em direções opostas (pela conservação do momentum), de modo que se aniquila com a oposta de outro par. Quem decair mais rapidamente terá mais chance de chegar até a final estável sem encontrar outra para aniquilar. Do total de partículas de matéria e antimatéria formados, a sobra de matéria é apenas um trilhonésimo do inicial (pois há um trilhão de fótons para cada próton, nêutron ou elétrona).

Outra explicação


Até onde alcança a observação do Universo (Universo Observável), não existe sinal de antimatéria no Universo. Todavia há muito mais Universo além do observável. O que pode também ter acontecido é que, durante a fase de inflação, houve um espalhamento de matéria de tal forma que alguns lugares houve predominância de antimatéria, outro de matéria, como é o caso de onde estamos. Mas os lugares em que a antimatéria predomina (e que é, de fato, a matéria de lá), estariam fora do alcance de nossa observação, isto é, fora do nosso cone de luz do passado (alhures).

Observações


Quando o campo indiferenciado primordial começou a expandir-se (e isto é o que se chama de Big Bang), logo apareceram as primeiras quantizações na forma de bósons de Higgs, que, logo, por sua vez, deram origem a quarks, antiquarks, leptons e antileptons (partículas fermiônicas). Os primeiros formaram hiperons e antihiperons que se aniquilavam ou decaiam e seus produtos de decaimento também se aniquilavam e decaiam naquela grande densidade, até pararem nos prótons e nêutrons. Isto fazia surgir fótons, mas estes não eram os da radiação de fundo, pois logo se transformavam em novas partículas, restando, após esta fase, apenas partículas (férmions) e fótons e não antipartículas, a não ser que tenham sido levadas pela inflação a regiões não observáveis do Universo. Este plasma de partículas permaneceu quase 400 mil anos interagindo enquanto o Universo se expandia, não mais inflacionariamente, até que a matéria (os férmions) se desacoplou da radiação, formando os átomos de Hidrogênio e Hélio e o Universo ficou transparente. Os fótons então existentes é que passaram a ser a radiação de fundo.
Quanto ao princípio cosmológico de homogeneidade e isotropia, ele é verificado em todo o Universo Observável e extendido, por hipótese, à região não observável. A presença de antimatéria não feriria tal princípio, já que ele se refere, especialmente, à densidade de massa-energia, à carga elétrica líquida, ao momento angular e ao momento linear, estes três últimos tendo valores médios nulos no Universo. A antimatéria não muda nenhum desses parâmetros.

A aniquilação da matéria com a antimatéria não é a causadora do Big Bang. Ela é posterior ao Big Bang. No Big Bang, não havia matéria nem antimatéria, nem radiação (fótons) mas apenas um campo indiferenciado (não era elétrico nem magnético, nem bosônico, nem fermiônico, nem gluônico, nem gravitacional, mas tudo isso ao mesmo tempo). A temperatura era a densidade de energia desse campo, que não possuia massa, pois massa é uma propriedade de partículas (quantizações de campo). Toda a massa e energia do atual Universo estava nele. O interessante é que, se o Universo é infinito, ele sempro o foi, mesmo no momento do Big Bang. Só que, então, sua densidade seria altíssima, mas extender-se-ia indefinidamente. Se o conteúdo primordial fosse limitado, entao o Universo é finito. Há controvérsias sobre isto. A expansão que se deu foi (e continua sendo) uma expansão do espaço, isto é, as coisas vão ficando mais longe umas das outras sem se afastarem, mas porque o espaço entre elas aumenta em si mesmo. Isto vale não só para galáxias, mas para qualquer distância, mesmo dentro do átomo. Nós estamos aumentando de tamanho junto com o Universo, mas isto é imperceptível no nosso tamanho.

Surgimento do conteúdo primevo


Não há necessidade de se considerar um processo cíclico para explicar a origem do conteúdo primordial que iniciou sua expansão no Big Bang. Tanto pode ser que seja proveniente de uma contração de um ciclo de tempo anterior (nesse caso haveria uma terminalidade do tempo anterior e um recomeço no novo Big Bang), mas não necessariamente. Inclusive os modelos cosmológicos de Universo fechado não implicam em ciclos. Pode ser que seja um único ciclo, que tenha um começo, um fim e pronto: acabou! Ao que parece, as medidas observacionais indicam um Universo em expansão indefinida, isto é, infinito e sem ciclos para o futuro. O erro experimental da medida da densidade de massa-energia do Universo faz com que os valores limites situem-se acima e abaixo do valor crítico de um espaço plano, que parece ser o real. Possivelmente o total de massa-energia seja nulo, como o são a carga e o momento linear e angular totais. Assim, mesmo que não haja necessidade de haver obediência a leis de conservação no surgimento do conteúdo primevo, pode ser que elas não tenham sido desobedecidas, isto é, o conteúdo total de tudo no Universo continua sendo nulo, como seria se não houvesse nada (nem conteúdo, nem espaço, nem tempo). Mas isto não é observacionalmente confirmando quanto à massa-energia (note que não falei matéria-energia, pois matéria, radiação e campo pertencem à categoria de entidades, enquanto massa e energia pertencem à categoria de atributos de entidades). Esse conteúdo primordial (com o espaço que lhe abriga) pode muito bem ter surgido sem ser proveniente de algo anterior ("do nada") e logo começado a expandir (originando o tempo).

