segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Professor, admiro a sua crença no amor(erótico) incondicional, no amor imensurável, ou seja, que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo, na teoria é muito bonito, mas na prática é realmente possível?

Claro que é! Quem não permite que a pessoa amada ame também a outras pessoas, não a ama de fato. Amor não pode ser cerceado e reprimido. Não se ama e nem se deixa de amar ninguém porque se quer. O máximo que se pode fazer é consentir ou reprimir o amor, mas ele não desaparece. Nem se pode obrigar-se a amar quem quer que seja. Isto é espontâneo. Todavia, por que reprimir um amor, se amar é a a coisa mais maravilhosa do mundo? Por que não amar ao máximo de pessoas possível? Por que querer proibir alguém de amar a quem essa pessoa quiser? O fato de se amar a mais de uma pessoa não diminui nem um pouco o amor que se tem a cada uma. O ciúme é um sentimento extremamente negativo, pois significa que o ciumento quer a posse exclusiva do amor do(a) amado(a). Isto é um supremo egoísmo e o egoísmo é o pior pecado que existe. Não consigo ver o problema que poderia haver se a pessoa a que você ame também ame a outra pessoa, se com isto ela não deixa de lhe amar nem um pouco. Nunca em minha vida consegui entender este tipo de sentimento de posse da pessoa amada. Acho isto muito estranho mesmo. O pior é que tem certas pessoas que não admitem que seu amor deixe que ela ame a outras pessoas. Não só são ciumentas, mas querem o ciúme de seu amor. Isto é terrível. Quem ama quer o seu amor livre para ser uma pessoa completa e independente, inclusive para amar. A possessividade no amor é uma patologia grave. A Terra nunca será um lugar pleno de felicidade enquanto não se entender que amor é um sentimento altruísta. Admiro-me mais ainda dos cristãos, cujo mestre pregou "amai-vos uns aos outros", estabelecerem barreiras ao amor. Se devemos amar inclusive nossos inimigos, quanto mais a nossos amigos e amigas. Nem todo amor tem que ser realizado eroticamente. O amor platônico também é um sentimento belo e gratificante, bem como a amizade, quer entre pessoas do mesmo sexo, quer de sexos opostos. Mas o amor erótico não precisa ser exclusivista. Mas é claro que pode ser. O que não pode é a pessoa manter relacionamentos escondidos, sem que todos os envolvidos tenham conhecimento e dêem o consentimento. Se você ama a uma pessoa e se apaixona por outra, querendo poder viver os dois amores, ponha todos a par do fato e resolva em comum como ficará a vida de vocês. O melhor é que todos possam se amar sem problema. Mas se alguém não aceitar, há que se fazer uma escolha, pois viver na mentira é uma imoralidade inadimissível. Mas essa escolha, para que a pessoa viva de forma honesta e franca, sempre será uma perda de felicidade. É preciso que se conscientize a sociedade e, principalmente a juventude, da total falta de cabimento da exigência de exclusividade amorosa. Muitas vezes tal exigência se prende a outras razões, extrínsecas ao amor, como as econômicas. Este é um grande problema. Não se pode vincular o amor a questões econômicas. Cada pessoa adulta tem que prover-se a si própria, sem depender de nenhum relacionamento para tal. Assim a união amorosa só se dará por motivos exclusivamente amorosos. Quem não se provê de forma independente não é livre e quem não é livre não é uma pessoa humana, no sentido pleno do conceito. Um relacionamento só será pleno e venturoso se se der entre duas pessoas humanas inteiramente livres, que nele estão por desejo e nada mais. É claro que o surgimento de filhos cria responsabilidades incontornáveis. Mas a pluralidade amorosa em nada exime ninguém delas. E, se os relacionamentos são feitos entre pessoas humanas integrais, seu encerramento jamais levará a uma ruptura da amizade, da consideração, do carinho e do respeito. A não ser que um dos envolvidos tenha agido como uma pessoa cafageste. Mas esta não é humana.

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