domingo, 7 de novembro de 2010

O que o senhor pensa a respeito de Thomas Mann?

Dele só já li "A Morte em Veneza", mas identifico-me com sua dicotomia "Formiga e Cigarra", que também percebo em mim sob vários aspectos. Minha família não é de comerciantes, nem empresários nem fazendeiros, mas de uma burguesia de militares, funcionários públicos, professores, médicos, advogados, toda urbana, há muitas gerações. Gente ilustrada, mas diligente no trabalho em busca da prosperidade e com grande senso de dever. Em suma, formigas. Isto é muito forte em mim, seria a ética protestante. Por outro lado, minha índole pessoal é artística, filosófica e científica. Mas não o cientista que busca soluções práticas para problemas industriais e almeja fazer fortuna com isto. Sou o cientista que que saber a origem do Universo e coisas sem utilidade prática nenhuma, pelo menos por enquanto. Vivo no mundo da Lua e não tenho os pés nem um pouco fincados no chão. Não acumulei nenhum bem de valor para deixar de herança. Gasto todo o dinheiro que ganho nas despesas da casa e, o resto, nunca poupei nem investi no que tivesse retorno financeiro, mas em uma biblioteca que pretendo doar ao povo. Isto já me consumiu mais de meio milhão de reais, ao longo de mais de quarenta anos, mas, se eu fosse vendê-la, não acharia nem um décimo. Meu ideal é só deixar um legado para a humanidade, pois meus filhos não a querem de herança. Nem vou doá-la a nenhuma Universidade ou Prefeitura, pois já tive uma triste experiência assim, quando meu pai doou a biblioteca do avô dele, que fora adido comercial de Portugal em Belo Horizonte, na fundação da cidade, à Biblioteca Municipal de Barbacena e eles descartaram uns mil e quinhentos livros do século XIX, com encadernações em couro, de obras completas dos grandes escritores portugueses, franceses e alemães. Quero fundar uma ONG ou uma fundação. Só não tenho dinheiro para isto. Sou uma cigarra, pois também sou pintor, cantor, poeta, ensaista e conferencista, mas não ganho dinheiro
nenhum com isto, só gasto. Mas não sou boêmio.
Assim, admiro Thomas Mann nesse afã de conciliar as duas tendência, tornando-me uma síntese dialética estóico-epicurista.

Ask me anything (pergunte-me o que quiser)

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