terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O senhor concorda que a ditdura foi a grande culpada pela decadência do ensino público atual ?‎ Mandy Bunny Z™

Sim e não. A ditadura fez um bom serviço estendendo a educação a toda a população com a abolição do "Admissão ao Ginásio" e transformando os cursos primário e ginasial no Ensino Fundamental continuado, da primeira à oitava série (hoje nono ano). Mas, com isso, teve que abrir muitas vagas (e tinha mesmo), o que acarretou aumento de despesa. Para contornar, achatou o salário dos professores, restringindo os aumentos. Então o magistério deixou de ser uma opção atrativa para as melhores cabeças, ficando relegado, fora exceções, para quem não tinha condições para fazer outros cursos mais bem remunerados. Com professores menos capazes, o nível de exigência caiu, fazendo com que os anos finais do Ensino Fundamental (antigo ginasial) ficasse muito mais frouxos, especialmente nas escolas públicas. Então o Ensino Médio também afrouxou, porque a maior parte dos que vinham do fundamental não conseguiam acompanhar o nível exigido e as reprovações se avolumaram. Para evitá-las, optou-se pelo afrouxamento das exigências. Isso é que foi devastador. Que todo mundo possa fazer o Ensino Médio é algo de clareza cristalina. Que este tenha que ser facilitado para que todos consigam é um despropósito. O que se tem é que dar condições para que todos o façam de forma difícil mesmo. Facilitar é um suicídio nacional da competência do país. Retornar às condições anteriores de qualidade, sem elitizar o ensino é o grande desafio, que, para mim, vai levar uns duzentos anos para se conseguir. Para começar seria preciso pagar muito bem aos professores, de modo que as melhores cabeças PREFERISSEM ser professores do que médicos ou advogados, PORQUE GANHA MAIS. Ou seja um professor primário, com dedicação exclusiva, teria que ganhar, como piso salarial, pelo menos cinco mil reais. E todos teriam que fazer mestrado e doutorado e ir melhorando de salário até o fim da carreira de professor universitário titular, ganhando uns trinta mil reais ou mais. Mas o concurso para entrar teria que ser duro. Precisaria criar uma nova carreira, a que os anteriores poderiam entrar por concurso e colocar a anterior em extinção, até que todos se aposentem, se não forem promovidos para a nova. A velha continuaria com o salário velho. Isso só para começar a conversa. Há muito mais a se fazer, contudo. Sugiro a leitura dos artigos do Ioschpe e do Cláudio de Moura Castro.

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