domingo, 27 de fevereiro de 2011

Professor, qual é a probabilidade de surgir um universo que dê suporte à vida - inclusive a inteligente - como a conhecemos? Essa não é uma forte 'evidência' de que há algo de inteligente no comando disso tudo?

O valor numérico desta probabilidade não é conhecido, pois não se sabe quais são todas as possibilidades de Universos que poderiam haver. Pode ser bem baixa ou até um, se não for possível haver Universo sem ser como o nosso. Qualquer que seja a resposta, isto não tem nada a ver com nenhuma pretensa inteligência comandando a evolução cósmica. Se não tivesse sido tal como é poderia ter sido outra coisa, e não existiríamos. Ou não teria sido nada e nada existiria. Existir algo e, especialmente, existirmos, é meramente um acaso. Por menor que seja a probabilidade de ocorrência de qualquer coisa, não é impossível que ela ocorra, se a probabilidade não for exatamente zero. É muito improvável você ganhar na loteria, mas sempre alguém ganha. A probabilidade do que ganhou, antes de ganhar, era a mesma de todo mundo. A probabilidade de existirmos como somos, por acaso, é muito pequena. Muitíssimo menor do que ganhar na loteria. Mas não nula e, aliás, bem maior do que alguns calculam, pois não sabem calcular. Se existimos, é porque tudo coincidiu para isto, por acaso. Daí o grande valor da vida e, em especial, da humana, pela sua suma raridade. Pode ser que não haja vida em nenhum outro lugar do Universo, exceto na Terra. Mas pode ser que haja, especialmente em nível bacteriano e, até, seja abundante.

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Um comentário:

¡REVOLUCIÓN! disse...

Uma dúvida, dentre esses 'zilhões' de possibilidades não haveria a possibilidade da existência de Deus? A possibilidade de causas metafísicas, isto é, causas não tangíveis ao método científico? Será que realmente nossas mentes estão aptas ao conhecimento da verdade? Nós medimos nossa capacidade comparando-a a que sistema externo? Isto como: será que a mente humana pode ser a 'régua' da existência? Que validade existe em avaliar a si mesmo? Concordo que tivemos avanços no conhecimento, mas só quando comparamo-nos a nós mesmos. Com isso quero dizer que muitas vezes sobrestimamos nossa capacidade intelectual e subestimamos a realidade das coisas. Ironicamente a isso se dá o nome de vaidade e parece que como uma consequência invariável desta temos a 'mentira', isto é, o 'falso'. Isso é bem parecido com os 'mitos' não? Eu vejo muitas vezes a ciência andar lado-a-lado com a vaidade, algo que é totalmente o inverso de grandes mentes que passaram por aqui, o inverso daqueles que verdadeiramente almejam conhecer a verdade.

O que parece mais razoável?, acreditar que um sistema que tem acesso a uma realidade parcial (nós) pode conhecer algo e dizê-lo como 'verdade' ou acreditar em um sistema que tem acesso a realidade total (Deus) e pode 'revelar' esta a sistemas que tem acesso a uma realidade parcial (nós), talvez pedindo somente que 'confiem'? Mais estranho é perceber que a 'queda do homem' no 'engano' foi devido a não 'confiar' nesse 'sistema total' e ainda, que a salvação, segundo os Evangelhos, se dá pelo restabelecimento dessa confiança (fé). Afinal, se existem sistemas (como nós) que não são Deus, parece que para que eles encontrem estabilidade é necessária a fé em Deus. Em outras palavras, o pecado original foi não confiar em Deus, isto é, confiar num sistema com conhecimento parcial da realidade (‘não-onisciente’(como nós)). A salvação se dá pelo reestabelecimento dessa confiança (fé); quantos personagens bíblicos alcançaram a salvação desta forma?. Assim sendo, confiar em Deus não é um caminho para salvação, mas sim o único caminho para salvação, pois, Deus é a verdade, e, sistemas que confiam na verdade tendem a continuar existindo e sistemas que confiam em não-verdades tendem a inexistência.

Claro que isso são percepções individuais que estão muito longe de alcançarem algum consenso (bem longe mesmo), mas sempre ouso convocar os amigos a uma reflexão sobre nossas limitações (afinal, como podemos conhecê-las?), mas tenho por quase certo de que estas (limitações) são muitíssimo maiores do que nossa capacidade de adquirir conhecimento. Parece que no final, ou temos que acreditar em Deus ou que somos deuses... e... do âmago da minha alma, eu não me sinto como um.

Peço desculpas desde já se cometi erros de lógica, mas, se consegui trazer algo de novo a alguém, fico muitíssimo feliz por isto.

Boa noite.

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