quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O senhor acha que é possível uma filosofia madura o suficiente a ponto de dar uma contribuição a ciência passando reflexões de consistente racionalismo, mesmo apenas filosofando, sem apelar para dados tecnicos complexos da ciência, com uma linguagem mais simples acessível à todos(as)?

Não. Essa é a questão. A simplicidade é uma ilusão. A realidade é extremamente complexa e sua apreensão precisa de aprofundamento e abrangência que requerem o domínio de conhecimentos multidisciplinares não superficiais e, de modo nenhum, simples. O fato de muitos filósofos não dominarem conhecimentos científicos lhes faz apresentarem propostas completamente descabidas. Para isso, inclusive, estou escrevendo um livro "Física para Filósofos" (http://pt.scribd.com/doc/80588829/FISICA-PARA-FILOSOFOS). Um dos grandes problemas é a ojeriza das pessoas das humanidades em relação à matemática, necessária para o entendimento da Física. Bem como o programa capenga de Física no Nível Médio, que deixa de lado a relatividade, a física quântica, a física atômica, a física molecular, a física nuclear, a física de partículas, a física da matéria condensada, as ondas eletromagnéticas, a física estatística, a cosmologia, a astrofísica. E isso pode ser dado, muito bem, no Nível Médio, pois eu trabalhei, na EPCAR, em Barbacena, na década de 1970, em que tudo isso era dado e muito bem dado, num programa excelente, o do PSSC, incluindo os "tópicos avançados". Além da Física, a Biologia, a Química e a Geologia também são importantíssimas para uma completa apreensão da realidade natural. Só a filosofia não é capaz disso. O problema é essa preocupação idiota com o que cai no vestibular. Pensei que o ENEM iria acabar com isso, mas não acabou. Uma lástima! A linguagem da ciência pode ser acessível a todos se ela começar a ser cultivada cedo, no nível fundamental e se for apresentada de forma aprazível no nível médio, de modo a despertar a curiosidade e a sede de saber. Mas nossas escolas e nossos professores parece que afugentam o interesse dos estudantes por conhecimento. Há que se proceder a uma revisão RADICAL do sistema educacional. Acabar com as aulas, as turmas, as salas de aula, as séries, as provas, as notas, os horários, os programas. Existem propostas para isso, inclusive já testadas e mostradas excelentes. Mas a inércia do governo e do professorado é imensa.

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