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terça-feira, 13 de março de 2018
As regras que norteiam a pesquisa científica, se rígidas e exageradas demais, prejudicam a criação intelectual? Fico pensando se cientistas do passado se sairiam bem numa banca de alguma universidade atual, devido ao grande enfoque dado a normas irrelevantes em relação ao conteúdo da pesquisa.
É isso mesmo. Atualmente se fica preocupando com filigranas e com formalismos, deixando em segundo plano o conteúdo científico propriamente dito. Isso é lamentável e revela uma mediocridade desmesurada. Como, por exemplo, o enquadramento do trabalho na "metodologia de pesquisa" estabelecida como padrão. Ora, a maior parte das pesquisas e descobertas realizadas na história de ciência não obedeceram nada disso. Os cursos de doutorado, que têm a finalidade de formar cientistas das diversas áreas, bem como filósofos e eruditos em geral, não abordam o mais importante, que é a criatividade científica. Isto é, o processo de elaborar hipóteses a serem testadas e não o de testá-las, que acaba ficando como a única atividade válida de pesquisa. Claro que testar as hipóteses é essencial. Mas, ora bolas, o mais importante é formular hipóteses a serem testadas. Isso é que precisa ser treinado nos cursos de doutorado. Desenvolver a intuição científica. Em verdade estamos numa degringolada difícil de ser contida em relação à produção científica nas entidades acadêmicas. O que faz com que as invenções, as descobertas acabem acontecendo fora da academia, nas indústrias, por exemplo. O que eu percebo, nessa burocratização toda, é que se trata de um artifício para preservar mediocridades e punir os verdadeiros talentos e, mesmo, os gênios.
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