sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Como era/é a tua relação com a família Ernesto? Pai e Mãe?‎

Excelente. Meus pais foram meus heróis. Pessoas admiráveis em sua bondade, sua inteligência, sua cultura, sua honra, sua determinação, sua dedicação, seu trabalho caritativo, suas concepções, sua vida, enfim. Espelhei-me neles para construir meu caráter, minhas convicções. Eram verdadeiros libertários, mas pessoas de extrema nobreza e categoria. Educadíssimos. Finos mesmo. Da mais completa honestidade, probidade e lisura. Em suma, para mim, exemplos acabados de seres humanos ideais. Meus grandes amigos que nunca me mandaram fazer nada e que sempre acatei o que indicavam que eu fizesse. Pessoas justas, lúcidas, abertas, tolerantes. Empenhadas na erradicação da ignorância e da pobreza. Nossa casa era cheia de pessoas que eles levavam para comer, dormir, cuidar da saúde. Um monte de meninos e meninas, moleques de rua. Jamais meu pai teve dinheiro para ter uma casa própria, mesmo ganhando bem de tanto que gastava fazendo caridade. Pedia dinheiro emprestado para dar para os outros. Minha mãe trabalhava de sol a sol cuidando de pobres. Consertava a roupa deles em sua máquina de costura. Ensinava as mães faveladas a cuidar das crianças, a ter higiene. Mas espinafrava com elas se fossem porcas e com os maridos indolentes e beberrões. Tinha horror de políticos e de padres e pastores. Esse só queriam saber de louros em cima do trabalho dos outros. E tinham por mim e minhas irmãs um afeto paternal e maternal sem igual. Eu os adorava. Sinto imensamente a sua falta.

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