A seta do tempo


A questão da seta do tempo pode ser melhor entendida quando se verifica que, fenomenologicamente, o tempo não é algo que existe por si mesmo, mas decorre do fato do estado do Universo sofrer alteração. Estados diferentes são associados a momentos diferentes e o ordenamento deles é dado pela ligação causal. A ligação causal só existe em sistemas complexos. Em sistemas simples os eventos são fortuitos e reversíveis, mas uma ocorrência que seja resultante de um grande número de eventos elementares terá uma relação de dependência com um outro estado que fica sendo a sua causa e cria um direcionamento temporal. Uma grandeza capaz de medir este sentido é a Entropia, pois as ocorrências macroscópicas são probabilísticas, sendo a entropia uma medida logarítimica da probabilidade de um macroestado, pela contagem do número de microestados acessíveis. Isto é, um efeito é um estado mais provável que sua causa, em termos do Universo como um todo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ideal de simplicidade


Existe uma noção de que as coisas simples são preferíveis às complexas. Esta é uma falsa noção. O que se deve buscar, em primeiro lugar, é a perfeição, entendida como a melhor adequação de cada coisa a seu propósito, de forma a produzir um resultado que atenda ao máximo de requisitos satisfatórios. Uma vez que isto seja obtido, dentre as possibilidades que assim o fazem, é preferível se optar pela mais simples, que envolva a menor complexidade. Mas não é interessante sacrificar-se a perfeição em favor da simplicidade. De um modo geral, os procedimentos mais eficazes são mais complexos. Veja-se o organismo humano ou uma nave espacial. A complexidade é quase uma exigência para a perfeição. Esta é a mesma discussão da dicotomia entre a eficiência e a eficácia. A primeira diz respeito a que o processo seja executado de forma mais econômica em termos de trabalho, tempo e custos. A segunda a que o produto atenda às pretensões a que se propõe. Considero que a eficácia seja prioritária em comparação com a eficiência. É mais importante um bom resultado do que um procedimento econômico. É claro que isto é uma questão de ponto de vista. Geralmente, no mundo dos negócios, o empresário quer eficiência, enquanto o consumidor quer eficácia. Aumento de eficiência, em geral, promove redução de eficácia, e vice-versa, em curvas de crescimento e decaimento cujo produto tem uma forma de sino, com um máximo no ponto de intercessão das curvas. O atendimento simultâneo dos dois lados do mercado estaria neste ponto. Contudo eu considero que a atividade empresarial tem sua justificativa no atendimento às demandas da sociedade e não da classe empresarial. O empresário possui uma delegação tácita da sociedade para empreender em benefício dela, pelo que tem a contrapartida do lucro. Mas o foco é o atendimento social, expresso pelo interesse do consumidor. Daí minha consideração de que a decisão ter que ser tomada no sentido da maior eficácia do que maior eficiência, mesmo com maior custo financeiro, logístico, energético (inclusive de trabalho humano) e de tempo. A solução para que isto não reflita em alta de preços é a redução da margem de lucro. Numa sociedade mais uniforme, em termos de distribuição de renda, como deve ser uma sociedade justa, não se podem admitir as altas margens de lucro praticadas em economias capitalistas selvagens como a nossa. Tudo isto pode ser melhorado pela a pulverização do capital, com a transformação dos empregados em sócios. E um caminho inverso ao da estatização e que pode levar a um socialismo anárquico, muito melhor do que a ditadura do proletariado, pois promoverá exatamente a extinção do proletariado e a transformação de toda a população em burguesia. Aliás este é o desejo dos proletários: não converter os burgueses em proletários, mas sim os proletários em burgueses. Pelo menos, é o desejo individual de cada proletário.

A verdade





Como conhecer a verdade


Ninguém pode pretender ser o conhecedor da verdade em relação a qualquer coisa. Não que a verdade seja inatingível. A verdade é a adequação entre a realidade em si mesma e o que se afirma a respeito dela. É pois uma propriedade lógica e não ontológica. Assim não existe uma coisa denominada "verdade" mas apenas um atributo das proposições (e dos juízos a que elas se referem) que lhes atribui a qualidade de estarem de acordo com a realidade em si. Surgem dois problemas: O que é a realidade em sí? Como saber se algum juízo sobre a realidade está de acordo com ela? A segunda questão se reporta aos critérios de verdade. Como estes são proposições por sua vez, há que se conferir se são verdadeiras, o que só pode ser aferido por outro critério. Isto leva a uma regressão infinita de critérios, que é o fundamento do ceticismo pirrônico, ao afirmar ser impossível ter-se o conhecimento da verdade sobre o que quer que seja. Como isto também é uma proposição, não se pode, pelo ceticismo, dizer que é verdadeira. Assim o ceticismo filosófico contém uma contradição intrínseca que, de pronto, lhe descarta como posição epistemologica válida. Há, pois, que se admitir, axiomaticamente, algum ponto de partida como critério de verdade e fazer uso dele na forma de uma crença, isto é, de uma proposição aceita sem comprovação como verdadeira. Este é o critério da evidência, constatada pelo órgãos sensoriais. Mas esta não é simplesmente uma evidência primária, pois os sentidos fornecem ilusões. A ciência possui muitos meios de testar cruzadamente o caráter de evidência. Algumas proposições, não evidentes por si mesmas, podem ter sua veracidade verificada por comprovação lógica com argumentos que, em última análise, se reportam a evidências sensoriais. Mas, de qualquer modo, é salutar se adotar um ceticismo metodológico, de forma que a certeza, dita absoluta, fica em suspenso indefinidamente, mas a veracidade é aceita provisoriamente até que alguma nova evidência venha a derrubá-la. Esta é a posição mais sensata.

A realidade


A primeira das questões levantadas diz respeito ao que venha a ser a realidade em sí. Existe uma realidade exterior à mente prescutante ou tudo não passa de uma imagem mental, sendo a única realidade a minha própria mente? Pode ser, e isto consiste no silopsismo. Todavia, a coincidência de descrições sobre o mundo exterior por várias mentes (se é que existem outras mentes) leva a uma tomada de atitude, sugerida pelo bom senso, de que o mundo exterior existe. Mas isto é uma crença. Não uma fé inabalável e irremovível, mas uma crença sensata, que a qualquer momento pode ser abandonada, caso argumentos poderosos venham derrubá-la. Esta questão da realidade merece um tópico à parte e só a estou levantando por sua ingerência na questão da verdade.
Assim, eu creio que existe uma realidade exterior independente de mim, que continua a existir mesmo que não haja mente nenhuma no Universo. Mas, como existem mentes, e eu tenho uma (quem é esse eu que é dono da minha mente é outra questão interessante para um tópico), ela procura compreender a realidade e emite juízos sobre ela, expresso por proposições, uma vez de que disponho de uma linguagem (ou juízos existem mesmo sem uma linguagem que os expresse). Então é válida a questão de saber se as proposições expressam a verdade ou não.
O critério de verdade que mencionei é o de valor objetivo, independente do particular sujeito que afirma o juízo. Mas há outra questão concernente à verdade que é o seu caráter subjetivo.

Verdade subjetiva


Como a percepção do mundo comunicada pelos sentidos não é necessariamente fiel, é possível que um sujeito afirme algo sobre a realidade exterior que, de acordo com sua percepção, é uma descrição fiel da realidade, mas que, segundo outros perceptores (que, inclusive, podem ser instrumentos inconscientes, como gravadores, câmaras ou filmadoras), não. Este sujeito tem para si mesmo que diz a verdade, mesmo que, objetivamente, não seja. Então ele não mente. Esta é uma questão jurídica primordial. Só se pode imputar culpa de faltar com a verdade se houver desacordo deliberado entre a percepção mental da realidade e o que o sujeito afirma sobre ela. Isto é mentira. Pode estar-se falando a verdade, de acordo com a própria percepção, sem que o que se afirme seja verdadeiro, objetivamente falando. A verdade, por isso, não pode ser aferida por testemunho verbal, não somente por este fato (da falha dos sentidos) mas porque o ser humano tem a capacidade de, deliberadamente, mentir. A única solução é o desenvolvimento de dispositivos confiáveis que analisem as funções mentais no momento em que se afirme algo, para verificar se se está mentindo ou não. Tais dispositivos não existem, por enquanto. Então há que se valer de provas objetivas para se apurar juricamente a verdade, sem o apelo a testemunhos. Para isto a ciênca forense, pelo menos nos países mais avançados, dispões de muitos instrumentos.


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